sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Pouco me importa

Pouco me importa. Pouco me importa o quê? Não sei: pouco me importa.



Alberto Caeiro
Pouco me importa. (24-10-1917) - Poemas Inconjuntos

O desejo de hoje

O desejo de hoje é o "pipocão do mal", como chama o namorado da minha amiga.
Sabe aquele pacotão de pipocas doces, que vem no saco cor de rosa e que vende no sinal de trânsito?
Pois é...


(atenção: amanhã eu publico a "Dieta da Sopa".)

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

A parada é a seguinte, o seguinte é o negócio

Dieta da sopa. Pois é. A turma toda, no trabalho, resolveu fazer, depois que Z. foi o único a levar a sério da primeira vez, e o resultado foram 3,5kg a menos, no final da semana.

- Pô, dessa vez eu vou levar a sério - disse um.
- Caraca... eu quero isso pra mim! - falou outro.
- É... vou tomar vergonha e sopa - disse um outro.

O certo é que até eu, com meus 46kg que já estavam chegando a 47, resolvi entrar na brincadeira. E como eu sou osso duro de roer, não vou desistir. Muito mais pra poder, depois, dizer: "Viu?", do que, propriamente, querendo emagrecer.

A verdade é que eu nunca me imaginei fazendo dieta. Nunca. Então, é praticamente surreal, isso tudo, na minha vida. Mas sabe que é legal? Autocontrole legal! Você pensar numa paçoca e comer mamão! hohohohoho!!
Emagrecer eu não quero. Mas você sabe... mulheres... nunca satisfeitas. E como disseram que a primeira coisa que você perde, nessa dieta, é a barriguinha... Aí, já viu.
Porque, afinal, nós, que não temos aquela belezinha de vida das modelos, que têm 24h a cada dia para dividir entre salão, academia e fotos... "sá cumé", né?

Muito bem. A parada começou na segunda-feira. Acaba domingo.
E acho que agora está muito bem explicado por que o desejo "emeeeeeeenso" de sonho de padaria.
Sacou? Pois é.

E o sonho, hein?

E aí, que eu acordei meeeesmo foi querendo comer um sonho daqueles de padaria. Com muito creme. Muito, muito, muito creme!!!
Tem aí?

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Dos sonhos

Eu estava dormindo e sonhando e no sonho eu vivia e vivia tão intensamente que acordei mesmo com vontade de acordar!!!!!

terça-feira, 27 de novembro de 2007

O que fica

... As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.
Mas as coisas findas
muito mais que lindas
essas ficarão.
(Drummond)

domingo, 25 de novembro de 2007

Os símbolos do Rio



Hoje é dia de Mengão no Maraca.
Dia de cantar a versão rubro-negra do "Tema da Vitória", do Ayrton Senna do Brasil.
E sair pro abraço!

Bom domingo!!

sábado, 24 de novembro de 2007

Feliz Sábado!!!



















O sábado é um dia feliz,
um dia feliz,
um dia feliz!
O sábado é um dia feliz!
Amo cada sábado!!

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

O meu olhar...

A Guiga postou, outro dia. É tão lindo!, que eu trouxe pra cá.
Você sabe... dentre todos os heterônimos, ele é o meu queridinho.




O meu olhar azul como o céu
É calmo como a água ao sol.
É assim, azul e calmo,
Porque não interroga nem se espanta ...

Se eu interrogasse e me espantasse
Não nasciam flores novas nos prados
Nem mudaria qualquer cousa no sol de modo a ele ficar mais belo...
(Mesmo se nascessem flores novas no prado
E se o sol mudasse para mais belo,
Eu sentiria menos flores no prado
E achava mais feio o sol ...
Porque tudo é como é e assim é que é,
E eu aceito, e nem agradeço,
Para não parecer que penso nisso...)

Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos, XXIII - O meu Olhar

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

A neve no Québec



Pois é aí que vivem aqueles dois pedacinhos de mim que foram morar em outro país.
E eu sinto frio só de ver.
Mas também vejo beleza em cada floquinho da neve que cai.
Sinto frio, vejo beleza, sinto saudades...



Há uns quatro meses, acredite, eles moravam aqui:



Custo a acreditar que é o mesmo lugar...

