segunda-feira, 30 de junho de 2008

O dia que mudou de cara

Hoje era para ser apenas a véspera, um dia sem uma cara própria, um dia cuja importância se resumiria a isto: "ser a véspera". Mas não foi assim. Tornou-se um dia com seus próprios acontecimentos e não foi o que eu desejava houvesse sido: apenas uma segunda-feira, a véspera de amanhã... porque a manhã começou cinza, nublada com a notícia da morte de Sara, a quem, carinhosamente, durante toda a minha vida, sei lá por que, eu chamei de "Sarowyska"; quem, durante toda a minha vida, sei lá por que, me amou e me chamou de "filha".
E assim se vai um dia que poderia ter passado em branco, silente, quieto e insignificante, apenas antecedendo o dia que viria depois... E se vai o dia em que eu disse adeus a minha amiga querida.

Descanse em paz, Sarowyska. Um dia nos reencontraremos.

Hoje

Hoje é a véspera.

domingo, 29 de junho de 2008

"Hoje é domingo, pede... cachimbo esporte!"

Hoje, todos os jogos do mundo ao mesmo tempo!
Caramba!
Brasil x Venezuela
(vôlei)
Flamengo x Sport
(Campeonato Brasileiro - não vejo ninguém na minha frente!! ahahaha!!)
Alemanha x Espanha
(EuroCopa 2008)
Haja pilha no controle remoto da tv, a partir das quatro da tarde!

sábado, 28 de junho de 2008

Feliz Sábado!!


É Inverno, mas alguma coisa, no meu coração,
me diz que é tempo de Primavera!!

Feliz Sábado!!

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Os votos - por Sergio Jockymann

Fazemos votos e pensamos em bons desejos, geralmente, na época do Natal ou do Ano Novo.
Esquecemos que a vida (re)começa a cada dia, e que a luta também é uma coisa diária.
Esquecemos que até mesmo os mais fortes são um pouco fracos e que erramos muito, por mais que tenhamos sempre a vontade de acertar. Esquecemos que a vida é um passeio e não uma corrida; que o ponto de chegada é tão importante como a caminhada; e esquecemos que o amor, sempre o amor, é e será sempre o combustível da nossa alma...
Por tudo isso, hoje, nesta manhã de inverno, em que o sol discretamente aparece para nos aquecer, refaço meus votos, nas palavras de Sergio Jockymann:


“Pois, desejo primeiro que você ame e que amando, seja também amado,
E que se não o for, seja breve em esquecer e esquecendo, não guarde mágoa.

Desejo depois que não seja só, mas que se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos e que, mesmo maus e inconseqüentes, sejam corajosos e fiéis,
E que em pelo menos um deles você possa confiar, que confiando, não duvide de sua confiança.
E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos, nem muitos nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes, você se interpele a respeito de suas próprias certezas
E que entre eles haja pelo menos um que seja justo, para que você não se sinta demasiadamente seguro.

Desejo, depois, que você seja útil, não insubstituivelmente útil,
Mas razoavelmente útil. E que nos maus momentos, quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé. Desejo ainda que você seja tolerante,
não com os que erram pouco, porque isso é fácil, mas com aqueles que erram muito e irremediavelmente,
E que essa tolerância não se transforme em aplauso nem em permissividade,
Para que assim fazendo um bom uso dela, você dê também um exemplo para os outros.

Desejo que você, sendo jovem, não amadureça depressa demais e que, sendo maduro,
não insista em rejuvenescer e que, sendo velho, não se dedique a desesperar.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
é preciso deixar que eles escorram dentro de nós.

Desejo, por sinal, que você seja triste, mas não o ano todo,
nem em um mês e muito menos numa semana, mas apenas por um dia.
Mas que nesse dia de tristeza, você descubra que o riso diário é bom,
o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra com o máximo de urgência, acima e a despeito de tudo,
Talvez agora mesmo, mas se for impossível, amanhã de manhã,
que existem oprimidos, injustiçados e infelizes,
e que estão à sua volta, porque seu pai aceitou conviver com eles.
E que eles continuarão à volta de seus filhos, se você achar a convivência inevitável.

Desejo ainda que você afague um gato, que alimente um cão
e ouça pelo menos um joão-de-barro erguer triunfante o seu canto matinal.
Porque assim você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,
por mais ridícula que seja, e acompanhe o seu crescimento dia-a-dia,
para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro, porque é preciso ser prático.
E que, pelo menos uma vez por ano, você ponha uma porção dele na sua frente e diga:
Isso é meu. Só para que fique bem claro quem é dono de quem.

