sábado, 13 de setembro de 2008

Feliz Sábado!!


John Kennedy, em sua campanha presidencial de 1960, costumava encerrar seus discursos com a história do Coronel Davenport, Presidente da Câmara dos Deputados de Connecticut. Contava que num certo dia, em 1789, na cidade de Hartford o céu escureceu ao meio-dia de uma forma tão tenebrosa que as pessoas da cidade imaginaram que era o fim do mundo.

A Câmara de Vereadores de Connecticut estava em sessão e alguns parlamentares, olhando pelas janelas, também temendo que o fim do mundo houvesse chegado, pediam que se fizesse uma pausa. Interrompendo o clamor geral para que a sessão fosse adiada, Davenport se levantou e disse:
- "O Dia do Juízo pode ter chegado ou não. Se a resposta for negativa, não existe motivo para o adiamento; e se for positiva, prefiro ser achado trabalhando e cumprindo minhas obrigações. Portanto, peço por favor que sejam trazidas as velas para iluminar o local."

Fonte: "Remarks of Senator John Kennedy",
Michigan State Fair, Detroit, Michigan, 5 de setembro de 1960


Acho que eu também gostaria de ser encontrada fazendo a minha parte e da melhor maneira. Sempre, em qualquer circunstância, a qualquer momento.
Às vezes fico pensando: o que um homem é capaz de fazer quando sabe que ninguém o está vendo? Ou então, o que faria se soubesse que hoje é o último dia da sua vida?
Jogaria lixo no chão? Furtaria alguma coisa de alguém? Cuidaria de um animal machucado? Doaria seus bens materiais? Trairia a confiança de um amigo? Enganaria seu companheiro? Socorreria um ferido? Falaria palavras de amor ou desferiria palavras de ódio?

Faça o seu melhor, não importa se alguém está vendo, se hoje é o último dia da sua vida, ou se parece que é o fim do mundo.
Hoje é sábado! Viva um sábado feliz!!
Faça de cada sábado um dia feliz, e de cada dia, um sábado.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

E se você fosse mandado embora por justa causa?

Há duas decisões judiciais que eu gostaria de divulgar aqui, pra vocês. Uma tem a ver com futebol, e por isso vou deixar pra semana que vem, porque ontem já falamos aqui sobre a redondinha. A outra vou publicar hoje.
A de hoje foi proferida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (que abrange parte de São Paulo), no julgamento de um recurso de um empregador que despediu a empregada por justa causa. Inconformado com a sentença do juiz de primeiro grau, que não reconheceu a falta da empregada, o empregador recorreu da decisão, e o Tribunal reexaminou o julgado, prolatando o seguinte Acórdão, que você pode conferir neste link (http://www.trt2.gov.br/), consultando "acórdãos" e digitando, para a busca, o número do processo ou o número do acórdão.
Ali você terá a decisão na íntegra.
Como no processo do trabalho há uma cumulação de ações, em cada "Reclamação Trabalhista" - considerando que cada pedido (horas extras, saldo de salário, férias, dano moral etc.) é uma ação, temos decisões extensas, analisando cada um dos pedidos -, transcrevi aqui apenas a parte do Acórdão onde se analisa o motivo alegado pela Reclamada (a empregadora) para a extinção do contrato. Vamos lá?

PODER JUDICIÁRIO
Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região


ACÓRDÃO Nº: 20071112060 Nº de Pauta:385
PROCESSO TRT/SP Nº: 01290200524202009
RECURSO ORDINÁRIO - 02 VT de Cotia
RECORRENTE: Coorpu's Com Serv de Produtos Para Estet
RECORRIDO: Marcia da Silva Conceição

(...)

Primeiramente, ao alegar justa causa para dispensa da autora, a reclamada atraiu para si o ônus probatório de suas alegações, nos termos do art.333, II, do CPC c/c art.818 da CLT, não se desincumbindo satisfatoriamente de seu encargo, vez que não trouxe qualquer testemunha a Juízo com vistas a corroborar sua versão defensiva (fls.45/48).

As provas documentais trazidas aos autos, consistentes em uma advertência e uma suspensão, por se tratarem de documentos particulares, geram presunção de veracidade juris tantum, cabendo prova em contrário, de modo que, com a inversão da atribuição do ônus à ré, em face da justa causa, incumbia-lhe a produção de provas que corroborassem seu conteúdo. A demandada não trouxe testemunhas que corroborassem a validade das punições aplicadas e sua versão defensiva quanto aos fatos que as ensejaram.

Além disso, a reclamada, em depoimento pessoal, informou que a advertência aplicada à reclamante foi motivada pelo fato de que esta "estava ‘soltando gases’ no horário de trabalho, na presença de outras colegas, que no momento, não se recorda; o fato foi presenciado pela depoente (fl.46). A reclamante e as testemunhas da autora confirmaram tal fato (fls.45/48), que se tem por incontroverso nos autos. Entretanto, impossível validar a aplicação de punição pelo ocorrido, ao menos nas circunstâncias reveladas pela prova.

Se por princípio, a Justiça não deve ocupar-se de miuçalhas (de minimis non curat pretor), na vida contratual, todavia, pequenas faltas podem acumular-se como precedentes curriculares negativos, pavimentando o caminho para a justa causa, como ocorreu in casu. Daí porque, torna-se necessário atentar à inusitada advertência, vez que esta se transformou em nódoa funcional que precedeu a dispensa da reclamante.

A flatulência constitui uma reação orgânica natural à ingestão de ar e de determinados alimentos com alto teor de fermentação, os quais, combinados com elementos diversos, presentes no corpo humano, resultam em gases que se acumulam no tubo digestivo e necessitam ser expelidos, via oral ou anal, respectivamente sob a forma de eructação (arroto) e flatos (ventosidade, pum).

Convém a transcrição de explanação técnica a respeito, para correta elucidação dos fatos, extraída do site do conceituado médico Drauzio Varella:

  • "http://drauziovarella.ig.com.br/arquivo/arquivo.asp?doe_id=38
  • Flatulência
  • Gases intestinais podem causar grande desconforto porque provocam distensão abdominal. Além disso, em determinadas circunstâncias, podem trazer constrangimento social. O ar engolido ou os gases formados no aparelho digestivo podem ser expelidos por via oral (arroto) ou via anal (gases intestinais ou flatos). A maior parte deles, no entanto, é produzida no intestino por carboidratos que não são quebrados na passagem pelo estômago. Como o intestino não produz as enzimas necessárias para digeri-los, eles são fermentados por bactérias que normalmente ali residem. Esse processo é responsável pela maior produção e liberação de gases. Em alguns casos, por fatores genéticos ou porque adotaram uma dieta saudável com pouca gordura, mas rica em fibras e em carboidratos, algumas pessoas podem produzir mais gases. No entanto, a maioria das queixas parte de pessoas que produzem uma quantidade que os gastrenterologistas considerariam normal. Estudos demonstram que, em média, um adulto pode expelir gases vinte vezes por dia".

Consoante explicações supra, depreende-se que expelir gases é algo absolutamente natural e, ainda por cima, ocorre mais vezes em pessoas que adotam dietas mais saudáveis. Desse modo a flatulência tanto pode estar associada à reação de organismos sadios, sendo sinal de saúde, como indicativa de alguma doença do sistema digestivo, como p. exemplo o meteorismo. De qualquer forma, trata-se de reação orgânica natural, sobre a qual as pessoas não possuem, necessariamente, o controle integral. O organismo tem que expelir os flatos, e é de experiência comum a todos que, nem sempre pode haver controle da pessoa sobre tais emanações. Não se justifica assim, aplicação de punição de advertência à reclamante pelo ato de expelir gases no ambiente de trabalho, sob a presunção do empregador de que tal ocorrência configura conduta social a ser reprimida, ou de alguma forma atentatória contra a disciplina contratual ou os bons costumes. Certamente agride a razoabilidade a pretensão de colocar o organismo humano sob a égide do jus variandi, punindo indiscretas manifestações da flora intestinal sobre as quais empregado e empregador não têm pleno domínio.

