segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

2008


"Se a vida te deu 1000 motivos p'ra chorar,
Que Deus te dê 2008 motivos p'ra sorrir."

(Marcus Melo Maia)
in memoriam

Ele não teve tempo de nos dizer isso, pessoalmente, mas o desejo estava lá anotado, na agenda pessoal, no dia 31 de dezembro... e as lágrimas escorreram dos nossos olhos.
Ele não teve tempo de começar a contar as 2008 alegrias, e sua despedida precoce foi um dos mil motivos que nos fizeram chorar neste final de ano.
Ele se foi. Nós ficamos. Ele nos desejou 2008 motivos para sorrir, e deixou uma lição: "vivamos do ontem, no hoje, e em função de um depois."
Então, não perca tempo. Aproveite cada momento da sua vida para dizer àqueles a quem você ama o quanto eles lhe são importantes. Não perca tempo com bobagens, dê razão a quem tem razão, abra mão da sua, em nome da paz. Sorria. Seja gentil. Até mesmo com quem não é amável. Seja paciente, tolerante, compreensivo. Seja amorável, terno, afável. De repente, tudo acaba. E o que importa, no final de tudo, é mesmo ter tocado o coração das pessoas.
Feliz 2008! Saúde e sabedoria. Amor, paz e justiça.

sábado, 29 de dezembro de 2007

Feliz Sábado!!

"... É como ter o sol irradiante dentro d'alma! É a alegria de andar sobre a terra, e a arte de voar até as nuvens. É o dom de tornar brandos ou duros os deveres...

O amor concilia tudo, prendendo-nos à vida, e pondo-nos no coração o medo de perdê-la.

(...)

Quantas vidas renascem por um pouco de amor..."

(Clarice Lispector)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Programa de Quinta-feira



A manhã e a tarde de quinta-feira nós passamos no Jardim Zoológico. Precisávamos levar os pais de M. para passear. Algum lugar que os distraísse, os fizesse rir um pouco; que lhes colocasse em contato com a Natureza e com Deus. Perder um filho, você sabe, não é nada fácil; é como se lhe arrancassem do peito o seu próprio coração, eu imagino. É uma dor cruel, eu percebo.

E ali estávamos nós. À alegria e à irreverência dos macacos e chimpanzés, à beleza do condor de asas abertas, ao charme dos pavões e da girafa, juntamos nossa admiração. Mas em mim havia um misto de respeito e tristeza, porque existe a dor de ver animais confinados. Um sol de quase 40 graus e pingüins expostos, bichinhos procurando sombra... a água disponível para banho igualmente exposta ao sol e, portanto, incapaz de refrescar os animais... Saí achando que Zoos não deveriam mais existir. E que os restaurantes localizados dentro do Parque deveriam servir, necessária e exclusivamente, comida vegetariana.

Às 17h30min eu estava saindo de Copacabana. Às 19h40min eu ainda estava na Barra da Tijuca. Misturavam-se, aqueles que voltavam do trabalho, com aqueles que já pegavam a estrada para sair da cidade, e com os que íam ao shopping, às compras e ao "Cirque du Soleil". Um caos.

De repente, toca o telefone. Era M. que havia ganho de presente três ingressos de cadeiras especiais no Maraca, para ver o Jogo das Estrelas. O presente foi na intenção de nos animar, em meio à tristeza que tomou conta de nós desde o dia 24. E o A. acertou em cheio, pois precisávamos mesmo de alguma coisa como aquela festa. E estava ali um jeito de sair daquele engarrafamento-monstro pra uma coisa melhor que ir pra casa dormir. Nem pensei duas vezes; aceitei o convite e não me arrependi.

Zico deu show. Jogou, mais uma vez, os 90 minutos. Saiu uns 5 antes do apito final, para nos dar a chance de gritar num grande coro: "Hei! Hei! Hei! O Zico é nosso Rei!", e receber os aplausos de um Maracanã lotado com mais de 40 mil pessoas!
Só mesmo o Zico! Um espetáculo, com a participação especial da maior torcida do Brasil, a mais irreverente do mundo!


Toda a cobertura da partida você pôde ler nos sites, nas revistas e nos jornais, mas a emoção e o divertimento, mesmo, só quem esteve lá para ouvir coisas do tipo:
"Ô... Obina é melhor que o Eto'o! Obina é melhor que o Eto'o! Obina é melhor que o Eto'o! Ôoooo!" - "É... O Zico é melhor que o Pelé! O Zico é melhor que o Pelé! O Zico é melhor que o Pelé! Éeeeee!" - "Lá-lá-lá-lá-il! o Dinamite parece o Clodovil!" - a musiquinha do Renato Gaúcho (que jogou no time do "Flamengo 1987" e mesmo assim foi vaiado) - as "homenagens" à Ana Paula, a auxiliar que "bandeirou" uma porção de impedimento que não existiu, impedimento até do Zico... fala sério!

O Bradesco patrocinou o evento, e ao nosso lado havia uma torcida de camisas vermelhas, com bandinha e tudo, formada por bancários, provavelmente. mais uma vez a irreverência da torcida rubro-negra nos proporcionou um momento espetacular de risos: no final da partida, ouvia-se "Uh!! O Bradesco é pior que o Itaú! O Bradesco é pior que o Itaú! O Bradesco é pior que o Itaú! Uuuuuhhhhhh!"

