terça-feira, 30 de setembro de 2008

Não posso querer?

"...O que quero é um sol mais sol que o Sol,
O que quero é prados mais prados que estes prados,
O que quero é flores mais estas flores que estas flores —
Tudo mais ideal do que é do mesmo modo e da mesma maneira!"

Alberto Caeiro in "O Guardador de Rebanhos"


É-me vedado querer algo além do mínimo? É-me vedado desejar sol e prados e flores ideais? É-me vedada a esperança de outros dias, quando o céu é cinza, os prados não têm cor e as flores morrem?

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Se não há profusão de cores lá fora...

...faço aqui dentro a minha Primavera chegar!

Eu preciso de cor.
O amarelo do sol, o azul do céu e dos oceanos, o colorido das flores, o verde das matas, do mar...
Lá fora, tudo cinza. Pequeníssimos pedacinhos de céu azul. E eu, aqui, ansiosa por uma natureza quente e colorida.
A chuva não pára.
Tudo molhado, lá fora.
Aqui dentro... cor! Muita cor: já fiz meu cardápio do almoço - couve, lentilhas, arroz com funghi, salada de alface, tomate, milho, queijo, tomate seco, ovos, azeitonas, champignon, hortelã e iogurte natural, regada com muito azeite.
Um suquinho, no lanche, para contribuir com o visual.
Agora imagine a primavera que vai estar à mesa, enquanto chove lá fora...



sábado, 27 de setembro de 2008

Feliz Sábado!!

Vou avisando de cara: é um texto grande. O post vai ficar imeeeenso, e eu nem sei se a história é verdadeira. Provavelmente, é uma parábola. Eu não ligo, porque pra mim, neste caso, o que conta é a velha "moral da história", que é a seguinte: NUNCA SUBESTIME A MARCA QUE VOCÊ DEIXA NAS PESSOAS.

Quem puder gastar um tempinho, leia. E se for manteiguinha derretida que nem eu, já vá pegando um lencinho...

Quando eu era criança, bem novinho, meu pai comprou o primeiro telefone da nossa vizinhança. Eu ainda me lembro daquele aparelho preto e brilhante que ficava na cômoda da sala. Eu era muito pequeno para alcançar o telefone, mas ficava ouvindo fascinado enquanto minha mãe falava com alguém.
Então, um dia eu descobri que dentro daquele objeto maravilhoso morava uma pessoa legal. O nome dela era "Uma informação, por favor" e não havia nada que ela não soubesse. "Uma informação, por favor" poderia fornecer qualquer número de telefone e até a hora certa.

Minha primeira experiência pessoal com esse gênio-na-garrafa veio num dia em que minha mãe estava fora, na casa de um vizinho. Eu estava na garagem mexendo na caixa de ferramentas quando bati em meu dedo com um martelo.
A dor era terrível mas não havia motivo para chorar, uma vez que não tinha ninguém em casa para me oferecer a sua simpatia.
Eu andava pela casa, chupando o dedo dolorido, até que pensei: o telefone!

Rapidamente fui até o porão, peguei uma pequena escada que coloquei em frente à cômoda da sala. Subi na escada, tirei o fone do gancho e segurei contra o ouvido. Alguém atendeu e eu disse:

- "Uma informação, por favor".
Ouvi uns dois ou três cliques e uma voz suave e nítida falou em meu ouvido.
- "Informações."
- "Eu machuquei meu dedo...", disse, e as lágrimas vieram facilmente, agora que eu tinha audiência.
- "A sua mãe não está em casa?", ela perguntou.
- "Não tem ninguém aqui...", eu soluçava.
- "Está sangrando?"
- "Não", respondi. - "Eu machuquei o dedo com o martelo, mas tá doendo..."
- "Você consegue abrir o congelador?", ela perguntou. Eu respondi que sim.
- "Então pegue um cubo de gelo e passe no seu dedo", disse a voz.

Depois daquele dia, eu ligava para "Uma informação, por favor" por qualquer motivo. Ela me ajudou com as minhas dúvidas de geografia e me ensinou onde ficava a Philadelphia. Ela me ajudou com os exercícios de matemática. Ela me ensinou que o pequeno esquilo que eu trouxe do bosque deveria comer nozes e frutinhas.

Então, um dia, Petey, meu canário, morreu. Eu liguei para "Uma informação, por favor" e contei o ocorrido. Ela escutou e começou a falar aquelas coisas que se dizem para uma criança que está crescendo. Mas eu estava inconsolável.
Eu perguntava: - "Por que é que os passarinhos cantam tão lindamente e trazem tanta alegria pra gente para, no fim, acabar como um monte de penas no fundo de uma gaiola?"
Ela deve ter compreendido a minha preocupação, porque acrescentou mansamente:
- "Paul, sempre lembre que existem outros mundos onde a gente pode cantar também..."
De alguma maneira, depois disso eu me senti melhor.

No outro dia, lá estava eu de novo.
- "Informações.", disse a voz já tão familiar.
- "Você sabe como se escreve 'exceção'?"

Tudo isso aconteceu na minha cidade natal ao norte do Pacífico.

Quando eu tinha 9 anos, nós nos mudamos para Boston. Eu sentia muita falta da minha amiga. "Uma informação, por favor" pertencia àquele velho aparelho telefônico preto e eu não sentia nenhuma atração pelo nosso novo aparelho telefônico branquinho que ficava na nova cômoda na nova sala.

Conforme eu crescia, as lembranças daquelas conversas infantis nunca saíam da minha memória. Freqüentemente, em momentos de dúvida ou perplexidade, eu tentava recuperar o sentimento calmo de segurança que eu tinha naquele tempo.
Hoje eu entendo como ela era paciente, compreensiva e gentil ao perder tempo atendendo às ligações de um molequinho.

Alguns anos depois, quando estava indo para a faculdade, meu avião teve uma escala em Seattle. Eu teria mais ou menos meia hora entre os dois vôos.
Falei ao telefone com minha irmã, que morava lá, por 15 minutos. Então, sem nem mesmo sentir que estava fazendo isso, disquei o número da operadora daquela minha cidade natal e pedi:

- "Uma informação, por favor."
Como num milagre, eu ouvi a mesma voz doce e clara que conhecia tão bem, dizendo:
- "Informações."
Eu não tinha planejado isso, mas me peguei perguntando: - "Você sabe como se escreve 'exceção'?"
Houve uma longa pausa. Então, veio uma resposta suave: - "Eu acho que o seu dedo já melhorou, Paul."
Eu ri.
- "Então, é você mesma!", eu disse. - "Você não imagina como era importante para mim naquele tempo."
- "Eu imagino", ela disse. - "E você não sabe o quanto significavam para mim aquelas ligações. Eu não tenho filhos e ficava esperando todos os dias que você ligasse."

Eu contei para ela o quanto pensei nela todos esses anos e perguntei se poderia visitá-la quando fosse encontrar a minha irmã.
- "É claro!", ela respondeu. - "Venha até aqui e chame a Sally."

Três meses depois eu fui a Seattle visitar minha irmã. Quando liguei, uma voz diferente respondeu: - "Informações."
Eu pedi para chamar a Sally.
- "Você é amigo dela?", a voz perguntou.
- "Sou, um velho amigo. O meu nome é Paul."
- "Eu sinto muito, mas a Sally estava trabalhando aqui apenas meio período porque estava doente. Infelizmente, ela morreu há cinco semanas."