Estrepitosos ou sutis, os flatos nem sempre são indulgentes com as nossas pobres convenções sociais. Disparos históricos têm esfumaçado as mais ilustres e insuspeitadas biografias.
Verdade ou engenho literário, em "O Xangô de Baker Street" Jô Soares relata comprometedora ventosidade de D. Pedro II, prontamente assumida por Rodrigo Modesto Tavares, que por seu heroísmo veio a ser regalado pelo agradecido monarca com o pomposo título de Visconde de Ibituaçu (vento grande em tupi-guarani).

Apesar de as regras de boas maneiras e elevado convívio social pedirem um maior controle desses fogos interiores, sua propulsão só pode ser debitada aos responsáveis quando comprovadamente provocada, ultrapassando assim o limite do razoável. A imposição deliberada aos circunstantes, dos ardores da flora intestinal, pode configurar, no limite, incontinência de conduta, passível de punição pelo empregador. Já a eliminação involutária, conquanto possa gerar transtornos sociais, embaraços, constrangimentos e, até mesmo, piadas e brincadeiras, como ocorreu com a reclamante, não há de ter reflexo para a vida contratual. De qualquer forma, não se tem como presumir qualquer má-fé por parte da empregada, quanto ao ocorrido durante o expediente laboral, de modo a ensejar a aplicação de advertência, que por tais razões, revelando-se injusta e abusiva a penalidade pespegada à obreira.

As alegações defensivas de que a segunda punição aplicada à reclamante decorreu do fato de estar conversando sobre fatos imorais com sua colega de trabalho também não foram objeto de comprovação pela reclamada. Ao contrário, a prova oral colhida demonstrou que a reclamante conversava sobre problemas pessoais da colega com a filha e o namorado desta, estando a autora a aconselhá-la. Como salientado pela própria ré, em depoimento pessoal (fl.46), as conversas eram permitidas no ambiente de trabalho, de modo que, não comprovada a imoralidade e qualquer incômodo decorrente do diálogo mantido entre a reclamante e sua colega de trabalho, a punição igualmente se revela injusta.

Por fim, a reclamada também não produziu provas das ofensas e da insubordinação da reclamante, referidas em defesa, ônus que lhe incumbia, como já asseverado, fatos estes ensejadores da justa causa que lhe foi imputada. A ausência de provas cabais, necessárias à configuração de justa causa, já é suficiente para afastá-la. Além disso, a reclamante, a quem incumbia apenas a produção de contraprova, corroborou sua versão inicial através da oitiva de suas testemunhas trazidas a Juízo (fls.47/48), as quais confirmaram que havia animosidades contra a reclamante, tanto por parte da sócia como da superior hierárquica, que tratavam-na com excessivo rigor. A partir da injusta suspensão motivada pela conversa com a colega, já comentada, a reclamante passou a ter que pedir autorização para ações mínimas, como ir de uma sala a outra, de modo que qualquer deslize era suficiente para uma advertência ou suspensão, culminando com a sua dispensa por justa causa em razão de ter saído da sala onde se encontrava, sem pedir autorização, para atender a pedido de uma cliente para ligar o ar-condicionado. A hipótese retratada nos autos, pelo caráter continuado, configura assédio moral praticado pela sócia da reclamada e pela superior hierárquica da autora que, juntas, uniram-se no afã de pressionar a autora, submetendo-a a vigilância discriminatória e tratamento opressivo em todos os seus passos, com vistas a aplicar-lhe sucessivas punições e assim pavimentar o caminho da justa causa.

A implantação de um ambiente repressivo e amedrontador, mais típico de ambientes militares, no caso sub judice, retrata forma de assédio moral que a doutrina estrangeira identifica como mobbing vertical descendente, ou simplesmente bossing, que comprometeu o ambiente de trabalho da reclamante, culminando com a sua dispensa através de uma justa causa inteiramente "fabricada" pelo empregador. Enfim, a justa causa mostrou-se de todo abusiva, devendo ser prestigiada a decisão de origem que a afastou.

Mantenho.

(...)

ACORDAM os Magistrados da 4ª TURMA do Tribunal Regional do Trabalho da Segunda Região em: por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade por suspeição de testemunha e por cerceamento de defesa, arguidas pela reclamada; no mérito, por igual votação, dar provimento parcial ao apelo da mesma, para expungir da condenação o pagamento de 11 dias de saldo de salário, por já devidamente quitado, expungir da condenação o pagamento de diferenças salariais decorrentes do acréscimo de 30% pelo desvio de função e suas integrações em horas extras, férias mais 1/3, 13º salários, aviso prévio e FGTS com 40%, tudo na forma da fundamentação que integra e complementa este dispositivo.

São Paulo, 11 de Dezembro de 2007.

RICARDO ARTUR COSTA E TRIGUEIROS
PRESIDENTE E RELATOR

É isso aí, minha gente. Ventinhos, no ambiente de trabalho, e um bom final-de-semana!!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Seja sincero!

1. Você assistiu Brasil x Bolívia até o final?
2. Você torceu pelo Brasil?
3. Você conseguiu não rir da bisonhice dos brasileiros em campo?
4. Você ficou sério ao ouvir o Luís Fabiano dizer "é difícil jogar com um time assim"? (se referindo à Bolívia e à linha de impedimento que os bolivianos repetidamente faziam, como tática defensiva)
5. Você acreditou que o Brasil faria ao menos um mísero golzinho depois dos oito minutos do segundo tempo, logo após aquela expulsão inexplicável do jogador boliviano?
6. Você achou que o "bolsa-ingresso", distribuído momentos antes de começar o jogo aos moradores vizinhos do estádio pra tentar encher a casa foi uma iniciativa louvável?


Se você respondeu SIM a pelo menos duas dessas perguntas, meu caro amigo, você não tem jeito... Aposto que também acredita em Papai Noel, duendes, coelhinho da Páscoa e no Fluminense - Campeão da Libertadores. Lamentável...

Além de mim, não conheço NINGUÉM que tenha apostado num resultado bem a cara dessa "selecinha" brasileira que temos aí. Z. apostou num empate, mas com gols. Eu apostei em 1 x 0 pra Bolívia. Não vou dizer que imaginava a selecinha entrando em campo de salto alto, depois de vencer o meu querido Chile, porque, vamos combinar, essa turma não tem salto pra isso. Mas quando vi todas as gentes do mundo apostando em 4 x 0, 6 x 0, 5 x 0... debochando porque a Bolívia fez um treino secreto... ah... senti que estavam acreditando muito.
Pois é. Deu no que deu.

Pra terminar, uma citação do Sr. José Simão, por quem não nutro grandes admirações mas que, admito, de vez em quando tem uma boas sacadas:

"Essa seleção, sem o Kaká, é um cocô."

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Regras de Conduta no Trabalho

Minha primeira graduação foi em Pedagogia. Com a habilitação em Administração Escolar e uma Pós em Psicopedagogia, eu e minha irmã, que era formada em Psicologia e estava cursando Pedagogia, idealizamos um lugar onde pudéssemos colocar em prática nosso conhecimento e nossos sonhos. Montamos nossa "pré-escola" - como se chamava a Educação Infantil, uns anos atrás. Muito bons tempos!

