terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Contagem regressiva

Eu diria que o ano acabou, pra mim, já faz um bom tempo. Mas o calendário não me acompanhou... De lá pra cá, anseio 2010 como quem deseja um oásis, no meio do deserto. Espero por novos tempos como quem imagina seus próximos dias depois de um transplante de coração. Aguardo o que se chama de "Ano Novo" como quem se encontra na gare, esperando o trem das onze.

Avidez. Sofreguidão. Sede.

A noite do dia 31 será para mim apenas a formalidade da "virada". O ano já me acabou. Ops! "O ano já acabou". Corrijo. E confesso que não tenho sabido, exatamente, o que fazer nesse meio-tempo, entre o final de 2009 e o recomeço, aquele dia em que todos os calendários estarão marcando "01 de janeiro de 2010"...

Não há mágica mas há magia. Muito embora o último dia do ano, na sua essência, nada tenha de diferente do dia que virá a seguir, certo é que uma sensação invulgar toma conta das gentes. Todos sabem que nada vai mudar num passe de mágica, mas existe a magia do "novo", do recomeço; é quando começamos a por em prática os planos novos, as resoluções, os projetos para as diversas áreas da vida.
Essa magia nos move!

Eu sou uma otimista inveterada. E embora esteja aqui, sem saber em que momento me encontro, depois de um final antecipado de 2009, estou na contagem regressiva. E uma coisa levarei comigo: a certeza de que as portas de entrada da nossa vida são meras passagens; podemos ou não dar acesso, aos que por ela passarem, a todas as demais dependências da casa; mas a porta de saída não se pode trancar. Somos livres. Livres. Para entrar e sair. Para estar, demorar ou apressar a partida. Somos livres. Todos nós somos livres - entenda! -, por mais que isso possa doer quando não se trata da sua liberdade.

Feliz 2010! Com saúde, sabedoria, e portas abertas!

I Have a Dream
"I have a dream, a song to sing
To help me cope with anything
If you see the wonder of a fairy tale
You can take the future even if you fail
I believe in angels
Something good in everything I see
I believe in angels
When I know the time is right for me
I'll cross the stream - I have a dream

I have a dream, a fantasy
To help me through reality
And my destination makes it worth the while
Pushing through the darkness still another mile

I believe in angels
Something good in everything I see
I believe in angels
When I know the time is right for me
I'll cross the stream - I have a dream
I'll cross the stream - I have a dream

I have a dream, a song to sing
To help me cope with anything
If you see the wonder of a fairy tale
You can take the future even if you fail

I believe in angels
Something good in everything I see
I believe in angels
When I know the time is right for me
I'll cross the stream - I have a dream
I'll cross the stream - I have a dream."


quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Véspera de Natal

Você olha da janela, vai à banca de jornal, passa pelo supermercado... e sabe o que se percebe?
As pessoas estão correndo tanto, nesta véspera de Natal, que mais parecem perus fugindo da mesa... Os homens, claro. Porque as mulheres... nem parecem peruas!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Um post sem imagem para ilustrar...

“Já ancorado na Antártica, ouvi ruídos que pareciam de fritura.
Pensei: será que até aqui existem chineses fritando pastéis?
Eram cristais de água doce congelada que faziam aquele som quando entravam em contato com a água salgada. O efeito visual era belíssimo.
Pensei em fotografar, mas falei para mim mesmo:
- ‘Calma, você terá muito tempo para isso...’
Nos 367 dias que se seguiram, o fenômeno não se repetiu. Algumas oportunidades são únicas”.
Amyr Klink

Há dois dias estou tentando organizar meu escritório, em casa. Incrível como ao longo dos meses vamos acumulando correspondências comerciais desnecessárias, papeis de rascunho, bilhetes para a secretária, papeluchos com números de telefone sem nome... São muitas árvores!
No meio disso tudo, sempre encontro uma foto que me traz lembranças, um bilhetinho que não tenho coragem de jogar fora, ingressos...

O texto que acabo de transcrever me acompanha desde a casa antiga. Ficava exposto num quadro de avisos que eu mantinha no meu quarto. Logo abaixo a gente lê: "Só existem dois dias no ano em que nada pode ser feito. Um se chama ONTEM e o outro AMANHÃ. portanto, HOJE é o dia certo para AMAR, ACREDITAR, FAZER e, principalmente, VIVER."

