quinta-feira, 2 de junho de 2011

O pequeno príncipe

"O trigo para mim não vale nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando tiveres me cativado. O trigo que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo..."

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Às vezes

Às vezes meu domingo é plena segunda-feira.
O problema é quando a segunda é segunda de novo...

Domingo, uma e quarenta da madrugada de segunda.
Fim de expediente.
Mas, pelo menos, amanhã é domingo.

domingo, 22 de maio de 2011

Histórias de amor - LXI

E era dia de alegria
Porque ele vinha;
E se era noite, era festa...
E ela não se continha.


Sentada num canto da sala, olhava da janela. Via água... via chuva... via sol... havia!


Nada parecia sombrio naquele canto de sala, naquela vista lá fora, naquele pedaço de mundo. Era tudo como um brilho, tudo como se fosse reflexo. Tudo visto por um prisma de cristal. Os raios se decompondo. Mágica. Fascinação. Era tudo lindo. Tudo, tudo. Porque ele vinha. E ela não se continha. Fosse noite, fosse dia.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Não dê mole... Não mesmo!

"O que os olhos não veem, as amigas contam."

post editado com a colaboração da Rose Alves

domingo, 8 de maio de 2011

Boa data para voltar por aqui...

Ouvi esta crônica sexta-feira, na Bandnews, mas já peguei pela metade. Não sei quem era o colunista que estava lendo, também não sei se ele deu a autoria. Revirei a internet em busca da fonte, mas não confiei no que achei. Não havia nome do livro nem o número da página... nada consistente. Então, segue o texto, que permanece de autoria desconhecida para mim, mas que é um pouco a narrativa do que acontecia na nossa casa, quando éramos crianças. E que talvez hoje se repita, porque, afinal, muitos de nós já são mães ou pais... Pra quem já não vive essa realidade, e carrega no peito apenas a saudade disso tudo... um beijo carinhoso. Alegre-se com a lembrança.

Taí o texto. Curtam. E dediquem, hoje, a quem de direito.




A Mãe e o Pai estavam assistindo televisão, quando a Mãe disse:

- Estou cansada e já é tarde, vou me deitar!

Foi à cozinha fazer os sanduíches para o lanche do dia seguinte na escola, passou água nas taças das pipocas, tirou a carne do freezer para o jantar do dia seguinte, confirmou se as caixas dos cereais estavam vazias, encheu o açucareiro, pôs tigelas e talheres na mesa e preparou a cafeteira do café para estar pronta para ligar no dia seguinte.
Pôs ainda umas roupas na máquina de lavar, passou uma camisa a ferro, pregou um botão que estava caindo. Guardou umas peças de jogo que ficaram em cima da mesa, e pôs o telefone no lugar. Regou as plantas, despejou o lixo, e pendurou uma toalha para secar. Bocejou, espreguiçou-se, e foi para o quarto.
Parou ainda no escritório e escreveu uma nota para a Professora do filho, pôs num envelope junto com o dinheiro para pagamento de uma visita de estudo, e apanhou um caderno que estava caído debaixo da cadeira. Assinou um cartão de aniversário para uma amiga, selou o envelope e fez uma pequena lista para o supermercado. Colocou ambos perto da carteira.

Nessa altura, o Pai disse lá da sala: “Pensei que você tinha ido se deitar”.
“Estou a caminho” respondeu ela.

Pôs água na tigela do cão e chamou o gato para dentro de casa. Certificou-se de que as portas estavam fechadas. Espreitou para o quarto de cada um dos filhos, apagou a luz do corredor, pendurou uma camisa, atirou umas meias para o cesto de roupa suja e conversou um bocadinho com o mais velho que ainda estava estudando no quarto. Já no quarto, acertou o despertador, preparou a roupa para o dia seguinte e arrumou os sapatos. Depois lavou o rosto, passou creme, escovou os dentes e acertou uma unha quebrada.

A essa altura, o pai desligou a televisão e disse: “Vou me deitar”. E foi.
Sem mais nada.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Dos blocos de Carnaval eu gosto mesmo é dos nomes

Dos blocos de Carnaval, eu gosto é dos nomes.