Antes que eu pudesse desligar, a voz perguntou:
- "Espere um pouco. Você disse que o seu nome é Paul?"
- "Sim."
- "A Sally deixou uma mensagem para você. Ela escreveu e pediu para eu guardar caso você ligasse. Eu vou ler pra você."

A mensagem dizia: "Diga a ele que eu ainda acredito que existem outros mundos onde a gente pode cantar também. Ele vai entender."
Eu agradeci e desliguei. Eu entendi...

NUNCA SUBESTIME
A MARCA QUE VOCÊ DEIXA NAS PESSOAS.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Hoje é dia de Ballack-meu-bem!!!

Vamos combinar assim:
todo mundo vai comemorar o aniversário de Ballack-meu-bem!
Você só vai precisar de cinco minutos, uma caneca, alguns poucos ingredientes e um forno de microondas. Vou dar a receita do bolo, mas você tem que prometer que vai colocar uma velinha e cantar parabéns pro lindinho...
Vamos lá:


Bolo de caneca
Ingredientes
- 04 colheres de sopa de farinha de trigo
- 04 colheres de sopa de açúcar
- 04 colheres de sopa de achocolatado em pó
- 01 ovo
- 02 colheres de sopa de leite
- 02 colheres de sopa de óleo

Modo de Preparo
Em uma caneca (que possa ir ao microondas) misturar bem a farinha, o açúcar e o chocolate em pó. Acrescentar o ovo e misturar bem com um garfo.
Por último, misturar o leite e o óleo.
Leve ao microondas na potência máxima por 03 minutos.

Calda:
- 01 colher de sopa de açúcar
- 01 colher de sopa de achocolatado em pó
- 01 colher de sopa de leite
- 01 colher de sobremesa rasa de manteiga

Para a calda, misture todos ingredientes e leve ao microondas por 30 segundos na potência máxima; depois é só derramar sobre o bolo na caneca e polvilhar com chocolate granulado, ou coco ralado, ou castanhas moídas, gotas de chocolate, confete, jujuba... você faz a bagunça que quiser. Mas tem que cantar parabéns pra ballack-meu-bem, o maridinho alemão que adora uma festinha de parabéns à brasileira!

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Fica fácil convencer qualquer um a comprar um Armani, não?

Kaká, em campanha que será veiculada a partir de outubro.
Bonitinho, ele querendo fazer cara de sexy! rs*

Como não discutir

Por cerca de nove meses, um tempo atrás na minha vida, eu precisei conviver com algumas pessoas bastante hostis. Meu dia, no trabalho, era um total desgaste. Precisei desenvolver algumas aptidões, como falar baixo, apenas olhar, engolir seco, não discutir, jamais bater boca. É um exercício. E depois que você aprende, vê o quanto é importante, o quanto é fundamental.
Dia desses, por aí, li um texto sobre "Como não discutir". Leia-se: "Como não contender", ou "Descubra como não se deve discutir", ou "Aprenda a discutir", porque "discussão", na verdade, tem um sentido muito bonito, o de debater, questionar, defender ou impugnar um tema, um assunto, e, portanto, alguma coisa bastante legal. Estamos falando de como evitar o embate, a contenda, o combate, estamos falando de como evitar uma peleja. Como discutir/como não discutir, nesse sentido.
Segue o texto:

"1. São necessários dois para discutir. Se não respondermos de volta, não haverá discussão. Simplesmente diga: 'Prefiro não conversar sobre isto agora' e, se necessário, repita esta frase com suavidade mais uma vez. Programe, então, um tempo para falar sobre o assunto no futuro.

2. As discussões se agravam com o volume da voz dos discutidores. O Rei Salomão já nos ensinou em seu livro Mishlei (Provérbios 15:1): 'Uma resposta gentil dispersa a raiva'. Quanto mais violentamente o outro discute, mais serena nossa resposta deve ser. Logo veremos o tom de voz dele/dela diminuir em resposta.

3. Não haverá discussão se concordarmos. Não é nenhum sinal de fraqueza usar as seguintes frases: 'Este é um bom ponto', 'Eu não havia pensado sobre isto' ou 'Você tem toda a razão'! Focalizemos onde podemos concordar, não onde diferenciar.

4. Admitamos quando estivermos errados. Ninguém está sempre totalmente certo. Encontre algo pelo que se desculpar, pelo que se responsabilizar. A outra pessoa se sentirá melhor e poderá até admitir e assumir alguns erros de sua parte.

5. Não acuse ou ataque. Não diga: 'Você disse isto!' ou 'Você fez aquilo!' Façamos perguntas, não declarações. E façamo-las com sinceridade, com a intenção de achar a verdade, e não como uma espada afiada, pronta a cortar a cabeça do oponente.

6. Lembremo-nos de nossa meta! No caso do casamento, queremos harmonia, paz, uma boa atmosfera e amor. Argumentações geram tensão e ansiedade, nunca paz e tranqüilidade. Diga a si mesmo: 'Eu amo minha esposa, amo meus filhos e amo meu dinheiro (divórcios custam montes de dinheiro!)'

7. Não seja tolo em demonstrar falta de respeito ao seu amado(a) e a si mesmo, dizendo coisas que causam mágoas, coisas sem sentido ou sem validade. Você escolheu esta pessoa para ser seu cônjuge. Esta é a pessoa, acima de qualquer outra, que possui as qualidades para ser o seu escolhido/escolhida ente os bilhões de seres humanos pelo planeta.

8. Transforme a disputa em um debate. Não defenda uma posição e sim exponha uma idéia ou problema que precisa ser esclarecido. Pessoas de boa fé, que raciocinam juntas, podem chegar a um denominador comum. Ouça com a mente aberta. Seja um juiz, não um advogado!

9. Pergunte a si mesmo: 'Será que esta discussão realmente vale a pena?' No final, tudo aquilo sobre o que estamos discutindo talvez seja algo trivial. Pode ser que a forma de comunicação que estamos utilizando é que esteja gerando a angústia, a raiva e as demais razões pelas quais estamos discutindo ao invés de debater.

10. O Rabino Issachar Frand, de Baltimore (EUA), em uma de suas palestras sobre este tema, salientou um ponto muito importante para refletirmos: Quando uma pessoa envolvida numa discussão, principalmente sobre assuntos financeiros, grita 'Isto é uma questão de princípios!', muitas vezes o que ela quer dizer é: 'Isto é uma questão de dinheiro!'. Não deixemos que o dinheiro se intrometa e destrua amizades, casamentos e nossos relacionamentos."

Boas dicas, não?

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Correntes. Oh! as correntes!!

Outro dia comentei aqui que sou péssima em "memes" e que detesto correntes. Também dia desses minha querida Ccc estava falando sobre correntes. De pronto, vieram a minha mente duas maravilhosas, que eu tanto amo!!!!! Ahahaha!! Uma delas, alguém colocou lá nos comentários daquele post - na verdade, é um agradecimento por todas as correntes recebidas (dê uma lida). A outra, muito, muito, muito igualmente muito boa, vai aqui. Só é preciso adaptar; afinal, os governos mudam, os nomes também... menos a política e o seu salário.