Hoje, aquele pedacinho de papel já amarelado iria embora, na sacola do lixo. Achando que já aprendi a lição, cheguei a pensar: já posso me desfazer disso, guardando a ideia na mente. Mas lembrei que nós, humanos, somos muito fracos de mente. Temos uma tendência incrível ao esquecimento. Uma forte inclinação ao desânimo e ao adiamento... Basta que pequenas coisas comecem a dar errado. Basta que as coisas que julgamos importantes e grandiosas não aconteçam do modo como gostaríamos que ocorressem... Por via das dúvidas, vou manter à vista o papel amarelado.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

"Incredible is nothing!"

Não é crível... Mas na linha do "nothing's hit", eu diria: "Incredible is nothing!"

E não é que, enquanto o Flamengo lança a camisa do HEXACAMPEONATO, onde se lê HEXA NA RAÇA, o Fluminense resolve fazer uma "camisa comemorativa do não-rebaixamento"?
Não! Isto não é piada de rubro-negro.

O único time do Rio que deveria guardar com orgulho o ano de 2009 na memória é o FLAMENGO, hexacampeão.
Vasco, que levou o título da 2ª divisão do campeonato brasileiro deveria ficar quietinho, esquecer isso, fingir que 2009 nem existiu.
Flu e Botafogo têm, igualmente, motivos de sobra pra enterrar 2009 no fundo do poço - fundo do poço: o lugar em que eles passaram a maior parte do campeonato deste ano.

Mas aí vem o Fluminense, o mais fundo do poço dos dois, e esfrega na cara dos seus pobres torcedores a humilhação de ter de comemorar o fato de não ter caído pra segundona. E estampando isso numa camisa oficial!! Pra ninguém esquecer!

Fala sério! Ou eu não entendo mais nada de futebol, ou o mundo da bola virou de cabeça pra baixo!

Como diria o Bóris Casoy... Está provado: "Isto é uma vergonha!"

domingo, 20 de dezembro de 2009

P.S. I Love You - não é um texto curto, mas eu preciso falar tudo - ou quase tudo...

Era um sábado desses, à noite. Já faz alguns poucos meses que meus finais de semana são apenas aqueles dois dias depois das quintas e sextas. Não reclamo. A vida é cíclica. O que ontem era rotina hoje já não existe e não nos cabe lamentar ou discutir se éramos mais ou menos felizes que agora. De certa forma eu me adaptei a contentar-me com um sábado feliz durante o dia - manhã e tarde, em atividades que incluíam meus adolescentes na igreja, a família pela hora do almoço, amigos e canções à tarde; e à noite passei a divertir-me com atividades alternativas. Não posso queixar-me; fui privilegiada, por exemplo, por encontrar V., uma criatura que me parece, até hoje, um misto de anjo e homem. Mas isso é outro papo...

Como já disse alhures (e eu só usei esta palavra porque, de verdade, acho um charme escrever alhures), era uma noite de sábado. Já há algum tempo eu queria ver esse filme. Queria porque me indicaram. Queria porque, afinal, o "Danny" aparecia, de repente, do jeito que a gente imaginou e nunca pode ver em Grey's Anatomy. Queria porque no dia em que eu comentei, aqui, a galera (e a malta) toda disse que era um filme pra se ver com caixinha de lenços de papel ao lado, um filme incrível, e tals.

A saga pra conseguir o DVD atravessou o Oceano Atlântico.
Brasil e Portugal.
Cópias esgotadas.
Até que ela, do jeito mais carinhoso que você possa imaginar, me fez chegar às mãos o filme.


Era um sábado à noite. De certa forma, reuniram-se comigo M., V., R., S., W., L., E., I., e todos aqueles que de alguma forma, mais ou menos demorada, passaram ou tentaram passar pela minha vida.
A cena e o bilhete sobre o casaco arrancaram soluços, de mim. O carinho do Danny (neste filme, eu sei, o nome dele é Billy) me deixaram comovida, e por mais que o título possa fazer qualquer um suspeitar que se trata de uma película "mulherzinha", é bem no começo, já, que se percebe ser um filme que mexe com os sentimentos mais profundos que você carrega dentro de si mesmo...