"Concentra mas não sai"
"Vem Ni Mim Que Sou Facinha"
“Eu sou eu e jacaré é bicho d’água”
"Barangal"
"Spanta Neném"
"Que M. é Essa?"
"Esse é o bom, mas ninguém sabe"
"Largo do Machado, mas não Largo do Copo"
"Empurra que Pega"
"Cordão Umbilical"
"O Negócio Tá feio e o Teu Nome Ta no Meio"
"Desliga da Justiça"
"Block'n'roll"
"Eu Choro Curto mas Rio Comprido"
"Meu Amor Eu Vou Ali"
"Geriatria e Pediatria"

E pra terminar... os mais poéticos:

"Mulheres de Chico" (que só toca músicas de Chico Buarque)
e
"Simpatia é Quase Amor" (que embora tenha a ver com Aldir Blanc e seu personagem Esmeraldo, me faz lembrar do poema de Casimiro de Abreu)



"Simpatia - é o sentimento
Que nasce num só momento,
Sincero, no coração;
São dois olhares acesos
Bem juntos, unidos, presos
Numa mágica atração.

Simpatia - são dois galhos
Banhados de bons orvalhos
Nas mangueiras do jardim;
Bem longe às vezes nascidos,
Mas que se juntam crescidos
E que se abraçam por fim.

São duas almas bem gêmeas
Que riem no mesmo riso,
Que choram nos mesmos ais;
São vozes de dois amantes,
Duas liras semelhantes,
Ou dois poemas iguais.

Simpatia - meu anjinho,
É o canto de passarinho,
É o doce aroma da flor;
São nuvens dum céu d'agosto
É o que m'inspira teu rosto...
- Simpatia - é quase amor!"
De Casimiro de Abreu...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Umas palavras, para além das imagens

Volto aqui porque, de repente, percebo que este blog está se tornando um pouco álbum de fotografias...
Confesso que tenho andado escrevendo muito, por trabalho - o que me faz perder um pouco a vontade de escrever por prazer. Isso é lastimável, porque os pensamentos continuam voando, a ideia de escrever sobre as coisas que vejo e que sinto continua viva, mas aquele bichinho da preguiça toma conta do meu corpo inteiro, e pronto. Não produzo nada, por aqui.

Hoje, mesmo, fui ao dentista. Acordei cedo e encarei o trânsito que me fez gastar uma hora e dez em um trecho de 15km. E vi tanta coisa sobre a qual eu queria escrever...

Quase chegando, ainda parada num sinal de trânsito, notei as árvores do Bosque da Barra. Naquele mesmo instante pensei em escrever este post. Não exatamente este. Eu queria escrever um post bacana, falando do sofrimento daquela vegetação, num sol que pouco depois das nove da manhã (horário de verão - o que significa tratar-se de oito e alguma coisa) já queimava em 32ºC.

Fiquei pensando no descaso das autoridades públicas...

Entre dezembro do ano passado e janeiro deste 2011, passei alguns dias no Canadá. Lá é inverno, nessa época do ano, e é incrível você passar pelas rodovias e encontrar as árvores enroladinhas em pano, como proteção contra a neve e o sal. Você sabe que eles usam sal para derreter a neve das estradas; e acontece que, se estiver ventando, o sal cai no chão mas também se espalha e atinge as árvores, o que não é saudável.

Você consegue imaginar uma Prefeitura preocupada com o frio que as árvores podem sentir? Um Governo que cuide das árvores porque sabe da importância disso? É claro que um Governo que cuida de árvores é um Governo que cuida, também, de suas crianças, dos pais delas, um Governo que cuida de seus doentes, que se preocupa com educação...

"A neve é uma realidade, lá!", você vai dizer. "Então, faz parte da cultura deles. Eles têm, realmente, de desenvolver mecanismos de proteção para tudo e para todos". Você vai dizer também que é por isso que os pontos de ônibus são "casinhas de vidro", com portinha de entrada, porque é preciso proteção contra o vento e contra a neve, no inverno... E eu vou concordar com tudo isso.