Desejo ainda que você seja frugal, não inteiramente frugal,
não obcecadamente frugal, mas apenas usualmente frugal.
Mas que esse frugalismo não impeça você de abusar quando o abuso se impõe.

Desejo também que nenhum dos seus afetos morra, por ele e por você.
Mas que, se morrer, você possa chorar sem se culpar e sofrer sem se lamentar.

Desejo, por fim, que sendo mulher você tenha um bom homem,
E que sendo homem, tenha uma boa mulher.
E que se amem hoje, amanhã, depois, no dia seguinte, mais uma vez,
E novamente, de agora até o próximo ano acabar,
E que quando estiverem exaustos e sorridentes,
ainda tenham amor para recomeçar.

E se isso só acontecer, não tenho mais nada para desejar. ”

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Esse é o Mengão!!

Sua Santidade, o Papa, com camisa personalizada (leia-se: O Papa recebe o "manto sagrado").
É. Vamos combinar... isso, só o Flamengo faz.


E enquanto isso, os tricolores batiam cabeça até não poder mais, em Quito. E depois ainda comemoraram a derrota por "apenas" 4x2.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Sentir-se amado

E, de repente... você deu de cara com aquele texto, naquela noite fria de um inverno gélido. Chuva caindo lá fora e aqui dentro você se perguntando: - "eu te amo" diz tudo??
Experimentou tirar os olhos dos trechos, porque eram elucubrações demasiado trabalhosas para aquela hora da noite.... ou talvez fosse uma intenção discreta de fugir do assunto. Vai saber! Liga a tv, na ânsia de se distrair com qualquer beijo de novela, qualquer comercial de sabão ou margarina, mas seus olhos, em vigília, se voltam para aquele texto, porque a dúvida insiste, não importa se você resiste... "Eu te amo" diz tudo??

"Sentir-se amado" (por Martha Medeiros)

"O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.
Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.

Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.

A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?

Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. 'Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho'.

Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d'água. 'Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato.'

Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.

Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo."

terça-feira, 24 de junho de 2008

Não me faça perguntas...

... eu apenas queria dúzias e dúzias de tulipas
por onde quer que eu passasse, hoje...

Clarice Lispector

"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."

Texto extraído do programa "ÍNDICE CULTURA - Editoria Especial"
Produzido pela CULTURA FM

segunda-feira, 23 de junho de 2008

O casaco - por Manoel de Barros

Um homem estava anoitecido.
Se sentia por dentro um trapo social.
Igual se, por fora, usasse um casaco rasgado
e sujo.
Tentou sair da angústia
Isto ser:
Ele queria jogar o casaco rasgado e sujo no
lixo.
Ele queria amanhecer.


Manoel de Barros in Poemas Rupestres
imagem daqui

domingo, 22 de junho de 2008

sábado, 21 de junho de 2008

Feliz Sábado!!

Esta semana tivemos uma festa, no meu trabalho. Comemoramos o aniversário de quatro colegas.
L., geralmente, é a responsável por organizar tudo, desde recolher o dinheiro até a ordem final: "Vamos começar!"

Ela cuida do cardápio, do horário e das lembrancinhas - até quando o aniversário é o dela. E ainda faz cara de surpresa quando desembrulha o próprio presente!

Este ano, M.J. ganhou uma blusa e um filme em Dvd.

M.J. é daquelas garotas altas, bonitas, descoladas, e é cheia de sorrisos e sentimentos bons. Desenvolvemos um hábito bastante agradável de trocar textos, ao longo da semana. E acho que isso tudo começou com ela. Quando é um texto engraçado, passa de mão em mão, e todo mundo ri. Às vezes, é de Português, e a gente acaba sempre aprendendo mais uma. Na maioria das vezes, porém, o texto é de algum escritor querido, da nossa literatura brasileira. E aí... a gente se emociona. Sim, emoção de encher os olhos d'água!

Quando M.J. ganhou o filme, entrei logo na fila. "- Eu quero ver de novo! Eu quero!" Temos a mesma opinião: o filme é bárbaro! Porque é cheio de ensinanças e aprendizagens e todo envolto em sentimentos. Meu irmão viu seis vezes, no cinema, pra você ter uma idéia. Eu já vi umas quatro. E ontem à noite, aqui sentada... assim, de repente... senti uma vontade imensa de lembrar das cenas, dos poemas, da emoção que rege a vida da gente e do sentido que se há de colocar nas coisas e na vida, pra não se esmorecer, pra não se viver em vão.
Já disse, outro dia, que "ando tão à flor da pele que qualquer beijo de novela me faz chorar", e então dá para imaginar o tanto de lágrima que rolou quando revi, no youtube, Sociedade dos Poetas Mortos - a cena final.