E, por último, pra completar a seqüência, se não estava nas azuis especiais, você ainda perdeu a cena em que o repórter do SBT tentava gravar a matéria e esquecia o texto porque se preocupava mais com o cabelo. Não sei o nome dele, mas "Narciso" lhe cairia muito bem.
O moço gravava e regravava, e repetia e repetia, porque esquecia, porque ventava nos cabelinhos dele. E parava tudo para arrumar o cabelo. E voltava, e passava a mão nos cabelos... Até que uma hora, lá, completamente "sem-noção", esquecendo que estava diante da torcida do Flamengo, ele chega mais pertinho do câmera e o moço passa a mão nos cabelinhos do repórter, pra colocar no lugar. Ah, meu amigo... Pra quê?!! Você imagina o que aconteceu, né? A torcida não perdoa, meu querido. Não perdoa meeeeesmo! E se o moço não conseguia gravar, imagine depois dessa!
E eu não consegui mais parar de rir.

No final, a gente combinou: essa "fica só entre mim e a torcida do Flamengo", como se costuma dizer por aí.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Jogo das estrelas

Ano passado eu só dei a notícia.
Este ano EU FUI!!!
Vou contar tudinho. Mas amanhã.
Por enquanto, fica a imagem do primeiro dos dois belos gols do Galinho de Quintino.
E, cá entre nós, o Galinho arrebentou!!!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Um texto que me fez chorar

Às vezes leio algumas coisas, por aí, que me emocionam de modo especial. Sabe aquela história de tocar o coração das pessoas? Pois é. Ele tocou o coração de alguém que, de alguma forma, também já tocara o seu. Ao ler, aconteceu o mesmo comigo, e eu desabei em lágrimas. Experimente ler de coração aberto. E procure o seu jeito de fazer a diferença na vida de alguém.


"Desço na estação Jurubatuba e paro no quiosque onde sempre encontro a turma. E sem perceber fico por ali até a madrugada. Estou carregando uma bolsa térmica da Sadia. Presentinho de um fornecedor. A turma começa a se despedir. Eu fico mais um pouco. Quando aparece o Oliveira.

Oliveira é catador de latinhas. Não sei o seu nome. É negro, com uma barba branca. Difícil precisar sua idade. Ele caminha pelo recinto catando latinhas e como no quiosque não vende cigarros ele sai perguntando se alguém quer que ele vá ao shopping para comprar. Querem. Ele ganha o troco de caixinha. Ele limpa os carros dos freqüentadores do quiosque. Ele engraxa sapatos, ele ajuda o dono do quiosque a arrumar as cadeiras e a lavar o chão. Faz isso por ajudar, não ganha nada não. Só de vez em quando o dono dá pra ele um marmitex que ele nem abre. Leva pra casa para as crianças. 'Amanhã tem corrida em Interlagos, eu tenho que ir cedo para catar as latinhas de cerveja. Tem muito catador. É uma máfia. Se eu me der bem amanhã, dá pra conseguir uns cinqüentinhas".

Oliveira mora no Jardim Cocaia, muito longe daqui do bairro. Mas ele vai a pé. Não anda de ônibus, pra economizar. Todo dinheiro que ganha durante a noite ele dá para a patroa comprar comida. Tem dois filhinhos novos, ainda. Votou no Lula. 'Ô homem bom!'.
- No Lula?
- Ele cuida dos pobres. Se ele sair vão acabar com a ajuda que ele dá pra gente. É por isso que ninguém gosta do Lula, porque ele cuida da gente. É Deus no céu e Lulalá. (Falar o que pra ele? Que ele tá errado?)

É muito difícil andar pela madrugada no bairro sem encontrar o Oliveira. '- Boa noite patrão! Tá tudo bem. Eu vou acompanhar o senhor até sua esquina. Teve um assalto hoje, ali no seu bairro.' E assim vamos caminhando e conversando; é uma noite meio fria, esta sexta feira. Choveu muito durante o dia.

Ele nunca conheceu seu pai nem sabe quem é. Nem por isso faz da sua vida um drama. Ele odeia filmes porque dá sono. Odeia ler, também. O que ele gosta mesmo é de ver o programa do Gugu. E aproveita e pede 'O senhor pode escrever uma carta pra mim? É pro Gugu. Eu quero que ele me ajude a voltar pra minha terra'. É corintiano doente. Mas não liga nem sofre. 'Esses jogadores estão com o burro na sombra. Eu não fico sofrendo por causa deles não, moço'.

Ele emenda um assunto com o outro. 'Você viu, seu moço, o sobrinho da Fátima morreu. Se matou. Como é que alguém com a vida tão bonita, com dinheiro, estudado. Um moço bonito, sabe?, pode conquistar qualquer mulher. Tanta coisa boa pra se fazer na vida. Como é que um ser humano desse vai querer morrer? Mas sabe o que é isso, seu moço? Este povo estuda muito pra ficar burro. O rapaz que se matou era ateu. Falava que Deus não existe. Agora quem não existe é ele, né, moço?'.

