terça-feira, 26 de setembro de 2006

Torta alemã

Torta alemã no cardápio de hoje. A receita nem é complicada. Anota aí:

INGREDIENTES:
200 g de manteiga, sem sal
1 xícara (chá) de açúcar
1 lata de creme de leite
1 pacote de biscoito maisena
leite, o quanto baste, para molhar os biscoitinhos maisena
1 lata de leite condensado sabor chocolate (ou leite condensado bem misturadinho com Toddy, ou, ainda, sorvete de chocolate, que fica muito bom!, para a cobertura)

MODO DE PREPARO:
Coloque a manteiga e o açúcar na batedeira e bata até obter um creme bem fofo e liso. Se não tiver batedeira, força nas mãos!!!
Acrescente o creme de leite (sem o soro, de preferência) e bata rapidamente apenas para misturar.
Desligue a batedeira ou descanse sua mãos e reserve.
Separe um recipiente médio para montar o doce. Pode ser uma forma daquelas de fundo falso.
Acrescente um pouco de leite num prato fundo e molhe rapidamente alguns biscoitinhos maisena no leite.
Forre o fundo do recipiente escolhido com uma camada de biscoitos.
Acrescente uma camada do creme que você reservou sobre os biscoitinhos.
Acrescente outra camada de biscoitos molhados no leite e vá repetindo o procedimento até que termine com uma camada de biscoitinhos.
Então cubra essa última camada com o leite condensado sabor chocolate ou com o sorvete.
Leve à geladeira por, no mínimo, 3 horas ou até que o doce fique bem gelado.

Sirva a seguir, com um sorriso, e cantando "Happy birthday to you", porque...
... é aniversário do maridinho alemão, hoje.


Já era lindinho e bem-sucedido quando pequeno.
Agora é lindíssimo e continua um sucesso!
Suspenso por três jogos, por conta do primeiro cartão vermelho de sua carreira, Mike vai passar o dia em casa, decansando e sendo paparicado.
Com licença.


segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Festival do Rio

A Scanner Darkly - 18h45min - Estação Barra Point. Ingresso na mão, chuva que não pára. Frio. Muito frio. Sono. Um pouco de sono. 18h23min... vou perder.
Mas não perco Havana - A nova arte de reconstruir ruínas. Documentário. E todos sabem mesmo que se é sobre Cuba, eu tô dentro. Tanto mais se não for uma visão norte-americana da coisa. Então, esse eu não perco.
E ainda tenho ingresso para O ano em que meus pais saíram de férias - nem tanto pelo Caio Blat; mais, muito mais, pelo tema, que aborda a ditadura militar e a questão da superação e da solidariedade, além de falar de futebol - e para El laberinto del fauno - direção de Guillermo Del Toro e que trata, de certo modo, do mundo das fantasias.
Mas ainda lamento perder "A Scanner Darkly".

Imaginação

Quem me vê assim, deitada na cama, enrolada no edredon, com ar despreocupado, sem hora pra nada... quem me vê saindo pra trabalhar, sorridente, carregando mala de rodinhas de cá para lá, terninho e salto alto... quem me vê em casa num feriado chuvoso, meia de dedinhos e cabelos soltos caídos nos ombros, companheira da preguiça... e até quem me vê assim, na rua, rindo à toa, feliz, como realmente eu sou... não imagina que dentro de mim mora um anjo devastador, que às vezes acorda e destrói sem piedade meus sonhos, até os mais pequeninos, simples e comuns.

Hora de acordar

Bom dia!!
A vida começou. "E é nosso empenho agradar todo dia."



O vento e a chuva
(William Shakespeare)

Quando nasci, e bem pequenininho,
Com, enfim, o vento e a chuva:
Qualquer coisa boba era brinquedinho,
Porque a chuva chovia todo dia.

Mas quando vim a ficar bem crescido,
Com, enfim, o vento e a chuva:
Trancavam portão ao vil e ao bandido,
Porque a chuva chovia todo dia.

Mas quando vim, ai de mim!, a casar,
Com, enfim, o vento e a chuva:
Com orgulho nunca pude prosperar,
Porque a chuva chovia todo dia.

Mas quando vim em camas me deitar,
Com, enfim, o vento e a chuva,
Com os porres a cabeça era um girar...
Porque a chuva chovia todo dia.

Há muito tempo o mundo começou,
Com, enfim, o vento e a chuva,
Mas isso é tudo, a peça terminou,
E é nosso empenho agradar todo dia.

(Este poema serviu de final para a comédia "Twelfth Night", escrita por Shakespeare por volta de 1600. Dentro de suas peças, Shakespeare colocava vários pequenos poemas recitados ou cantados, mesmo, pelos bufões - personagens cômicas que íam fazendo comentários sobre o que estava se passando na peça. E este poema foi transcrito de um livro delicioso que estou lendo: "Contos e poemas para crianças extremamente inteligentes de todas as idades", da Editora Objetiva.)

domingo, 24 de setembro de 2006

Hora de dormir

Com a chuva que cai, um edredon cai bem.



"... E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado."

(Marina Colassanti in "Eu sei, mas não devia" - Editora Rocco, Rio de Janeiro, 1996)




Silêncio

É bem raro que aconteça. Mas algumas vezes o silêncio incomoda, sim.

sábado, 23 de setembro de 2006

"Cristo Redentor braços abertos sobre a Guanabara" ???

E então, eu me encontrei com meu amigo Marcos Petrucelli, que veio de Sampa cobrir o Festival do Rio. Curiosamente, ele só conhece o Rio "de passagem", quando vem pra esses eventos, e então resolvi levá-lo ao Cristo Redentor, ontem, porque eu acho mesmo que é um dos lugares mais bacanas do Rio e eu iria lá, digamos, duas vezes por dia, se pudesse. E aí havia uma tremenda neblina, já na estrada.

Chegando lá em cima... que surpresa! Oh, que surpresa!! Estávamos, exatamente, dentro de uma nuvem, e não se via absolutamente nada daquela imensa e monumental estátua. Absolutamente nada, você pode conferir na foto, e vai concordar comigo. Rimos muito, disso, porque, afinal, ele começou a desconfiar que o tal do "Cristo Redentor" é uma tremenda ficção, fabricada no Projac, pra aparecer nas novelas das oito. Chegou até a desconfiar do céu azul que aparece na tv. Ora, veja!

Na descida, pequena parada no restaurante/bar. Um café pra quem é de café e um chocolate quente pra mim, que sou de chocolate quente. Não havia canela, mas acompanhavam o café uns bicoitinhos de maçã com canela. Bem gostosos.