Eu espero que você compreenda que lágrimas e prantos não traduzem, unicamente, tristeza, ou você vai imaginar que ando triste demais, estes dias. Não é exatamente isso. É que nem sempre minha emoção se traduz da maneira mais prática...

E para que o nosso sábado seja muito feliz, fiquemos com este poema, de Walt Whitman, o poeta do filme.

Carpe diem! Tenha um sábado feliz!


"Aproveita o dia,
Não deixes que termine sem teres crescido um pouco.
Sem teres sido feliz, sem teres alimentado teus sonhos.
Não te deixes vencer pelo desalento.
Não permitas que alguém te negue o direito de te expressares, que é quase um dever.
Não abandones tua ânsia de fazer de tua vida algo extraordinário.
Não deixes de crer que as palavras e as poesias, sim, podem mudar o mundo.
Porque, passe o que passar, nossa essência continuará intacta.
Somos seres humanos cheios de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Ela nos derruba, nos lastima, nos ensina, nos converte em protagonistas de nossa própria história.
Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua, tu podes trocar uma estrofe.
Não deixes nunca de sonhar, porque só nos sonhos pode ser livre o homem.
Não caias no pior dos erros: o silêncio.
A maioria vive num silêncio espantoso. Não te resignes, e nem fujas.
Valoriza a beleza das coisas simples; pode-se fazer poesia bela, sobre as pequenas coisas.
Não atraiçoes tuas crenças.
Todos necessitamos de aceitação, mas não podemos remar contra nós mesmos.
Isso transforma a vida em um inferno.
Desfruta o pânico que provoca ter a vida toda a diante.
Procura vivê-la intensamente, sem mediocridades.
Pensa que em ti está o futuro, e encara a tarefa com orgulho e sem medo.
Aprende com quem pode ensinar-te as experiências daqueles que nos precederam.
Não permitas que a vida se passe sem teres vivido...


Feliz Sábado!! Carpe diem!

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Estamos tristes...

Com essa ninguém contava...
Eu, realmente, acreditava que Portugal chegaria lá.

Feliz Aniversário, Chico!!


Eu não sabia explicar nós dois
Ela mais eu
Porque eu e ela
Não conhecia poemas
Nem muitas palavras belas
Mas ela foi me levando pela mão
Íamos todos os dois
Assim ao léo
Ríamos, choravamos sem razão
Hoje lembrando-me dela
Me vendo nos olhos dela
Sei que o que tinha de ser se deu
Porque era ela
Porque era eu


Salve! Salve! Chico Buarque de Hollanda!!

64 anos de pura poesia!

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Ando tão à flor da pele
que qualquer jogo Brasil x Argentina me faz chorar...

A vírgula

No dia 7 de abril deste ano a ABI, Associação Brasileira de Imprensa, completou seu primeiro centenário. Uma campanha comemorativa, sobre a transparência e a liberdade de informação, foi veiculada na mídia. O texto, bastante interessante, não é apenas uma aula de Português. Na verdade, é uma aula de conscientização.
O vídeo, você encontra AQUI.
O texto, a seguir:

A vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

Uma vírgula muda tudo.

ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Leituras inadiáveis


Este livro é como um livro qualquer.
Mas eu ficaria contente se fosse lido apenas
por pessoas de alma já formada.
Aquelas que sabem que a aproximação,
do que quer que seja, se faz gradualmente
e penosamente - atravessando inclusive
o oposto daquilo que se vai aproximar.
Aquelas pessoas que, só elas,
entenderão bem devagar que este livro
nada tira de ninguém.
A mim, por exemplo, o personagem G.H.
foi dando pouco a pouco uma alegria difícil;
mas chama-se alegria.
C.L.

Eu não queria falar antes da hora porque, parece, todas as vezes que nos últimos cinco anos eu falei em férias, as coisas desandaram. Mas vou falar. Em julho (respiro...) Em julho eu estarei de férias. Pronto! Falei. Agora é esperar que tudo dê certo.

Pois bem. Foi então que eu planejei uma pequena viagem e grandes leituras, para as minhas férias. Mas acontece que os livros, parece, não querem esperar, e é aí que imagino uma ventania soprando as folhas que se abrem e pedem, a minha frente: "- leia-me! leia-me! leia-me!"