Mas aí eu pergunto: e nós? O sol de 40 graus não é a nossa realidade? O calor, o céu sem uma nuvem sequer, a ausência da brisa já às seis horas da manhã não é da nossa cultura?? E por que não se desenvolvem mecanismos de proteção?

Havia uma dezena de árvores queimadas, no Bosque da Barra, hoje de manhã. Eu vi. Que agonia... Centenas, milhares de folhas ressequidas, quebradas, árvores literalmente morrendo de calor. As folhas não estão mais verdes. Não é o caso de dizer que têm um tom alaranjado... não. Elas estão marrons. Queimadas. Você sente o calor que aquelas árvores estão sentindo, só de olhar pra elas. Estão morrendo de sede. Não chove há dias, no Rio. Não há um sistema de irrigação. Elas estão secas. Sedentas. Morrendo.

Segundo a Wikipédia, o "Bosque da Barra, oficialmente Parque Arruda Câmara, é um parque de 50 hectares situado na Barra da Tijuca, zona Oeste do município do Rio de Janeiro, no Brasil.
Uma das áreas verdes mais visitadas da região, conta com uma ampla estrutura de lazer, que contempla, às margens de um grande lago, trechos arborizados, alamedas, quadras de vôlei, campos de futebol, grandes gramados, playgrounds e churrasqueiras de pedra. Trata-se, portanto, de compartimento ecológico inscrito em uma região bastante urbanizada.
Na reserva, onde subsistem características originais de restinga com áreas arenosas, brejos e várzeas, podem ser encontradas espécies florísticas ameaçadas de extinção.
Localiza-se no quilômetro 6 da Avenida das Américas, na Barra da Tijuca."

No sítio do Instituto Iguaçu você também encontra uma descrição linda, do Parque, que, de longe, parece objeto de atenção do Poder Público. Mas se olhar mais de perto... sim, nem precisa ser tão perto. Basta passar um olhar de longe, de dentro do carro, do ônibus, do outro lado da rua. Você vai perceber que o descaso dos nossos Governantes não discrimina nenhuma espécie de vida.

Pense por uns poucos minutos nas árvores que o Governo Canadense aquece e protege, no seu rigoroso inverno. Você tem a imagem, na sua mente?
Agora pense nas árvores queimadas, secas e sedentas, no rigoroso verão brasileiro. Você tem a imagem? E alguém sabe dizer por que o nosso Governo não cuida disso??

...não me venha dizer que nos falta dinheiro!


Bem, eu tive vontade de escrever um post bacana sobre aquilo que eu estava vendo ali. Terminei chegando aqui e escrevendo essa amargura toda... Mas é que doeu muito. Muito mesmo.
O que eu vi hoje de manhã está acontecendo debaixo dos olhos da mesma Prefeitura que ali ao lado constroi a Cidade da Música, com seus quase 500 milhões de dinheiros, e que do outro lado "administra" o Hospital Lourenço Jorge, que não tem material, não tem médicos, em que pessoas morrem todo dia por falta de (ou mau) atendimento, omissão de socorro, blá, blá, blá... e que prometeu, menos de 24 horas depois do incêndio na Cidade do Samba, doar R$ 3.000.000,00 (isso! três milhões de reais) para "ajudar" a refazer o Carnaval dos irresponsáveis que não tinham seguro, numa área que é plástico e isopor puro!

Desculpem a amargura, mas a questão, realmente, não é falta de grana!

Happy Valentine's Day!!


Suponho que basta a imagem fofa!!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

domingo, 30 de janeiro de 2011

Melhor não pensar

Eu gosto especialmente de borboletas amarelas. Sempre gostei do sol na minha pele. Descobri há pouco que também gosto da neve na minha pele, por um pouquinho de tempo; e da neve que se vê da janela, por todo o tempo que ela quiser cair. Gosto de doce de leite e de pipoca doce. De gente, de abraço, de risos. Gosto de queijo branco, de macarrão ao alho e óleo; de glúten e de bife vegetal. Gosto de azeitonas verdes e pretas. Gosto de azeite. Gosto de flores, gosto de cor. Gosto do céu do Outono, no Rio. Gosto daquele outro Outono que colore todas as folhas de todas as árvores. Gosto de Pilates. Gosto de bicicleta. De estar com amigos, de rever os que estavam longe, de manter todos por perto. Gosto de ter meu coração em paz. Gosto de novidades. Gosto do apego que tenho às gentes. Gosto de gostos, sabores, de cheiros, olores, de toque; sim, eu gosto de ser tátil e de quem é assim. Gosto muito de muitas coisas. E gosto de não pensar naquelas coisas que eu não gosto...