Dali, fomos buscar a sua credencial de imprensa e depois seguimos até o Espaço Unibanco para escolher os filmes e pegar os ingressos. Nesse ínterim, eu, que ouço a "Sessão de Cinema" sempre pelo rádio, pude ouvir as duas edições "ao vivo", bem ali na minha frente. A primeira, ele fez do estúdio da CBN, na Glória, com o Sardenberg lá em São Paulo; a segunda, rolou pelo telefone, já no CBN Total, bem no saguão principal do Espaço Unibanco, enquanto escolhíamos os filmes que ele veria.

Deixei-o de volta no hotel, porque a jornada de filmes começaria dali a pouco tempo. E voltei. Mas, abusada que sou, ousei sugerir a um crítico de cinema, veja você!, o filme francês que vi, outro dia, o "Bem Me Quer Mal Me Quer". Ele prometeu ver. É ou não é o crítico de cinema mais "gente que nem a gente" que você já ouviu falar??

Primavera - por Cecília Meireles

Primavera
(Cecília Meireles)

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Ela está chegando

Além de tudo, ela vai chegar num sábado!!
Feliz sábado, colorido e perfumado como a Primavera.

O que você faria?

Vi um filme espanhol, esta semana. "O que você faria?". Fantástico. Simplesmente fantástico. Foi exibido no Festival de Gramado e já está por aqui.
Em dado momento, há um diálogo onde se comenta dos sonhos que foram sonhados, mesmo sabendo que não iriam se realizar. O texto é lindo, e foi uma pena eu não ter memorizado palavra por palavra... Mas a idéia é essa aí. Sonhar. Ainda que se saiba que nada daquilo vai acontecer de verdade, um dia. Sonhar. Sonhar. Sonhar...

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

EXTRA! EXTRA! EXTRA! - Festival de Cinema do Rio

Matt Damon vem ao Festival do Rio.

Olha que bárbaro!!!

Sobre medos

"Todo dia, enfrente pelo menos uma coisa que te meta medo de verdade."

Tô indo, então. Porque hoje vou atravessar uma rua escura, escura e sórdida, e isso, simplesmente, não é uma metáfora.

Dia da árvore

Há um caminho de árvores, ali, indo pra Saquarema, que é um dos caminhos mais lindos do mundo. Se você olha pra trás, vê uma linda estrada cheia de sombras e raios de luz do sol passando pelas copas das muitas árvores que margeiam a pista, e se continua olhando pra frente vê uma estrada quase sem fim, com árvores abrindo o caminho para você passar. É lindo, lindo, adoravelmente lindo, aquele caminho.
Hoje é o dia da árvore, no calendário escolar.
Toda pessoa devia ser como as árvores: ter beleza, ser útil, dar bons frutos e sombra a quem esteja cansado, ser forte e estar sempre de frente pra vida.

L'amitié


Somos amigas desde meninas. Muito amigas. É com ela que eu morro de rir, choro e brigo. Minha irmã diz que vamos ficar velhinhas, sentadas num banco de jardim, brigando e rindo uma com a outra. Mais ou menos como temos feito a vida inteira.
Terça-feira almoçamos juntas e nem tivemos tempo de brigar, porque a saudade era tanta, já não nos víamos há mais de um mês, eu acho, e havia muito o que contar.
Ontem à tarde ela me liga e diz a coisa mais gostosa de ouvir:
"- Maluca, eu te vi ontem e, aí, pronto! Liguei porque tô com saudade de tu!"
A praia sempre foi cenário das nossas diversões. E o palco das nossas ilusões, também. Já sonhamos muito, de frente pro mar; já choramos nossos amores perdidos, falamos mal e às vezes muito bem dos nossos namorados, e até já passamos tardes inteiras em Itapoã, ao sol que ardia em Itapoã, ouvindo o mar de Itapoã, e, claro, falamos de amor em Itapoã, quando uma de suas casas era em Salvador.
Amigos são absolutamente necessários na nossa vida.
A., minha querida, eterna, indispensável e doida amiga,
beijos,
da doida daqui.

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Boa noite

Especiarias


Eu amo o aroma da canela. Amo o aroma, o sabor, a textura, e então tenho paus de canela espalhados no interior do armário, para perfumar.
Quando quero um leite quente, coloco Toddy e uns dois pauzinhos de canela naquela xícara enorme e enquanto sobe aquela fumacinha cheirosa fico lá saboreando, sorvendo feliz e calmamente.
Há outros ares e sabores tão perfumados e doces. Deliciosamente agradáveis assim. Hoje vou libar um outro que também gosto muitíssimo. E casualmente, num próximo "post", volto a falar sobre isso.

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Enquanto ela não vem.


Manhã de sábado, 16.09.2006.
Esperando a primavera chegar.

Histórias de amor - XLIII

E então ele se deu conta do risco, cogitou do erro, e quis acabar com tudo ali mesmo, por telefone, na segurança da distância, na ausência dos olhos dela. Medo. Um medo pertinaz. Mas suava de paixão. Êxtase. Das suas palavras escorria a sede de embebedar-se ainda por mais tempo daquela paixão extasiante que já tomava conta dos dois. A razão mandava-os pôr um fim a tudo. Mas que "tudo", se ainda era tão jovem aquele amor, tão pequeno ainda, diante de toda a imensidão que ainda haveria de ser? Pediu-lhe ingênua e sinceramente: "tenha paciência comigo". E ela não pôde resistir... Rendeu-se ao doce desafio e continuou a amá-lo apaixonadamente. Porque enquanto ela o trazia de volta à vida, ele trazia a vida de volta a ela.