Oliveira, não sabe que eu trabalho em agência de publicidade, que estudei muito. Que tenho um blog. Não sabe o que é orkut. Ele queria mesmo era uma TV daquelas bem grandes pra poder assistir o Gugu. Faustão ele não gosta não. Ele diz que 'depressão é coisa de rico; pobre não tem tempo pra isso não, moço.' Ele não sabe o que é você ler, ler e ler, e continuar sabendo que você não leu um quinto do que deveria ter lido para ser considerado alguém, no mínimo, inteligente. Ele não gosta de religião nenhuma não. Mas gosta de ler os salmos. Ele acredita em Deus. Ele aprendeu a rezar e sempre faz isso. 'Deus é muito bom, moço!' Ele não sabe como a gente é idiota e se preocupa com um monte de coisas que ele sequer imagina que existam. Ele pretende ganhar cinqüentinha amanhã pra gastar no mercado. Nem imagina que acabei de gastar o dobro disso com cervejas. Ele não sabe a agonia que é ficar preso no trânsito da marginal Pinheiros com tantas praias lindas lá na terra dele, 'que se o Gugu, ler a minha carta, eu vou voltar e vou vender água de coco na praia.Vende muito, moço, vai muito turista lá.'

Enfim, chegamos na minha esquina. Me despeço e agradeço a companhia. Num impulso ofereço a bolsa térmica que estou carregando. Digo que é um presente de natal. É simples, tem um peru e um pernil. 'É pra você comemorar o natal com sua familia.' Ele abre a bolsa. 'Moço, faz tanto tempo que não como isso não! Minha patroa vai adorar. Obrigado patrão!'
- Feliz natal, Oliveira!"


postado por Amigão

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Natal na Ilha do Nanja


Cecília Meirelles

Na Ilha do Nanja, o Natal continua a ser maravilhoso. Lá ninguém celebra o Natal como o aniversário do Menino Jesus, mas sim como o verdadeiro dia do seu nascimento. Todos os anos o Menino Jesus nasce, naquela data, como nascem no horizonte, todos os dias e todas as noites, o sol e a lua e as estrelas e os planetas. Na Ilha do Nanja, as pessoas levam o ano inteiro esperando pela chegada do Natal. Sofrem doenças, necessidades, desgostos como se andassem sob uma chuva de flores, porque o Natal chega: e, com ele, a esperança, o consolo, a certeza do Bem, da Justiça, do Amor.

Na Ilha do Nanja, as pessoas acreditam nessas palavras que antigamente se denominavam "substantivos próprios" e se escreviam com letras maiúsculas. Lá, elas continuam a ser denominadas e escritas assim.

Na Ilha do Nanja, pelo Natal, todos vestem uma roupinha nova — mas uma roupinha barata, pois é gente pobre — apenas pelo decoro de participar de uma festa que eles acham ser a maior da humanidade. Além da roupinha nova, melhoram um pouco a janta, porque nós, humanos, quase sempre associamos à alegria da alma um certo bem-estar físico, geralmente representado por um pouco de doce e um pouco de vinho. Tudo, porém, moderadamente, pois essa gente da Ilha do Nanja é muito sóbria.

Durante o Natal, na Ilha do Nanja, ninguém ofende o seu vizinho — antes, todos se saúdam com grande cortesia, e uns dizem e outros respondem no mesmo tom celestial: "Boas Festas! Boas Festas!"

E ninguém pede contribuições especiais, nem abonos nem presentes — mesmo porque se isso acontecesse, Jesus não nasceria. Como podia Jesus nascer num clima de tal sofreguidão? Ninguém pede nada. Mas todos dão qualquer coisa, uns mais, outros menos, porque todos se sentem felizes, e a felicidade não é pedir nem receber: a felicidade é dar.

Pode-se dar uma flor, um pintinho, um caramujo, um peixe — trata-se de uma ilha, com praias e pescadores ! — uma cestinha de ovos, um queijo, um pote de mel... É como se a Ilha toda fosse um presepe. Há mesmo quem dê um carneirinho, um pombo, um verso! Foi lá que me ofereceram, certa vez, um raio de sol!

Na Ilha de Nanja, passa-se o ano inteiro com o coração repleto das alegrias do Natal. Essas alegrias só esmorecem um pouco pela Semana Santa, quando de repente se fica em dúvida sobre a vitória das Trevas e o fim de Deus. Mas logo rompe a Aleluia, vê-se a luz gloriosa do Céu brilhar de novo, e todos voltam para o seu trabalho a cantar, ainda com lágrimas nos olhos.

Na Ilha do Nanja é assim. Árvores de Natal não existem por lá. As crianças brincam com pedrinhas, areia, formigas: não sabem que há pistolas, armas nucleares, bombas de 200 megatons. Se soubessem disso, choravam. Lá também ninguém lê histórias em quadrinhos. E tudo é muito mais maravilhoso, em sua ingenuidade...

É assim que se pensa na Ilha do Nanja, onde agora se festeja o Natal.

Cecília Meirelles descreveu o Natal na Ilha. E você, como descreveria o Natal na sua vida? A felicidade é dar? Mesmo uma flor, uma fatia de bolo, um quilo de feijão, uma lata de óleo, um pote de doce de abóbora, um abraço, um bilhetinho? Dar amor, dar um pedaço de pão, dar a quem tem fome, a quem tem sede, a quem tem frio, a quem pouco ou nada tem. Dar o melhor sorriso, o maior abraço. Dar de coração. Dar o coração.

Eu queria que todos, no mundo inteiro, os bondosos, e até mesmo os que não têm amor no coração, tivessem uma noite de paz e um dia de Natal onde a bondade e a felicidade reinassem soberanas. Para que os benfeitores tivessem a bênção da recompensa por toda a vida de bondade que vivem, e os malfeitores, sem amor, vissem como é maravilhoso um mundo de paz. Mas não é assim que acontece...