"...Talvez um dia isso aconteça..." São quase as últimas palavras do filme. São as primeiras palavras que eu repito, para mim mesma, a cada manhã...

sábado, 19 de dezembro de 2009

Feliz Sábado!!

"Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração..."


E sem que se esqueça... Hoje é sábado!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Seis de dezembro de 2009 - o dia que não acabou

Há alguns anos, num dia seis de dezembro, numa família já formada por quatro pessoas, nascia uma garotinha. Num sorteio, seu nome foi escolhido. Ideia de um dos irmãos. Apesar de gostar demais do nome que lhe deram, sua gratidão, mesmo, vai pra quem fez o sorteio, considerando que havia, em algum papelzinho, por lá, uma outra proposta: "Dinorah" - o "h" é por minha conta, pra garantir, ao menos, um certo charme, mas estou certa de ele não existia, na sugestão. Se saísse o "Débora", que, dizem, também estava lá, eu até aceitaria numa boa, mas Dinorah não era, exatamente, a minha ideia de nome pra mim, embora tenha um significado lindo e origem hebraica; e posto que, é bem verdade, naquele momento eu nem pudesse ter ideias para então poder dizer que não era essa a minha ideia de nome.

Desde criança, algumas coisas ficaram bem claras, naquela família, como por exemplo: os irmãos devem se amar, precisam se defender mutuamente, nunca devem dormir brigados, e devem ajudar uns aos outros; todos têm responsabilidades, em casa; lavar, passar, cozinhar, fazer a cama, arrumar a casa, são tarefas de todos e não apenas de menina; somos pobres mas somos limpinhos (e isso incluía nunca usar calcinha, cueca ou meias rasgadas); somos ricos da graça de Deus; pais devem ser respeitados; estudar é fundamental; e futebol é FLAMENGO.

Dos três filhos, admito, quem levou essa última lição mais a sério fui eu. Meu irmão é FLAMENGO, seus filhos (muito mais por influência das tias de ambos os lados da família) são FLAMENGO, todos têm sua camisa oficial, mas confesso que eu ainda levo aquela lição um pouco mais a sério que meus dois irmãos, muito embora a disputa não inclua minha irmãzinha, que é meio desobrigada nos assuntos de futebol - como se não soubesse que todos nascem FLAMENGO e, "uma vez FLAMENGO, FLAMENGO até morrer"... Por fora, pros outros, ela diz que não tem time. A gente deixa. Uma coisa é não gostar de futebol. Outra, bem diferente, é não ter um time. Ela tem um time. Mas não espalha... Ela apenas ri, com um certo ar de quem é desprendido nesses temas futebolísticos.

O ano, agora, é 2009.
Já fazia dezessete que o FLAMENGO, campeão do mundo, não levantava a taça brasileira. Flamengo de Zico, Andrade, Adílio, Leandro, Raul, Mozer, Junior, Tita, Nunes, Carpeggiani... Um time de futebol, de alegrias, de estrelas, de ídolos, de vitórias e conquistas. Campeão de terra e mar, o Clube de Regatas do Flamengo! Um time, para ser grande, não precisa, necessariamente de títulos, mas o Flamengo sempre teve na sua grandeza um misto de taças, títulos, ídolos, e torcedores apaixonados no mundo inteiro...

2009. Um time que começou timidamente, o campeonato. Fez algumas boas exibições mas sofreu tanto com a ausência de seus titulares! - fosse por suspensões automáticas decorrentes de cartões amarelos, fosse por problemas físicos ou por faltas sofridas em campo que afastavam por meses os jogadores -, e foi obrigado a jogar diversas rodadas com reservas sacados da equipe de juniores, meninos ainda em treinamento, misturados a apenas dois ou três titulares em campo... Mas quando Pet e Adriano estavam por lá, comandavam um show à parte.