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Haurindo

Pois eu tomei um banho que terminou com Ekos de castanha no corpo, coloquei um jeans confortável e personalizado ("customizado" como diriam alguns - e as estrelinhas que coloquei são tão lindas...), fiz um rabo-de-cavalo, joguei um pouquinho de Paloma Picasso no ar e passei correndo por baixo (vi isso num filme e achei o máximo!! - mesmo achando um desperdício, já que me restam apenas poucas gotas de um perfume que eu amo mas nem quero mais comprar por questões filosóficas ou de princípios, como se queira chamar), coloquei uma blusa de decote quadrado que eu simplesmente amo, calcei uma botinha com meias confortáveis e macias, peguei a bolsa, cartão do banco, chave do carro, e estava pronta. Quase. Vi-me sem cor, nos espelhos, que são tantos, pela casa; pálida, esquálida, reflexo de dias e noites em reclusão na última semana, senti uma necessidade imensa do calor do sol por toda a minha pele. Passei um batom. Disfarce medíocre, mas profícuo. Respirei fundo. Dei-me um sorriso. Enfim estava pronta pra ganhar a rua, depois de tanto tempo. Ocorreu-me telefonar, antes. Descobri, então, que era desnecessário percorrer 20km pra resolver o caso. Um trajeto menor, de talvez dois mil metros, e eu já daria início a tudo daqui mesmo, de tão perto. Ótimo, pensei. Acomodei-me um pouco, pelos 18 quilômetros desprezados. Li Clarice Lispector, fragmentos, que dizia, então, em algum ponto: "A quem devo pedir que na minha vida se repita a felicidade?", e perdi-me debatendo mentalmente essa idéia aparentemente simplista. Um cheiro de terra molhada invade a casa e é o vento trazendo a chuva, que não se demora nem mais dois minutos. Barulho de água caindo do céu, batendo nas folhas, escorrendo no chão. Um giro no corpo e eu vejo pelas luzes da rua o caminho da chuva no começo da noite. Ela vem na direção da varanda, como se quisesse dar de beber às flores, e então aumenta a intensidade, como se, sôfrega, quisesse logo chegar. Fico ali fitando o espetáculo, que já na próxima rajada se move em outra direção. E agora ela cai intensa, firme, numa linha, vertical. E é ainda pela luz da rua que eu consigo ver o desenho da chuva, que vai alternando entre deitar seus pingos brandamente e cair em abundância sobre a terra já umedecida. Não vejo a lua. Aos poucos, tiro os sapatos... E mantendo as meias confortáveis nos pés, solto os cabelos, recosto-me no travesseiro, chamo Vander Lee pra cantar "Meu Jardim", e deixo para amanhã os problemas do mundo. Com licença, porque "tô relendo minha lida, minha alma / meus amores / to revendo minha luta, minha vida / meus valores / refazendo minhas forças, minhas fontes / meus favores / tô regando minhas folhas, minhas faces / minhas flores / tô limpando minha casa, minha cama / meu quartinho / tô soprando minha brasa, minha brisa / meu anjinho / tô bebendo minhas culpas, meu veneno / meu vinho / escrevendo minhas cartas, meu começo / meu caminho / estou podando meu jardim / estou cuidando bem de mim."

Cineminha


Sabe que nestes últimos dias estou meio reclusa, por assim dizer. Então resolvi assistir a alguns filmes - vejo tão pouco, quando estou em ritmo alucinante de trabalho, que havia muita coisa a ser vista.
Sessão cineminha começou:

De "Diários de Motocicleta" bastaria dizer: EMOCIONANTE. Foi, precisamente, a minha impressão. Mas eu preciso falar de dois momentos que me fizeram derramar lágrimas: 1) a primeira vez que um leproso recebe um aperto de mão sem luva, dado por Ernesto. O encanto da cena, do homem, a sensibilidade do ator... tudo na medida certa, tudo muito emocionante; e 2) a despedida de Ernesto, quando conversa com três leprosos, na escadinha, e mais uma vez os toca e eles agradecem, tão sensibilizados.
O filme já valeria por essas duas cenas. Mas ver o próprio Alberto Granado, naquela última tomada... E, nos extras, ouvi-lo falar da admiração por Ernesto Guevara, tocaram-me profundamente. Intensamente, eu diria.

Em "De porta em porta" o que mais me encantou foi perceber a importância da mãe na vida daquele homem que mesmo sofrendo de paralisia cerebral tornou-se o "vendedor do ano" na empresa em que trabalhava, e onde conseguiu emprego por incentivo da mãe, que sempre lhe ensinou acerca da paciência e da perseverança. Lembrei da minha mãezinha e da grande incentivadora que ela é, da nossa carreira, dos nossos sonhos... Uma grande mãe!

Por fim, as comédias.
A primeira, "Tudo em família". Histórias de amor, mesmo que bagunçadas ou que bagunçam a vida sempre me emocionam. E, no final, lá estava eu chorando de novo. E não era comédia???

A outra, "A Partilha". Como não vi a peça, peguei o filme pra ver. Com uns dois anos de atraso, é verdade. O mais legal do filme? A cena em que elas dançam "Dancing Days" na praia. Que céu azul é aquele, caramba?? Ora, ora!, o céu mais azul do mundo - o céu do Rio de Janeiro. E dançam até o sol se pôr, num cenário de pôr-de-sol belíssimo, cena que valeu o filme, pra mim.

A última comédia que vi foi "O Amor Custa Caro", com duas das figuras mais lindas e charmosas do cinema: George Clooney e Catherine Zeta-Jones. Divertidíssima comédia que envolve advogados, tribunais, amor e dinheiro. Clooney faz uma cara impagável, na cena em que a personagem de Catherine se casa com o "milionário do petróleo" e o seu assistente se comove. O Sr. Miles sacando os ataques de emoção de seu colega rendeu ótimas gargalhadas aqui. Os extras também são muito bons.

E antes que eu me esqueça, o drama francês com a doce e bela Audrey Tautou, que vive a encantadora francesinha Angélique: "Bem Me Quer Mal Me Quer". Um filme que começa leve e quase pueril se transforma num eletrizante suspense conduzido de forma surpreendente. É uma história de amor cheia de surpresas. Cheguei a supor, pela sinopse, que eu iria chorar, vendo o filme. Mas, na verdade, cheguei a ter medo.

E então? Vai uma pipoca, aí?

Venha até a borda

Venham até a borda, ele disse. Eles disseram: Nós temos medo. Venham até a borda, ele insistiu. Eles foram. Ele os empurrou... E eles voaram.
(Guillaume Apollinaire)

domingo, 17 de setembro de 2006

Mike e seu primeiro cartão vermelho


Pela primeira vez na sua carreira linda e brilhante, maridinho alemão levou um cartão vermelho em campo, hoje, no clássico contra o Liverpool, no qual o Chelsea ganhou de 1x0 - quinta vitória consecutiva. Mike perdeu a bola numa disputa e, junto, perdeu a cabeça. Cometeu uma falta e foi punido com o vermelhinho, aos cinco minutos do segundo tempo.

Mas é doce e tem classe...
"É uma situação ruim para mim", declarou, contidamente. "É o primeiro vermelho da minha carreira. Eu não tive intenção de machucá-lo. Acabei de falar com ele e pedir desculpas", acrescentou.

Pois não é mesmo que depois da partida Ballack-meu-bem esperou do lado de fora do vestiário do Liverpool para se desculpar com o moço?

Mas logo vem a primavera


À uma hora da manhã do dia 23 de setembro, prepare-se. Porque passados três minutos, estará entrando no ar, pelas portas e janelas, invadindo os corações, inspirando canções, colorindo os jardins e perfumando casas e almas... ela, a primavera.
E que seja bem-vinda!