E não acontece aqui, bem perto de nós, onde famílias terminam por celebrar a noite de Natal em meio a lágrimas e à dor da saudade, porque a maldade e a violência desta cidade enlouquecida e sem Deus retiraram de nós nossos entes queridos, exatamente na véspera da noite de Natal.

Há um clima de tristeza e lágrimas, e o que nos consola é a esperança que nos traz a certeza da ressurreição:
Aquele que crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá.
João 11:25

domingo, 23 de dezembro de 2007

Ufa!!!!!!

Quando a imagem diz tudo.



p.s.
ou quase tudo; pois por aqui há bem menos sacolas e bem mais cansaço!

sábado, 22 de dezembro de 2007

Feliz Sábado!!!

Acho que sábado é a rosa da semana; sábado de tarde a casa é feita de cortinas ao vento, e alguém despeja um balde de água no terraço; sábado ao vento é a rosa da semana; sábado de manhã, a abelha no quintal, e o vento: uma picada, o rosto inchado, sangue e mel, aguilhão em mim perdido: outras abelhas farejarão e no outro sábado de manhã vou ver se o quintal vai estar cheio de abelhas. (...)

No Rio de Janeiro, quando se pensa que a semana vai morrer, com grande esforço metálico a semana se abre em rosa: o carro freia de súbito e, antes do vento espantado poder recomeçar, vejo que é sábado de tarde.





Clarice Lispector in "Para não esquecer"

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Quando a exceção acontece

Muito bem. Eu já disse que só há duas possibilidades de você me ver num casamento. Pois se toda regra tem exceção, hoje é dia de exceção.
Acontece que há cerca de um mês fui cantar num casamento; essas coisas são pagas, você sabe. Ao final, como costuma acontecer, uma outra noivinha veio falar comigo e com a pianista. Eu não canto em casamento aos sábados, por princípio, e como aprendi que o dia começa com o pôr-do-sol, considero que o sábado começa no pôr-do-sol da sexta-feira.
Agora, pra você entender, estamos no finalzinho da sexta, quase começo do sábado.
Mas naquele dia aquela mocinha veio falar com a gente e dizer que casaria no dia 21 de dezembro. E de repente ela contou sua história. Não tinha vontade de casar na igreja, mas a mãe queria muito, e então, para fazê-la feliz, resolveu fazer a cerimônia religiosa na igreja. Mas agora, que triste, a mãe havia falecido.
O que, de repente, era só para agradar a mãezinha passou a ser desejo próprio. Um misto de emoção, saudade, gratidão, homenagem, aliado a uma percepção da importância do gesto.
Contou que já era órfã de pai, e que só tem um irmão - mais ninguém, neste mundo; que seu grande sonho é ter uma família de novo, e grande; e é agora que vai começar a construí-la.

Ali estava eu, já comovida com a história da menina que perdeu a mãe para a morte, e que continuava a sonhar, apesar de toda a tempestade que a inundava por dentro; ali estava eu na porta de uma igreja, numa noite fria, com o coração totalmente amolecido...

Foi assim que resolvi dar-lhe um presente.
Um presente de Natal. Um presente de casamento.
Um presente pela história de amor.
Pelos sonhos.
Pela esperança.

E é assim que hoje, excepcionalmente, você vai me ver num casamento, cantando, de graça, para alguém que só vi uma vez na vida. E que tocou meu coração.

Produtos românticos, nós todos...

(Álvaro de Campos)
Arrumar a vida, pôr prateleiras na vontade e na ação.
Quero fazer isto agora, como sempre quis, com o mesmo resultado;
Mas que bom ter o propósito claro, firme só na clareza, de fazer qualquer coisa!
Vou fazer as malas para o Definitivo,
Organizar Álvaro de Campos,
E amanhã ficar na mesma coisa que antes de ontem — um antes de ontem que é sempre…
Sorrio do conhecimento antecipado da coisa-nenhuma que serei.
Sorrio ao menos; sempre é alguma coisa o sorrir…
Produtos românticos, nós todos…
E se não fôssemos produtos românticos, se calhar não seríamos nada.
Assim se faz a literatura…
Santos Deuses, assim até se faz a vida!
Os outros também são românticos,
Os outros também não realizam nada, e são ricos e pobres,
Os outros também levam a vida a olhar para as malas a arrumar,
Os outros também dormem ao lado dos papéis meio compostos,
Os outros também são eu.
Vendedeira da rua cantando o teu pregão como um hino inconsciente,
Rodinha dentada na relojoaria da economia política,
Mãe, presente ou futura, de mortos no descascar dos Impérios,
A tua voz chega-me como uma chamada a parte nenhuma, como o silêncio da vida…
Olho dos papéis que estou pensando em arrumar para a janela,
Por onde não vi a vendedeira que ouvi por ela,
E o meu sorriso, que ainda não acabara, inclui uma crítica metafísica.
Descri de todos os deuses diante de uma secretária por arrumar,
Fitei de frente todos os destinos pela distração de ouvir apregoando,
E o meu cansaço é um barco velho que apodrece na praia deserta,
E com esta imagem de qualquer outro poeta fecho a secretária e o poema…
Como um deus, não arrumei nem uma coisa nem outra…

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Barão de Itararé

"O homem é um animal que pensa;
a mulher, um animal que pensa o contrário."
("Máximas e Mínimas do Barão de Itararé", 1985)
É isso aí.
Tem hora que é só pra contrariar!
Tem hora.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

É hoje!