Por mau costume, ou por bom hábito, termino sempre lendo dois ou três livros ao mesmo tempo. Demoro mais, é verdade, mas é o meu jeito. E então não resisto; e muito embora esteja lendo "Banalogias", do Francisco Bosco, e combinado comigo mesma que só abriria Clarice, Martha, Lya e Saulo Ramos depois do dia 1º de julho, não combinei isso com os livros e suas letras, que pululam bem aqui, rente aos meus olhos...

É claro que Clarice (e me desculpem o jogo de palavras) é a mais pululante; e irrompe, num arroubo que lhe é tão particular!
Encontro estas palavras, já de início:

"Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar."


Não sei se consigo esperar até 1º de julho...

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Depois a gente pensa...


Por ora, é hora de comemorar a estrela de Ballack-meu-bem!!
Brilhou!!!!


Depois a gente pára e pensa no confronto entre
alemães e portugueses. Depois.

E agora, José?

De repente, o benefício da dúvida não se afigura um bem, mas um mal, e "no more doubts" é agora a certeza do não.
O inevitável acontece, mas você esperava, mesmo, pelo inesperável - que, incapaz de mover-se sozinho, não veio; pois, de resto, as coisas não mudam se você não mudar; ou não. E não digo das coisas e de sua constância - como se quanto a isso houvesse dúvida! É de você que se diz... e quero dizer: você muda; ou não.
E foi no instante em que o silêncio disse tudo que a inércia moveu os pensamentos. E aconteceu do riso fazer-se choro; e fez-se, do sonho, a desilusão; da esperança fez-se a ânsia; do querer, o desistir; do desejo, a expectativa; e a expectativa, desatinada, coitada, desaguou na frustração.
Foi-se o benefício da dúvida.
E nada aconteceu como se ousou esperar...
E agora, José?

_____________________________
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
(Drummond)


Sempre que chove, qualquer poema de Quintana vem sempre datado de 1779, enquanto minha alma chora, às vezes sem nem saber por que, sempre que chove.

domingo, 15 de junho de 2008

Clariceando

Às vezes me dá enjôo de gente.
Depois passa e fico de novo
toda curiosa e atenta.
E é só.


Clarice Lispector in Onde estivestes de noite

sábado, 14 de junho de 2008

Feliz Sábado!!

O inevitável está aí.
O inesperável é o que se deseja, afinal.

Surpreenda!


Feliz Sábado!

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Equilíbrio

Perder a calma
perder a linha
perder a vontade
perder a alegria...
Quando tudo isto estiver
prestes a acontecer...
respirar fundo,
não perder o equilíbrio.


quinta-feira, 12 de junho de 2008

Ainda pelo Dia dos Namorados

Mordam-se, queridas!!
Hoje, antes de entrar em campo, contra a Croácia, maridinho alemão foi flagrado com as flores que me mandou, pelo dia de hoje...
Já chegaram e são lindas. Lindas como o meu bem...
Mordam-se, queridas, mordam-se!!


Pelo Dia dos Namorados. Simples assim.

"Escolha o seu amor.
Ame a sua escolha."

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Invencíveis!!












Agora imagine você...
Felipão e meu maridinho-alemão juntos, vestindo a mesma camisa.
Chelsea.
Agora, não tem pra ninguém!

Pequenos desejos


Eu quero...

Sobre promessas

Faça promessas menores. Só prometa o que você pode cumprir.
E então, depois, cumpra mais do que você prometeu.

terça-feira, 10 de junho de 2008

"Não vos preocupeis com o dia de amanhã..."

Amanhece. Delicadamente o dia amanhece... Ela vê o sol surgindo, pelas frestas da persiana, e embora tente ignorar a paisagem, há um azul que a atrai. É quase inverno, mas o céu de outono na cidade do Rio de Janeiro remete quem o percebe a lembranças das manhãs de verão... Revelando-se azulzíssimo, anuncia o convite irrecusável para um passeio à beira-mar.

Ela desperta. Um banho rápido para refrescar-se, os cabelos soltos balançam enquanto divide-se entre o escovar dos dentes e o separar o biquine; o rádio noticia o trânsito complicado para quem vai em direção ao Centro, e ela prepara-se para ir na direção do mar...

Enquanto separa a canga e os óculos de sol, conta as moedas e notas do dinheiro que há de gastar para aplacar a sede enquanto caminha; a cadeira na mala do carro, boné à mão, ela não se dá conta de que esqueceu de pegar um livro para ler no fim-de-tarde. Pede a proteção de Deus antes de sair, desce pelo elevador e deixa um rastro de felicidade no caminho que segue.