Amanhece um novo dia 17


Seis meses se passaram.
Depois de uma semana inteira de sol e céu azul, o céu acontece cinza.
O dia vem sem cor.
Gotas de chuva.
Como se fossem lágrimas.
E não importa se continuamos a chorar nossos mortos,
se eles insistem em nos fazer falta,
se a dor da saudade incomoda,
se nossa alma continua enlutada.
A vida simplesmente não pára, para os que ficam.
Os dias se renovam,
novos acontecimentos,
alegrias e tristezas.
Não sei se algum dia o dia 17 de cada mês terá outro sentido, pra mim; mas, passados seis meses, ele continua sendo um marco de dor e de uma certa melancolia.
Saudade.

sábado, 16 de setembro de 2006

Histórias de amor - edição extra

"Vou mexer nos seus planos,

confundir os seus sonhos,

Vou devolver sua vida."

Tenha um sábado feliz!


Nada é supérfluo na natureza.
(Averróis)

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Hora do lanche

Poema Ausência - por Vinicius de Moraes e Flávio Chamis


"Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.

Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos
no espaço.

E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono
desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada"

Séries da TV - Friends


Agora me diga que também não conhece o Joey!!! Joey Tribbiani
(apideiti em parceria com Agá W. - que percebeu o "Joye" mas não notou o "Tribianni". Francamente!!)

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

Dallas - Do you remember? (VII)


Jenna Wayde
Priscilla Beaulieu Presley 

Citação

"Não fazer nada é o trabalho mais cansativo do mundo pois você não pode se demitir e descansar."

Sobre ser apenas mulherzinha, de vez em quando

Dia desses, a Gio estava falando que ía fazer um "programa de mulherzinha". Aquelas coisas: salão, manicure, comprinhas básicas. Aí, hoje, lembrando disso, pensei em escrever a respeito de ser apenas "mulherzinha", de vez em quando, e de como isso é bom... Mas entre o acabar de escrever, escolher a imagem e postar, fui visitar a Taia e me deparo com a expressão lá também - só que falando da "mulherzinha mesquinha". Mas não é dessa que estamos tratando aqui! É daquela coisa boa que a gente de vez em quando quer, tipo ter alguém pra levar você de carro ao trabalho, você no banco do carona, lendo jornal; alguém pra ir à padaria buscar aquele pão quentinho; que redija pra você a petição inicial ou que prepare o recurso de um processo que você está movendo; alguém que venha buscar você em casa, na hora de passear, e que resolva os problemas com a Ceg, com a oficina mecânica, com o Globo, a operadora de celular, e ainda leve o carro pra lavar. É que cansa, ser Mulher Maravilha o ano inteiro, e cuidar de tudo, em casa, no trabalho, na vida...
Uia! Acho que estou tão carente, esses dias!
Ainda bem que isso passa e que eu tenho quem faça pelo menos algumas dessas coisinhas por mim, num raio de 100km.



update: e não é que Albinha falou em mulherzinha hoje também??? O que é isso, minha gente? O que é isso??

Bala de leite Kids - a melhor bala que havia


Roda, roda, roda baleiro, atenção /quando o baleiro parar põe a mão / pegue a bala mais gostosa do planeta / não deixe que a sorte se intrometa / bala de leite Kids / a melhor bala que há / bala de leite kids / quando baleiro parar.


Sábado estávamos passeando pelo Rio Design da Barra e, de repente, começamos a lembrar de coisas da nossa infância. Mais que depressa a música da bala de leite kids, a imagem do baleiro rodando, e aquela musiquinha deliciosa vieram a minha mente. Perguntei quantos lembravam e todo mundo levantou a mão. Rimos um bocado e cantamos a música inteirinha, como crianças. E duvido que não éramos, mesmo, naquela hora...

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Enquanto isso, na escolinha...

Na escola da periferia a professora de inglês pergunta:

- Joãozinho, úatis ióneime?
- Quê??
- Zezinho, úatis ióneime?
- Quê??
- Marcelino, úatis ióneime?
- My name is Marcelino, my father's name is Marcos, my mother is Maria, and I have no brothers nor sisters! - diz o Marcelino todo contente. Ao que a professora responde:
- Quê????

A Funarte, o Piano e a Família

(mãozinhas de V., quando tinha um ano e meio, tocando piano como o papai)

Outro dia fui ouvir um piano, na Sala Funarte. *
Final de expediente. Tão pertinho, é quase só atravessar a rua. E começo a ter noção do quanto eu tenho perdido ao deixar de freqüentar aquele espaço, que traz sempre tão boa música.
André Mehmari.
Ele brinca com os dedos, ao tocar piano. Quase um teatro, ele dança com as mãos sobre as teclas, no ar, e interpreta cada música com uma emoção especialmente própria. Tocou Chico, Lennon e McCartney, Pixinguinha, dentre outros; além de composições suas, variações, valsas e chorinhos.

Talvez porque durante toda a minha infância e adolescência eu ouvi piano, em casa, talvez porque seja mesmo um dos mais belos sons que se pode ouvir, o certo é que eu amo piano. Meus irmãos são pianistas: minha irmã é musicista por amor - pianista amador - meu irmão é músico profissional, graduado em Música, compositor, produtor, arranjador, maestro, e tudo o mais.
Tínhamos um piano em casa - hoje eles também têm piano na casa deles, naturalmente, o que é mesmo fantástico! - e, diariamente, esse era o som que meus ouvidos ouviam. Sempre tocaram muito bem - uma das razões que me fez desistir das aulas, porque eu já queria começar a tocar do jeito que eles tocavam e não me conformava em tocar "O Bife" - e além de sempre tocarem bem, sempre tocaram piano com gosto, com alegria, nunca por obrigação. A gente sente a diferença.
Acho lindo quando nos reunimos e nos pomos a cantar, com meus irmãos ao piano. É uma das cenas mais belas e inesquecíveis, que se renovam em cada encontro que temos, e que ficarão guardadas na minha memória eternamente.
Por falar nisso... quais são as lembranças eternas que você vai guardar da sua família?