A pressão na garotada foi ficando forte, inclusive porque ninguém quer saber se são crianças do infantil, do juvenil, ou atletas da equipe de "masters"... se estão em campo, é o FLAMENGO. E a camisa, aquele "manto sagrado" há que fazer a diferença. Enquanto os problemas físicos dos titulares não se resolviam, o Mengão ía administrando aquela parte intermediária da tabela de classificação; mas isso, nós sabíamos, era muito pouco.
A equipe foi se recompondo aos poucos e se mostrando madura, equilibrada, centrada, confiante e determinada. Sempre de chuteiras, não havia salto alto. E o Andrade, você sabe...

Andrade, o técnico que calçou as "sandalinhas da humildade" o tempo inteiro, era apenas um "auxiliar" (já há uns seis anos), que passou a "interino" após a dispensa do Cuca, e que um dia, ainda em momento anterior à decolagem do Flamengo, terminou sendo efetivado. Um técnico que fez toda a diferença. Mas isto daria um outro post...

E a equipe que veio numa ascensão incrível, comendo pelas beiradas, mantinha os pés no chão e buscava "apenas" uma vaga para disputar a "Libertadores da América" em 2010...

E como resultado de um trabalho sério, na penúltima rodada "do mais emocionante campeonato brasileiro na era dos pontos corridos", lá estávamos nós, ocupando a primeira posição.
Deixando pra trás o Palmeiras, que se manteve na cabeça por diversas rodadas seguidas, alardeando do Oiapoque ao Chuí que o Brasileirão de 2009 já tinha campeão, deixando pra trás São Paulo, Inter, Cruzeiro, Atlético... levantando poeira, o Flamengo chegava lá.

Não é bobagem, quando se diz que "se deixarem o Flamengo chegar... já era!"
O que se quer dizer com isso, pra quem ainda não entendeu, é que é preciso segurar o Flamengo o mais cedo possível. Se são pontos corridos, é preciso marcar em cima desde o comecinho; se é mata-mata, segurem ali pelas oitavas-de-final, no máximo... porque se não fizerem isso, e o Flamengo for chegando... Ah, minha gente... já era. Quando ele chega numa final... Dá nisso. Ninguém segura mais.
No Campeonato Brasileiro, o Mengão tem SEIS títulos de campeão. Nenhum de vice-campeão. Copiou?

Pois é.
Agora era o dia seis de dezembro de 2009. A festa havia começado de manhã. O aniversário daquela criança que levou a sério a lição que o papai ensinou não poderia ser mais emocionante. A última rodada do campeonato não poderia cair num dia mais perfeitinho. Tudo combinado. E embora "tenham esquecido de combinar com os russos"**, vencemos por 2x1 contra um Grêmio que não tinha nada a ganhar ou perder, e para quem, empatar ou ganhar significaria o título para o arquirrival (o Inter - uma espécie de rivalidade como a existente entre Vasco e Flamengo, lá no Sul do país), mas que jogou toda a bola que sabia, num campeonato em que ficou marcado por só ter ganho uma partida fora de casa. Levantamos a taça, com dois gols de zagueiros, e uma torcida em delírio no mundo inteiro. Sim, no mundo inteiro!
Acredite! O mundo é sinixxxxxtramente rubro-negro!

Em casa, ficaram: a TV, ligada, e meus sapatinhos do Imperador. Tudo como nas últimas rodadas, pra não mexer em time que está ganhando...
Na casa da mamãe e do papai, a família reunida, com direito a manto sagrado, óculos de sol nas cores do time do coração, faixa de campeão já preparada, Hino do Flamengo tocando (até então "apenas penta"), fotos, alegria, clima de festa e cheiro de Hexa no ar.


Começa o jogo. Maracanã lotado. Uma festa, daquelas que só a maior torcida do Brasil sabe fazer...
Mas lá estavam "os russos"... E eles meteram o primeiro gol.

Intervalo de jogo, a caravana segue, porque é hora de encontrar os amigos. A essa altura, o jogo estava empatado e isto significava um inédito vice-campeonato que não nos interessava. David havia garantido, ao menos, uma ida para o vestiário sem o amargo gosto do 1x0. Mas ainda era um vice-campeonato... Meu pai, então, do alto de sua sabedoria rubro-negra, me segreda ao ouvido:
- Filha, você chegou aqui campeã. Está saindo sem o título. Mas vai voltar campeã!
Saí.

