segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Uma coisa feia, uma lição, e praticamente uma praga

Essas coisas sempre me incomodam muito...

Semana passada fui ao Sam's Club. Na verdade, um complexo onde se tem mais duas grandes lojas, a Leroy Merlin e o Wal-Mart. Ao receber o cartão de estacionamento, recebi também dois encartes das lojas. Estacionei. Ao meu lado, um Honda Civic último modelo, "top" de linha. Percebo, com o movimento de abertura da porta, que o motorista ainda estava dentro do carro; e noto que antes de descer ele joga no chão do estacionamento os encartes. Depois sai, fecha a porta, e passa por mim.

Bem, não dava pra fingir que não tinha visto. Sei lá... certas coisas me dão agonia e eu não consigo ficar quieta.

Ainda dentro do carro, abri a porta, coloquei metade do corpo pra fora, e enquanto aquele senhor alto, forte, provavelmente cheio da grana, passava e me olhava eu disse mansamente:
- No chão não, né, moço? No chão não! Vamos jogar na latinha do lixo...
Ele parou (não sei se não entendeu ou se não acreditou), continuou me olhando e depois seguiu, como se não fosse com ele.

Fiquei feliz por não deixar passar despercebida aquela situação, e pensei que se todas as pessoas se manifestassem quando vissem alguém agindo mal, sujando a cidade, largando papel, garrafas e latinhas pelas ruas, jogando lixo nos rios, se todos expressassem sua contrariedade, talvez as pessoas fossem se corrigindo, se conscientizando.

Qualquer um já se daria por satisfeito, com a lição do dia bem dada. É. Mas eu não. Sei lá... achei que ele não havia aprendido nada.

Então peguei meus encartes, minha bolsa, tranquei o carro, fui até o outro lado do carro do moço, peguei os encartes dele que estavam no chão e... Bem, neste momento, você pensa, ela pegou os encartes e jogou no lixo.
Hohohoho!! Claro que não!

Enquanto o moço pegava um carrinho de compras para entrar no Sam's Club, eu cuidava de apressar os passinhos para alcançá-lo. Ele passou pela porta de vidro, eu estiquei um pouquinho mais minhas pernocas. E, de repente, estávamos nós ali, lado a lado.
Com um grande sorriso de satisfação, peguei os dois encartes dele, coloquei gentilmente dentro do carrinho que ele conduzia, e disse:
- Agora o senhor joga no lixo, tá?

Bem, vocês devem imaginar que então seguiu-se uma espécie de discussão. O tema era o "certo" e o "errado", com aquele senhor perguntando se eu achava certo o que eu havia feito, colocando os encartes no carrinho dele. Pois é. Pode rir. Foi isso mesmo, eu não escrevi errado. Ele perguntava se eu achava que era certo colocar os encartes no carrinho dele...

Enquanto ele dizia que eu devia era levar os papéis para dentro do meu carro pra ler de noite, na cama (veja a riqueza dos argumentos!), já que eu estava com os meus na mão, eu repeti:
- "Senhor, eu disse 'no lixo'; meu carro não é lixeira; eu já vi que os encartes não me interessam, e vou jogá-los no lixo, como o senhor também deve fazer, ok? Bem bonitinho."

Nessa altura da discutição eu disse baixinho, pra ele: - "O senhor acha mesmo que está certo? Acha meeeeesmo??? Não discuta... Fale baixinho, pra ninguém saber da coisa feia que o senhor fez..."

Mas eu acho que o auge do embate se deu quando ele mandou (mal, muito mal):
- "Eles são pagos pra limpar o chão mesmo."
Estava ali a prova inconteste de que uma doença muito perversa ainda assola o povo brasileiro; povo que padece de um mal chamado "falta de educação" (ou de civilidade, se você se chocar com a outra expressão).

É claro que eu me escandalizei com a mentalidade daquele senhor, com seus 42/44 anos de insensatez, e precisei dizer que é por conta desse tipo de gente que o país não caminha para a frente.