Encanta-se de tal modo com o azul do céu, e só lhe vem à cabeça "Todo Azul do Mar", do Venturini e do Ronaldo Bastos. Canta pelo caminho e se lembra do que acabara de ler: "ninguém é responsável pelo rosto que tem; mas cada um é responsável pela fisionomia que constrói". Decide que seria uma segunda-feira de quietude, nada obstante a desordem que houvesse por dentro. Um dia para cultivar rugas de felicidade. E seguiu.

Num recorde espetacular, parou o carro no estacionamento do Shopping, subiu pelas escadas, dobrou à esquerda, entrou na terceira loja, em frente a um Café. Era uma livraria. Toda de portas e paredes de vidro, já de fora avistou o livro que queria. Tomou-o nas mãos, certa de que era ele mesmo, e sorrindo perguntou como saberia o preço.

- Eu vejo pra você - disse gentilmente a atendente, comprovando que gentiliza gera gentileza, e delicadamente respondeu: - R$ 29,90. Com 30% de desconto, R$ 20,90.

- 30% de desconto por conta dos meus lindos olhos castanhos?-ela perguntou ainda sorrindo.

- Sim! Pelos seus olhos castanhos e pelo pagamento em dinheiro.

Pagou pelo livro, guardou-o na bolsa de praia, caminhou até a porta e, virando-se, prometeu que voltaria em breve para mais um agrado aos seus lindos olhos castanhos. Como já se disse, num recorde espetacular, desceu as escadas aos saltos, pulando feito criança feliz; na saída do estacionamento fez questão de perguntar ao rapaz o tempo que gastara, desde a entrada.

- Três minutos e doze segundos - ele respondeu.

Ela sorriu satisfeita, um risinho maroto, de quem estava orgulhosa de si. Comprara seu livro e ainda saíra a tempo de não pagar o estacionamento!

Na praia, depois de caminhar ao sol, estendeu sua canga, arrumou a cadeira e sentiu a brisa soprar, enquanto respirava fundo e suspirava profundo...

Abriu o livro e devorou-o como quem saboreia morangos com chantilly. Reviu os amigos, mergulhou na imensidão do mar. Deitou-se de costas pro sol, e se pôs a admirar as ondas. Gastou incontáveis minutos a explorar os sons que elas produziam. Nunca houvera pensado nas ondas do mar como instrumentos de uma grande orquestra. Pela primeira vez percebia uma combinação de sons, e imaginou que os peixinhos cuidavam do "sustain", o pedal que faz prolongar as notas e os acordes.

Não se deu conta de que o sol já se punha por trás das montanhas, porque se encantara também com as crianças que brincavam na areia, alheias ao mundo.

Dobrou a canga, guardou o livro, pendurou os chinelos e a bolsa na cadeira, e sentou-se bem pertinho do oceano... As águas cristalinas agora tocavam seus pés, e nem mesmo num giro de 180° seus olhos podiam captar outras gentes. Sentiu-se dona do mar. A única, na platéia, para a exibição da Natureza. Continuou a ouvir os acordes, as síncopes, o vibrato. Tomou de volta o livro, cruzou as pernas e dividiu seus olhares entre as letras e as gotas que espirravam do bater das ondas.

Caiu a noite.

Silenciosamente, agradeceu o espetáculo; e na quietude de seus passos, despediu-se do mar que já havia crescido, aguardando o crescente da lua. Deixou suas pegadas na areia, finamente desenhadas; do calçadão, virou-se outra vez para a praia. Uma grande onda bateu, e era como se fosse o acorde final de um "bis" que espontaneamente o mar quisera lhe oferecer.

Saiu parafraseando o Livro Sagrado: "Não vos preocupeis com o dia de amanhã. Basta a cada dia o seu mar..."


- Todo Azul Do Mar - Flávio Venturini e Ronaldo Bastos -

Foi assim, como ver o mar
A primeira vez que os meus olhos se viram no seu olhar

Não tive a intenção de me apaixonar
Mera distração e já era momento de se gostar

Quando eu dei por mim nem tentei fugir
Do visgo que me prendeu dentro do seu olhar
Quando eu mergulhei no azul do mar
Sabia que era amor e vinha pra ficar

Daria prá pintar todo azul do céu
Dava prá encher o universo da vida que eu quis prá mim


Tudo que eu fiz foi me confessar
Escravo do seu amor, livre para amar
Quando eu mergulhei fundo nesse olhar
Fui dono do mar azul, de todo azul do mar

Foi assim, como ver o mar
Foi a primeira vez que eu vi o mar
Onda azul, todo azul do mar
Daria pra beber todo azul do mar
Foi quando eu mergulhei no azul do mar