Sempre gostei dessa parte de Administração. Uma certa aptidão para a liderança que nós três, eu e meus irmãos, herdamos de nossa mãe. Aprendi muita coisa, na faculdade; coisas que usei naquele tempo e pratico até hoje, no cargo que exerço, agora na área jurídica. Mas o grande lance é que certas coisas você não aprende nas salas de aula... É a experiência que ensina. O tal "pulo do gato", a "receita do sucesso". Você aprende muita coisa por experiência própria ou pela experiência dos outros. Estas dicas, por exemplo, que seguem aí abaixo... Ninguém me ensinou na sala de aula o segredo de uma empresa de sucesso, com empregados dando o seu máximo e um empregador satisfeito. Pra mim, agora é tarde... Mas você, profissional de outra área (sim, por favor, salve as escolas), que pensa em abrir seu próprio negócio, comece bem! Comece estabelecendo regras de conduta no trabalho, para seus empregados. Depois, é só conferir o sucesso do seu empreendimento! Vamos lá:

INDUMENTÁRIA:
Informamos que o funcionário deverá trabalhar vestido de acordo com o seu Salário.
Se o percebermos calçando um tênis Prada de US$350 e carregando uma bolsa Gucci de US$600, presumiremos que vai bem de finanças e, portanto, não precisa de aumento.
Se ele se vestir de forma pobre, será um sinal de que precisa aprender a controlar melhor o seu dinheiro para que possa comprar roupas melhores e, portanto, não precisa de aumento.
E se ele se vestir no meio termo, estará perfeito; logo, não precisa de aumento.

AUSÊNCIA DEVIDO À ENFERMIDADE:
Não vamos mais aceitar uma carta do médico como prova de enfermidade.
Se o funcionário tem condições de ir até o consultório médico, pode vir trabalhar.

CIRURGIA:
As cirurgias são proibidas.
Enquanto o funcionário trabalhar nesta empresa, precisará de todos os seus órgãos, portanto, não deve pensar em remover nada.
Nós o contratamos inteiro.
Remover algo constitui quebra de contrato.

AUSÊNCIAS DEVIDO A MOTIVOS PESSOAIS:
Cada funcionário receberá 104 dias para assuntos pessoais a cada ano.
Chamam-se sábado e domingo.

FÉRIAS:
Todos os funcionários deverão entrar em férias nos mesmos dias de cada ano.
Os dias de férias são: 01 de janeiro, 07 de setembro e 25 de dezembro.

AUSÊNCIA DEVIDO AO FALECIMENTO DE ENTE QUERIDO:
Esta não é uma justificativa para perder um dia de trabalho.
Não há nada que se possa fazer pelos amigos, parentes ou colegas de trabalho falecidos.
Todo esforço deverá ser empenhado para que não-funcionários cuidem dos detalhes.
Nos casos raros, onde o envolvimento do funcionário é necessário, o enterro deverá ser marcado para o final da tarde.
Teremos prazer em permitir que o funcionário trabalhe durante o horário do almoço e, daí, sair uma hora mais cedo, desde que o seu trabalho esteja em dia.

AUSÊNCIA DEVIDO À SUA PRÓPRIA MORTE:
Isto será aceito como desculpa.
Entretanto, exigimos pelo menos 15 dias de aviso prévio, visto que cabe ao funcionário treinar o seu substituto.

O USO DO WC:
Os funcionários estão passando tempo demais no toalete.
No futuro, seguiremos o sistema de ordem alfabética.
Por exemplo, todos os funcionários cujos nomes começam com a letra 'A' irão entre 8h e 8h20, aqueles com a letra 'B' entre 8h20 e 8h40 etc.
Se não puder ir na hora designada, será preciso esperar a sua vez, no dia seguinte.
Em caso de emergência, os funcionários poderão trocar o seu horário com um colega.
Ambos os supervisores do funcionário deverão aprovar essa troca, por escrito.
Adicionalmente, agora há um limite estritamente máximo de 3 minutos no box.
Acabando esses 3 minutos, um alarme irá tocar, o rolo de papel higiênico será recolhido, a porta do box abrirá e uma foto será tirada.
Se for repetente, a foto será fixada no quadro de avisos da empresa sob o título "Infrator Crônico".

A HORA DO ALMOÇO:
Os magros têm 30 minutos para o almoço, porque precisam comer mais para parecerem saudáveis.
As pessoas de tamanho normal têm 15 minutos para comer uma refeição balanceada que sustente o seu corpo mediano.
Os gordos têm 5 minutos, porque é tudo que precisam para tomar um "Slim Fast" e um remédio de regime.

Muito obrigado pela sua fidelidade à nossa empresa.
Estamos aqui para proporcionar uma experiência empregatícia positiva.
Portanto, toda dúvida, comentário, preocupação, reclamação, frustração, irritação, agravo, insinuação, alegação, acusação, observação, consternação e "input" deverá ser dirigida para qualquer outro lugar.

Tenham uma boa semana.
A Gerência

terça-feira, 9 de setembro de 2008

XIII - Leve

Leve, leve, muito leve,
Um vento muito leve passa,
E vai-se, sempre muito leve.
E eu não sei o que penso
Nem procuro sabê-lo.










(in Poemas Completos
de Alberto Caeiro)

domingo, 7 de setembro de 2008

Pátria Minha - um texto pelo 7 de setembro

A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.
Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.
Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!
Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!
Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.
Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu...
Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda... Não tardo!
Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.
Pátria minha...
A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.
Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamem
Que um dia traduzi num exame escrito: "Liberta que serás também"
E repito! Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.
Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha Brasil, talvez.
Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
"Pátria minha, saudades de quem te ama... Vinicius de Moraes."


"Vinicius de Moraes - Poesia Completa e Prosa",
Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 383.

sábado, 6 de setembro de 2008

Feliz Sábado!!


Viva com esperança.
Viva um sábado feliz!!

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Sou Rebelde

Uma vez, quando eu tinha uns dez/doze anos, estava em Penedo. Mais precisamente naquela "Casa de Pedra", bem conhecida na cidade, e chamada, pela garotada da igreja, de "Satulina", sei lá por que.
Acho que foi uma espécie de acampamento de Carnaval, o que nos levou ali daquela vez. Então, durante as noites, além de serenatas, rolavam as festas da amizade, produzidas pelos meninos para as meninas e pelas meninas para os meninos. Foi numa dessas noites que me chamaram pra cantar uma versão de "Sou Rebelde". Eu era garota, magrela, bem magrela.


E aí que hoje, quando dei de cara com essa imagem, não me contive e morri de rir, lembrando da minha performance... Eu não conseguia nem cantar, na hora, de tanto que ríamos, eu e a platéia. Eu apareci no palco de repente. Estava escondida atrás de uma base de madeira e surgi do nada. Vestida como um bujãozinho e interpretando a letra, com meu próprio corpo! Acho que era a minha irmã que me acompanhava, ao piano. Eu chorava de rir. E por pouco não saí do palco... é... bem, deixa pra lá. Eu ri muito. Ri de me acabar, se é que você me entende.
A versão? Era assim, ó:

Eu sou magrinha
Porque o mundo quis assim
Porque sempre me trataram com sopinha
E as panelas se fecharam para mim
Eu queria ser como um elefante,
Gordo, elegante e feliz
Eu queria ter uma geladeira
Cheia de besteira só pra mim
E comer e beber
E esquecer a balança
E cantar e sorrir
E encher bem a pança

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

As pessoas são meio estranhas, eu acho...

M.L. é Juíza e Professora. Devido aos seus muitos contatos, volta e meia me manda uns e-mails divulgando vaga para advogados ou estagiários em empresas ou escritórios de alunos e amigos seus, para que eu repasse.

Sempre que os recebo, me vêm à cabeça aqueles amigos que estão sem trabalho ou em busca de um emprego melhor, mais bem remunerado, ou com maiores perspectivas. Vejo quem se encaixa no perfil e encaminho o e-mail, com um bilhetinho, explicando por que pensei na pessoa e tal. Um e-mail bem pessoal, não um mero "encaminhar". Um e-mail para cada pessoa, com palavras pessoais; não um mesmo e-mail pra galera toda.