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Um "era uma vez" de verdade

Esta história não é uma fábula. Não é um conto. Nem um texto de auto-ajuda.
Esta é a história de um garoto de 19 anos, que quase morreu aos dez.
Eu não o conheço, nunca o vi, mas me parece que escreve muito bem, para os 19 anos. E ainda que escrevesse mal, vamos combinar, escapou da morte muito bem. Como já disse, não o conheço. Na verdade, nem sei mais por que se chama "Arcanjo de Prata", embora ele já tenha explicado isso, numa descrição antiga de seu perfil - se nesse aspecto não me falha a memória, que já me falha por não lembrar a origem do cognome.

Mas, voltando à história... Estava lendo, outro dia. E pensei em mandar um e-mail pedindo permissão para colocar aqui as últimas linhas da história. E aí pensei que talvez não tocasse a alma de ninguém, caso não se percebesse o contexto... Foi por isso que decidi reproduzir aqui a história toda, do menino, e de como ele quase morreu.
Depois de ler, pense um pouco no que pode significar pra você uma frase como esta: "Nossa vida não é menos frágil que uma planta, e cada ato tem uma força infinitamente mais significativa do que pensamos."


"Há mais de 8 anos uma senhora pegou a muda de uma árvore e plantou sob a escada de sua casa.
A senhora não gastou muito tempo para escolher exatamente onde iria plantá-la. Por que gastaria? 1 centímetro para a esquerda ou 1 centímetro para a direita não afetaria nada, pensou.
Ela tinha apenas uma ligeira impressão de que aquele ponto era o ideal.

Passado um tempo, aquela senhora vendeu sua casa para um casal que tinha dois filhos.
A muda, que virou uma pequena árvore, coitada, não durou muito e precisou ser cortada, sobrando um mero toco, quase uma estaca ao avesso, representando uma vida extinta.

Certo dia, o filho do casal, de apenas 10 anos, decidiu brincar naquela escada... ele escorregou, caiu de costas e... o toco afiado da árvore deixou de perfurar seu pulmão por uma diferença milimétrica que a senhora não saberia calcular.
O mero ato daquela senhora, o improvável destino natural de uma muda e a criança somaram-se numa cadeia de eventos que ensinou àquele menino duas coisas: Nossa vida não é menos frágil que uma planta, e cada ato tem uma força infinitamente mais significativa do que pensamos."

(daqui)

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Ivan Lins no Rival

Sábado à noite. Noite que intermedeia as noites de um feriadão mais do que prolongado. Para muitos cariocas, um feriado que começou na quinta e só acaba na terça. Quase uma semana.

Sábado de música no Teatro Rival Petrobras, no centro do Rio.
Ivan Lins, no show "Saudades de casa". Uma ode ao Rio de Janeiro e ao Brasil. Com direito ao "Hino à Bandeira Nacional", "Samba do Avião", e outras canções que nos lembram de amar esta cidade maravilhosa, este país sofrido.
Além disso, cantou aqueles versos lindos de "Coração da gente é igual país / Não deu certo uma mudança / Você muda de esperança / Porque a gente merece ser feliz..."


No palco, o sorriso largo do pianista e compositor que andou pelos Estados Unidos, pelo Japão, pela Coréia, Espanha, Alemanha e Noruega, ultimamente, numa turnê mais que bem-sucedida aos lado de seus músicos.

A grata surpresa de ver no palco João Castilho, o guitarrista preferido do meu irmão nas suas produções musicais. E emoção tomando conta de todos, especialmente de mim, quando "Meu País" foi executada. Aqueles versos "... aqui sou um passarim / que as penas estão por dentro / por isso aprendi a cantar, voar, voar, voar..." Essa música lembra um momento muito especial da minha vida. E interpretar os versos dessa canção era uma tarefa deliciosa, que nos embalava nas tardes de verão...



Afora os momentos românticos, com "Bilhete", "Acaso", "Daquilo que eu sei", "Madalena"... teve a emoção de "Depende de nós", que lembra a minha infância, um LP tocando na sala e eu cantando pela casa: "Depende de nós / que o circo esteja armado / que o palhaço esteja engraçado / que o riso esteja no ar / sem que a gente precise sonhar..."