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

As pessoas são esquisitas...

...para dizer-se o menos.

A pessoa vai no FB, e publica no seu próprio mural um texto teu, como se fosse dela. Um texto curto, que você produziu no clímax da dor de uma perda irreversível e irreparável (na época, inclusive, em que "voo" tinha acento circunflexo). Um texto traduzindo a agonia de sentir-se perdido; a manifestação pessoal sobre a tristeza que a morte produz, misturada à esperança que ela provoca em você. Quem sabe, seja a mesma dor que a pessoa agora esteja sentindo, talvez pela mesma razão. É provável...
Mas eu pergunto: custa colocar aspas????
A resposta?
Primeiro, a pessoa apaga o meu comentário.
Eu repito a pergunta, quatro dias depois.
A resposta?
Fui excluída, sumariamente, da lista de amigos.

Algumas pessoas são mesmo esquisitas!
Para dizer-se o menos.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Feliz Aniversário, maestro amado!!!

De Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes,
em 1959, mas sempre, sempre sempre atual...

A FELICIDADE

"Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor

A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta feira

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar

A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite
Passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Prá que ela acorde alegre como o dia
Oferecendo beijos de amor

Tristeza não tem fim
Felicidade sim
"

Venta, por favor!, venta, vento, sem parar!!!
_________________________

25 de janeiro - dia do nascimento de Antonio Carlos Jobim, dia da Bossa Nova.
E aqui, um jeito simples de dizer da falta que faz nesta Cidade Maravilhosa e nos meus dias e noites o talento e a alma carioca de Tom Jobim.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

What's up??

Estou trabalhando. De casa.
Lá fora um calor incrível;
aqui, ar condicionado, fresquinho.
Vestidinho de verão.
Suquinho de frutas.
Pezinhos descalços.
Saladinha e purê de inhame no almoço.
Tudo para estar tudo bem, mas sinto-me cansada.

...Tenho às vezes a impressão de estar cansada de mim mesma.

Sem esquecer

Sem esquecer que na virada do ano eu disse, convicta:
Tudo o que vier, do modo como vier, pelo tempo que vier, estou certa de que será para o meu crescimento.
Então, vambora crescer, Suzi!

domingo, 23 de janeiro de 2011

Lembrete

É tempo de sorrir.
Apesar de, ou justamente por.
Não importa. O que importa é sorrir.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A lua e eu

Acabo de ler um texto em que "ressuscitaram" uma canção da Ângela Maria, anos 50:
"É que eu tenho o destino da lua, que a todos encanta e não é de ninguém".

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Meu jeito de arrumar as coisas

Meu cansaço, eu curo com a contemplação do verde e do azul. Meus dissabores, eu deixo que se percam nas poças d'água que se formam na chuva que lava as vidas das gentes. Minhas inquietações, eu as mergulho no mar. Minhas angústias, alivio respirando fundo o cheiro de terra molhada. Meus medos, afogo no rio... E assim vou extraindo o melhor do mundo que Deus fez pra mim, para expurgar o pior do mundo - que se empenha em tomar conta de mim. E a paz que então eu sinto, como flâmula pendurada na janela fica ali, espargindo em gotas - que o vento se encarrega de espalhar.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Torcida por você