Foi assim, como ver o mar
A primeira vez que os meus olhos se viram no seu olhar

Não tive a intenção de me apaixonar
Mera distração e já era momento de se gostar

Quando eu dei por mim nem tentei fugir
Do visgo que me prendeu dentro do seu olhar
Quando eu mergulhei no azul do mar
Sabia que era amor e vinha pra ficar

Daria prá pintar todo azul do céu
Dava prá encher o universo da vida que eu quis prá mim

Tudo que eu fiz foi me confessar
Escravo do teu amor, livre para amar
Quando eu mergulhei fundo nesse olhar
Fui dono do mar azul, de todo azul do mar

Foi assim, como ver o mar
Foi a primeira vez que eu vi o mar
Onda azul, todo azul do mar
Daria pra beber todo azul do mar
Foi quando eu mergulhei no azul do mar

segunda-feira, 9 de junho de 2008

As coisas e o homem

As coisas, são apenas coisas; e nem sempre são do jeito exato que achamos deveriam ser.
Nós também não somos aquilo que deveríamos ser.
E ocorre que as coisas são estáticas, inertes, inanimadas, e o homem tem a faculdade de (se) modificar.

"Ninguém é reponsável pelo rosto que tem; mas cada um é responsável pela fisionomia que constrói." Lamentar-se não ajuda em nada. E as coisas não mudam de lugar sozinhas. Bom trabalho.

domingo, 8 de junho de 2008

EuroCopa2008


Com o preparo que tem, espírito de liderança, talento pessoal e o apoio da maridinha brasileira, mesmo à distância, Ballack-meu-bem só podia mesmo ter dado um show, na estréia. Embora não tenha marcado o seu, deixou sua marca. E se Klose tivesse finalizado direitinho ou Gómez tivesse mirado certinho a rede, aquele passe lindo do maridinho alemão logo no comecinho do jogo teria sido coroado com um golaço! Mas, tudo bem. A palhaçadinha da imprensa polonesa, durante a semana, já tinha mesmo perdido toda a graça que pretendeu fazer, sem êxito, e o que se esperava era um futebol bonito de se ver, em campo. E para isto, Ballack-meu-bem estava lá.

Até agora, tudo deu certo. Felipão e "nossa" seleção de Portugal venceram sua primeira partida e maridinho alemão, com sua turma, também garantiram a sua vitória. E, vamos combinar, foi uma gracinha ver o Lukas Podolski marcar e não comemorar, em respeito à pátria. Bonitinho mesmo. E ainda declarou, ao final: "...doeu meu coração."

Meu Jardim - por Vander Lee


Tô relendo minha lida, minha alma
meus amores
tô revendo minha luta, minha vida
meus valores
refazendo minhas forças, minhas fontes
meus favores
tô regando minhas folhas, minhas faces
minhas flores
Tô limpando minha casa, minha cama
meu quartinho
tô soprando minha brasa, minha brisa
meu anjinho
tô bebendo minhas culpas, meu veneno
meu vinho
escrevendo minhas cartas, meu começo
meu caminho
estou podando meu jardim
estou cuidando bem de mim.

sábado, 7 de junho de 2008

Mensagem para um sábado feliz

Certa vez li uma história que contava de um homem que orou para que Deus o salvasse, quando uma enchente atingiu sua casa. As emissoras de rádio avisaram que todos os moradores deveriam sair de suas casas, mas o homem continuava ali, insistindo para que Deus o salvasse.

Então, ele subiu no telhado, porque as águas estavam subindo, e subindo cada vez mais. Um vizinho passou de bote e perguntou ao homem: - Você não quer vir aqui no bote?

Mas ele respondeu: - Não, Deus irá me salvar.

As águas não paravam de subir e o homem se equilibrava tanto quanto podia, no telhado. Um helicóptero de resgate, enfim, apareceu sobre ele. Do helicóptero veio uma voz: - Estamos aqui para salvá-lo. Vamos jogar uma escada para que você possa subir no helicóptero.

Mas o homem acenou, mandando que o helicóptero fosse embora, e dizendo: - Eu já orei! Deus irá me salvar!

Não preciso dizer que aquele homem morreu na enchente.

Mas me diga: se ele tivesse a oportunidade de encontrar com Deus, o que você acha que ele diria??

Provavelmente perguntaria a Deus por que Ele não o havia salvado... E possivelmente Deus responderia: - Eu enviei uma notícia pelo rádio, um bote salva-vidas e um helicóptero para resgatar você. O que mais você queria??