SIMPATIA PARA ATRAIR AUMENTO DE SALÁRIO

Separe um prato fundo e pegue seu contracheque.

Coloque o prato sobre uma mesa e sente-se diante dele, de costas para o poente.

Lembre-se: POENTE! É muito importante!

Olhe atentamente para o seu contracheque e não se contenha:
CHORE SOBRE O PRATO, soluçando se tiver vontade, até enchê-lo completamente.

CUIDADO: não deixe transbordar!

Em seguida esvazie o prato na pia, com a torneira aberta (água corrente é bom!), recitando com fé estas palavras:

TRISTEZA vai, ALEGRIA vem.
ARROCHO vai, AUMENTO vem.
LULA é do mal, FHC não é do bem.
DILMA mente, JOBIM também.

Repita essa simpatia diariamente, até não ficar mais triste ao olhar seu contracheque.

Quando isso acontecer, você terá obtido a graça almejada.

Envie esta simpatia para três colegas carentes como você, e aguarde o resultado.



NÃO DEIXE DE FAZER
, pois um funcionário público federal, lotado em Londrina/PR, não o fez e perdeu o cargo de chefia. Dois dias depois decidiu retransmitir esta mensagem e foi nomeado para um cargo melhor. Além disso, largou sua mulher de 60 e arranjou uma jovem de 22.

Jurema L., de Teresina /PI, retransmitiu-a e, em uma semana, comprou um apartamento com 5 quartos, com financiamento imobiliário ao seu alcance.

Cleobaldo J. morava com a esposa e a sogra em Campo Grande/MS, e após retransmitir a mensagem teve a sogra seqüestrada e nunca pediram resgate.

NÃO DEIXE de passar para frente, pois é desgraça na certa!!!

Jucidelmo C., de Niterói/RJ a ignorou, e no mesmo dia o gerente de seu banco cortou-lhe o cheque especial, e o motor de seu Corcel II fundiu.

Neirivalda J., de Ilhéus/BA, riu quando recebeu e não passou à frente. No dia seguinte foi abandonada pela faxineira, pela lavadeira, pela cozinheira e pela Kombi que levava as crianças para a escola.

Assim, envie esta simpatia a outras pessoas assim que a receber:
ELA É PRENÚNCIO DE BEM-AVENTURANÇA!

PS: POR VIA DAS DÚVIDAS, CONTINUE JOGANDO NA MEGA E NA SUPERSENA, NA LOTERIA ESPORTIVA

e... COMPRE TAMBÉM UM CARNÊ DO BAÚ...
...BOA SORTE!!!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Ela está aí!!

Eu era criança e a gente cantava, na escola, u'a musiquinha exatamente assim:
"Lá vem a primavera espalhando suas flores
e traz no meio delas borboletas de mil cores
Como é bonito ver um botãozinho abrir
E depois levar a flor pra mamãe sorrir..."

Pois ela chegou ontem, às 12h44min.
Multicolorida, trazendo as flores, calor, sol, céu azul e muito verde pelas ruas!
Prima da maioria dos mortais, eu, de fato, a considero minha tia. Mas isso é papo de família, deixa quieto.

Primavera (ou Tiavera), SEJA BEM-VINDA!!!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Perversidade

"Alarmar senhoras gordas é um dos maiores encantos
desta e da outra vida."

Mario Quintana in Sapato Florido

domingo, 21 de setembro de 2008

Um Dia da Árvore com chuva para alimentá-las

"Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez eu sei
Escuridão já vi pior de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem..."


Um Dia da Árvore com chuva para alimentá-las. Mas é claro que o sol vai voltar amanhã... Afinal, elas precisam da chuva e do sol. E eu, muito mais do sol!

sábado, 20 de setembro de 2008

Feliz Sábado!!

"Vinde a mim todos vós, que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim, que Sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o Meu jugo é suave, e o Meu fardo é leve."
(Mateus 11:28-30)


A semana chegou ao seu final. Uma pausa na correria do trabalho, dos estudos, das atividades que consomem nossas energias. Para quem está cansado, sobrecarregado, há um alívio. O descanso para a alma está na leveza do amor de um Deus bondoso, manso e carinhoso. Hoje é sábado!! Descanse nos braços do Pai.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Histórias de amor - LVI

Ela dizia das mudanças que ele queria que fizesse...
Ele aduziu docemente: "... quero te mudar sim! ... que passes a te olhar no espelho como eu te vejo... desistirias de uma vez por todas dessa empreitada besta de arrumar tuas malas e se mudar de mim levando minha alma, irrevogável da tua. Preciso dizer a que vim? Sem ti não vou a lugar algum."

capítulo LVI extraído de outro livro de histórias

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Azeitonas - um post bem dona-de-casa

Eu tenho o costume do conversar com os prestadores de serviços, com o pessoal da limpeza, com o ascensorista. Lá no trabalho, por exemplo, tem a menina que vende Avon; eu sempre compro alguma coisa, mesmo quando não preciso. Outras pessoas compram, também, mas acho que ninguém dá muita idéia pra ela. Tem quatro filhos, não tem marido, às vezes tem, faz aniversário em novembro, coisas que só sei porque converso com ela. É vero que sempre tem aquele pessoal que abusa. Se é mulher, se acha amiga íntima e tal; se é homem, acha que você tá dando mole - como o ascensorista que, porque eu dava "bom dia!" sorrindo, se achou no direito de me dar um beijo na véspera do recesso, sob o pretexto de votos de um Feliz Natal; no rosto, é claro, mas, convenhamos, totalmente despropositado, além de ter me dado um susto do caramba! Entrementes (acho essa palavra "entrementes" muito charmosa!), é um risco que ainda acho que vale a pena correr.

Dia desses eu estava no mercadinho aqui perto de casa. Aquele, do loiro, lembra? Pois é. Queria comprar besteirinhas básicas, como azeitonas, champignon, queijinho... Eu sempre peço pra provar a azeitona, que não pode estar salgada demais nem de menos; então, preciso ser simpática com os atendentes, porque, afinal, vou comer de graça... Além disso, não quero que pensem que sou daquelas mulheres bem bestas ou bem nojentas. Peço pra provar e já vou batendo papo. Peço azeitonas sem caroço, recheadas ou fatiadas, porque não compro aquelas com caroço. E não é só pela preguiça... é uma questão de economia, mesmo, porque meu dinheirinho só entra na conta na base do suor, e então não pode escorrer pelo ralo, saca?

E foi no papo com o atendente da seção que eu mais me diverti, naquele dia.
Ele disse que a azeitona com caroço estava bem mais barata e que não comprava das outras porque eram bem mais caras. Dei razão, quanto ao preço, mas apostei com ele que, quanto ao custo, ele estava errado. Eu disse que o caroço pesava e que se a gente não come o caroço, íam caroço e dinheiro pro lixo. Ele não acreditou.

Pegou uma azeitona com caroço, comeu, e colocou o caroço na balança. Eu ri.
Ele disse: "- Viu? Não pesa nada; não faz essa diferença que você está pensando."
Aí eu fiz o desafio: "- Pegue seis azeitonas com caroço e pese. Digite o preço e veja quanto vai dar."
Ele fez. A essa altura, dois adolescentes que esperavam pra comprar queijo começaram a se divertir também, com o papo.