Mas o que acontece com as pessoas, hein??? Ignoram. Não recebo uma resposta sequer, ainda que do tipo "- ah, valeu a lembrança, mas já estou bem colocada", ou "- legal, mas não me interessa", ou mesmo "- quem disse que eu ainda quero trabalhar??"...


Final das contas, eu me acho inconveniente e sinto até culpa, por lembrar das pessoas e "incomodá-las" com esse tipo de coisa...


Às vezes dá vontade de viver só pra gente mesmo!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Lucas 6:31

"Façam aos outros
aquilo que vocês gostariam que fizessem a vocês."
(Jesus Cristo - Lucas 6:31)

Com isso em mente acho que posso fazer as pessoas felizes.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

... e nada mais



Mais amor
letra e música - Evaldo Vicente

"Se as pessoas hoje vivem sem paz
Se ninguém entende ninguém
Se tanta gente se perde
dentro da própria solidão
Falta amor no mundo
amor em todos nós

Se a criança vive sem proteção
Se o idoso perde o valor
Se a miséria e a fome
tiram a vida de milhões
Falta amor na gente
amor em cada um

Mais amor ao falar
Mais amor ao escutar
Mais carinho e mais atenção
Mais amor repartir
Mais cuidado e proteção
Vamos deixar o amor nascer no coração

Por que não dizer 'eu amo você'?
Por que não tentar ser gentil?
Por que não dar nossa ajuda
pra ver alguém viver feliz
Vamos deixar o amor nascer no coração

Pra que o mundo seja muito melhor
Pra que o homem volte a sorrir
E pra que a vida não seja
Dura demais pra se levar
Vamos viver com mais amor no coração"

Eu queria muito dar um abraço no meu irmão, pelo dia de hoje. De alguma forma, a saudade que estou sentindo hoje é tão imensa que eu não sei escrever sobre ela... E se aqui dentro de mim sinto uma vontade enorme de chorar, não é por tristeza; ao contrário, é pela alegria de saber que você está feliz, aí, meu irmão. Sua felicidade nos contagia, seu sucesso sempre nos conforta, você continua a nos causar tremenda admiração. O mundo é muito melhor por você ser quem você é. Se um dia você musicou versos que diziam "eu queria ser o motivo de alguém se sentir cada vez mais feliz...", esteja certo, hoje, que você é esse motivo, pra muita gente se sentir cada vez mais feliz!

Um beijo,
Feliz Aniversário!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Uma coisa feia, uma lição, e praticamente uma praga

Essas coisas sempre me incomodam muito...

Semana passada fui ao Sam's Club. Na verdade, um complexo onde se tem mais duas grandes lojas, a Leroy Merlin e o Wal-Mart. Ao receber o cartão de estacionamento, recebi também dois encartes das lojas. Estacionei. Ao meu lado, um Honda Civic último modelo, "top" de linha. Percebo, com o movimento de abertura da porta, que o motorista ainda estava dentro do carro; e noto que antes de descer ele joga no chão do estacionamento os encartes. Depois sai, fecha a porta, e passa por mim.

Bem, não dava pra fingir que não tinha visto. Sei lá... certas coisas me dão agonia e eu não consigo ficar quieta.

Ainda dentro do carro, abri a porta, coloquei metade do corpo pra fora, e enquanto aquele senhor alto, forte, provavelmente cheio da grana, passava e me olhava eu disse mansamente:
- No chão não, né, moço? No chão não! Vamos jogar na latinha do lixo...
Ele parou (não sei se não entendeu ou se não acreditou), continuou me olhando e depois seguiu, como se não fosse com ele.

Fiquei feliz por não deixar passar despercebida aquela situação, e pensei que se todas as pessoas se manifestassem quando vissem alguém agindo mal, sujando a cidade, largando papel, garrafas e latinhas pelas ruas, jogando lixo nos rios, se todos expressassem sua contrariedade, talvez as pessoas fossem se corrigindo, se conscientizando.

Qualquer um já se daria por satisfeito, com a lição do dia bem dada. É. Mas eu não. Sei lá... achei que ele não havia aprendido nada.

Então peguei meus encartes, minha bolsa, tranquei o carro, fui até o outro lado do carro do moço, peguei os encartes dele que estavam no chão e... Bem, neste momento, você pensa, ela pegou os encartes e jogou no lixo.
Hohohoho!! Claro que não!

Enquanto o moço pegava um carrinho de compras para entrar no Sam's Club, eu cuidava de apressar os passinhos para alcançá-lo. Ele passou pela porta de vidro, eu estiquei um pouquinho mais minhas pernocas. E, de repente, estávamos nós ali, lado a lado.
Com um grande sorriso de satisfação, peguei os dois encartes dele, coloquei gentilmente dentro do carrinho que ele conduzia, e disse:
- Agora o senhor joga no lixo, tá?

Bem, vocês devem imaginar que então seguiu-se uma espécie de discussão. O tema era o "certo" e o "errado", com aquele senhor perguntando se eu achava certo o que eu havia feito, colocando os encartes no carrinho dele. Pois é. Pode rir. Foi isso mesmo, eu não escrevi errado. Ele perguntava se eu achava que era certo colocar os encartes no carrinho dele...

Enquanto ele dizia que eu devia era levar os papéis para dentro do meu carro pra ler de noite, na cama (veja a riqueza dos argumentos!), já que eu estava com os meus na mão, eu repeti:
- "Senhor, eu disse 'no lixo'; meu carro não é lixeira; eu já vi que os encartes não me interessam, e vou jogá-los no lixo, como o senhor também deve fazer, ok? Bem bonitinho."

Nessa altura da discutição eu disse baixinho, pra ele: - "O senhor acha mesmo que está certo? Acha meeeeesmo??? Não discuta... Fale baixinho, pra ninguém saber da coisa feia que o senhor fez..."

Mas eu acho que o auge do embate se deu quando ele mandou (mal, muito mal):
- "Eles são pagos pra limpar o chão mesmo."
Estava ali a prova inconteste de que uma doença muito perversa ainda assola o povo brasileiro; povo que padece de um mal chamado "falta de educação" (ou de civilidade, se você se chocar com a outra expressão).

É claro que eu me escandalizei com a mentalidade daquele senhor, com seus 42/44 anos de insensatez, e precisei dizer que é por conta desse tipo de gente que o país não caminha para a frente.

Peguei pesado??
Você ainda não viu nada... rsrsrsrsrs
Pra finalizar, como ele insistia em não ver absolutamente nada demais naquele seu comportamento abissal, fui praticamente forçada a dizer clara e enfaticamente:
- É... tomara que não tenha filho...

Confesso que o que eu queria dizer era que esperava que não tivesse nenhuma criança na casa dele, porque seria essa espécie de educação que ele estaria dando aos filhos, mas eu me empolguei, achei bastante sonoro o que eu havia dito, e resolvi repetir. Saiu assim:

- Tomara que NUNCA TENHA FILHO! Se grande desse jeito ainda não aprendeu a se portar direitinho, imagine o que vai ensinar a uma criança... Tomara que NUNCA TENHA FILHO!

Depois que eu acabei a frase foi que me dei conta: aquilo era praticamente uma praga! Meu pai... não era a intenção. Mas aí já era tarde... Já caminhávamos um pra cada lado. E ele seguia com os encartes no carrinho.

domingo, 31 de agosto de 2008

Algumas vezes, quando a sua taça da felicidade está bem cheia, alguém esbarra em você e derruba tudo.

sábado, 30 de agosto de 2008

Feliz Sábado!!