*A Sala Funarte fica na Rua da Imprensa, 16. E há sempre noites musicais, ali. Você ouve boa música, enquanto passa a hora do "rush". E termina chegando em casa quase no mesmo horário, com a diferença de que a sua alma voltou alimentada.
Sala Funarte Sidney Miller

MikeBall


O "Chelsea" jogou ontem com o "Werder Bremen" pelo Grupo A da Liga dos Campeões.
Venceu por 2 a 0.
E é claro que o Ballack fez o gol que me prometeu no final de semana...
Tá vendo o que é ser um homem de palavra??

terça-feira, 12 de setembro de 2006


Primeiro dia de "quase-férias", acordo às sete e quarenta e cinco da madrugada com o telefone tocando. Tudo bem. Tento dormir de novo, não consigo. Tuuuudo bem. Levanto. Meu pai vem aqui trazer a bolsinha térmica para as compressas. Agora, sim, realmente tudo bem. Um banho quente. Os banhos sempre são quentes, a despeito da rinite. Um copo de leite com Toddy. Pessoal da internet a cabo chega e eu digo que preciso ler o contrato cuidadosamente. Dispenso-os. Eles não entendem nada e vão embora, mas sem aborrecimentos. Compreensíveis. Agenda na mão, começo a traçar a programação das "férias", que compreende oficina mecânica, "backup copy", reinstalação do Windows, arrumação do guarda-roupa, reorganização do escritório, compra das caixinhas pros sapatos, processos, doutrina e jurisprudência acerca de Ação Rescisória, compra de material elétrico - fios, reatores - para instalar a iluminação extra da sala, dentista, e um pouco de lazer. Dez horas da manhã. J., o mecânico, diz que pode ver meu carro hoje e eu vou até lá; serviço altamente vip, um empregado da oficina vem me trazer em casa e volta com meu carro, prometendo fazer o possível para me devolver ainda hoje. Tomara. Enquanto isso, N. prepara uma sopa de ervilhas pra mim (o siso deu de tentar sair, de novo, e não há espaço pra ele; a história de siso ocluso, ou "juízo fechado" retorna, depois de um ano, e talvez eu não consiga escapar, desta vez, da cirurgia para extraí-los, todos, e de preferência todos no mesmo dia - eu queria mas ninguém concorda com essa idéia). É difícil ter juízo. Dez e cinqüenta. Telefone toca. Alegria. É sempre assim. E fico pensando: começar o dia de madrugada realmente faz muita diferença! Quanta coisa já fiz!!! Acho até que já posso ir dormir um pouquinho, enquanto vocês trabalham...

Quando eles são admiráveis

O trânsito do Rio de Janeiro, quando você está sozinho, no carro, na hora do "rush", é simplesmente estressante demais! Indescritivelmente chato. Quando você está acompanhado, as coisas melhoram muuuuuito, porque você ri, brinca, conta e ouve histórias, filosofa, aquela filosofia de beira de estrada, baratinha mas profunda, faz crítica, análise, até sintática, léxica, morfológica, faz síntese, e aquela síntese da Lógica!, ri de novo, faz silêncio, enfim, quando vê, chegou!

Pois ontem eu voltava pra casa com M. Inevitavelmente, o assunto chegou naquele tema do perjúrio e do perjuro. E mais uma vez não tivemos respostas para tantas perguntas... Impressionante como aquela história de "eu lhe concedo o benefício da dúvida" não satisfaz quando só nos resta mesmo isso, sem alternativas. Terminamos rindo. Como sempre fazemos, afinal.

Deixei M. no lugar de sempre e segui sozinha os últimos cinco minutos do meu percurso. E na minha cabeça, só restou a seguinte ilação:
um homem pode ser agradável, interessante, bonito,
pode ser atraente, gentil, elegante,
pode ser charmoso, rico, inteligente...
mas se não tiver palavra não tem honra.
E sem a sua honra nenhum homem é admirável.

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Histórias de amor - XLII

Ela era como Alice no país das maravilhas.
Ele, como o sapo dos contos de fadas.
Ela, sorrindo, beijou-o.
Ele permaneceu inerte,

parado na beira do rio.
Gluuub!
Gluub
Glub
Glu
Gl
G
.

Ontem à noite

Depois de uma tarde (in)quieta, fui à locadora. Trouxe três filmes, e não me parecem ser os melhores - à exceção de "Diários de Motocicleta" - mas eu estava cansadinha, e ficar em pé, procurando filme, não era muito o que eu queria.
Hoje tem cineminha em casa de novo. Hoje e amanhã, enquanto faço compressas de água quente, no braço teimoso.

É isso aí!

Li em algum lugar que é preciso ter alguém em quem confiar e com quem se possa falar abertamente, num raio de 100km. Mais longe que isto, simplesmente não adianta...

domingo, 10 de setembro de 2006

Welcome

A ída é o começo do caminho de volta.
A volta é quando tudo recomeça.

A força do bem

A atriz Isabel Fillards tem um filho que nasceu com a Síndrome de West - uma doença rara que compromete o desenvolvimento da criança e que exige um tratamento intensivo e caro. A gravidez e o nascimento de seu filho Jamal Anuar, em maio de 2003, marcaram sua vida de forma definitiva. Ela e o marido decidiram criar "A Força do Bem" - um projeto que pretende beneficiar crianças que necessitam de cuidados especiais e não têm condições para isso. O principal objetivo é realizar o primeiro censo de mapeamento das pessoas com deficiência no Brasil, a fim de auxiliar quem não está recebendo cuidados. Divulgue esse site. Alguém pode estar precisando.

Sandra Guinle pós Páginas da Vida


Lindíssima, como se era de esperar, a exposição das esculturas de Sandra Guinle. Foi uma noite bem divertida, onde nos encontramos, eu, Taia, Taio, Moniquete, Rui, Márcia Clarinha e sua família. Depois da exposição, pedimos pizza e rimos muito, inclusive de nossa triste realidade: depois de "Páginas da Vida" Sandra está para nós assim como a girafa está para a formiguinha...

Moniquete gostou dos menininhos que custavam trinta e seis mil reais. Taia queria a bailarina que era das mesmas dimensões do moço girando o menino no ar - cento e cinqüenta mil. Eu ficaria com as meninas brincando de roda (esta da foto é a de tamanho médio; há uma pequena e uma grandona), mas, como disse o Taio, desisti porque eram quatro primas e não quatro irmãs, brincando de roda... Só por isso.

Algumas coisas só o dinheiro compra; para todas as outras, existem pizzas de chocolate e boas risadas.

Histórias de amor - XLI

Ela sentada ao luar.
Ele no mar tão distante.
E se comunicavam no silêncio.

sábado, 9 de setembro de 2006

Feliz Sábado!!!!!

Acabo de falar com V. ao telefone.
E na despedida, não poderia ser diferente - ele grita de lá em bom e alto som, com toda a alegria do mundo:

FELIIIIZ SÁBADOOOO!!!

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

Boa noite!

Ai, meu bracinho...