O quilo da azeitona com caroço era algo em torno de oito reais, um pouco mais; a recheada custava mais de onze, o quilo. Pedi, então, que ele pegasse outras seis azeitonas, mais ou menos do mesmo tamanho, mas sem caroço, e que pesasse. A outra atendente já se aproximou pra acompanhar mais de perto. Chegou outro cliente.
Já éramos seis pessoas em plena diversão com a experiência, e ainda mais com o resultado: as seis azeitonas com caroço custavam beeeeem mais que as seis azeitonas recheadas, sem caroço. Todos acharam incrível!

Não consigo me lembrar os valores exatos, mas foi muito engraçado constatar que às vezes a gente pensa que está economizando, quando, na verdade, está gastando dinheiro à toa.

Eu disse ao atendente que sempre desconfiara dessa diferença no custo e que, seguindo minha intuição, sempre apostava nas verdinhas sem caroço, mas que nunca havia feito o teste da balança.
Agradeci por ele ter tido a paciência de testar a minha teoria, enquanto ele me agradecia por tê-lo convencido, com prova, de que é menos trabalhoso e bem mais barato comprar azeitonas mais caras.
Os adolescentes se amarraram na brincadeira e ainda me acharam o máximo!!! - Imagine... sou apenas uma dona-de-casa "esperta da mente", como diria H.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Ahahaha!!

O Palmeiras acaba de marcar o segundo!
Adeus, Vasco, adeus, Vasco...

Nem amo o Palmeiras, mas é claro que eu estou rindo à toa!


up date: 3x0
hohohoho!!

Pensamentos que reúnem um tema - Adalgisa Nery

Estou pensando nos que possuem a paz de não pensar,
Na tranqüilidade dos que esqueceram a memória
E nos que fortaleceram o espírito com um motivo de odiar.
Estou pensando nos que vivem a vida
Na previsão do impossível
E nos que esperam o céu
Quando suas almas habitam exiladas o vale intransponível.
Estou pensando nos pintores que já realizaram para as multidões
E nos poetas que correm indefinidamente
Em busca da lucidez dos que possam atingir
A festa dos sentidos nas simples emoções.
Estou pensando num olhar profundo
Que me revelou uma doce e estranha presença,
Estou pensando no pensamento das pedras das estradas sem fim
Pela qual pés de todas as raças, com todas as dores e alegrias
Não sentiram o seu mistério impenetrável,
Meu pensamento está nos corpos apodrecidos durante as batalhas
Sem a companhia de um silêncio e de uma oração,
Nas crianças abandonadas e cegas para a alegria de brincar,
Nas mulheres que correm mundo
Distribuindo o sexo desligadas do pensamento de amor,
Nos homens cujo sentimento de adeus
Se repete em todos os segundos de suas existências,
Nos que a velhice fez brotar em seus sentidos
A impiedade do raciocínio ou a inutilidade dos gestos.
Estou pensando um pensamento constante e doloroso
E uma lágrima de fogo desce pela minha face:
De que nada sou para o que fui criada
E como um número ficarei
Até que minha vida passe.

Adalgisa Nery in “Mundos Oscilantes – Poesias Completas”

De repente estou assim, tão pensativa, que nem Adalgisa. A chuva... sei lá. Uma espécie de inquietação, sensação de incompletude, um vazio molhado, palavras, palavras, cantilenas. Pensando... pensando... pensando bem, qualquer pensamento de "até que minha vida passe" é desditoso demais para um dia de chuva. Inditoso demais para mim. Recolho-me. Afasto-me dos pensamentos doridos. De grave, basta o cinza.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Roupa de chuva pra passear no Rio

Se você pensa em Rio, você pensa em rio, você pensa em mar. Céu azul, areia de praia e verde, muito verde, mesmo no meio do asfalto, mesmo no meio do inverno. E acontece que desde ontem o Rio inteiro está debaixo de chuva. Chuva que obriga o carioca, goste ou não, a usar capa e galocha. Já pensou?? Se "cariocas não gostam de dias nublados", imagine como nos sentimos, criaturinhas encapotadas, totalmente embrulhadinhas!



Mas "fica frio"... (é o que se diria, num jogo de palavras tão óbvio quanto verdadeiro) ela está chegando!!

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Blogagem Coletiva - Justiça para Flávia

Ainda há tempo de participar, mesmo que, como eu, você só tenha tomado conhecimento da blogagem coletiva hoje.
Eu, como vocês já devem ter percebido, não consigo acompanhar o ritmo dos blogueiros que trocam selinhos, passam e repassam "memes", fazem blogagens coletivas. Mas, se me conhecem mesmo, sabem que gosto de aderir a uma boa causa. E taí uma boa causa:

Blogagem Colectiva para Flávia em 9/Set/2008

Por uma Justiça célere e justa.
Leia mais AQUI

Conselho de graça e de coração

"... eis o conselho para quem gosta de conselhos: apenas se case se tiver absoluta certeza de que está pronto para se casar. O casamento é um dos mais belos momentos da vida de uma pessoa, mas é, também, uma enorme responsabilidade para a sua vida como um todo. Casou-se? Regue o seu matrimônio com romantismo, entusiasmo, compreensão, aceitando as limitações pessoais do seu cônjuge, e não se esquecendo de praticar o diálogo todos os dias. Além disso, não deposite nele (ou nela) toda a sua felicidade, pois para fazer outro alguém feliz você precisa se sentir feliz independente desse outro ser. Por isso, aja com alegria em todos os dias da sua vida conjugal e seja absolutamente fiel, não por respeito ao outro, mas para que você nunca perca o respeito por si mesmo."
(daqui - por Mario Leal)

domingo, 14 de setembro de 2008

sábado, 13 de setembro de 2008

Feliz Sábado!!


John Kennedy, em sua campanha presidencial de 1960, costumava encerrar seus discursos com a história do Coronel Davenport, Presidente da Câmara dos Deputados de Connecticut. Contava que num certo dia, em 1789, na cidade de Hartford o céu escureceu ao meio-dia de uma forma tão tenebrosa que as pessoas da cidade imaginaram que era o fim do mundo.

A Câmara de Vereadores de Connecticut estava em sessão e alguns parlamentares, olhando pelas janelas, também temendo que o fim do mundo houvesse chegado, pediam que se fizesse uma pausa. Interrompendo o clamor geral para que a sessão fosse adiada, Davenport se levantou e disse:
- "O Dia do Juízo pode ter chegado ou não. Se a resposta for negativa, não existe motivo para o adiamento; e se for positiva, prefiro ser achado trabalhando e cumprindo minhas obrigações. Portanto, peço por favor que sejam trazidas as velas para iluminar o local."

Fonte: "Remarks of Senator John Kennedy",
Michigan State Fair, Detroit, Michigan, 5 de setembro de 1960


Acho que eu também gostaria de ser encontrada fazendo a minha parte e da melhor maneira. Sempre, em qualquer circunstância, a qualquer momento.
Às vezes fico pensando: o que um homem é capaz de fazer quando sabe que ninguém o está vendo? Ou então, o que faria se soubesse que hoje é o último dia da sua vida?
Jogaria lixo no chão? Furtaria alguma coisa de alguém? Cuidaria de um animal machucado? Doaria seus bens materiais? Trairia a confiança de um amigo? Enganaria seu companheiro? Socorreria um ferido? Falaria palavras de amor ou desferiria palavras de ódio?