Emoção imensa, também, e de fazer escorrer lágrimas dos olhos, foi o momento em que Ivan Lins chamou ao palco Daniel Gonzaga, filho de Gonzaguinha, neto de Luiz Gonzaga.
Juntos, cantaram "Debruçado", uma parceria de 1969 com Gonzaguinha, da época em que faziam parte do Movimento Artístico Universitário - MAU. A letra é linda, e a voz de Daniel nos remete à voz do pai, chorosa, pungente... Aplaudidíssimo, Daniel cantou mais uma, e a nostalgia, a saudade e a alegria, tomaram conta de todos. E as duas horas e pouco de show pareceram 20 minutos.




É isso aí.
Ele continua lá, neste próximo final-de-semana. De quinta a domingo.
Apareça e se emocione também.

sábado, 17 de novembro de 2007

Feliz Sábado!!

"Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem; cada um como é."

(Alberto Caeiro in Poemas Inconjuntos)



Feliz sábado, de sol ou de chuva, como seja, seja lá como seja.
Porque, afinal, é sábado. E o sábado, você sabe, é como é. O sábado é o dia mais feliz!

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Jardim Botânico do Rio de Janeiro



Já há alguns finais-de-semana eu tenho me programado para passar a manhã de domingo no meio das árvores do Jardim Botânico. E aí, a cada domingo é uma coisa que acontece... e a idéia fica na cabeça e não passa pras pernas. Geralmente é a chuva. Outras vezes, a chuva e o sono. Algumas outras, trabalho. Enfim...

O Jardim Botânico do Rio tem algo de especial. Meio mágico, até. Aquelas palmeiras imperiais têm um quê de Jardim do Éden. Eu imagino que o paraíso, de certa forma, lembre o Jardim Botânico da minha cidade. Você mergulha naquele verde, ouve os barulhinhos de água e de pássaros, e esquece as buzinas lá de fora, a poluição, o cinza, as mazelas sociais, a violência. Esquece. Por uns instantes. Vejo uma vitória-régia e fico pensando que uma daquelas folhas praticamente me agüenta, em cima. Tenho vontade de experimentar, ver se me agüenta mesmo. Vejo as mangueiras carregadinhas de frutos e penso: o Brasil é mesmo uma terra abençoada! A tal do "em se plantando, tudo dá". E isso encanta você de uma tal maneira, que quando se dá conta, já é de tarde.

Tenho uns amigos que moram no bairro. Mas é como morar de frente pra praia e não curtir praia, ou não ter tempo de mergulhar. Não é porque moram ali, pertinho do Jardim Botânico, que passam, freqüentemente, suas manhãs de domingo infiltrados na natureza. Que pena. Já nos acostumamos tanto ao barulho e aos monóxidos de carbono, que ter uma pracinha arborizada em frente de casa, mesmo que toda envolta de carros estacionados, muitas vezes já é suficiente, como "contato direto" com a natureza. E aí, seja pela correria do trabalho, seja por outros compromissos, se vai deixando de aproveitar o pedacinho do céu que Deus deixou no Rio. Que pena.


Jardim Botânico, para quem quer conhecer

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Chá da tarde






Um chá, um filminho na tv, edredon pra se enrolar, como se não houvesse mais nada a fazer.
Fim de tarde, começo de noite... É isso aí.

Enquanto é tempo, acorde! Para não chorar depois.

Lê este blog quem um dia veio aqui, de bobeira, e terminou ficando; quem veio de raiva, e continuou voltando; quem veio ao acaso e terminou gostando; vem aqui quem viu a boneca na estante de outra casa e na saída da festa veio atrás, pra conhecer o endereço; vem aqui gente curiosa, que quer saber da vida da boneca, detalhes, nomes, tudo; vem quem torce pela felicidade, vem até quem torce por uma notícia triste. Tem gente que vem pelas imagens, outras que vêm pelo Google, e aí os méritos são do Flamengo, praticamente um campeão de buscas em dias que sucedem os de jogos do Mengão. Tem gente que vem perturbar, eu sei, mas não consegue. Tem toda aquela gente, que foi chegando e foi ficando, numa troca sadia de bons sentimentos. Gente de perto, para quem a gente acaba abrindo as portas da própria casa, e gente de longe, que já abriu as portas à espera da nossa chegada. Mas isso é assunto para outro post...

Neste, eu quero lamentar a ausência de uma pessoa, por aqui. Porque se ele freqüentasse este blog, saberia que o meu recadinho, hoje, é pra ele. Para que um dia não precise cantar a canção de Lupicínio. Para que ele não espere o dia em que terá de procurar o amor que hoje está aí (ainda) ao seu lado. Pra não precisar rastejar...
Acorda, meu filho! 25 anos não são vinte e cinco dias...