Mike, enfim, depois de oito longos meses afastado dos gramados, volta a jogar hoje, na partida entre o Chelsea e o Liverpool, pelas quartas-de-final da Copa da Liga Inglesa.
O astro deste blog volta ao gramado hoje à tarde, às 17h45min (horário de Brasília), em Londres, para ajudar sua equipe a conquistar uma vaga nas semifinais da competição e a "ganhar bonito". Porque não basta ganhar. É preciso ganhar bonito, sacou?


Kaká também deixou bonita a festa de premiação dos melhores de 2008.
Esse garoto dispensa comentários. Aos 25 anos tem todos os títulos. Um coração bondoso, modéstia, e amor a Deus, sobre todas as coisas.

E o Cristiano Ronaldo, com seu mau humor característico? Pretendeu estragar a festa? Ora, ora... Pelé, em qualquer festa de futebol no mundo, tem licença para cometer gafes.

Premiada, também, foi a Marta, na categoria feminina de melhor do mundo.
Uma noite de gala para os brasileiros!


Enfim, e por último, É HOJE, também!!
Último dia de trabalho, no boteco. Portas fechadas às 17h30min em ponto. Passa a régua, a caneta, a borracha, o apontador, "processos nunca mais" é o lema. Até janeiro, pelo menos. De volta, só ano que vem, e até lá vou esquecer do presente que o Papai Noel me deu.
Chega!

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Enfim!

Enfim, aquele cartaz com a contagem regressiva para o recesso aponta: FALTA UM DIA!!!
Enfim!
Um ano trabalhoso, este. Cansativo mesmo.
E quando, no apagar das luzes, havia uma esperança de dividir a carga de trabalho, quem viria para somar despediu-se dois dias depois de ter chegado; na antevéspera do recesso, e justamente pelo "volume de trabalho"...
Foi-se, para nunca mais voltar. Não era isso que queria para a sua vida. (sic)
Pois é...

Bem, a expectativa para o novo ano é continuar trabalhando, trabalhando, trabalhando. Fazendo tudo o que eu já fazia e mais um pouco, por delegação de tarefas que só foram delegadas por conta da "nova aquisição", mas que não deixarão de ser da minha responsabilidade, mesmo agora, depois do prematuro adeus...
Não foi à toa que me apelidaram, lá, de "Suzi Alice". Eu achei que ía melhorar, em 2008. Sonhei com o país das maravilhas ...
... e o Papai Noel me dá esse presente!

Paulo Leminski

SAUDOSA AMNÉSIA
a um amigo que perdeu a memória

(por Paulo Leminski)




Memória é coisa recente.
Até ontem, quem lembrava?
A coisa veio antes,
ou, antes, foi a palavra?
Ao perder a lembrança
grande coisa não se perde.
Nuvens, são sempre brancas.
O mar? Continua verde.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Globo de Ouro

Momento besteirinha, vamos aos indicados ao prêmio de televisão. Premiação dia 11 de janeiro de 2008, se a greve dos roteiristas (ainda a pleno vapor) acabar. Ahaha!!! Eles lá fazem greve também, e em "serviços essenciais"!!!

Eu vou dizer em quem votaria. Mas eu não conheço uma pancada desses indicados. Então, meu voto não deveria ser levado em conta, né? Acho que é por isso que não é mesmo. Ho!

Então, pra resumir, vou te contar: voto em Grey's Anatomy em todas as categorias em que teve indicação. Porque dessa lista aí, eu, que tenho mais o que fazer do que ficar vendo série de tv o dia inteiro, só conheço mesmo a tal da "Grey's" e aquele seriado do Alec-todo-bom-Baldwin, que vi umas 2 ou 3 vezes e que desisti, porque o Alec, vamos combinar, está inchado demais e eu tenho medo de concluir que ele já não tem mais o mesmo encanto. Pena não ter "Without a trace", pena que "Friends" não concorre mais. Pena mesmo é que "Friends" acabou.


MELHOR SÉRIE DRAMÁTICA - "Big Love", "Damages", "Grey's Anatomy", "House", "Mad Men", "The Tudors"

MELHOR SÉRIE COMÉDIA - "30 Rock", "Californication", "Entourage", "Extras", "Pushing Daisies"

MELHOR ATOR DE SÉRIE DRAMÁTICA - Michael C. Hall ("Dexter"), Hugh Laurie ("House"), Bill Paxton ("Big Love"), Jonathan Rhys-Meyers ("The Tudors"), John Hamm ("Mad Men")

MELHOR ATRIZ DE SÉRIE DRAMÁTICA - Patricia Arquette ("Medium"), Glenn Close ("Damages"), Minnie Driver ("The Richies"), Edie Falco ("Família Soprano"), Sally Field ("Brothers & Sisters"), Holly Hunter ("Saving Grace"), Kyra Sedgwick ("The Closer")

MELHOR ATOR DE COMÉDIA - Alec Baldwin ("30 Rock"), Steve Carrell ("The Office"), Ricky Gervais ("Extras"), David Duchovny ("Californication"), Lee Pace ("Pushing Daisies")

MELHOR ATRIZ DE COMÉDIA - Christina Applegate ("Samantha Who?"), America Ferrera ("Ugly Betty"), Tina Fey ("30 Rock"), Anna Friel ("Pushing Daisies"), Mary-Louise Parker ("Weeds")

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE - Rose Byrne ("Damages"), Rachel Griffiths ("Brothers & Sisters"), Katherine Heigl ("Grey's Anatomy"), Samantha Morton ("Longford"). Anna Paquin, ("Bury My Heart at Wounded Knee"), Jaime Pressly ("My Name Is Earl")

MELHOR ATOR COADJUVANTE - Ted Danson ("Damages"), Kevin Dillon ("Entourage"); Jeremy Piven ("Entourage"), Andy Serkis ("Longford"), William Shatner ("Boston Legal"), Donald Sutherland ("Dirty Sexy Money")


p.s.
quando li que a Glenn Close está indicada para melhor atriz, no Globo de Ouro, mor-ri-de-rir!!!!!! Categoria "melhor atriz" ou "pior coadjuvante"???
Desculpem-me, mas essa, acho que só a Mumumu entendeu. Piadinha (infame) interna.