Faça o seu melhor, não importa se alguém está vendo, se hoje é o último dia da sua vida, ou se parece que é o fim do mundo.
Hoje é sábado! Viva um sábado feliz!!
Faça de cada sábado um dia feliz, e de cada dia, um sábado.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

E se você fosse mandado embora por justa causa?

Há duas decisões judiciais que eu gostaria de divulgar aqui, pra vocês. Uma tem a ver com futebol, e por isso vou deixar pra semana que vem, porque ontem já falamos aqui sobre a redondinha. A outra vou publicar hoje.
A de hoje foi proferida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (que abrange parte de São Paulo), no julgamento de um recurso de um empregador que despediu a empregada por justa causa. Inconformado com a sentença do juiz de primeiro grau, que não reconheceu a falta da empregada, o empregador recorreu da decisão, e o Tribunal reexaminou o julgado, prolatando o seguinte Acórdão, que você pode conferir neste link (http://www.trt2.gov.br/), consultando "acórdãos" e digitando, para a busca, o número do processo ou o número do acórdão.
Ali você terá a decisão na íntegra.
Como no processo do trabalho há uma cumulação de ações, em cada "Reclamação Trabalhista" - considerando que cada pedido (horas extras, saldo de salário, férias, dano moral etc.) é uma ação, temos decisões extensas, analisando cada um dos pedidos -, transcrevi aqui apenas a parte do Acórdão onde se analisa o motivo alegado pela Reclamada (a empregadora) para a extinção do contrato. Vamos lá?

PODER JUDICIÁRIO
Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região


ACÓRDÃO Nº: 20071112060 Nº de Pauta:385
PROCESSO TRT/SP Nº: 01290200524202009
RECURSO ORDINÁRIO - 02 VT de Cotia
RECORRENTE: Coorpu's Com Serv de Produtos Para Estet
RECORRIDO: Marcia da Silva Conceição

(...)

Primeiramente, ao alegar justa causa para dispensa da autora, a reclamada atraiu para si o ônus probatório de suas alegações, nos termos do art.333, II, do CPC c/c art.818 da CLT, não se desincumbindo satisfatoriamente de seu encargo, vez que não trouxe qualquer testemunha a Juízo com vistas a corroborar sua versão defensiva (fls.45/48).

As provas documentais trazidas aos autos, consistentes em uma advertência e uma suspensão, por se tratarem de documentos particulares, geram presunção de veracidade juris tantum, cabendo prova em contrário, de modo que, com a inversão da atribuição do ônus à ré, em face da justa causa, incumbia-lhe a produção de provas que corroborassem seu conteúdo. A demandada não trouxe testemunhas que corroborassem a validade das punições aplicadas e sua versão defensiva quanto aos fatos que as ensejaram.

Além disso, a reclamada, em depoimento pessoal, informou que a advertência aplicada à reclamante foi motivada pelo fato de que esta "estava ‘soltando gases’ no horário de trabalho, na presença de outras colegas, que no momento, não se recorda; o fato foi presenciado pela depoente (fl.46). A reclamante e as testemunhas da autora confirmaram tal fato (fls.45/48), que se tem por incontroverso nos autos. Entretanto, impossível validar a aplicação de punição pelo ocorrido, ao menos nas circunstâncias reveladas pela prova.

Se por princípio, a Justiça não deve ocupar-se de miuçalhas (de minimis non curat pretor), na vida contratual, todavia, pequenas faltas podem acumular-se como precedentes curriculares negativos, pavimentando o caminho para a justa causa, como ocorreu in casu. Daí porque, torna-se necessário atentar à inusitada advertência, vez que esta se transformou em nódoa funcional que precedeu a dispensa da reclamante.

A flatulência constitui uma reação orgânica natural à ingestão de ar e de determinados alimentos com alto teor de fermentação, os quais, combinados com elementos diversos, presentes no corpo humano, resultam em gases que se acumulam no tubo digestivo e necessitam ser expelidos, via oral ou anal, respectivamente sob a forma de eructação (arroto) e flatos (ventosidade, pum).

Convém a transcrição de explanação técnica a respeito, para correta elucidação dos fatos, extraída do site do conceituado médico Drauzio Varella:

  • "http://drauziovarella.ig.com.br/arquivo/arquivo.asp?doe_id=38
  • Flatulência
  • Gases intestinais podem causar grande desconforto porque provocam distensão abdominal. Além disso, em determinadas circunstâncias, podem trazer constrangimento social. O ar engolido ou os gases formados no aparelho digestivo podem ser expelidos por via oral (arroto) ou via anal (gases intestinais ou flatos). A maior parte deles, no entanto, é produzida no intestino por carboidratos que não são quebrados na passagem pelo estômago. Como o intestino não produz as enzimas necessárias para digeri-los, eles são fermentados por bactérias que normalmente ali residem. Esse processo é responsável pela maior produção e liberação de gases. Em alguns casos, por fatores genéticos ou porque adotaram uma dieta saudável com pouca gordura, mas rica em fibras e em carboidratos, algumas pessoas podem produzir mais gases. No entanto, a maioria das queixas parte de pessoas que produzem uma quantidade que os gastrenterologistas considerariam normal. Estudos demonstram que, em média, um adulto pode expelir gases vinte vezes por dia".

Consoante explicações supra, depreende-se que expelir gases é algo absolutamente natural e, ainda por cima, ocorre mais vezes em pessoas que adotam dietas mais saudáveis. Desse modo a flatulência tanto pode estar associada à reação de organismos sadios, sendo sinal de saúde, como indicativa de alguma doença do sistema digestivo, como p. exemplo o meteorismo. De qualquer forma, trata-se de reação orgânica natural, sobre a qual as pessoas não possuem, necessariamente, o controle integral. O organismo tem que expelir os flatos, e é de experiência comum a todos que, nem sempre pode haver controle da pessoa sobre tais emanações. Não se justifica assim, aplicação de punição de advertência à reclamante pelo ato de expelir gases no ambiente de trabalho, sob a presunção do empregador de que tal ocorrência configura conduta social a ser reprimida, ou de alguma forma atentatória contra a disciplina contratual ou os bons costumes. Certamente agride a razoabilidade a pretensão de colocar o organismo humano sob a égide do jus variandi, punindo indiscretas manifestações da flora intestinal sobre as quais empregado e empregador não têm pleno domínio.

Estrepitosos ou sutis, os flatos nem sempre são indulgentes com as nossas pobres convenções sociais. Disparos históricos têm esfumaçado as mais ilustres e insuspeitadas biografias.
Verdade ou engenho literário, em "O Xangô de Baker Street" Jô Soares relata comprometedora ventosidade de D. Pedro II, prontamente assumida por Rodrigo Modesto Tavares, que por seu heroísmo veio a ser regalado pelo agradecido monarca com o pomposo título de Visconde de Ibituaçu (vento grande em tupi-guarani).