“Mesmo antes de nascer, já tinha alguém torcendo por você.
Tinha gente que torcia para você ser menino.
Outros torciam para você ser menina.
Torciam para você puxar a beleza da mãe, o bom humor do pai.
Estavam torcendo para você nascer perfeito.
Daí continuaram torcendo.
Torceram pelo seu primeiro sorriso, pela primeira palavra, pelo primeiro passo.
O seu primeiro dia de escola foi a maior torcida. E o primeiro gol, então?
E de tanto torcerem por você, você aprendeu a torcer.
Começou a torcer para ganhar muitos presentes e flagrar Papai Noel.
Torcia o nariz para o quiabo e a escarola.
Mas torcia por hambúrguer e refrigerante.
Começou a torcer até para um time.
Provavelmente, nesse dia, você descobriu que tem gente que torce diferente de você.
Seus pais torciam para você comer de boca fechada, tomar banho, escovar os dentes, estudar inglês e piano.
Eles só estavam torcendo para você ser uma pessoa bacana.
Seus amigos torciam para você usar brinco, cabular aula, falar palavrão.
Eles também estavam torcendo para você ser bacana.
Nessas horas, você só torcia para não ter nascido.
E por não saber pelo que você torcia, torcia torcido.
Torceu para seus irmãos se ferrarem, torceu para o mundo explodir.
E quando os hormônios começaram a torcer, torceu pelo primeiro beijo, pelo primeiro amasso.
Depois começou a torcer pela sua liberdade.
Torcia para viajar com a turma, ficar até tarde na rua.
Sua mãe só torcia para você chegar vivo em casa.
Passou a torcer o nariz para as roupas da sua irmã, para as idéias dos professores e para qualquer opinião dos seus pais. Todo mundo queria era torcer o seu pescoço.
Foi quando até você começou a torcer pelo seu futuro.
Torceu para ser médico, músico, advogado.
Na dúvida, torceu para ser físico nuclear ou jogador de futebol.
Seus pais torciam para passar logo essa fase.
No dia do vestibular, uma grande torcida se formou.
Pais, avós, vizinhos, namoradas e todos os santos torceram por você.
Na faculdade, então, era torcida pra todo lado. Para a direita, esquerda, contra a corrupção, a fome na Albânia e o preço da coxinha na cantina.
E, de torcida em torcida, um dia teve um torcicolo de tanto olhar para ela.
Primeiro, torceu para ela não ter outro.
Torceu para ela não te achar muito baixo, muito alto, muito gordo, muito magro.
Descobriu que ela torcia igual a você.
E de repente vocês estavam torcendo para não acordar desse sonho.
Torceram para ganhar a geladeira, o microondas e a grana para a viagem de lua-de-mel.
E daí pra frente você entendeu que a vida é uma grande torcida.
Porque, mesmo antes do seu filho nascer, já tinha muita gente torcendo por ele.
Mesmo com toda essa torcida, pode ser que você ainda não tenha conquistado algumas coisas.
Mas muita gente ainda torce por você!”

Texto frequentemente atribuído a Carlos Drummond de Andrade - leia isto, página 5.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

"Música de Tom com letra de Chico".

...é um bom desejo.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Emoções


Durante estes primeiros três meses de 2011 vou estudar um pouco sobre as emoções. E nesta semana o tema é a ansiedade.
Eu acho que a preocupação é um dos maiores fardos que alguém pode carregar. E livrar-se da ansiedade talvez seja nossa maior necessidade. Eu realmente acredito que estar feliz e confiante é uma bênção. E aqui está uma outra verdade: eu sempre prefiro a felicidade e a confiança, no lugar da angústia e da preocupação.

É que a ansiedade tem a ver com as incertezas, com a dúvida, o não saber; ela afeta você emocionalmente e causa um estrago incrível no corpo inteiro! Começa na mente mas invade seu corpo todo; vai corroendo você todinho; você se sente debilitado fisicamente quando se deixa levar pelas preocupações; e fica a poucos passos de um abismo ridículo e profundo chamado depressão. Só pensa nisso, só fala nisso, só sofre. Ah, não! Tô fora!