Acordei

Acordei com soluço.
Haaaaaaaá!!! É muuuuuito legal!!
Verdade!

domingo, 16 de dezembro de 2007

Está chegando o Natal. Bacalhau genérico??


Aprendi, lendo alguma coisa sobre as leis dietéticas do Judaísmo, que "peixe" é um alimento "parve". E que os peixes que eu como são chamados "peixes casher". Dentre eles, está a merluza. E tudo isto eu estou pesquisando porque aprendi uma receita de bolinho de bacalhau "genérico". Ahahahaha!!! Pois é... tem gente que pensa em tudo! Às vezes, final de ano, boletos de IPVA, IPTU, matrícula escolar chegando, 13º salário destinado à quitação de dívidas, blá-blá-blá... e o orçamento não permite que você pague 60 ou 70 reais num quilo de bacalhau para fazer os tradicionais bolinhos. Então, aquele pessoal do "Acidez Mental e Estomacal" divulgou uma receitinha que sai por uns 8 reais. Hohohoho!!! Anote aí:


INGREDIENTES * 1kg de filés de merluza * 3 colheres de sopa bem cheias de sal * 1 litro de água

MODO DE FAZER
1) Ferva os filés por 10 minutos na água com sal. 2) Escorra e arrume os filés em uma assadeira de modo que não fiquem uns em cima dos outros. 3) Coloque a assadeira descoberta na geladeira e deixe de um dia para o outro. 4) No dia seguinte, desfie e aplique em qualquer receita de bacalhau.

Obs:
Os autores da receita dizem que a merluza fica idêntica ao bacalhau, inclusive na sua fibrosidade característica, e que é perfeita para fazer bolinhos. Parece milagre, mas não é! E tudo porque a merluza e o bacalhau são "parentes próximos", ambos da mesma espécie chamada "Merluccius".
Sacou?

Tá bom. Mas, aí, você é chique, tem 14º salário, e prefere mesmo "o legítimo"; com direito a vinho do Porto, azeite extra virgem e tudo o mais. Então, lá vai a melhor receita de bolinhos de bacalhau, assinada pela portuguesa Lurdes Modesto. De cara, a moça dá uma ótima dica para desfiar o bacalhau:
  1. coloque o bacalhau cozido, sem as espinhas, num pano de prato bem limpo.
  2. cubra com a outra ponta do pano de prato e vá esfregando, como se estivesse lavando roupa. Com isso, o bacalhau vai se esfiapando e fica pronto para o bolinho.

E atenção: Para a Dona Lurdinha-patrícia, é obrigatório fritar em azeite de oliva, e é o vinho do Porto que dá um toque especial à receita.

Ingredientes:

- 250 gramas de bacalhau;
- 200 gramas de batata;
- ½ cebola picadinha;
- 1 generosa colher de sopa de salsinha picada;
- 1 cálice pequeno de vinho do Porto;
- 3 ou 4 ovos;
- noz-moscada ralada na hora;
- sal e pimenta-do-reino.

Modo de fazer:
Dessalgue o bacalhau com bastante antecedência. Se não for muito espessa a posta, 48 horas trocando a água muitas vezes. É bom manter o bacalhau na geladeira.

Cozinhe o bacalhau dessalgado. Retire as eventuais espinhas e a pele.

Descasque e cozinhe as batatas.

Desfie muito bem o bacalhau num pano de prato.

Transforme as batatas num purê.

Coloque o bacalhau e o purê de batata numa vasilha. Junte a cebola picada, o vinho do Porto e a salsinha. Tempere com noz moscada, salgue a apimente.

Vá misturando a preparação com as mãos e colocando os ovos, um a um até conseguir uma massa homogênea. A quantidade vai depender do tamanho dos ovos.

Molde os bolinhos com as mãos e frite em abundante azeite de oliva bem quente.

Está pronto para servir.

p.s.
eu sempre dispenso a pimenta. sempre.


Muito bem. Bolinho de bacalhau lembra festa, festa lembra aniversário. Aniversário lembra meu pai-pai. E por falar em pai-pai, eu lembro do Castrinho: "Meu pai-pai...", "meu garoto...", "Meu pai-pai...", "meu garoto..."
Feliz Aniversário, meu pai-pai!!

sábado, 15 de dezembro de 2007

Lado bom e lado mau

Aqueles dois pedacinhos de mim que foram morar na melhor parte da América do Norte... lembra? Pois é. Já falam francês, e com tamanha desenvoltura, que V. já é o tradutor-intérprete da irmãzinha de 3 anos. L. fala comigo em francês e ele traduz para mim. Um show! E o português continua perfeito. Tá, sou tia-coruja mesmo, e pronto. Mas duvido que você também não chorasse de emoção ao ouvir aquelas duas criaturinhas cantando, acompanhadas do papai, ao piano.

Há tristezas, na vida. Há.