Agonia, pelo caminho. Chego ao destino. Estaciono. A festa mais uma vez é um misto de aniversário com campeonato brasileiro. Passam-se dois minutos... É!!! Lá vem o cabeça!! Ronaldo Angelim. O cara. 2x1.

A gente respira. Não exatamente aliviado. Muita emoção. Coração na boca. E na chuteira dos caras, em campo. Adrenalina.

O árbitro apita o final da partida. Endorfina.
Eu pego o telefone e no meio daquela emoção toda, disparo:
- Pai!!!! É o HEXA!!!! Vou voltar campeã!! Eu sabia!! Se eu não pudesse confiar no meu pai, iria confiar em mais quem, nesse mundo???


Daí em diante, só alegria.
Ligações feitas e recebidas. Cumprimentos de FELIZ ANIVERSÁRIO que se misturavam aos de HEXACAMPEÃ. Ligação do Rio, São Paulo, Oshawa/CA.

Era o dia seis de dezembro de 2009.
A festa começou de manhã. Emendou com a tarde, varou a noite e entrou pela madrugada. Seguiu-se pela segunda-feira, a semana inteira... atravessa o mês... não para, não para, não para...

Seis de dezembro de 2009. O dia que não acabou!




P.S.
Eu pedi, de aniversário, pro Flamengo, o HEXACAMPEONATO. Ele me deu.
Pois é... deu confiança, já era. Ano que vem, vou pedir o Mundial Interclubes. E aí, mermão, vamos bordar outra estrelinha dourada...
Pai, pode pegar esse título de aniversário também! Dá pra dividir!!


** Na Copa do Mundo de 1958 o técnico da Seleção Brasileira, Vicente Feola, disse aos jogadores, na preleção para o jogo contra a então União Soviética, que bastava fazer a bola chegar aos pés do Garrincha que ele garantiria a vitória. E aí Mané Garrincha mandou na lata: “Seu Feola, já combinou isso com os russos?”

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Eu volto, com calma, pros registros do HEXA

Ressaca não-alcoólica. Overdose de endorfina. Hexatensão na veia. Preciso dormir um pouco. O sono dos justos, e campeões. Eu volto com calma, para os registros do HEXA. Você não perde por esperar!

domingo, 6 de dezembro de 2009

Seis de dezembro, que dia mais feliz!!

Acordar cedo (dez pras nove), praticamente de madrugada, num domingo de manhã, e já começar o dia derramando lágrimas de emoção, sentindo uma coisa boa por dentro é mesmo algo muito especial, que garante alegria para o ano inteiro...

Eu hoje madruguei desse jeito...
Pois quando amanheci, li umas letrinhas que fizeram cair aguinha do meus olhos. Aqui em casa, sempre foi assim: eu era a menina sapeca, tagarela, a caçulinha, e meus irmãos eram a parte séria da família. Músicos desde criancinhas, eu os admirava (tanto!) por isso. Os dois eram quietinhos e quando falavam sempre impressionavam, pela lucidez, pela fluência, pelo controle das emoções. Eu era a gaiata. Havia um equilíbrio perfeito, e eles sempre foram, como até hoje são, objeto da minha admiração...

Embora explorassem meu medo de baratas a minha infância inteirinha, eram também meus protetores. Cuidavam da irmãzinha pequenininha e sempre foram amorosos comigo. Meu irmão sempre me fez rir, em casa. Sua gargalhada, conhecida apenas dos mais próximos, é algo maravilhoso de ouvir. Chora de rir com algumas histórias que ouve e que conta, e eu sinto realmente muita falta dele perto de mim (física e geograficamente falando). Foi sábio, quando me incentivou e advertiu quando eu decidi morar sozinha, lembrando-me, inclusive, da questão das baratas e da independência, que não podia ser seletiva... Minha irmã, aparentando ainda mais seriedade, sempre foi muito quieta, econômica nas palavras (até pouco tempo atrás ainda era assim...) mas sempre foi também aquela que abriu os caminhos, em termos "comportamentais", sempre falou muito com o olhar e tornou-se a primeira Mestra, da família... Foi uma irmã de vanguarda, eu diria, como são as primogênitas. Meus irmãos abriram todos os caminhos. Foram modelos, pra mim. Tremendamente observadores, aprendi a ser do jeitinho deles, falando baixinho nos momentos em que a vontade é de gritar. São Mestres, minha irmã é Doutoranda, meu irmão é referência, ambos tocam piano maravilhosamente bem, são da paz, e são meus irmãos. E eu vou tentando trilhar os mesmos passos, pra quando crescer ser gente grande que nem eles...
Eu fui mesmo muito abençoada, nascendo nesta família...