Peguei pesado??
Você ainda não viu nada... rsrsrsrsrs
Pra finalizar, como ele insistia em não ver absolutamente nada demais naquele seu comportamento abissal, fui praticamente forçada a dizer clara e enfaticamente:
- É... tomara que não tenha filho...

Confesso que o que eu queria dizer era que esperava que não tivesse nenhuma criança na casa dele, porque seria essa espécie de educação que ele estaria dando aos filhos, mas eu me empolguei, achei bastante sonoro o que eu havia dito, e resolvi repetir. Saiu assim:

- Tomara que NUNCA TENHA FILHO! Se grande desse jeito ainda não aprendeu a se portar direitinho, imagine o que vai ensinar a uma criança... Tomara que NUNCA TENHA FILHO!

Depois que eu acabei a frase foi que me dei conta: aquilo era praticamente uma praga! Meu pai... não era a intenção. Mas aí já era tarde... Já caminhávamos um pra cada lado. E ele seguia com os encartes no carrinho.

20 comentários:

Mosana disse...

Suzi, eu sou EXATAMENTE como vc.
Estou cansada de contar os foras sem fim que já levei e levo das pessoas. Reclamo com todo mundo sobre isso. Seja na rua, no mercado, no ponto de ônibus, na praia, etc..
Sou chata, é o que dizem. Ensino meus filhos a serem EXTREMAMENTE chatos como eu. É o mínimo que se espera. É o mínimo que devemos fazer.
Queria que todo mundo que eu conheço fosse chato, como eu e você. O Brasil poderia ser até mais chato, mas mais limpinho com CERTEZA.
Beijos chatos, de uma chata para outra.

Amigao disse...

Pois é, qual será a herança que estes pais irão deixar aos filhos?

Graças a Deus que há ainda pessoas com esta capacidade de se indignar com estes condutas ruins e maus exemplos.
Talvez eu não tivesse a mesma atitude que você, mas fiquei feliz por saber que você teve.

Um beijão pra você.

Lilica disse...

Te admiro pela sua atitude, mas eu não teria coragem de encará-lo, simplesmente porque, se o cara é tão animal pra jogar os encartes no chão, poderia, sei lá, ter te dado um soco na cara!!!!!! Mas ainda bem que nada disso aconteceu! É por causa desses vermes que o país não vai pra frente! Beijão e boa semana

Márcia(clarinha) disse...

E tudo isso sem descer do salto, imaginando aqui bunita zangada, com razão, com razão.
Esse homem não aprendeu nada, e pelo visto, não aprenderá...
Fica fria querida, sua praga não vai pegar, seu coração é bom ;)

lindo dia bunita
beijos

Suzi disse...

E assim vou colecionando adjetivos para a minha biografia, Mosana. hehehehe

Com a Taia, é beijo de besta pra besta; contigo, de chata pra chata.
hohohoho

Suzi disse...

É, amigão. Que espécie de adulto nós nos tornamos?? E que espécie de cidadãos nossos filhos se tornarão???
Pois é...

Suzi disse...

É claro que eu desisti de ficar ali pesquisando os preços, né, Lilica? Assim que ele foi pra um lado e fui pro outro... o da porta de saída. Tirei meu carro de perto do dele, porque eu podia ter escapado do socão mas ele bem poderia arrastar a chave por toda a extensão do meu carro... Já pensou? Pois é. Eu pensei. "E fui simbora", que eu sou abusada mas não sou tonta!

:o))

Suzi disse...

É, Marcinha. Se a gente fizer isso com uns dez, e pelo menos um aprender a lição... já é alguma coisa, não acha? Tomara que a mentalidade das gentes mude...

beijo, lindinha!

Márcia(clarinha) disse...

http://www.crazyprofile.com/butterfly/Butterflies.asp

Vai lá, pega as borboletinhas, tem peixinhos fofos também, viu lá no meu? Nãooo? então veja, rss

beijos bunita

Susi disse...