Curiosamente, um mesmo fato, além das diversas leituras, permite diversas reações. Eu confesso que já não me apavoro, diante das situações que abalam minhas emoções. Admito, entretanto, que minha primeira reação é a taquicardia - o primeiro passo para a ansiedade tomar conta de mim. O coração acelera. Dou uma tremida. Arrepio, até. É aí que eu procuro as minhas opções. E, definitivamente, faço esforço, se for preciso, mas elimino a ansiedade. Digo cheia de convicção: "Chega! Sai fora!" Mais de dez minutos com coração acelerado eu não me permito. Respiro fundo. Três, quatro, dez vezes, se for preciso. Engulo seco, às vezes. Seco a lágrima, quando escorre. Estalo os dedos. Faço um alongamento. Oro. Não penso muito. Esqueço um pouco. Adio decisões, se for o caso. Não assino o papel, não compro, não vendo, não ajo de imediato. Dou um tempo. Dou ao outro o benefício da dúvida, se for o caso. Dou uma volta. Dou um pulo na sala, pego minha bomboniére e escolho um chocolate bem gostoso. Dou uma de forte. Lembro de Paulo... "então é que sou forte." Passo um batom bem vivo. O que importa é afastar a ansiedade e a preocupação. Desviar o foco. Mudar de assunto. Não deixar render. Não alimentar a angústia. Não se apegar às dúvidas. E se agarrar nas certezas.

Passadas algumas horas, meu corpo não me nega um sorriso. A mente, liberta da ansiedade e das preocupações, está pronta para trabalhar com independência. Você consegue pensar com liberdade. Que delícia! Percebe que perdeu pouco tempo da vida com a preocupação, desta última vez. E já está de novo com o pé na estrada, vivendo.


Quando a gente se afoga na preocupação e na ansiedade, perde energia, alegria, perde o viço, perde até a paz. É um preço muito alto. Não tenho bala na agulha pra isso...

E você? Como é que lida com as suas ansiedades?

domingo, 2 de janeiro de 2011

Bem-vindo, desconhecido!


Faz dois dias que começou o "Ano Novo". Repetem-se, na maioria das vezes, as resoluções; fazem-se retrospectivas, balanços, novas metas são propostas, as antigas não alcançadas são mais uma vez renovadas e assim se faz uma "virada de ano".

Geralmente eu choro, no dia 31 de dezembro de todos os anos. Geralmente num misto de tristeza e alegria. Geralmente começo pela tristeza das coisas que não deram certo, e termino chorando de felicidade, por tantas e tantas razões. Eu sempre sonho, no dia 31 de dezembro de todos os anos.

Este ano, o fuso horário me confundiu um pouco. Eu aprendi que os dias começam e terminam quando o sol se põe. Então, a rigor, no pôr do sol de sexta-feira, dia 31, já era 2011.

Aqui em Oshawa, o sol se pôs por volta das 16h40min, mas como o horário é de inverno, na verdade, poderíamos considerar o pôr do sol às 17h40. Dois horários para comemorar a passagem do ano.

No Brasil, horário de verão. Dois momentos, também, para festejar a passagem do ano, se considerarmos o pôr do sol.

Fora isso, a meia-noite, acontecendo, igualmente, duas vezes, em ambos os países.

Com OITO oportunidades de comemorar a virada do ano, você há de convir que eu me confundi um pouco...

E nessa confusão... eu não chorei. Eu não sonhei.

E não chorei porque não encontrei tempo pra isso. Não pensei em nada do que deu errado em 2010. Não tive tempo de me lamentar. Não chorei.
E não sonhei.
Não sonhei, simplesmente, porque eu estava VIVENDO o sonho que eu havia sonhado em outros dezembros, 31. Sonhos vividos. Isso é tudo!!!

Pulei a etapa dos sonhos, neste 31 de dezembro. Eu fiz planos.

2011 chega como sempre chegam os novos anos: um desconhecido. Mas veio com referência e eu o recebo de braços e coração aberto. Tudo o que vier, do modo como vier, pelo tempo que vier, estou certa de que será para o meu crescimento.

E não foi por acaso que eu li:
"Have I not commanded you? Be strong and courageous. Do not be discouraged, for the LORD your God will be with you wherever you go." (Joshua 1:9)

Então, bem-vindo, desconhecido! Pode entrar. Vou te contar meus planos.