E então acontece que hoje de manhã eu acordo e vem a surpresa... Eu amanheço e me deparo com um texto lindo, que me fez lembrar da infância (eu adoro lembranças da infância...) e fez cair lágrimas dos meus pequenos olhos castanhos... Eu preciso dividir com vocês, porque, simplesmente, foi lindo!



Quando criança, ouvia e via algumas amigas falando de um tal de aniversário de boneca. Organizavam esse evento, arrumavam o ambiente como se fosse para o aniversário de "gente" e comemoravam o aniversário de suas bonecas.

Eu nasci numa família onde ganhar 1(uma) boneca por ano, no Natal era A FESTA. Assim, nunca pude participar daquelas festas, porque também, aquelas meninas não estavam no meu círculo de relacionamento.

Mas... DEUS sabe de todos os nossos sonhos e me presenteou - PARA A VIDA INTEIRA - com uma boneca viva, humana, inteligente, bonita, irmã. Posso comemorar todo ano o aniversário dessa boneca, mesmo não sendo mais criança. Posso admirá-la não como ela estaria a vida toda, se fosse uma boneca inanimada. Mas compartilho do seu crescimento em todos os aspectos e celebro a vida, junto a ela.

Parabéns, Suzi. Te amo.




E agora eu estou de saída, simplesmente porque ela organizou uma festa pra boneca. Um "brunch" do jeitinho que só ela sabe fazer, na casa da mamãe, me permitindo acordar depois das nove e chegar só pra curtir...
Família... Ai, minha querida família... Vocês são tudo, em qualquer lugar do mundo. Sempre perto de mim, no meu coração...
Valeu, Deus!

sábado, 5 de dezembro de 2009

Feliz Sábado!!

Muito daquilo que a gente chama "defeito" é apenas "diferença".
Deixe de lado qualquer coisa que afaste você de alguém, abrace quem está ao seu lado, traga pra perto quem está longe, e tenhamos todos um FELIZ SÁBADO!!


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Reflexões no começo de mais um dia de trabalho

No meu trabalho, minhas palavras são escritas para traduzir o pensamento de outra pessoa. Eu preciso saber de antemão ou intuir o que o outro pensa a respeito de qualquer assunto (justrabalhista) que me chegue às mãos, e escrever como se fosse o próprio. Preciso fazer isso com tamanha perfeição e grau de convencimento, porque, em alguns casos, o outro, sequer, já ponderou sobre o tema, e é preciso que ele, ao ler, chegue a pensar que aquilo tudo saiu da sua própria cabecinha.

Preciso confundir os meus pensamentos com o dele, durante o tempo em que estou redigindo os textos, de modo que eu escreva exatamente aquilo que ele escreveria se estivesse ali, fazendo o meu trabalho, que, na verdade, é o dele. É como pensar com a mente do outro.
E algumas vezes é difícil, quando eu penso diferente... de um jeito diametralmente contrário ao dele; ainda assim eu preciso defender o posicionamento dele como se eu visse mesmo as coisas do modo como ele vê. Nesses casos, como eu costumo dizer, é preciso abraçar a ideia, vestir a camisa e defender com a alma aquilo que ele quer.

Algumas vezes separo um tempo para discutir a divergência. Ele me ouve. Às vezes mantém a mesma posição, outras vezes concorda com a minha tese. Mas eu sei: a palavra final é sempre a dele, e eu escrevo bonito o que ficar decidido (por ele, é claro).

Já percebi que quanto melhor eu traduzo os seus entendimentos, mais satisfatório é o resultado do meu trabalho, embora muitas vezes eu quisesse escrever tudo diferente. E não adianta reclamar... O dono do boteco é ele.