Também sou Susi, tb foi presente da mamãe, por causa da boneca. Também já fiz alguns discretos barracos, por isso e por vários outros erros dos humanos.

Inerte disse...

Só toma cuidado, tá! Animais como esse, além de mal educados são extremamente covardes. Nos deparamos todos os dias com esse tipo de gente. É claro que não devemos nos acovardar mas sempre é bom estarmos atentos às reações.

Suzi disse...

ei, clarinha, muito agradecida pelo presentinho, então, viu?
muito fofos!!
que nem tu!
;)

Suzi disse...

Oi, Susi com "s",
seja bem-vinda por aqui!
Meu Suzi é com "z" por uma predileção especial da mamãe...

Volte sempre que quiser, viu? As portas e janelas da casa estão sempre abertas. Ainda mais agora, que entrou setembro!

Bj!

Suzi disse...

Mas eu não sou boba nem nada, Inerte... É claro que deixei pra falar com o moço lá dentro do mercado, na frente das pessoas. Ele poderia ser até mais atrevido do que eu, mas na frente de todo mundo as pessoas se controlam um pouco mais. rs*

Acho, inclusive, que ele só jogou os encartes no chão porque não tinha ninguém vendo, ali no estacionamento. Poderia parecer que os papéis voaram... Só que ele "não contava com a minha astúcia"!!

É claro que eu desisti de ficar ali pesquisando os preços, né, Como eu disse pra Lilica, assim que ele foi pra um lado, eu tratei de ir pro outro, e fui tirando meu carro de perto do dele...

p.s.
ele tinha o dobro do meu tamanho! hohohohoho!!!

Suzi disse...

e três vezes o meu peso!

uia!!

instantes e momentos disse...

ótimo post, ótimo blog, é bom vir aqui.
Tenha uma bela semana.
Maurizio

Alba Regina disse...

menina...a gente naõ pode sair juntas não...das duas uma:ou vamos parar numa delegacia ou num hospital. na boa?! estou ficando cada vez mais tolerância zero sabia??? beijo!!!!

Armando Maynard disse...

Apesar do risco que correu, de ser agredida verbalmente, você agiu como uma cidadã. Lembro que, quando meus filhos eram pequenos e jogavam papel de bala na calçada da rua, os fazia apanhar e jogar na lixeira, é aí que tudo começa. Um abraço,Armando(lygiaprudente.blogspot.com)

Estava Perdida no Mar disse...

Nossa, Suzi...vc foi perfeita. Já argumentei uma vez assim: o cara jogou o lixo não chão...eu peguei fui atrás dele e disse: Senhor, dá licença...é que seu lixo tá no chão...ai eu lhe trouxe. Melhor ficar com o senhor, né?

Nossa, ele não tinha onde enfiar a cara.

Sabe o que mais assusta...se ele tinha o carro e tinha e estava no Sam's Club é pq tem condições financeiras boas...e provavelmente mais acesso a educação. E dá um exemplo destes. Nossa...

Su disse...

É Suzi, isso é mais que revoltante!!
Eu fico aqui a pensar porque as pessoas são tão mal educadas??!
Elas acham que o planeta vai ficar bonito e verdinho pra sempre?? Eles acham que isso é bonito??!
Pelo amor de Deus, viu?!!
è triste demais ver como algumas pessoas não estão nem aii para o preservar. O aquecimento global está aii, será que não conseguem enchergar que isso é consequência desses porcalhões.
É algo hereditário, o pai sujou, o filho suja e o neto vai sujar.. Nãaaaao, chega!!!!!!
Tem que haver uma reciclagem no cérebro dessas pessoas porque parece que ensinar e mostrar como tem que ser feito não resolve!!!
Isso me dá nos nervos...
Eu tenho certeza que não custa nada, andar mais um pouquinho e jogar o saquinho no lixo, ou se não achar lixo, leva pra casa e lá vc joga no LIXO!!!
Tamos juntas, Suzi!!
Beijão