Tire a lição que puder, dessa história,
e tenha um sábado feliz.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Refúgio

Seu quarto é o seu refúgio dentro da sua própria casa, é seu bunker, seu direito ao recolhimento, não o tempo inteiro, mas quando for necessário - e tantas vezes é. Um lugar para chorar. Poucos são os que têm privacidade para ficar tristes. Neste mundo de vigília e patrulha constantes, é um luxo poder sofrer sem ter ninguém nos observando.


Martha Medeiros in Coisas da Vida

Estorvo - excerto - por Chico Buarque


"Amigo mesmo só me lembro de um. Era alguns anos mais velho e dizia que eu tinha um futuro. Vivia lendo os jornais, as revistas especializadas, depois me contava que era tudo mentira. Recebia correspondência do estrangeiro, ouvia os clássicos, ia publicar em breve um tratado polêmico sobre não sei mais que matéria. Inventou que queria me ensinar uma língua chamada desesperanto, tendo organizado uma gramática e farto vocabulário. Dedicou-se numa fase à escultura comestível; ergueu no apartamento uma cidade inteira de marzipã, mas nunca chegou a expor. Também era dado a premonições; fazia certas previsões que ele mesmo se assustava e emudecia por uma semana. E parece que tinha em seu passado uma história conhecida e admirada por gente da sua geração. Dessas histórias ele nunca me falou, e por isso eu o admirava mais. No bar, quando bebia além da conta, ou quando já chegava cheio de estimulantes no pensamento, dizia poemas. Havia noites, geralmente noites de sábado quando lotava o bar, que ele deixava cair na testa a franja negra e cismava de declamar em francês. Eu ficava sem jeito porque ele declamava alto demais e olhando para mim, e as outras pessoas na mesa não entendiam os versos. Eu, ele achava que eu pegava o sentido. O resultado é que sobrávamos só nós dois na mesa, porque as poucas pessoas que suportam poesia, não suportam francês.

Não sei o que essas pessoas pensavam de mim, do meu amigo, da nossa amizade. Mas quando ele estava lúcido, e falava coisas que para mim eram revelações, os outros mal o ouviam, olhavam-no com a fisionomia embaçada. Era como se estivessem separados dele, não por uma mesa, mas por camadas de tempo. Às vezes eu achava que ele preferia mesmo dizer coisas que os outros só pudessem compreender anos depois. As palavras que buscava, as pausas, e sobretudo o seu tom de voz tão grave, faziam-me crer que ele era dessas poucas pessoas que sabem pensar e falar com o tempo dentro..."

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Vem chegando o inverno...


Uma gota de chuva que caia e molhe meus pezinhos... acaba comigo. Não à toa, sapato de boneca é aquele todo fechadinho, que protege os pés e não deixa sujar os dedinhos.
Hoje chove, no Rio. Chove rios... No último final-de-semana choveu cântaros (não sei quem criou tantas expressões para a chuva, numa cidade tão tropical, tão céu azul, tão sol, mas eu acho todas bárbaras, embora "Bárbara" seja muito mais nome de gente do que, exatamente, um adjetivo!)

4 de junho. A tendência, de agora em diante, é que os dias se tornem mais frios e curtos, mas minhas esperanças residem na lembrança de um inverno passado, nos velhos ídos de 1999, quando os dias eram ensolarados... eram dias de praia, muito mar e sol na cabeça, em pleno julho...

Um pena que essa seja a única lembrança boa daquele inverno que me congelou por dentro. Eram dias de sol, eu estava de férias, mas não vi o mar, nem o céu, não via nada... Foi o inverno mais frio da minha vida. O maior contraste entre o tempo lá fora e o que se passava aqui dentro. Mas passou.

"Alguém já disse, certa vez, que, para ser feliz, uma mulher necessita de apenas duas coisas: uma boa saúde e uma memória ruim."




imagens daqui

terça-feira, 3 de junho de 2008

Flamengo - Campeão Brasileiro de Basquete 2008


"Eu teria um desgosto profundo
Se faltasse o Flamengo no mundo..."


Não custa muito...


Surpreenda positivamente alguém,
ao menos uma vez por semana.
Não custa muito.
Talvez não custe nada, mesmo...

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Que dia foi esse??

Eu tinha, realmente, a expectativa de que este dia, a qualquer momento, teria algo além de 24 horas e não apenas isso...

domingo, 1 de junho de 2008

Placar eletrônico

Numa relação em que as partes se comprometem, necessariamente, com o bem-estar mútuo, pouco importa quem está certo e/ou quem errou; valem mesmo as cessões recíprocas, alternadas e oportunas.