Meus queridos, enfim chegou o sétimo dia da semana!
Enfim, o sábado está aí para nos permitir descansar, olhar para o próximo com mais atenção, esquecer a correria, perceber a natureza, sair da rotina. Enfim, é hora de lhe desejar um FELIZ SÁBADO!!

"Em nome de vocês...
Que ao homem comum ensinem
a glória da rotina e das tarefas
de cada dia e de todos os dias;
que exaltem em canções
o quanto a química e o exercício
da vida não são desprezíveis nunca,
e o trabalho braçal de um e de todos
— arar, capinar, cavar,
plantar e enramar a árvore,
as frutinhas, os legumes, as flores:
que em tudo isso possa o homem ver
que está fazendo alguma coisa de verdade,
e também toda mulher
usar a serra e o martelo
ao comprido ou de través,
cultivar vocações para a carpintaria,
a alvenaria, a pintura,
trabalhar de alfaiate, costureira,
ama, hoteleiro, carregador,
inventar coisas, coisas engenhosas,
ajudar a lavar, cozinhar, arrumar,
e não considerar desgraça alguma
dar uma mão a si próprio."

Walt Whitman, o poeta de "Sociedade dos Poetas Mortos"

O texto acima é fragmento de um texto extraído do livro
"Estórias de quem gosta de ensinar — O fim dos Vestibulares",
de Rubem Alves

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

O vôlei, no país do futebol

Rádio CBN, oito da noite. Quando saio tarde do trabalho, volto ouvindo o Juca Kfouri, no CBN Esporte Clube. O futebol domina a pauta; eu gosto meeeesmo de ouvir aquele papo todo e aturo bem até o Victor Birner, que embora chamem de chato, me diverte.
E acontece que há dois prêmios diários, no programa: "Troféu Osmar Santos", um prêmio bem bacana, pra quem fez alguma coisa bem legal, nos esportes, e o "Já para o chuveiro", que é uma espécie de "prêmio-castigo", um puxão de orelhas pra quem faz besteiras - imagine quantas vezes Ricardo Teixeira, Eurico Miranda, e outras gentes desse quilate já ganharam!!

Então, houve um tempo em que, no programa, quando não havia ninguém, assim, exatamente, para dar o "Osmar Santos", o Juca dava pro Bernardinho. Mesmo que fosse todo dia, numa seqüência. É. Aí, ele dizia algo do tipo: "A gente pode não saber por que está dando o prêmio pra ele, hoje; mas com certeza hoje ele está fazendo alguma coisa boa por aí". E ninguém duvidava: era sempre um prêmio muito bem dado.

Pois ontem, pelo terceiro dia consecutivo, quem recebeu o "Troféu Osmar Santos" foi o Zé Roberto. E é outro, que vai ficar ganhando o tempo todo. Bernardinho, "hors concours", e agora Zé Roberto. Gente que tem mérito pra receber premiação todo dia!

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Clarice Lispector - a última entrevista - Um post imenso, que vale a leitura

A propósito da exposição "Clarice Lispector - A Hora da estrela", que, enfim, chegou ao Rio de Janeiro, deixo aqui a última entrevista concedida por Clarice, e que mencionei no post de segunda-feira, dividida em cinco vídeos. A entrevista, você sabe, foi concedida sob a condição de só ser exibida depois de sua morte, o que aconteceu meses depois. Ganhou o Prêmio APCA de "Melhor Entrevista do Ano" e é mesmo um primor, um legado.
Há silêncios e pausas que podem ser inquietantes, podem calar fundo, profundos...
Há angústias e uns quase-choros, talvez.

Se antes você quiser ler o depoimento de Júlio Lerner, o entrevistador, e da emoção que tomou conta dele naquele momento único e inesquecível, sente-se e leia. Deleite-se. De certa forma, morra de inveja. Vamos lá?

Relato de Júlio Lerner:
(transcrição)

De minha sala na redação de "Panorama" até o saguão dos estúdios tenho de percorrer cerca de 150 metros. Estou tão aturdido com a possibilidade de entrevistá-la que mal consigo me organizar naquela curta caminhada... Talvez falar sobre A Paixão Segundo G.H... Ou quem sabe A Maçã no Escuro e Perto do Coração Selvagem... Vou recordando o que Clarice escreveu. Será que li tudo? Em apenas cinco minutos consegui um estúdio e uma equipe fora dos horários normais para entrevistá-la. São quatro e quinze da tarde e disponho apenas de meia hora... Às cinco entra ao vivo o programa infantil e quinze minutos antes terei de desocupar o estúdio B...

Estou correndo e antes mesmo de vê-la, a pressão do tempo começa a me massacrar. Não terei condições de preparar nada antes, nem mesmo conversar um pouco. Não poderei sequer tentar criar um clima adequado para a entrevista... Eu odeio a TV brasileira!... Só meia hora para ouvir Clarice... O pessoal da técnica foi novamente generoso e se empenhou para conseguir essa brecha... Olho o relógio, não consigo me organizar, estou correndo, olho novamente o relógio, estou desconcentrado, atinjo o saguão dos estúdios e já a vejo ali, dez metros adiante, Clarice de pé ao lado de uma amiga, perdida no meio de um grande alvoroço...

Paro diante dela, estou um pouco ofegante, estendo-lhe a mão e sou atravessado pelo olhar mais desprotegido que um ser humano pode lançar a um seu semelhante... Ela é frágil, ela é tímida, e eu não tenho condições para lhe explicar que o problema do tempo elevou meus níveis de ansiedade. Clarice me apresenta Olga Borelli (ela não sabe que eu sei, sua melhor amiga), entramos e a conduzo ao centro do pequeno estúdio. Peço para que ela sente numa poltrona de couro de tonalidade café-com-leite. Clarice segura apenas um maço de Hollywood e uma caixa de fósforos, providencio um cinzeiro, os refletores malditos são ligados, Clarice me olha, o setor técnico envia pelos alto-falantes o agudo sinal de mil ciclos, o olhar de Clarice me interroga, só disponho de uma única câmera, o olhar de Clarice suplica, Olga se ajeita numa lateral escurecida, e fica encolhida e calada, o calor está ficando insuportável e o ar condicionado não funciona, está quebrado, chega o aviso que em um minuto o VT já estará ajustado, são quatro e vinte, Clarice tenta me dizer alguma coisa mas não falo com ela, preocupado em ajustar uma questão de iluminação, o hálito da fornalha já nos atinge a todos, devemos ter agora no estúdio uns 50 ou 60 graus, maldita TV, bendita TV do Terceiro Mundo que me possibilita estar agora frente a frente a ela, Clarice me olha, medrosa, assustada e seu olhar me pede para que eu a tranqüilize...

-"Ok, Juliooooo... tudo pronto", a voz metálica vem da caixa dos alto-falantes. Peço a toda a equipe para sair, cabo-man, iluminador, assistente de estúdio, agradeço, Clarice percebe que caiu numa arapuca e já não há como voltar atrás, peço silêncio total e depois de uns dez segundos ecoa um "gravandooooo"...

Silêncio.

Olga e Miriam na parte escura de um dos lados, Moacir escondido atrás da câmera, eu que me posiciono ao lado da câmera para não aparecer, a fim de que o público não descubra minha impiedosa cara-de-pau e ... Clarice. Solitária, no centro do estúdio... Não conversamos antes e disponho apenas de 23 minutos... Estou completamente desconcentrado, fico um longo minuto em silêncio fitando Clarice, estou oco, vazio, não sei o que dizer... Clarice me olha, curiosa mas vigilante, defendida... Sou o senhor do castelo e - prepotente - guardo comigo a chave desta prisão... Ninguém pode entrar ou sair sem meu expresso consentimento. Todos devem se submeter à minha autoritária vontade.