Dizem que sou manhosa, quando estou dodói...
A gente precisa ser forte, no dia-a-dia; precisa trabalhar sério, encarar problemas, cuidar do orçamento, decidir entre o fazer e o não-fazer, se é justo, se é legal, decidir quem tem razão... A gente mata um leão todo dia, no trabalho, no trânsito, na rua, em casa... Resolve os pepinos, apazigüa as brigas entre os amigos, cuida da mágoa dos outros, socorre a vizinha, ouve quem não tem ninguém pra conversar, dá consultoria pra quem vem em busca de socorro, trabalha no final-de-semana pra diminuir a morosidade da justiça, cuida das plantas, da casa, prepara estudantes, cuida dos amigos doentes e tristes que precisam da gente mais do que tudo... A gente briga pelos direitos dos outros, protege quem é mais fraco, encara quem é mais forte...

...e agora me diga: na hora que fica dodói a gente não tem mais é que querer um denguinho??

O esôfago

Ontem, quando fui dormir, deixei uma xícara enorme de leite quente com chocolate e canela na cabeceira da cama, para tomar com a dose do remédio, mais tarde. E fui ler a bula, já deitada.
E então, acontece que eu não posso tomar o comprimido e deitar, porque há o risco de ele ficar retido no esôfago. Era o que estava escrito lá; e que tenho, também, de tomar o comprimido com um copo inteiro de água, para não correr o risco de ele ficar preso no esôfago (nunca li tantas vezes "esôfago"!).

O tratamento é por cinco dias, e sem fazer as contas e sem ler a bula antes, comecei a tomar o remédio às 13h30min de ontem. Sendo três doses diárias, percebe-se que é preciso acordar às cinco e meia da madrugada. Tem noção?

Pois às cinco e meia eu acordei, peguei o comprimido, meio assim no automático, meio sentada, meio deitada, bebi o leite todinho, para não deixar o remédio ficar no esôfago, e voltei a deitar. Deitei e lembrei: aaaaahhhhhh!!!!! não pode deitar! Ai... que angústia! Que sono! Que raiva do esôfago! Que medo de melhorar do braço e ficar mal desse cara! Sem remédio, sentei na beirada da cama. Achei que estava bom assim. Mas pensei: será que ele sabe a diferença entre sentado e deitado? Na dúvida, levantei. E passeei por cinco minutos pela casa, porque queria apressar o caminho do comprimido. Quem sabe, com movimento, ele ía se desprendendo mais rápido e se alojando onde realmente deveria, que eu nem sei onde é...
Voltei, deitei, dormi.

Tem noção do que será repetir esse ritual até a madrugada de terça-feira??

Leo Buscaglia

Lendo Leo Buscaglia, há muito, muito tempo, aprendi que o contrário do amor não é o ódio; é a indiferença.

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Sabedoria Garfield


Todos ficamos mais pesados à medida que envelhecemos porque há muito mais informação na nossa cabeça.

Então eu não sou gordo; sou, de fato, inteligente, e a minha cabeça já não tem mais espaço, por isso começou a encher o resto do meu corpo.

Frio tremendo


Nesse frio tremendo, fico a tremer de frio. E o silêncio de ninguém na rua, num dia cinza como o de hoje, é porque cada casa tornou-se um refúgio, e cada um, um mudo de frio. Há um silêncio tão profundo, na rua, que até o suspirar das gentes se pode ouvir...

O principezinho

Era uma vez um príncipe. Um pouco desobediente, como não devem ser os príncipes. Estava longe de casa e o rei queria que ele voltasse logo pro seu reino, porque andava fazendo coisas que não agradavam à Corte.

Então, em janeiro de um certo ano, alto verão, céu azul e águas límpidas no mar, o principezinho recebeu uma carta, ordenando que voltasse rapidamente pro seu reino. Mas ele disse: não, eu não vou; eu fico. Era dia nove.

Pouco tempo depois recebeu outra carta, e agora exigiam seu retorno imediato para o reino de seu país. Quando recebeu essa carta, o príncipe estava passando à beira de um riacho, onde corriam águas livres, seguindo seu curso, sem qualquer impedimento... Naquele instante, o principezinho, que vestia sua linda roupa real, puxou da cintura a espada e então gritou: "É tempo... Independência ou Morte!"
E era o dia sete de setembro de 1822 quando isto aconteceu. E acontece que no Brasil ficou conhecido como o "Dia da Independência".

Notas:
a) É claro que histórias de príncipes têm de ser contadas de um jeito que o príncipe seja sempre belo, do bem, e herói.

b) É claro que D. Pedro decidiu ficar por aqui muito mais pelos aristocratas - que estavam muito, muito interessados em não ter seus privilégios afetados (latifúndios e escravismo) e que, em troca da futura independência, iriam dar ao principezinho todo o apoio como Imperador - do que pelo povo, o pobre povo...


c) É claro que não se deveria esquecer dos líderes do movimento que deu início a todo o processo de independência; os que por isso foram presos, trazidos para o Rio de Janeiro, que responderam pelo crime de inconfidência (ausência de fidelidade ao rei), e que, por fim, restaram condenados; até por enforcamento, tendo pedaços do corpo espalhados pelas estradas.

d) É claro que o "sete de setembro" foi apenas a consolidação de uma ruptura política. A questão social....

Muito embora tenha sido de grande valor, o fato histórico comemorado hoje não provocou rupturas sociais no Brasil. O povo, o povo que vagueava pela linha da pobreza, aquele ainda hoje tão de(sen)cantado, nem tomou conhecimento, muito menos entendeu o significado dessa tal "independência". A estrutura agrária não se modificou, foi mantida a escravidão, e a distribuição de renda permaneceu desigual. Aquela elite, que dera suporte ao príncipe, foi, realmente, quem mais se beneficiou.

e) Por fim, não é claro que apenas ficamos independentes de Portugal?

P.S.
Não é curioso que os Estados Unidos da América tenham sido (ao lado do México), o primeiro país a reconhecer a independência do Brasil? Vamos combinar: eles sempre foram muito espertos...


texto de apoio: suapesquisa.com

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Raio X

Estou indo cumprir as ordens médicas. Radiografia para ver o que ficou fora do lugar aqui no braço, que ainda dói. Mais do que deveria. Mais do que eu gostaria...

Agora, o lado dengoso da coisa: poxa... vou sozinha... ninguém pra me levar ao médico...

Nietzsche

Aos filósofos bastam os reflexos num espelho. Mas eu preciso de risos, de dança, de beleza. Por isso eu conto parábolas, faço aforismos, escrevo com sangue.
[FN-II- (II) p. 305]

Boa noite


23h54min
Quase hora das doze badaladas...
Telefone toca.
Boa noite a todos.