Se tivéssemos a certeza de estar sempre, sempre, sempre certos, seria mais fácil ceder, seria mais cômodo voltar atrás para buscar o outro, seria mais simples; não seria a arte de conviver; mas já que é impossível estarmos certos 100% das vezes, não resistir pode parecer admitir um erro, o que pessoas que estão mais interessadas em acumular pontos não se permitem. Isso, é competição; isso não é relacionamento.

Muitas vezes, não cedemos porque acreditamos que a razão nos assiste. Outras vezes, não cedemos por saber que não temos razão; seria entregar os pontos. O segredo, de fato, está em reconhecer uma oportunidade para "dobrar-se". Nossos mecanismos de defesa nos impedem de exercitar a capacidade de não resistir. Seria fantástico se soubéssemos "sucumbir" e ainda assim nos sentirmos plenos, felizes, completos. Estar certo ou errado é o que menos importa, quando o bem-estar mútuo é o que conta. Seria fantástico se nossas relações não se limitassem a um placar eletrônico.

Zico é mesmo o nosso Rei

Cresci admirando o Zico.

Zico, muito mais que um grande nome do futebol é um ícone, um símbolo. Mais que uma referência, Zico é um exemplo.

Não importa seu time do coração. Você pode ser Vasco, Fluminense, Botafogo, Santa Cruz, Bangu, pode ser América do México, Boca Juniors, Benfica, Porto, Chelsea, Manchester, Bayern de Munique, Werder Bremen, Stuttgart, Hamburgo, São Paulo, Palmeiras... você pode até detestar futebol, mas você não pode negar o fato inconteste de que Zico é admirável. Um homem respeitável e admirabilíssimo.

Ontem li um texto entitulado "Enxurrada de amor". Um texto do Ruy Castro. Ele narra os momentos que antecederam a entrevista que o Galinho de Quintino gravou para um programa de TV - "Bem Amigos", do SporTV, a ser exibido nesta segunda às 21h , canal 39 do Sky -, na última sexta-feira (30/05) e o seu encantamento começou desde muito antes do início da entrevista.

Zico fez e ainda consegue fazer a alegria de todos os rubro-negros do mundo; mais que isso, é capaz de causar impacto em todos os que o observarem. Seja uma criança, seja quem for. Jogava um espetacular futebol. Mas se fosse só pela bola, ele não seria uma unanimidade (inter)nacional. A simplicidade e a honradez desse homem é que fazem toda a diferença.

Cresci admirando o Zico. E ele permanece merecendo o meu respeito. Não dá pra ser diferente.


ENXURRADA DE AMOR

"RIO DE JANEIRO — Ontem, de manhã. Zico chega ao Maracanã para uma entrevista de TV. Vem dirigindo o próprio carro. Ele mesmo o estaciona, sai e acena para a equipe e para o outro convidado. É reconhecido e interceptado por um grupo de alemães em visita ao estádio. Posa sorrindo para fotos com todos e com cada um. Depois, autografa bolas, camisas, papeluchos.

Reunimo-nos e seguimos pelo hall dos elevadores. Há um exército de gente varrendo o chão, instalando cabos, colando painéis. Largam o que estão fazendo, e vão posar com ele e pedir-lhe autógrafos. Zico atende a todos. De repente, ouve-se: “Zico! Zico! Zico!”. São 20 ou 30 escolares, muitos com a camisa do Flamengo, sentados no chão do hall com a professora. Zico, que acabou de ser avô, aproxima-se feliz, senta-se no meio delas e é vastamente fotografado.

Subimos para as tribunas, no 6º. andar, onde será a gravação. Ao abrir-se a porta do elevador, o anel surge à nossa frente — um panorama que ele já viu mil vezes lá de baixo, do nível do gramado. Mas não consegue deixar de exclamar: “Que bonito!”. É dia de semana e o Maraca está vazio, mas quase podemos ouvir o eco das 180 mil vozes que, nos anos 70 e 80, gritaram tantas vezes o seu nome. Ali ainda é a sua casa — ele, que fez gols e ganhou títulos, pelo Flamengo e pelo Brasil, nos cinco continentes.

O pessoal da TV, habituado a esnobar os astros da novela, rende-se a Zico. Abraçam-no, contam-lhe o que ele representou em suas vidas e como lhe são gratos por tanta coisa. Já me disseram que esse banho de afeto, essa enxurrada de amor, se repete pelo dia inteiro — no Rio, onde mora, no Japão, onde trabalhou, na Turquia, onde trabalha, e aonde quer que vá.

E — posso garantir porque já vi — Zico ouve cada declaração dessas como se fosse a primeira vez."



(Texto de Ruy Castro publicado em 31.05.2008 na
Folha de S.Paulo e reproduzido pela Agência Fla)