Nossa relação com o Chefe é assim também. Nossa vida deve ser escrita por nós mesmos. E tanto podemos escrever do nosso próprio jeito, com nossa própria maneira de entender as coisas, como podemos escrever, com nossas próprias palavras, as ideias, os planos e os sonhos dEle...

Discutir com Deus aspectos da nossa vida com os quais não concordamos, faz parte do processo. Insistir em fazer tudo do nosso modo, ou admitir que Ele é o dono da parada e aceitar que a palavra final é a dEle, são as opções que temos.

Dá mais certo quando a história da nossa vida é a tradução dos entendimentos dEle. É mais satisfatório, o resultado do trabalho, embora muitas vezes se queira escrever tudo diferente. Simplesmente porque, na vida, o dono do boteco é Ele.

Curiosamente, nos conformamos quando perdemos uma discussão jurídica, ou, no caso do seu trabalho, qualquer outra discussão, com a Chefia. Ficamos meio insatisfeitos, porque sempre achamos que nosso modo de encarar as coisas é o mais genial, ou mesmo porque pensamos que é o mais acertado, para o caso. Mas nos conformamos. Assimilamos a ideia do chefe e seguimos adiante - algumas vezes apenas para preservar nosso emprego... Outras vezes porque aprendemos a ser humildes. Mas por que nos recusamos a fazer as coisas de um jeito diferente do nosso, quando se trata da nossa própria vida??

Estou começando mais um dia de trabalho. É mais um dia da minha vida, também.
Hora de escrever...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

É você, Lombaaaardi!!

Na minha infância, a gente não era viciado na Globo, a emissora de tv que diversas famílias reverenciavam com uma exclusividade assustadora. Lembro que na casa de algumas amigas minhas as pessoas acordavam e íam direto ligar a tv que SEMPRE estava sintonizada na Globo (sintonizado a gente só usa pra rádio?? não sei, mas você entendeu o que eu quis dizer). E lá nessas casas a tv ficava ligada o dia inteiro. Na Globo. Sempre achei estranho. E dizia pra mim mesma: "Eu, hein!"

Na minha casa nunca foi assim. Meus pais selecionavam os programas e acho que desde cedo eu aprendi acerca da variedade, do ecletismo... indiretamente, aprendemos sobre escravidão e manipulação. Víamos Sítio do Pica-pau Amarelo, que passava na Globo e na TV Educativa, víamos na Globo o Fantástico - às vezes, quando não estávamos na igreja, porque o horário batia. Mas víamos Fantástico, na época em que o programa realmente apresentava coisas fantásticas - "Da idade da pedra, ao homem de plástico, o show da vida..." Víamos "O meu pé de laranja lima", na TV Bandeirantes - hoje tão íntima de todos, a "Band". "Éramos seis"... Víamos a programação da TV Tupi, a TV Manchete... E víamos o Programa Sílvio Santos.

Minha infância foi cheia de "Domingo no Parque", "Boa Noite, Cinderela", Show de calouros. Lembro das brincadeiras dos programas: "você troca um jogo de bolas de gude por uma bicicleta?" "SIIIIIIIM". Ou, quando o menino dava a maior bobeira, tadinho... "NAAAAÃO!!!!"
E em todos os intervalos, quem estava lá???

Pois é, "É com você, Lombaaaardi!"

E vinha aquela voz incrível, falando do tênis Montreal, antimicrobiel, "porque você é jovem"...

Era uma voz misteriosa e todos nós morríamos de curiosidade de saber quem era o Lombardi. Algumas pessoas apostavam que era o próprio Sílvio, quem gravava. Mas seria muito bem feito, porque "parecia ao vivo!"

Ninguém encontrava fotos do Lombardi, por aí. Isso aumentava o mistério e não havia o Google Images pra estragar a brincadeira, nem "paparazzis" pra acabar com o suspense.

Hoje, aqui em meio ao trabalho, abro a página dos noticiários e me deparo com a notícia: "Morre Lombardi, o famoso locutor do programa Sílvio Santos".
Acabou.
Que pena...

É estranho, mas parece que um pouco da criança que ainda guardo dentro de mim ficou de luto. A sensação é de que sua infância se perdeu mais um pouquinho de você...
Que pena...