Gio, Suzi e Taia


Ontem à noite fizemos nossa tão aguardada rota cultural.
Suzi, Taia e Gioconda passearam pelas exposições de Anish Kapoor, no CCBB, de fotografias do Brasil, e de Di Cavalcanti, estas duas últimas no Centro Cultural da Caixa.

Caminhamos pelas ruas de "Downtown", entre um Espaço e outro, e fomos rindo, olhando a arquitetura da cidade, parando pra curtir a iluminação dos prédios antigos, contando nossas histórias de meninas, e da alegria de estarmos ali juntas, vendo coisas tão lindas e já programando a visita à exposição da Sandra Guinle.

Cada uma com seu olhar, seus sentimentos, fomos percebendo juntas as obras que estavam expostas. E foi uma experiência interessante. As esculturas "When I am Pregnant" e "Double Mirror", do Senhor Kapoor, os textos de Di Cavalcanti sobre o Rio, e a foto de Duran, daquelas pernas esticadas no carro, parece que são mesmo unanimidade!!

Conhecer a Gio foi uma alegria imensa. Falante, bem articulada, bela, sorridente e divertida, proporcionou-nos bons momentos de risos. E foi mesmo muuuuito agradável sua companhia. Além de descobrirmos amigos "quase em comum"!!!

Taia, que eu já conhecia, me encontrou no trabalho com suas bochechinhas rosadas, seu jeitinho de criança linda, e foi comigo o caminho todo, constantemente doce, sorridente, com suas histórias boas de ouvir, e sempre com conhecimentos em todas as áreas, até de medicina do trabalho!!!

Chegamos em casa tarde, e cansadas. As três. Mas valeu a pena, ô, ô, valeu a pena!!!

terça-feira, 5 de setembro de 2006

Sorri


“Sorri, quando a dor te torturar e a saudade atormentar os teus dias tristonhos, vazios. Sorri, quando tudo terminar, quando nada mais restar do teu sonho encantador. Sorri, quando o sol perder a luz e sentires uma cruz, nos teus ombros cansados, doridos. Sorri, vai mentindo a tua dor e ao notar que tu sorris todo mundo irá supor que és feliz”.

Charles Chaplin, John Turner e Geoffrey Parsons são os autores dessa música que teve versão brasileira assinada por Braguinha.

Dizem que nosso corpo não sabe fazer diferença entre um sorriso espontâneo e aquele meio forçado. E que o efeito orgânico é o mesmo. Porque um sorriso sempre faz bem.

Cada um sabe a dor que o atormenta, mas é preciso continuar sorrindo... Pode até ser um sorriso do jeito que Carlitos sorria, assim meio triste, assim um tanto amarelo, misturando o palhaço alegre que existe na gente com o adulto que reclama das coisas que não gosta, como se ainda fosse criança. Porque, afinal, somos palhaço e criança, sempre, mesmo quando crescidos. E é por isso que fazemos besteiras, bobagens e brincadeiras, às vezes sem-graça...

Hoje eu daria tudo pra ver esse sorriso de volta...

Para W.

Desde jovem sonhei com uma condição em que o trabalho, à semelhança daquilo que acontece com os artistas, pudesse ser um motivo de prazer. O trabalho não apenas como meio de vida, mas o trabalho como brinquedo. As crianças brincam por puro prazer. Imaginava uma situação em que os homens, ao terminar o seu trabalho, sorririam de felicidade, e veriam o seu próprio rosto refletido em sua obra, da mesma forma como Narciso via o seu rosto refletido na água da fonte. (Marx’s concept of man, Erich Fromm, New York, Frederick Ungar Publishing Co., 1964, “Manuscritos econômicos e filosóficos”, p.102)

Para W. que, com seu trabalho nestes últimos dias, soube brincar. E, ao terminá-lo, pôde sorrir de felicidade, vendo seu próprio rosto refletido na sua obra. Parabéns!

I'm sorry

Tssss... Deu tudo errado.

Eu não queria que o seu sorriso fosse embora, MG...

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Vamos?

Por email:

Querida Suzi,
Obrigada pelo teu olhar sensível e delicado! Espero te encontrar em minha exposição no Rio Design da Barra, fico lá té dia 10 de setembro e terei prazer em recebê-la!

Beijinho
Sandra Guinle



Perdi o coquetel de abertura, porque só li o e-mail agora, às oito e quinze da noite, mas a exposição eu não perco!
Vamos??

Meu braço, o médico e a quase-cura

Atendendo a pedidos, fui ao médico.
Trata-se de um médico que cura todos os males, sabe? Assim: você chega ao consultório, ele lhe sorri e você já começa a ficar boa. Infelizmente não posso compartilhar o nome pelo qual ele é conhecido, aqui entre nós, porque é um jogo de palavras com o seu sobrenome, mas garanto que ele faz jus!
Bem, o certo é que já voltei melhor. Vou tirar a radiografia, conforme ele determinou, porque, fratura, ele me garantiu, não houve; mas pode ter sido uma outra coisa lá que ele falou mas que eu, realmente, não me lembro qual é porque não prestei atenção, encantada... Percebe?

Sobre música


Música para se ouvir num dia de chuva.

domingo, 3 de setembro de 2006

Eu, Ballack, a bolsa e a sandalinha

- Alô? Suzi?
- Alô! Mike?
- Isso, querida, sou eu. Suzinha, estou ligando pra dizer que estou levando a bolsa; e dentro dela estão as sandalinhas que você tanto queria.
- Ai!! Que bom!!! Mas... "dentro dela"?? Ué... não tinha caixinha?? Você sabe que eu gosto das caixinhas, meu amor...
- É, mas é que assim ocupa menos espaço...
- Ah, tá. Chega logo, então, meu querido. Tem festa no fim-de-semana e eu já quero usar!
- Ih.... Suzi... eles estão vindo na minha direção...
- Eles quem, querido?
- Os fiscais...
- Como assim, "os fiscais"?
- Os fiscais da alfândega, Suzinha... Eles descobriram...
- Descobriram? O quê??
- Eu soneguei, Suzinha... Eu soneguei...