Apesar de as regras de boas maneiras e elevado convívio social pedirem um maior controle desses fogos interiores, sua propulsão só pode ser debitada aos responsáveis quando comprovadamente provocada, ultrapassando assim o limite do razoável. A imposição deliberada aos circunstantes, dos ardores da flora intestinal, pode configurar, no limite, incontinência de conduta, passível de punição pelo empregador. Já a eliminação involutária, conquanto possa gerar transtornos sociais, embaraços, constrangimentos e, até mesmo, piadas e brincadeiras, como ocorreu com a reclamante, não há de ter reflexo para a vida contratual. De qualquer forma, não se tem como presumir qualquer má-fé por parte da empregada, quanto ao ocorrido durante o expediente laboral, de modo a ensejar a aplicação de advertência, que por tais razões, revelando-se injusta e abusiva a penalidade pespegada à obreira.

As alegações defensivas de que a segunda punição aplicada à reclamante decorreu do fato de estar conversando sobre fatos imorais com sua colega de trabalho também não foram objeto de comprovação pela reclamada. Ao contrário, a prova oral colhida demonstrou que a reclamante conversava sobre problemas pessoais da colega com a filha e o namorado desta, estando a autora a aconselhá-la. Como salientado pela própria ré, em depoimento pessoal (fl.46), as conversas eram permitidas no ambiente de trabalho, de modo que, não comprovada a imoralidade e qualquer incômodo decorrente do diálogo mantido entre a reclamante e sua colega de trabalho, a punição igualmente se revela injusta.

Por fim, a reclamada também não produziu provas das ofensas e da insubordinação da reclamante, referidas em defesa, ônus que lhe incumbia, como já asseverado, fatos estes ensejadores da justa causa que lhe foi imputada. A ausência de provas cabais, necessárias à configuração de justa causa, já é suficiente para afastá-la. Além disso, a reclamante, a quem incumbia apenas a produção de contraprova, corroborou sua versão inicial através da oitiva de suas testemunhas trazidas a Juízo (fls.47/48), as quais confirmaram que havia animosidades contra a reclamante, tanto por parte da sócia como da superior hierárquica, que tratavam-na com excessivo rigor. A partir da injusta suspensão motivada pela conversa com a colega, já comentada, a reclamante passou a ter que pedir autorização para ações mínimas, como ir de uma sala a outra, de modo que qualquer deslize era suficiente para uma advertência ou suspensão, culminando com a sua dispensa por justa causa em razão de ter saído da sala onde se encontrava, sem pedir autorização, para atender a pedido de uma cliente para ligar o ar-condicionado. A hipótese retratada nos autos, pelo caráter continuado, configura assédio moral praticado pela sócia da reclamada e pela superior hierárquica da autora que, juntas, uniram-se no afã de pressionar a autora, submetendo-a a vigilância discriminatória e tratamento opressivo em todos os seus passos, com vistas a aplicar-lhe sucessivas punições e assim pavimentar o caminho da justa causa.

A implantação de um ambiente repressivo e amedrontador, mais típico de ambientes militares, no caso sub judice, retrata forma de assédio moral que a doutrina estrangeira identifica como mobbing vertical descendente, ou simplesmente bossing, que comprometeu o ambiente de trabalho da reclamante, culminando com a sua dispensa através de uma justa causa inteiramente "fabricada" pelo empregador. Enfim, a justa causa mostrou-se de todo abusiva, devendo ser prestigiada a decisão de origem que a afastou.

Mantenho.

(...)

ACORDAM os Magistrados da 4ª TURMA do Tribunal Regional do Trabalho da Segunda Região em: por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade por suspeição de testemunha e por cerceamento de defesa, arguidas pela reclamada; no mérito, por igual votação, dar provimento parcial ao apelo da mesma, para expungir da condenação o pagamento de 11 dias de saldo de salário, por já devidamente quitado, expungir da condenação o pagamento de diferenças salariais decorrentes do acréscimo de 30% pelo desvio de função e suas integrações em horas extras, férias mais 1/3, 13º salários, aviso prévio e FGTS com 40%, tudo na forma da fundamentação que integra e complementa este dispositivo.

São Paulo, 11 de Dezembro de 2007.

RICARDO ARTUR COSTA E TRIGUEIROS
PRESIDENTE E RELATOR

É isso aí, minha gente. Ventinhos, no ambiente de trabalho, e um bom final-de-semana!!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Seja sincero!

1. Você assistiu Brasil x Bolívia até o final?
2. Você torceu pelo Brasil?
3. Você conseguiu não rir da bisonhice dos brasileiros em campo?
4. Você ficou sério ao ouvir o Luís Fabiano dizer "é difícil jogar com um time assim"? (se referindo à Bolívia e à linha de impedimento que os bolivianos repetidamente faziam, como tática defensiva)
5. Você acreditou que o Brasil faria ao menos um mísero golzinho depois dos oito minutos do segundo tempo, logo após aquela expulsão inexplicável do jogador boliviano?
6. Você achou que o "bolsa-ingresso", distribuído momentos antes de começar o jogo aos moradores vizinhos do estádio pra tentar encher a casa foi uma iniciativa louvável?


Se você respondeu SIM a pelo menos duas dessas perguntas, meu caro amigo, você não tem jeito... Aposto que também acredita em Papai Noel, duendes, coelhinho da Páscoa e no Fluminense - Campeão da Libertadores. Lamentável...

Além de mim, não conheço NINGUÉM que tenha apostado num resultado bem a cara dessa "selecinha" brasileira que temos aí. Z. apostou num empate, mas com gols. Eu apostei em 1 x 0 pra Bolívia. Não vou dizer que imaginava a selecinha entrando em campo de salto alto, depois de vencer o meu querido Chile, porque, vamos combinar, essa turma não tem salto pra isso. Mas quando vi todas as gentes do mundo apostando em 4 x 0, 6 x 0, 5 x 0... debochando porque a Bolívia fez um treino secreto... ah... senti que estavam acreditando muito.
Pois é. Deu no que deu.

Pra terminar, uma citação do Sr. José Simão, por quem não nutro grandes admirações mas que, admito, de vez em quando tem uma boas sacadas:

"Essa seleção, sem o Kaká, é um cocô."

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Regras de Conduta no Trabalho

Minha primeira graduação foi em Pedagogia. Com a habilitação em Administração Escolar e uma Pós em Psicopedagogia, eu e minha irmã, que era formada em Psicologia e estava cursando Pedagogia, idealizamos um lugar onde pudéssemos colocar em prática nosso conhecimento e nossos sonhos. Montamos nossa "pré-escola" - como se chamava a Educação Infantil, uns anos atrás. Muito bons tempos!

Sempre gostei dessa parte de Administração. Uma certa aptidão para a liderança que nós três, eu e meus irmãos, herdamos de nossa mãe. Aprendi muita coisa, na faculdade; coisas que usei naquele tempo e pratico até hoje, no cargo que exerço, agora na área jurídica. Mas o grande lance é que certas coisas você não aprende nas salas de aula... É a experiência que ensina. O tal "pulo do gato", a "receita do sucesso". Você aprende muita coisa por experiência própria ou pela experiência dos outros. Estas dicas, por exemplo, que seguem aí abaixo... Ninguém me ensinou na sala de aula o segredo de uma empresa de sucesso, com empregados dando o seu máximo e um empregador satisfeito. Pra mim, agora é tarde... Mas você, profissional de outra área (sim, por favor, salve as escolas), que pensa em abrir seu próprio negócio, comece bem! Comece estabelecendo regras de conduta no trabalho, para seus empregados. Depois, é só conferir o sucesso do seu empreendimento! Vamos lá:

INDUMENTÁRIA:
Informamos que o funcionário deverá trabalhar vestido de acordo com o seu Salário.
Se o percebermos calçando um tênis Prada de US$350 e carregando uma bolsa Gucci de US$600, presumiremos que vai bem de finanças e, portanto, não precisa de aumento.
Se ele se vestir de forma pobre, será um sinal de que precisa aprender a controlar melhor o seu dinheiro para que possa comprar roupas melhores e, portanto, não precisa de aumento.
E se ele se vestir no meio termo, estará perfeito; logo, não precisa de aumento.