Um Favor

Lupicínio Rodrigues


Eu hoje acordei pensando
Por que é que eu vivo chorando
Podendo lhe procurar
Se a lágrima é tão maldita
Que a pessoa mais bonita
Cobre o rosto pra chorar
E refletindo um segundo
Resolvi pedir ao mundo
Que me fizesse um favor
Para que eu não mais chorasse
Que alguém me ajudasse
A encontrar meu amor
Maestro, músicos, cantores
Gente de todas as cores,
Faça esse favor pra mim
Quem puder cantar que cante
Quem souber tocar que toque
Flauta, trombone ou clarim
Quem puder gritar, que grite
Quem tiver apito, apite
Faça esse mundo acordar
Para que onde ela esteja
Saiba que alguém rasteja
Pedindo pra ela voltar...

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Fácil-fácil-gostosinho

Se você acha que comida trabalhosa é a que faz sucesso, está bem enganado. Comida gostosa e que faz sucesso é aquela feita com amor. E, no meu caso, com amor e praticidade. Minha mãe sempre gostou de cozinhar. Festa, pra ela, é ter a casa cheia. As mesas, lá em casa, eram sempre grandes, de forma que pudesse abrigar muita gente, e sempre havia sofás pela sala, onde mais gente pudesse sentar e almoçar. Ainda é assim, até hoje. Delícia! Não tenho os dotes culinários da minha mãe, mas domingo eu estava aqui, meio sem vontade de ir pra rua, gastar dinheiro almoçando fora, mas também sem a menor vontade de me enfiar na cozinha por horas. Então, caí no fácil-fácil-gostosinho. A lentilha eu já havia trazido da casa da mamãe, no sábado à tarde. O arroz, cheio de alho dourado no azeite extra virgem, fiz em dez minutos. Um bacalhau que N. havia deixado já dessalgado e desfiadinho, foi o mote para o almoço que me rendeu elogios.

Cozinhei duas batatas grandes e dois ovos. Cortei-os em rodelas. Nada de sal. Um tomate bem vermelhinho, sem sementes, cortado em meias-tiras. Forrei um pirex redondo e fundo, de porcelana branca, com as rodelas de batata; reguei com azeite, salpiquei o bacalhau desfiado; cobri com as rodelas dos ovos, reguei mais uma vez com azeite e coloquei outra porção de bacalhau por cima. Distribuí as tirinhas de tomate, enfeitando e colorindo o prato, mais um fio de azeite, para regar, e deixei na geladeira, gelando, enquanto eu arrumava a mesa.

Quando servi, ganhei um elogio tão gostoso quanto o almoço.
E se alguém come três vezes o mesmo prato, não é pra te agradar...
Básico. Simples assim.


Isso foi no almoço. Não por acaso era domingo, dia de jogo mais uma vitória do Flamengo; e o Vasco, tadinho, "o bacalhau"... se deu mal. A trilha sonora do jantar foi "Chora, vascaíno, o sonho acabou... Libertadores, sou eu que vou!!"

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Experimentações

Você pode se surpreender com os resultados, se falar o que quer, com carinho.

Correntinha literária

Beto me passou uma correntinha dessas. Chamam de "meme" mas eu acho esse nome muuuuito sem graça... Correntes eu também acho meio chatas. Mas essa é literária. Então, mesmo com atraso... tô dentro! O chato, mesmo, pra quem estiver aqui, lendo, é que bem a minha frente a estante é "jurídica". Os livros bacanas, que não são de trabalho, estão na estante ao lado... Mas disseram que não era pra escolher... Olha no que deu!

É assim que funciona:

  1. Pegue o primeiro livro que encontrar (sem escolher!)
  2. Abra-o na 161ª página
  3. Procure pela 5ª frase
  4. Poste a frase no blog
  5. Não escolha a melhor frase nem o melhor livro
  6. Repasse para 5 pessoas
Taí a frase, que é o parágrafo terceiro do artigo 144 da Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988 (ou CRFB/88, para os íntimos):

"Em caso de greve em atividade essencial, com possibilidade de lesão do interesse público, o Ministério Público do Trabalho poderá ajuizar dissídio coletivo, competindo à Justiça do Trabalho decidir o conflito."