Não sabes, Clarice... Te conheci agora, porém te conheço há muito tempo... Te amo, te respeito e no entanto agora começo a te invadir. A fornalha arde, meu coração dispara, minha boca está seca e debaixo destes tirânicos mil sóis sou o maior dos tiranos. Começa a entrevista [...]

A entrevista avança. Seus olhos azuis-oceânicos revelam solidão e tristeza. Quero mergulhar, por vezes consigo... Clarice agora está encapotada, ela se deixa agarrar mas logo escapa e volta, e me pega, e me sugere o longe e o não-dizível, depois se cala... E quando nada mais espero, ela volta a falar... Faço uma anti-entrevista, pausas, silêncios, Clarice agora está fugindo para uma galáxia inabitada e inatingível, mas volta em seguida e, tolerante, suporta toda a minha limitação.

Acho que ela vai se levantar a qualquer instante e me dizer: "Chega!". Clarice pressente que por trás de meu sorriso aparentemente compreensivo e de minha fala suave esconde-se um ser diabólico autodenominado "repórter" e que quer possuir sua intimidade. Seu corpo exprime receios, ela me afasta, mas de novo me atrai, suas pernas se cruzam e se descruzam sem parar e telegrafam que de repente ela poderá se levantar e partir.

Avanço, invado, penetro, novamente invado e estrategicamente recuo, mais uma vez penetro. E minha tola vaidade de macho sopra ao pé do ouvido para que eu vá em frente, prossiga.

Estou dividido mas prossigo, mandam um sinal que tenho só cinco minutos... Agora quatro... Três... Sou oportunista descarado... Faltam dezessete para as cinco... Sinto que não a verei nunca mais, estou emocionado, mais duas ou três perguntas e a entrevista se encerra com Clarice dizendo: "... bom, agora eu morri... Mas vamos ver se eu renasço de novo. Por enquanto estou morta. Estou falando do meu túmulo..."

Silêncio pesado no estúdio B. Um longo, e triste, e terrível silêncio.
A premonição.
Está encerrada a entrevista.

Clarice se levanta, nada digo, ajudo-a a tirar o microfone de lapela.
Silêncio milenar no estúdio.
Miriam, a estagiária, chora baixinho, Olga está calada, Clarice e eu nos olhamos no fundo dos olhos...





















Se você chegou até aqui, acompanhando tudo, sabe, como eu, que valeu; cada minuto, valeu.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

De dia fico bem, à noite quase morro.
(depois eu explico)

O esperar e o desejar

A propósito de um papo sobre "o pessimismo como filosofia", trocamos algumas idéias, virtualmente, o "Sujeito Oculto" e eu.

Dizia ele:
"Eu acredito no pessimismo como filosofia de vida. Não somente devido à Lei de Murphy, mais do que demonstrada em nosso dia-a-dia, pois esse pessimismo é latente e universal. O pessimismo me faz ter uma visão mais realista das coisas.

Isso pode ser visto como prudência. Sempre que vejo alguém organizando algo grande, penso em tudo o que pode dar errado. Caso a pessoa não se previna (e, em alguns casos, não há como), uma das possibilidades fatalmente acontece.

Entretanto, não foi assim que essa filosofia surgiu. Quando eu era criança, sempre criava grandes expectativas em relação às situações: um presente legal de aniversário, uma garota especial que deveria estar numa festa... normalmente me ferrava. Ganhava uma besteira qualquer e a garota, se ia, estava acompanhada.

Nunca consegui lidar decentemente com a frustração, então decidi não criar mais expectativas. Não consigo tirar lições ou ver o lado bom das coisas à la Poliana, simplesmente aceito o que vier de ruim, pois já é esperado. Ao contrário: depois de uma notícia ruim, costumo esperar corolários piores!

Mas nem tudo é ruim nessa filosofia de vida. A partir do momento que não criamos expectativas, não podemos quebrar a cara. Se eu acho que vou levar um fora e consigo ficar com a garota, a satisfação é dobrada. Se eu ganho um presente que não estava esperando, a surpresa é real. Pessimismo não é mais do que um escudo contra as frustrações que insistem em nos perseguir."

Disse eu:
Eu não chamaria de "pessimismo" a capacidade de não criar expectativas. Aprendi que "expectativas geram frustrações" e, assim, descobri que é melhor apenas desejar que algumas coisas saiam de determinado jeito (não esquecer de trabalhar para isto, é claro); sim, "desejar", o que é diferente de "esperar", "criar expectativas". Caso não aconteçam, simplesmente não aconteceram. Não há frustrações, pois eu não apostei todas as minhas fichas de confiança nisso, nem agi como se fosse a única possibilidade; apenas desejei que fosse de um jeito. Caso aconteçam, é esse lance que você falou: a satisfação é dobrada!
Mas o pessimismo implica em dar por certo que vai dar errado... Isso, realmente, não combina comigo. Prefiro ser Pollyana e jogar o jogo do contente a escavacar tudo até descobrir o pior resultado e acreditar piamente que ele pode, realmente, acontecer. Porque se as energias forem gastas nisso, pode crer na possibilidade ZERO de não acontecer o mau que se previu.

Prudência. Pessimismo não.
Pensar nas possibilidades de erro dos grandes projetos é parte da construção, do aperfeiçoamento da idéia, faz parte da fase de planejamento. Mas esperar o pior?? Não. Eu desejo o melhor. Apenas desejo. Ou melhor, estou aprendendo a ser assim.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

"Quando sou fraco, então é que me faço forte"

Não. O mundo não é cor-de-rosa e eu sei disso. Sorrir é uma opção, não é ignorância a respeito da existência da dor. Tenho nuvens negras e pesadas no meu céu, mas ocorre que eu me recuso a entregar os pontos sem ir até o final do jogo. Já quebrei a cara e a cabeça muitas vezes e em todas elas aprendi que desistir é pior do que perder.

Quem me vê, assim, de fora, não tem idéia... Aparento ser tão forte! e, embora de certa forma eu seja, mesmo, tenho também minha delicadeza, minhas fraquezas, e foi nelas que me fiz forte. Você está no comando de um grupo de pessoas, resolve o problema de uma porção de gente, dá atenção a quem está triste, anima o pessimista, surpreende positivamente quem está melancólico e macambúzio, segura a onda, mantém o sorriso no rosto, mas tem, sim, suas próprias dificuldades, tem, sim, uma certa fragilidade... E é preciso que o mundo saiba disso, pra cuidar de você quando você se encontra ferido. O maior desrespeito à dor do seu próximo é vê-lo ferido e ignorar esse fato. É deixar a ferida cicatrizar sozinha, quando você podia ao menos trocar o curativo...

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Domingo no Centro Cultural - um post para quem gosta de ler

Ontem fui à exposição da Clarice Lispector, no CCBB.
Fiquei aborrecida.
Se é "exposição", tem de estar exposta, não escondida.

Primeiro de tudo: não há nada, na fachada do prédio, que indique que a obra de Clarice está exposta, ali, muito menos por qual período, como sempre costumam fazer.
E então você entra, passa por todo o "hall", no térreo, procura qualquer sinalização e nada!
Dobra à direita, onde ficam as bilheterias e onde são expostos os cartazes dos eventos da temporada. Nada. Absolutamente nada. Chego a pensar que por alguma razão a mostra foi adiada e não estreou no dia 19, terça-feira passada, como anunciado.

Resolvo subir ao 1º andar. Saio do elevador e vejo um grande painel, de uma exposição de telas de um senhor chamado "Paulo alguma coisa". Não me interessava (daí o "alguma coisa"), porque eu queria ver e ler Clarice.

Um livro de visitas. Não assinei. Eu queria a Clarice.

Fiquei ali, pelo corredor, já me dando conta de que, se é que estava ali, estava escondida, e isso era mesmo um absurdo.