AUSÊNCIA DEVIDO À ENFERMIDADE:
Não vamos mais aceitar uma carta do médico como prova de enfermidade.
Se o funcionário tem condições de ir até o consultório médico, pode vir trabalhar.

CIRURGIA:
As cirurgias são proibidas.
Enquanto o funcionário trabalhar nesta empresa, precisará de todos os seus órgãos, portanto, não deve pensar em remover nada.
Nós o contratamos inteiro.
Remover algo constitui quebra de contrato.

AUSÊNCIAS DEVIDO A MOTIVOS PESSOAIS:
Cada funcionário receberá 104 dias para assuntos pessoais a cada ano.
Chamam-se sábado e domingo.

FÉRIAS:
Todos os funcionários deverão entrar em férias nos mesmos dias de cada ano.
Os dias de férias são: 01 de janeiro, 07 de setembro e 25 de dezembro.

AUSÊNCIA DEVIDO AO FALECIMENTO DE ENTE QUERIDO:
Esta não é uma justificativa para perder um dia de trabalho.
Não há nada que se possa fazer pelos amigos, parentes ou colegas de trabalho falecidos.
Todo esforço deverá ser empenhado para que não-funcionários cuidem dos detalhes.
Nos casos raros, onde o envolvimento do funcionário é necessário, o enterro deverá ser marcado para o final da tarde.
Teremos prazer em permitir que o funcionário trabalhe durante o horário do almoço e, daí, sair uma hora mais cedo, desde que o seu trabalho esteja em dia.

AUSÊNCIA DEVIDO À SUA PRÓPRIA MORTE:
Isto será aceito como desculpa.
Entretanto, exigimos pelo menos 15 dias de aviso prévio, visto que cabe ao funcionário treinar o seu substituto.

O USO DO WC:
Os funcionários estão passando tempo demais no toalete.
No futuro, seguiremos o sistema de ordem alfabética.
Por exemplo, todos os funcionários cujos nomes começam com a letra 'A' irão entre 8h e 8h20, aqueles com a letra 'B' entre 8h20 e 8h40 etc.
Se não puder ir na hora designada, será preciso esperar a sua vez, no dia seguinte.
Em caso de emergência, os funcionários poderão trocar o seu horário com um colega.
Ambos os supervisores do funcionário deverão aprovar essa troca, por escrito.
Adicionalmente, agora há um limite estritamente máximo de 3 minutos no box.
Acabando esses 3 minutos, um alarme irá tocar, o rolo de papel higiênico será recolhido, a porta do box abrirá e uma foto será tirada.
Se for repetente, a foto será fixada no quadro de avisos da empresa sob o título "Infrator Crônico".

A HORA DO ALMOÇO:
Os magros têm 30 minutos para o almoço, porque precisam comer mais para parecerem saudáveis.
As pessoas de tamanho normal têm 15 minutos para comer uma refeição balanceada que sustente o seu corpo mediano.
Os gordos têm 5 minutos, porque é tudo que precisam para tomar um "Slim Fast" e um remédio de regime.

Muito obrigado pela sua fidelidade à nossa empresa.
Estamos aqui para proporcionar uma experiência empregatícia positiva.
Portanto, toda dúvida, comentário, preocupação, reclamação, frustração, irritação, agravo, insinuação, alegação, acusação, observação, consternação e "input" deverá ser dirigida para qualquer outro lugar.

Tenham uma boa semana.
A Gerência

terça-feira, 9 de setembro de 2008

XIII - Leve

Leve, leve, muito leve,
Um vento muito leve passa,
E vai-se, sempre muito leve.
E eu não sei o que penso
Nem procuro sabê-lo.










(in Poemas Completos
de Alberto Caeiro)

domingo, 7 de setembro de 2008

Pátria Minha - um texto pelo 7 de setembro

A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.
Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.
Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!
Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!
Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.
Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu...
Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda... Não tardo!
Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.
Pátria minha...
A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.
Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamem
Que um dia traduzi num exame escrito: "Liberta que serás também"
E repito! Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.
Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha Brasil, talvez.
Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
"Pátria minha, saudades de quem te ama... Vinicius de Moraes."


"Vinicius de Moraes - Poesia Completa e Prosa",
Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 383.

sábado, 6 de setembro de 2008

Feliz Sábado!!


Viva com esperança.
Viva um sábado feliz!!

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Sou Rebelde

Uma vez, quando eu tinha uns dez/doze anos, estava em Penedo. Mais precisamente naquela "Casa de Pedra", bem conhecida na cidade, e chamada, pela garotada da igreja, de "Satulina", sei lá por que.
Acho que foi uma espécie de acampamento de Carnaval, o que nos levou ali daquela vez. Então, durante as noites, além de serenatas, rolavam as festas da amizade, produzidas pelos meninos para as meninas e pelas meninas para os meninos. Foi numa dessas noites que me chamaram pra cantar uma versão de "Sou Rebelde". Eu era garota, magrela, bem magrela.


E aí que hoje, quando dei de cara com essa imagem, não me contive e morri de rir, lembrando da minha performance... Eu não conseguia nem cantar, na hora, de tanto que ríamos, eu e a platéia. Eu apareci no palco de repente. Estava escondida atrás de uma base de madeira e surgi do nada. Vestida como um bujãozinho e interpretando a letra, com meu próprio corpo! Acho que era a minha irmã que me acompanhava, ao piano. Eu chorava de rir. E por pouco não saí do palco... é... bem, deixa pra lá. Eu ri muito. Ri de me acabar, se é que você me entende.
A versão? Era assim, ó:

Eu sou magrinha
Porque o mundo quis assim
Porque sempre me trataram com sopinha
E as panelas se fecharam para mim
Eu queria ser como um elefante,
Gordo, elegante e feliz
Eu queria ter uma geladeira
Cheia de besteira só pra mim
E comer e beber
E esquecer a balança
E cantar e sorrir
E encher bem a pança

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

As pessoas são meio estranhas, eu acho...

M.L. é Juíza e Professora. Devido aos seus muitos contatos, volta e meia me manda uns e-mails divulgando vaga para advogados ou estagiários em empresas ou escritórios de alunos e amigos seus, para que eu repasse.

Sempre que os recebo, me vêm à cabeça aqueles amigos que estão sem trabalho ou em busca de um emprego melhor, mais bem remunerado, ou com maiores perspectivas. Vejo quem se encaixa no perfil e encaminho o e-mail, com um bilhetinho, explicando por que pensei na pessoa e tal. Um e-mail bem pessoal, não um mero "encaminhar". Um e-mail para cada pessoa, com palavras pessoais; não um mesmo e-mail pra galera toda.