O número seis, da correntinha, eu não vou fazer, tá? Seria maldade demais. Quem quiser, pega aí e brinca.

domingo, 11 de novembro de 2007

Os irmãos Karamazov - por Nelson Rodrigues

Começo aqui a minha grave função homérica. Minha memória é um chão todo juncado de clássicos e peladas fenecidos. Antes, porém, de exumar os velhos jogos, preciso explicar toda a minha dramática relação com o Fluminense. Sou Tricolor, sempre fui Tricolor. Eu diria que já era Fluminense em vidas passadas, antes, muito antes da presente encarnação. Vejo-me em Aldeia Campista, garoto de pé no chão e calça furada. Teria quatro anos, se tanto. 1916. A Primeira Grande Guerra ainda matava milhares, ainda matava milhões. E como então se promovia mundialmente o bigode do Kaiser! Esse bigode era o grande assunto da caricatura, em todos os idiomas.

Para mim, moleque da rua Alegre havia uma relação nítida e taxativa entre a guerra e o Fluminense. Seriamos campeões em 17, 18 e 19. Ainda hoje, meio século depois, tenho a sensação de que a Grande Guerra trazia no ventre o tricampeonato Tricolor. Vejamos o absurdo: a Grande Guerra seria apenas a paisagem, apenas o fundo das nossas botinadas. Enquanto morria um mundo e começava outro, eu só via o Fluminense.

Quem ia ao futebol era Milton, o meu irmão mais velho. Acompanhava o Tricolor, com uma obstinação de fanático. Quando ele chegava, de noite, eu vinha correndo perguntar:- "Quem ganhou?" E ele, tostado pelo sol dos clássicos e das peladas: - "O Fluminense!" Era o Fluminese, sempre Fluminense. Até que, um dia, não foi o Fluminense.

Imagino que o leitor esteja fazendo a impaciente pergunta: - "E o Flamengo?" Hoje, o Rubro-Negro, por onde vai, arrasta multidões fanatizadas. Há quem morra com o seu nome gravado no coração à ponta de canivete. Mas eu não falei no Flamengo e explico: - O Flamengo nem sempre foi Flamengo.

Cada brasileiro, vivo ou morto já foi Flamengo por um instante, por um dia. Vale a pena voltar a 1911, ou 12, não sei. Como eu dizia, o Flamengo era ainda Fluminense.

Eu disse que o Flamengo era ainda Fluminense e já retifico: Antes do futebol, o Rubro-Negro foi remo ou, melhor dizendo, foi "domingo de regatas".

Até que, um dia, houve uma dissidência no Fluminense. Eu gostaria de saber que gesto, ou palavra, ou ódio deflagrou a crise. Imagino bate-bocas homicidas. E não sei quantos Tricolores saíram para fundar o Flamengo. Hoje, nos grandes jogos, o Estádio Mário Filho é inundado pela multidão rubro-negra. O Flamengo tornou-se uma força da natureza e, repito, o Flamengo venta, chove, troveja, relampeja. Eis o que eu pergunto: - Os gatos pingados que se reuniram, numa salinha imaginavam as potencialidades que estavam liberando? Há um parentesco óbvio entre o Fluminense e o Flamengo. E como este se gerou no ressentimento, eu diria que os dois são os irmãos Karamazov do futebol brasileiro.

sábado, 10 de novembro de 2007

Feliz Sábado!!




Saímos do ventre de nossa mãe para viver sozinhos e enfrentar a solidão do túmulo. Só que entre uma coisa e outra existe algo mais... 'nascimento, amor e morte'. O amor é que interrompe o ciclo da solidão, pelo encontro com o outro, seja a mulher, o amigo ou simplesmente o nosso semelhante.


(Fernando Sabino)

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Saudades...

Hoje, ela faria 39 anos.
Era cedo demais para partir...
Havia muito, ainda, que se rir, amar, viver...
Havia mares a navegar, praias e areias pra pisar...
Havia muito, ainda, o que fazer.
Era tão cedo...
O que fazer?
Saudades.

Pequim 2008: que todos vejam

Campanha da Anistia Internacional.