Entrei, arriscando, já que não havia jeito, e fui passando direto pelas telas, olhando com cara de pouco caso, porque pra mim elas estavam roubando o lugar da minha escritora querida. Perdão... ela não gostava de ser tida como "escritora". Caminho até o final do salão e me dirijo a um Segurança, uma jovem sentada em sua cadeirinha, tomando conta das obras do "Seu Paulo":

- Onde está a exposição da Clarice Lispector???
- Ah! É por aqui mesmo. Lá no final daquele salão, depois daquela parede, 'tá vendo?
- Sim. Estou vendo o salão e a parede... Mas e o respeito? Não estou vendo... Que falta de respeito é essa com Clarice Lispector?? - eu perguntei educadamente, mas indignada.
Ela respondeu:
- É... 'tá escondida. A gente tem que explicar mesmo, senão as pessoas vão embora.

Isso! As pessoas estão indo embora, você acredita?? Pois é...
Muito revoltada com o descaso, atravessei o salão resmungando, tal qual uma velha rabugenta, me dirigi para o outro, fui atrás do tal salão que ficava atrás da tal parede, e adentrei, enfim, ao maravilhoso mundo das palavras bem ditas, palavras benditas.
Ai, que delícia!

Bem, eu realmente pretendia me deliciar com o que lia e sentia, enquanto estava ali, mas um senhor muito necessitado de aparecer decidiu analisar o cigarro e o comportamento de Clarice Lispector, e começou a "decifrar", com suas duas acompanhantes, a personalidade dela, e discutir se Clarice fumava porque tinha medos, ou porque era solitária, insegura, desandando para uma análise psicológica dos jovens de hoje, os significados do fumar e blá-blá-blá. Totalmente sem-noção, aquela moça, ops!, aquele rapaz, de gestos e voz exagerados, se debatia, falando coisas que não faziam o menor sentido, mas posando de psicanalista, e atrapalhando toda a solenidade do ambiente. A única sonoridade que se buscava, ali, era o eco das palavras escritas e gravadas, na parede, que retumbavam na alma da gente. Mas ele conseguiu me desconcentrar... Não adiantou minha cara feia. Certas espécies de gente são imunes a manifestações discretas de desaprovação. É preciso censurar aberta e claramente, mas como eu não estava ali pra isso, saí daquela sala e me dirigi à seguinte, já dando por certo meu retorno, num outro dia, num dia em que haja a necessária "paz ambiental".

Tendo tomado distância daquele barulho inconveniente, fui passeando pelas salas e me detive naquela em que é reproduzido um vídeo com uma entrevista que Clarice deu à TV Cultura, em 1977, a última que deu, e que deu sob a condição de que só fosse ao ar depois de sua morte. Revejo sempre que posso. Pela entrevista, veio o PRÊMIO APCA - Melhor Entrevista do Ano: Clarice Lispector por Júlio Lerner em Panorama. De repente... quem chega? Pois é: o joão-comentarista-psicólogo-clodovil-fuxiqueiro-psicanalista-canabrava-sem-noção. Quando viu um cigarro na mão da entrevistada e começou novamente a mesma ladainha... eu não me agüentei. Fiz um "Pssssssiu!!!!" tão enfático, que ele, um pouco sem-graça e muito contrariado, me olhou, bem como as duas senhoras que o acompanhavam, tratando de se recolher ao cantinho da parede e ficar quietinho. Ora, a mulher já falava um Português enrolado, o vídeo é antigo, a sala pequena, emoção pura, as pessoas em silêncio sepulcral, pra beber as palavras... e ele ali, jorrando as dele, em profusão, molhando a gente! Quanta inconveniência!

Segui para a penúltima sala. Quatro paredes formadas por duas mil gavetas, onde 65 delas podem ser abertas. Lá dentro, cartas manuscritas, exemplares de livros que escreveu, de outros, que ganhou, com dedicatórias assinadas por Érico Veríssimo, C. Drummond, Antônio Callado... Fotografias, com Tom Jobim, Oscar Niemeyer, M. Scliar, Milton Nascimento... Um sonho!

M. encontrou uma das duas cartas que ela escreveu ao Presidente Getúlio Vargas, na qual pede a cidadania brasileira, requerendo que o prazo exigido, de um ano, fosse desconsiderado, no seu caso, e explicando por que. Muito linda, a carta. Muito intensa.

Ao meu lado, mexendo numa outra gaveta, Thiago Lacerda, que assinou o livro de visitas umas dez linhas antes de mim e tem uma letrinha muito bonita - minha mãe sempre o achou muito lindo, e eu discordava, dizendo que era muito cabeçudo, cabeça desproporcional ao restante do corpo. Vi de pertinho, ali do lado. Cabeçuda sou eu, que não acreditei na minha mãe. Ele é lindo, sim, pode acreditar na mamãe. E a gente, que pensa que os atores bonitinhos só se preocupam com a beleza do corpo... Lá estava ele, bebendo da água que embeleza a alma e fortalece a mente. Uma simpatia, aceitou tirar um tantão de fotos, na saída do prédio, com fãs que tinham vindo de algum lugar distante do Brasil para um outro evento que também acontecia no CCBB, o Festival do Folclore Brasileiro. Muito gentil, não posou de estrela.

A última sala é a que apresenta aparelhos de tv ligados, com vídeos de "pessoas comuns" lendo trechos de livros de Clarice. Pendurados, pela sala, diversos exemplares de variados títulos, e no chão, banquinhos rústicos de madeira, onde você pode sentar e ler, ou apenas acompanhar a leitura na tv.

Lembro que numa das primeiras salas as paredes são todas de gesso, com textos de Clarice gravados em baixo relevo, vazados.
Lembro também que M. imaginou uma parede dessas em casa e eu viajei na idéia! É. Viajei! Pensei no meu quarto, no escritório... Na sala?! Fiquei ali imaginando que tipo de letra, que cor, se gesso branco ou colorido. Existirá colorido? Fiquei ali, viajando... quando me dei conta: difícil vai ser escolher que trechos gravar na parede...

domingo, 24 de agosto de 2008

Resposta ao tempo

Algumas canções dizem mais do que pretendem dizer.
Quarta-feira passada eu descobri alguma coisa que muito me emocionou, nesta música.



Resposta ao Tempo
Nana Caymmi

Batidas na porta da frente
É o tempo
Eu bebo um pouquinho
Prá ter argumento

Mas fico sem jeito
Calado, ele ri
Ele zomba
Do quanto eu chorei
Porque sabe passar
E eu não sei

Num dia azul de verão
Sinto o vento
Há folhas no meu coração
É o tempo

Recordo um amor que perdi
Ele ri
Diz que somos iguais
Se eu notei
Pois não sabe ficar
E eu também não sei

E gira em volta de mim
Sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
Sozinhos

Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto

E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Prá tentar reviver

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer

sábado, 23 de agosto de 2008

Feliz Sábado!!!

"É fácil tomar a decisão certa quando você conhece os seus valores."
(Campanha Publicitária dos Jovens Adventistas do 7º Dia)



Eu estava de frente à tv, outro dia, quando foi veiculada essa campanha, que me impressionou, porque hoje não se fala mais nisso...
Valores, que têm a ver com princípios.
Sabe, quando eu era garota, era bastante comum ouvir alguém dizer que não queria ou não fazia determinada coisa, e a seguir completar: "é uma questão de princípios". Hoje, os valores que valem são a grana, o "status", o tamanho da casa, o tipo do carro; valores são inversamente proporcionais, em sua importância, às vantagens que se pode conseguir se forem esquecidos. Não há dúvida: "É fácil tomar a decisão certa quando você conhece os seus valores."
"Crianças vêem, crianças fazem", lembra? E que valores temos apresentado a elas? Que adultos se tornarão? Que espécie de adulto nós nos tornamos? Que valores ainda cultivamos? E de quais precisamos nos lembrar??
Há sempre muitos caminhos, pra seguir. Há decisões a tomar a cada instante, na vida, das coisas mais simples, como "devo beber esse refrigerante?", àquelas mais complexas: "devo me calar?"...
E é sempre mais fácil tomar a decisão acertada quando eu conheço os meus valores.