Mas o que acontece com as pessoas, hein??? Ignoram. Não recebo uma resposta sequer, ainda que do tipo "- ah, valeu a lembrança, mas já estou bem colocada", ou "- legal, mas não me interessa", ou mesmo "- quem disse que eu ainda quero trabalhar??"...


Final das contas, eu me acho inconveniente e sinto até culpa, por lembrar das pessoas e "incomodá-las" com esse tipo de coisa...


Às vezes dá vontade de viver só pra gente mesmo!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Lucas 6:31

"Façam aos outros
aquilo que vocês gostariam que fizessem a vocês."
(Jesus Cristo - Lucas 6:31)

Com isso em mente acho que posso fazer as pessoas felizes.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

... e nada mais



Mais amor
letra e música - Evaldo Vicente

"Se as pessoas hoje vivem sem paz
Se ninguém entende ninguém
Se tanta gente se perde
dentro da própria solidão
Falta amor no mundo
amor em todos nós

Se a criança vive sem proteção
Se o idoso perde o valor
Se a miséria e a fome
tiram a vida de milhões
Falta amor na gente
amor em cada um

Mais amor ao falar
Mais amor ao escutar
Mais carinho e mais atenção
Mais amor repartir
Mais cuidado e proteção
Vamos deixar o amor nascer no coração

Por que não dizer 'eu amo você'?
Por que não tentar ser gentil?
Por que não dar nossa ajuda
pra ver alguém viver feliz
Vamos deixar o amor nascer no coração

Pra que o mundo seja muito melhor
Pra que o homem volte a sorrir
E pra que a vida não seja
Dura demais pra se levar
Vamos viver com mais amor no coração"

Eu queria muito dar um abraço no meu irmão, pelo dia de hoje. De alguma forma, a saudade que estou sentindo hoje é tão imensa que eu não sei escrever sobre ela... E se aqui dentro de mim sinto uma vontade enorme de chorar, não é por tristeza; ao contrário, é pela alegria de saber que você está feliz, aí, meu irmão. Sua felicidade nos contagia, seu sucesso sempre nos conforta, você continua a nos causar tremenda admiração. O mundo é muito melhor por você ser quem você é. Se um dia você musicou versos que diziam "eu queria ser o motivo de alguém se sentir cada vez mais feliz...", esteja certo, hoje, que você é esse motivo, pra muita gente se sentir cada vez mais feliz!

Um beijo,
Feliz Aniversário!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Uma coisa feia, uma lição, e praticamente uma praga

Essas coisas sempre me incomodam muito...

Semana passada fui ao Sam's Club. Na verdade, um complexo onde se tem mais duas grandes lojas, a Leroy Merlin e o Wal-Mart. Ao receber o cartão de estacionamento, recebi também dois encartes das lojas. Estacionei. Ao meu lado, um Honda Civic último modelo, "top" de linha. Percebo, com o movimento de abertura da porta, que o motorista ainda estava dentro do carro; e noto que antes de descer ele joga no chão do estacionamento os encartes. Depois sai, fecha a porta, e passa por mim.

Bem, não dava pra fingir que não tinha visto. Sei lá... certas coisas me dão agonia e eu não consigo ficar quieta.

Ainda dentro do carro, abri a porta, coloquei metade do corpo pra fora, e enquanto aquele senhor alto, forte, provavelmente cheio da grana, passava e me olhava eu disse mansamente:
- No chão não, né, moço? No chão não! Vamos jogar na latinha do lixo...
Ele parou (não sei se não entendeu ou se não acreditou), continuou me olhando e depois seguiu, como se não fosse com ele.

Fiquei feliz por não deixar passar despercebida aquela situação, e pensei que se todas as pessoas se manifestassem quando vissem alguém agindo mal, sujando a cidade, largando papel, garrafas e latinhas pelas ruas, jogando lixo nos rios, se todos expressassem sua contrariedade, talvez as pessoas fossem se corrigindo, se conscientizando.

Qualquer um já se daria por satisfeito, com a lição do dia bem dada. É. Mas eu não. Sei lá... achei que ele não havia aprendido nada.

Então peguei meus encartes, minha bolsa, tranquei o carro, fui até o outro lado do carro do moço, peguei os encartes dele que estavam no chão e... Bem, neste momento, você pensa, ela pegou os encartes e jogou no lixo.
Hohohoho!! Claro que não!

Enquanto o moço pegava um carrinho de compras para entrar no Sam's Club, eu cuidava de apressar os passinhos para alcançá-lo. Ele passou pela porta de vidro, eu estiquei um pouquinho mais minhas pernocas. E, de repente, estávamos nós ali, lado a lado.
Com um grande sorriso de satisfação, peguei os dois encartes dele, coloquei gentilmente dentro do carrinho que ele conduzia, e disse:
- Agora o senhor joga no lixo, tá?

Bem, vocês devem imaginar que então seguiu-se uma espécie de discussão. O tema era o "certo" e o "errado", com aquele senhor perguntando se eu achava certo o que eu havia feito, colocando os encartes no carrinho dele. Pois é. Pode rir. Foi isso mesmo, eu não escrevi errado. Ele perguntava se eu achava que era certo colocar os encartes no carrinho dele...

Enquanto ele dizia que eu devia era levar os papéis para dentro do meu carro pra ler de noite, na cama (veja a riqueza dos argumentos!), já que eu estava com os meus na mão, eu repeti:
- "Senhor, eu disse 'no lixo'; meu carro não é lixeira; eu já vi que os encartes não me interessam, e vou jogá-los no lixo, como o senhor também deve fazer, ok? Bem bonitinho."

Nessa altura da discutição eu disse baixinho, pra ele: - "O senhor acha mesmo que está certo? Acha meeeeesmo??? Não discuta... Fale baixinho, pra ninguém saber da coisa feia que o senhor fez..."

Mas eu acho que o auge do embate se deu quando ele mandou (mal, muito mal):
- "Eles são pagos pra limpar o chão mesmo."
Estava ali a prova inconteste de que uma doença muito perversa ainda assola o povo brasileiro; povo que padece de um mal chamado "falta de educação" (ou de civilidade, se você se chocar com a outra expressão).

É claro que eu me escandalizei com a mentalidade daquele senhor, com seus 42/44 anos de insensatez, e precisei dizer que é por conta desse tipo de gente que o país não caminha para a frente.

Peguei pesado??
Você ainda não viu nada... rsrsrsrsrs
Pra finalizar, como ele insistia em não ver absolutamente nada demais naquele seu comportamento abissal, fui praticamente forçada a dizer clara e enfaticamente:
- É... tomara que não tenha filho...

Confesso que o que eu queria dizer era que esperava que não tivesse nenhuma criança na casa dele, porque seria essa espécie de educação que ele estaria dando aos filhos, mas eu me empolguei, achei bastante sonoro o que eu havia dito, e resolvi repetir. Saiu assim:

- Tomara que NUNCA TENHA FILHO! Se grande desse jeito ainda não aprendeu a se portar direitinho, imagine o que vai ensinar a uma criança... Tomara que NUNCA TENHA FILHO!

Depois que eu acabei a frase foi que me dei conta: aquilo era praticamente uma praga! Meu pai... não era a intenção. Mas aí já era tarde... Já caminhávamos um pra cada lado. E ele seguia com os encartes no carrinho.