Às vezes, pequenos gestos são suficientes para desfazer tristezas e mágoas.
Mas até para isso há um tempo certo. Não perca a hora.

Festa de final-de-ano terça-feira, no trabalho.
Amigo oculto, comes-e-bebes.
Eu não estou animada. Mas isso é outro papo.

Natal e Réveillon no Rio. Não é a pior opção nem é o pior lugar do mundo. Tanto assim que há milhares (milhões, talvez) de gentes vindo pra cá. Mas se estar no Rio significa ficar no Rio, porque é a sua própria casa, isso não tem, assim, tanta graça, ainda mais se você fez planos que não se realizaram.

Ryan Grace cheirou, cheirou, fumou, injetou, aspirou, misturou crack com maconha e cocaína, pegou uma faca, saiu de casa, tentou roubar, feriu, roubou, bateu com o carro roubado, largou, ameaçou um motoboy, tentou roubar de novo, levou uma "capacetada" na cabeça, caiu, e foi parar na Delegacia, totalmente doido, com papo de estar sendo perseguido (pelo pessoal da favela e do PCC). Morreu na cela. Sozinho. Com manchas roxas pelo corpo, lábios azulados e rosto com vermelhidão. Provavelmente, parada cardíaca.
A droga é uma droga. Ninguém se engane.

Feliz Sábado!!


A Carlos Drummond de Andrade
(João Cabral de Melo Neto)

Não há guarda-chuva
contra o poema
subindo de regiões onde tudo é surpresa
como uma flor mesmo num canteiro.

Não há guarda-chuva
contra o amor
que mastiga e cospe como qualquer boca,
que tritura como um desastre.

Não há guarda-chuva
contra o tédio:
o tédio das quatro paredes, das quatro
estações, dos quatro pontos cardeais.

Não há guarda-chuva
contra o mundo
cada dia devorado nos jornais
sob as espécies de papel e tinta.

Não há guarda-chuva
contra o tempo,
rio fluindo sob a casa, correnteza
carregando os dias, os cabelos.

("João Cabral de Melo Neto - Obra completa", pág. 79)


E eu ainda diria que não há guarda-chuva contra a tristeza que de repente toma conta do coração da gente seja lá por que cargas d'água for...

E se é assim, lembre-se que hoje é o dia que o Senhor nos deu. Trate de sorrir, e de fazer sorrir. Esteja alegre e seja a alegria de onde quer que você esteja. Cuide de ter um sábado feliz, não importa a tempestade que esteja lá fora. E eu não estou falando apenas da tormenta da chuva...

FELIZ SÁBADO!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Para quem quiser ler

Para quem queira ler, ou precise ler, ou nem precise, mas deva. Para quem quiser anotar num pedaço qualquer de papel uma idéia, uma coisa pra se pensar numa hora dessas, num vazio da mente, num dia de chuva ou em tardes de melancolia...
Para quem pensa que sabe tudo e tem todas as certezas, para quem duvida de tudo e já não acredita em nada.
Taí.
Um poema de Vinicius. Uma parceria de Vinicius e Claudio Santoro:

EM ALGUM LUGAR
Deve existir
Eu sei que deve existir
Algum lugar onde o amor
Possa viver a sua vida em paz
E esquecido de que existe o amor
Ser feliz, ser feliz, bem feliz.

(Livro de letras - Vinicius de Moraes, pág. 142)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

E, de repente, em pleno aeroporto do Rio de Janeiro...

... diretamente de Lisboa...


Vá chegando e se sentindo em casa, Miguelito!
O Rio, como o Cristo, continua lindo e de braços abertos!

Quando você se sente melhor

Eu fiquei muito mais tranqüla quando ouvi, da própria Clarice, que ela também não compreendia muito bem, ou totalmente, o conto "O ovo e a galinha".
Que alívio!

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

"Biscoitinho da sorte"



Preciso desejar algo mais para a sua segunda-feira?

sábado, 8 de dezembro de 2007

Feliz Sábado!!!


Almoço em família.
Alegria, comemoração, gratidão, saudade de quem está longe. E se "longe é um lugar que não existe"*, estaremos todos juntos, no coração.
Um sábado feliz, para comemorar uma vida feliz. Ainda estamos em ritmo de festa, por aqui!
Feliz sábado pra você também!!

________
*Richard Bach

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

É hoje, pois é... É hoje!


O Haver
(Vinicius de Moraes)


Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

E o amanhã já está à vista

Soneto de aniversário
(Vinicius de Moraes
)

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.

(Rio, 1942)


Vinicius é "O Poeta". Vinicius é. Não se precisa explicar. Porque tem a palavra certa, a doçura exata, a visão plena do amor e da vida, e um bocado de humor mesmo quando qualquer coisa dói assim um pouco, ou mesmo muito. Vinicius tem um verso, uma prosa, um poema inteiro para cada momento da minha vida. Pra cada instante da sua, também, se você começar a reparar. Enfim, Vinicius está aqui, hoje, porque é véspera. Amanhã, porque é o dia. E sempre, porque é eterno.