Juegos Olímpicos 2008

Até às 15h48min
de 09/11/07,

104.322

haviam assinado
a petição da campanha

Atualmente a China é o país que mais promove execuções, no mundo. Ali se fazem 65% de todas as execuções do mundo, mediante disparo de um tiro, geralmente na nuca, e também, com uma crescente freqüência, por injeção letal. Desde 1996, ano em que se introduziu a injeção letal junto com reformas da "Ley de Procedimiento Penal", se tem utilizado dezenas de caminhonetes itinerantes de execução. Desta forma, os órgãos do executado podem ser mantidos "vivos" durante mais tempo e podem ser utilizados para transplantes. A Anistia Internacional vê com preocupação que o benefício econômico proveniente desses transplantes possa levar ao incremento das execuções no país.

Você pode demonstrar às autoridades da China que para você os direitos humanos não são um jogo. Por favor, assine agora esta petição, para que acabem com a pena de morte na China. Será enviada uma mensagem (ler) no seu nome ao Primeiro Ministro da República Popular da China.

Participe.

atualização dos dados:
às 17h19min do dia 09.11.07 - 105.623 assinaturas.

atualização dos dados:
às 17h19min do dia 12.11.07 - 120.009 assinaturas.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Amiga é amiga, colega é colega, prima é prima e namorada é namorada


Elas são amigas, mas não se diz mais, por aí, serem amigas duas mulheres, porque imaginam que amigas são namoradas. Então, elas se dizem colegas.

Elas não andam mais de mãos dadas, na rua, porque mãos dadas... são namoradas.

Esquisito, este mundo, onde amigas passam a se dizer colegas, onde é preciso andar cada uma segurando suas coisas, pra não precisar dar as mãos, onde abraços efusivos são vistos além da efusão própria daquelas que "apenas" se querem bem.


Com os meninos, as coisas se dão de um jeito parecido - "essa aqui é minha prima". Pronto! Falou que é "prima", pessoal não acredita no parentesco e pensa logo: "é namorada". Rola aquele risinho.

Sem discutir outra coisa, além disso, eu pergunto: por que não se chama cada qual pelo seu nome? Por que "amiga" quer dizer "namorada"? Por que "prima" quer dizer "namorada"?

Pra mim, é assim: amiga é amiga, aquela querida, que você sabe que pode contar pra tudo e contar tudo; colega é colega, menos chegada que amiga, mas boa gente também; prima é prima, filha do tio ou da tia; e namorado(a) é namorado(a). Pronto. Acabou. Ô, língua difícil!

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Às vezes, só na base do pincel



A semana inteira vai ser cinza, já nos disseram os meteorologistas. E de cinzento, minha gente, basta o céu. Pegue os pincéis, as tintas, e vamos lá! Pinte o seu paraíso, e depois entre nele.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Lusa - A matriz portuguesa * até 10 de fevereiro

Abertas as comemorações pelos duzentos anos da chegada da família real portuguesa ao Brasil, fui ver a exposição LUSA - A matriz portuguesa, ontem, no Centro Cultural Banco do Brasil. Jóias, mapas, objetos sagrados, objetos profanos, muitas esculturas, documentos, vídeos, sons, ocupam dois andares do CCBB. Obras vindas de museus de Portugal, de 38 renomadas e respeitadas instituições portuguesas.

A mostra é bem legal. Uma viagem às origens da "terra-mãe", evidenciando as diversas influências que construíram a identidade Portugal - a mais acentuada parte européia da construção da nossa identidade. Bem legal ver as marcas do cristianismo, do islamismo e do judaísmo retratadas na exposição. Particularmente, achei o máximo um papiro da Rainha Ester que estava exposto. Reler ali a história que ouvi desde criança, da bela e inteligente rainha, me deu uma certa emoção. Ver um documento que pertenceu a ela, ali, bem pertinho, depois de tanto tempo, preservado... Muito legal!

Outra coisa bastante interessante foi ver a restauração das peças de cerâmica, dos cântaros, dos pratos e vasos, azulejos; as jóias... Um tal de torques, que era um tipo de colar todo em ouro maciço, minuciosamente decorado, lindo mesmo, com detalhes em rosas de pétalas trabalhadas, e que era uma jóia belíssima e de simbologia. Guerreiros, inclusive, a usavam.

E há uma escultura de quase dois metros, em granito!, na qual se pode ver um desses guerreiros, de torques.