* Michael Ballack teve de pagar multa de aproximadamente US$ 90 mil, dia 31 de agosto deste ano, por não declarar à alfândega de seu país uma bolsa que comprou para sua esposa, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. O valor da multa por essa infração na Alemanha é determinado pelos rendimentos do infrator. A bolsa, comprada durante um período de treinamento com o Bayern de Munique, em janeiro, custou US$ 2,5 mil.
Fonte: Plantão Oi - Imirante.com

Páginas da Vida - Sandra Guinle


Bati os olhos nas esculturas que apareceram na novela das oito e pronto!, reconheci na hora: isso é Sandra Guinle.
Há uns dois (?) anos estive no Jardim Botânico e havia uma exposição da artista, no parque. Ao ar livre, peças imensas, lindas, como o pai brincando de girar a filha no ar, o menino soltando pipa, um carrossel... e lá dentro, no salão, as peças menores.
Fiquei encantada. Falei com ela, mostrei meu encantamento, e ela me deu seu cartão. Eu estava planejando minha mudança e decidi que teria, uma que fosse, de suas esculturas, na minha casa. E vou ter.

Visite a exposição "on line" da Sandra Guinle e se comova também.

Cada instante é sempre

Sábado. Entre a vontade de estar na festa do meu irmão e a necessidade de fazer repouso, fiquei em casa. Pela hora do almoço minha mãezinha me trouxe gel de cânfora e arnica e é impressionante o que carinho de mãe e essa tal de arnica podem fazer! Um tantão de melhora já com a primeira aplicação.
Fim de noite, um pouco de msn e, depois, sofá. Um DVD musical e muitos sonhos. É também incrível como os sonhos alimentam a alma, alimentam o corpo, até. "Dura a vida alguns instantes / Porém mais do que bastantes / Quando cada instante é sempre."* Dormi e acordei agora. E ainda não sei onde acabava-se, o sonho, onde entrou a realidade. Sei que nada sei. Ou apenas o que basta saber.


*Chico Buarque em "Sempre".

sábado, 2 de setembro de 2006

Histórias de amor - XL

Ela era o sol
Ele, a lua
Ela sorria
Ele entendia
E num piscar de olhos
Tudo se moveu
Ele era dela
Ela era eu.

Dois de setembro


Eu amo meu irmão com um amor tão profundo que nem saberia explicar - mas os sentimentos mais profundos não precisam mesmo de explicação.
Dois de setembro. Dia do seu aniversário.

Logo cedo liguei pra ele e a alegria na sua voz me contagiou. Dava pra sentir o ar de festa no lar... E. formou uma família maravilhosa, com uma mulher que tem "sorriso de criança, olhos cor do céu; sempre carinhosa, que entende quem sou eu...", como ele mesmo cantou no dia do casamento; e filhos saudáveis, muito bem educados, e inteligentes. Enquanto o papai dava-lhes banho e falava comigo ao telefone, V. e L. mandavam-me beijos, numa alegria tão evidente, que meus olhos se encheram de lágrimas dessa mesma felicidade.
Temos uma família amorável e unida. Isso é alguma coisa espetacular e viver assim é uma grande bênção. Deus foi muito bondoso ao deixar que meu irmão nascesse na nossa família. Ele é um grande presente e sempre uma inspiração.

O versinho de toda a vida, pra gente não perder o costume:
"Maninho querido
do meu coração
eu te amo muituuuuu
você é bonitão."


Feliz Aniversário!!!

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Sábado chuvoso

 
Tudo indica que o dia vai amanhecer chuvoso. Estou cansada de descansar, mas ainda é preciso. Então, Deus, que é um bom Pai, mandou a chuva, para que eu tenha vontade de ficar quietinha, deitada, descansando.
Ele sempre dá a bênção que precisamos.
Feliz sábado! 

Ainda sobre mim e a escada

C. fez um comentário adorável, no msn, quando lhe contei do meu meio alternativo de descer escadas, e sobre o queixo roxo, o hematoma na perna, e a dor no braço.

Suzi - ... virei o rosto. e arrebentei o queixo
C. - aiiii!!
Suzi - vou te mandar uma foto linda, do meu queixo roxo
Suzi - fora o roxo na perna
Suzi - na canela
Suzi - etc. etc.
Suzi - só isso
C. - só? tadinha, tão frágil... ô dózinha...
Suzi - (risos)
C. - tudo bem, também cansa estar 100% linda os 365 dias do ano, né...


Aí é que entra a questão familiar, entende? Modéstia zero.
É que C., minha primuska, é muito linda e docinha e sabe que eu estou me sentindo péssima. Então me alegra com essas piadinhas de bom gosto e pouca verdade. E eu gosto, é claro!

Vou dormir (mais) um pouquinho, agora que acabo de almoçar.
Obrigada pelos tantos bons desejos de melhoras, que tenho recebido. Isso ajuda mesmo, sabiam?

Citações

Salve!, salve!, queridíssimo Google!
E aqui está o texto de Di Cavalcanti, que me encantou, sobre o Rio de Janeiro. Está reproduzido na exposição, numa das paredes que trazem seus escritos; e pode ser ouvido por lá, porque rola um áudio enquanto você passeia pelas salas.

"O Rio de Janeiro tem coisas de que é impossível qualquer pessoa se desligar. Mesmo recebendo gente de toda parte, a cidade não consegue ser cosmopolita. Qualquer estrangeiro se torna carioca em pouco tempo.

O Rio de Janeiro exerce o milagre da esperança e todos que aqui vivem ressuscitam de hora em hora, sentindo na boca o gosto salgado de um novo batismo.

Ser autêntico carioca é possuir a dignidade de existir sem ambições supérfluas. É bastar-se a si mesmo na certeza de ser um privilegiado do destino.

Deus deu o alimento sonho ao carioca."

Di Cavalcanti


Emiliano de Albuquerque e Mello, Di Cavalcanti, é um dos mais conhecidos e importantes artistas do modernismo brasileiro. "Um perfeito carioca" é o nome que leva a exposição de 110 de suas obras.


A mostra está acontecendo no Centro Cultural da Caixa (Av. Almirante Barroso, 25, Centro, naquele prédio enorme, da Cef), vai até o dia 17 de setembro, e sabe o que eu achei bem legal? Estão ali expostos, também, textos do escritor e poeta Di Cavalcanti - um lado pouco conhecido de um artista que, vê-se, trabalhava muito bem com as letras e as palavras.
Lamentei não ter anotado o que ele falou sobre o Rio de Janeiro, sobre a inexistente vocação do Rio para ser cosmopolita - porque todos que chegam aqui viram cidadãos cariocas; algo assim.

Sobre as mulheres, ele disse isto:
"As mulheres são frívolas,
Outras são muito sérias.
Há as que se calam observando
Mas geralmente falam muito
Todas podem interessar os homens
Mesmo as feias..."
(Di Cavalcanti, Viagem de Minha Vida)


(São João, 1969 - óleo sem tela)
Di Cavalcanti viveu entre 1897 e 1976