Até amanhã.


segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Sonho de padaria - receita


Sonho de padaria
Receita de Marcela Martins Braga

rendimento: 30 porções
tempo de preparo: 50 min

INGREDIENTES:

Massa:
* 40 g de fermento biológico para pão
* 2 colheres de sopa de açúcar refinado
* ½ copo de requeijão de leite morno
* 1 colher de sopa. de manteiga sem sal
* 3 ovos inteiros ligeiramente batidos
* 2 gemas em temperatura ambiente
* ½ colher de chá de açúcar aromatizado sabor baunilha
* ½ colher de sobremesa de raspas de limão
* 1 pitada de sal
* ½ kg de farinha de trigo especial (aproximadamente) açúcar e canela em pó (para polvilhar)

Creme para sonho:
* 1 litro de leite
* 1 lata de leite condensado
* ½ xícara de chá de açúcar refinado
* 6 gemas passadas pela peneira
* 120 g de amido de milho
* 2 colheres de sopa de rum
* 1 colher de sobremesa de essência de baunilha


MODO DE PREPARO:


Massa:
1. numa tigela grande dissolva o fermento com o açúcar.

2. Junte os demais ingredientes e vá acrescentando a farinha de trigo, aos poucos, até obter o ponto de "rasgar" a massa.

3. Passe para a mesa e trabalhe muito bem.

4. Deixe crescer até dobrar de volume.

5. Abra-a com o rolo sobre superfície polvilhada de farinha de trigo, corte com cortadores próprios e deixe crescer novamente.

6. Frite-os em óleo quente.

Creme para o sonho:
1. coloque numa panela o leite, o leite condensado, o açúcar, as gemas e o amido de milho e leve ao fogo, mexendo sempre, até formar um creme firme.

2. Quando frio, misture o rum e a essência e empregue com saco de confeiteiro e bico pitanga.

Montagem:
1. corte os sonhos ao meio, aplique o creme de confeiteiro.

2. Passe-os por uma mistura de açúcar refinado com canela em pó e sirva.

www.tudogostoso.com.br


Bem, dois quilos perdidos, depois da overdose de sopa, posso comer uns 10, dos trinta que a receita rende. Alguém é servido?? Mumumu não, porque vai querer logo os 30!
Este é o trabalho especial de N., amanhã.

domingo, 2 de dezembro de 2007

sábado, 1 de dezembro de 2007

Dieta da Sopa

INGREDIENTES
6 cebolas,
2 cenouras,
1 chuchu,
1 maço de cebolinha,
2 pimentões,
1 repolho,
1 salsão / aipo,
caldo Knnor (eu não usei, porque tem muita gordura; substituí por aquele caldo de legumes em pó, 0% de gordura)
e
cheiro-verde.

MODO DE FAZER
Cozinhe os ingredientes até ficarem macios. Se preferir, bata no liquidificador (eu preferi, mas deixei sem bater algumas folhas de repolho, umas cenouras em rodelas, um cubinhos de chuchu e umas folhinhas de salsa e na hora de servir as porções eu misturava). Consuma durante uma semana, sempre que tiver fome.

1º DIA - Coma frutas à vontade, exceto abacate e banana.
2º DIA - Coma verduras à vontade, mais uma batata assada.
3º DIA - Coma frutas e verduras à vontade.
4º DIA - Coma até 8 bananas e leite desnatado à vontade.
5º DIA - Coma de 280 a 550 gramas de carne grelhada e até 6 tomates.
6º DIA - Carnes e verduras à vontade.
7º DIA - Arroz integral, sucos de frutas e verduras à vontade.

Devo dizer que, quanto às frutas, comi de todas, sem restrição. Só não comi jaca porque não consegui comprar, pra você ter uma idéia. Mas teve melão, mamão, manga (que é bastante calórica), abacaxi, laranja (partida em 4 partes, só não comi a casca. ahahahaha!!!), maçã, goiaba, ameixa, carambola, fruta de conde, uva...
Dica: beba o máximo de água que puder, durante a dieta.

Bem, eu vou deixar aqui o texto que veio no e-mail que L. me encaminhou depois de ter recebido de alguém. Eu acho que dieta é que nem corrente. Vai passando pra um, que passa pro outro, passa pro outro, e se você quebrar, engorda dez quilos em uma semana. Vai duvidar??


"A dieta da sopa surgiu nos Estados Unidos. A princípio, era indicada para pessoas com problemas cardíacos. No Brasil, popularizou-se rapidamente, sendo conhecida também por outros nomes, como: "Sopão do Pitanguy" (já que o médico a recomenda para quem quer afinar a silhueta) e "Dieta Galisteu" (é que a modelo Adriane Galisteu afirma que perdeu 8 quilos em duas semanas).
Eu resolvi que preciso perder uns quilinhos e, como não quero ficar naquelas dietas eternas, mas sim resolver rápido meus problemas (depois eu me reeduco!), resolvi procurar a famigerada dieta da sopa. Não é que eu não achei na net? Só achei uma no fórum da globo, que é toda diferente da que já vi e fiz há muitos anos. Fui então remexer meus papéis velhos e achei a dita. Vou colocá-la aqui, pois sei que muitos devem estar tendo a mesma dificuldade que eu. Bom, aí vai. A dieta proporciona uma limpeza no organismo. Possui baixas calorias, mas em compensação é rica em vitaminas e sais minerais."

Bem, como eu disse, o texto estava no e-mail. Você pode duvidar de tudo; mas que a dieta é de baixas calorias, rica em vitaminas e sais minerais, e faz uma limpeza no organismo, não há nenhum pinguinho de dúvida!

Hoje é meu sexto dia. Já perdi dois quilos, tá?
E tenho uma festa de criança para ir, logo mais, à noite.
Sem sacrifício não tem graça...
Pois é...

Feliz Sábado!!


FELIZ SÁBADO!!!