Não vou contar tudo, pra que você não perca a vontade de visitar. E quando estiver lá, dê uma olhada no menorá - candelabro - todo em ouro. Lindíssimo. Muito lindo.
Havia também uma foto do Vasco da Gama, mas eu não vou dar ibope pros vascaínos e não vou colocar aqui a foto do moço.

Enfim, era uma tarde chuvosa de domingo. Se eu tivesse deixado a preguiça me dominar não teria passeado pela cultura portuguesa e teria desperdiçado uma deliciosa oportunidade de almoçar ali, no mezanino, comentando as belezas vistas e perplexa por ler tantas palavras desconhecidas. Afinal, a dúvida permaneceu: falta-me cultura, para saber, de cara, o que é uma estela, por exemplo, a ponto de ter de concluir, pela obra, do que se trata, ou esse tipo de coisa só mesmo gente da área, como o Ross Geller, o paleontólogo de Friends, é que sabe, assim obviamente, do que se trata?? E um báculo?? Pois é... É um cajado. Eu deveria saber? Isso é óbvio??

Cheguei a pensar em voltar com lápis e papel na mão, para anotar as palavras novas, para depois aprender, em casa.
Vale a dica, pra quem tem o vocabulário tão restrito, como o meu.
E outra dica: se for almoçar no mezanino, esteja em muito boa e bela companhia, porque, embora o atendimento seja agradável, a comida não é lá essas coisas. Aliás, é bem fraquinha, mesmo, apesar das atraentes opções.

(Isto aí acima, à direita, é um báculo. Vai me dizer que você sabia, desde sempre!?)

sábado, 3 de novembro de 2007

Tarde de sábado


Tarde de sábado.
Depois de um soninho, acordo com o som da criançada na rua, tomando banho de chuva. Risos alegres e gritos altos de "EU SOU LIIIIIVRE!!!!"

Trovões e relâmpagos, típica chuva de uma tarde de verão, e a criançada manda: "Obrigado, natureza!!!"

O de short azul é o mais animado, e começa as frases que os outros repetem.
A mãe, da varanda, chama depressa. Mas, "esperta-da-mente", para não parecer um "estraga-prazeres", pergunta: "quem quer amoras? e pipocas?"
Não resistiram. A mãe venceu.

A garotada tomou banho de chuva um pouquinho, comemorou a liberdade, agradeceu pelos trovões e relâmpagos, e nem percebeu que a brincadeira acabou, de repente...

Mas aqueles gritos de "eu sou livre, livre, liiiiiivre!!" ainda estão ecoando, na minha cabecinha.

E aí, por falar nisso, eu pergunto: o que a gente anda fazendo com a liberdade que tem, hein?

Feliz Sábado!!

Hoje é aniversário da Sandra, do Bienvenues Chez Sandra et Evaldo.
Além disso, hoje é sábado - Dia Mundial da Alegria!
Um dia de sol, esperança, confraternização e alegria. Tudo para ser um sábado feliz.
Feliz Sábado!!!


Sandra,
hoje, eu só quero agradecer a Deus, por dirigir a sua vida e a da sua família a cada minuto.
Amanhã eu volto a pedir que Ele continue a cuidar de vocês, dando sabedoria e saúde, que permaneça preservando você e seu maridinho com a integridade, a inteligência, a educação, a honestidade, a fidelidade, o amor, o altruísmo e a simplicidade que Ele colocou em vocês, em abundância. Porque isso, acredite, faz toda a diferença. E tudo, para que seus filhos cresçam num lar de paz e de amor. E que sejam mais dois a fazer a diferença no mundo.
Feliz Aniversário!!

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

... e ainda que esteja morto, viverá

Aos que hoje choram seus mortos;
em memória de todos eles;
pela esperança do reencontro,
as palavras de Jesus:
"Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá."

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Um feriado meio esquisito


Feriado pra turma da Federal, hoje.
Feriado pra geral, amanhã.
Dia cinzento, hoje.
Chuva programada pra amanhã.
Uma porção de coisas pra resolver, passaporte pra renovar, mercado, processos, blá-blá-blá.
É um feriadão esquisito.


Mas vem aí o sexteto da alegria!!
15 de novembro é feriado no país inteiro - Proclamação da República.
20 de novembro é feriado no Rio de Janeiro - Dia da Consciência Negra.
Agora, dá uma olhada no calendário.
Sacou?