Feliz Sábado!!

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Quando a Itália joga bonito

Não, não estou falando de torsões, contusões, e tal.
Estou falando de Hristo Zlatanov, o moço da camisa 11.



Hristo Zlatanov

Vai me dizer que você não chorou?


Maurren H. Maggi - a superação.

imagens da globo.com

Quer saber...?

Eu me apaixonei por ele!

Usain Bolt, o jamaicano que levou tudo tão a sério, que pôde brincar!

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Pra fechar a série

Estavam perdidos na floresta um hindu, um judeu e um argentino. Ao cair da tarde os três encontraram uma casinha modesta perdida por ali. Aproximaram-se e bateram à porta. Atendeu um senhor de certa idade:
- Pois não?
O judeu, adiantando-se começou a explicar o caso:
- Sabe o que é: estamos perdidos e a noite está caindo! Seria possível passarmos a noite por aqui e de manhã continuamos a procurar a saída desta floresta?
O senhor respondeu:
- Tudo bem! Só tem um problema: o espaço aqui na casa só da para dois. Algum de vocês terá que dormir no celeiro.
O hindu se prontificou:
- Eu vou. Não há problema algum.
E foi-se. E os outros entraram... Daí a dez minutos:
- Toc! Toc! Toc!- Batem à porta. Foram atender e encontraram o hindu:
- Sabe o que é: não haveria nenhum problema em eu dormir no celeiro, mas é que lá há uma vaca que para mim é um animal sagrado. Eu não posso dividir o mesmo local com a vaca, pois considero isto um desrespeito.
O judeu se prontificou:
- Tudo bem! Eu vou dormir no celeiro.
E foi-se. E os outros entraram... Daí a dez minutos:
- Toc! Toc! Toc! - Batem à porta. Foram atender e encontraram o judeu:
- Sabe o que é: não haveria nenhum problema em eu dormir no celeiro, mas é que lá há um porco que para mim é um animal impuro. Eu não posso dividir o mesmo local com o porco, pois considero isso um desrespeito às minhas convicções.
O argentino se prontificou:
- Tudo bem! Eu vou dormir no celeiro.
E foi-se. E os outros entraram... Daí a dez minutos:
- Toc! Toc! Toc! - Batem à porta.
Eram o porco e a vaca!

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Até o Beckham passa pelo que vocês, meninos, passam.






No words.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Olha o Phelps de "baby look"


Olha que fofo!!!

Deu no jornal

“Não estou drogada”, disse a moça durante show.

A criatura fez duas apresentações no "V Festival", em Sttafford e Chelmsford, na Inglaterra, neste último fim-de-semana (dias 16 e 17 de agosto). No sábado, gaguejou no palco, esqueceu letra de música, e em vez de cantar ficava resmungando. Resolveu, então, cantar u'a música pro marido, que está preso, e então o povo começou a vaiar.
Bastou. Ela respondeu, lá de cima:
- “Vocês são uns tolos. Não estou drogada, não estou drogada!”.
É claro que o jornal publicou "Vocês são uns tolos...", mas eu duvido que tenha sido exatamente "tolos", o que ela disse...

Pálida (foto da esquerda) e com a pele acabada, no sábado, deu um jeitinho no domingo (foto da direita) e apareceu maquiada, pra melhorar a imagem. Mas não durou. Ao deixar o palco, foi flagrada fazendo caras e bocas, de dor, enquanto voltava pro carro.

Eu me pego pensando nisso tudo e não sei se tenho compaixão ou se me revolto... Tenho mais compaixão dela e do espectro de gente que ela se tornou, ou me revolto pela insistência da moça em passar pela vida e não viver? Tenho mais compaixão de quem paga um ingresso para vê-la numa exibição de degradação ou me revolto porque são esses, em parte, incentivadores dessa conduta temerária da garota, já que a esta altura das coisas vão ali muito mais pra ver o que ela vai aprontar do que pra ouvir sua música?
Não sei o que sinto, nem em que proporção.
Mas não sinto inveja dessa gente.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Manchete de jornal





Vai me dizer que você não imaginou um homem caminhando com seus dois pés de maconha pelas ruas do Norte Fluminense e a Polícia prendendo o pobre coitado??

domingo, 17 de agosto de 2008

Rafael Nadal

Que tanto ele puxava aquela cueca, hein??
Caramba!!

Machado de Assis


O CCBB é um dos espaços culturais mais bacanas, do Rio.

Além da esperadíssima exposição "Clarice Lispector - A Hora da Estrela", que rola a partir da próxima terça-feira, dia 19 de agosto, o Centro Cultural está trazendo também, até dezembro, toda primeira terça-feira do mês, às 18h30min, um ciclo de palestras sobre a vida e a obra de Machado de Assis - um evento que marca o centenário da morte do escritor, tido como o maior autor brasileiro de todos os tempos.

Veja a programação:
02/09 - Machado de Assis, um gênio brasileiro
Palestrante: Daniel Piza
07/10 - Machado de Assis: duas visões
Palestrantes: José Mindlin e Alberto da Costa e Silva
04/11 - O olhar de Bento a Casmurro
Palestrante: Antonio Quinet
02/12 - Toda poesia de Machado de Assis
Palestrante: Cláudio Murilo Leal


Clarice e Machado de Assis, com entrada franca. Mas o pessoal prefere pagar R$ 22,00 num Cinemark da vida, pra ver filme americano...

sábado, 16 de agosto de 2008

Feliz Sábado!!

Pois é... Sorria!!
Você está num sábado!

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Preguicenta que só!

Preguiça total. De pensar, de trabalhar, de escrever, de ler... Pre-gui-ça. Muita.
Estou "rápida-mente"; quero dizer: minha mente tem trabalhado muito mais rápido que qualquer outra parte do meu corpo, e isso me faz desistir de materializar qualquer coisa antes mesmo de começar, porque já cansei. Não sei explicar. Na verdade, acho que sei. Só estou cansada pra tentar.

Motivos para comemorar e agradecer

O bom de tudo é isto: entrar e sair daquela sala com a certeza de que tudo dará certo.
Mas o melhor de tudo é perceber que... sim!, deu mesmo!!

"Agora é hora de alegria, vamos sorrir e cantar..."
Hora de agradecer aos amigos queridos que se uniram numa imensa corrente de oração, uma corrente do bem, uma corrente de fé. E louvar ao sábio Deus que dá sabedoria aos cirurgiões e anestesistas para operarem pequenos milagres que Ele prefere não assinar.
Minha maninha já está em casa, mas vocês sabem que qualquer pós-operatório é delicado. Então, quem quiser fazer parte da corrente, pode vir, ainda é tempo!

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

O máximo da precaução ou uma questão de experiência??

Linha Manteiga de Karité da África.
Hidratante para o corpo.
Um produto da Avon. Promoção. De R$ 28,00 por R$ 19,90.
Está lá, na revistinha, página 47.


Agora repare o alerta, embaixo da propaganda!!


kkkkkkkkkkkkkkkk

Jura que é preciso avisar???

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Made in China


Você imaginaria que eles trocariam o original por uma cópia??
Pois é...
Mille & Vanille made in China.
A menina bonitinha (Lin Miaoke) dublou a cantora (Yang Paiyi), que tem os dentinhos tortos e não foi aprovada pelo Comitê Organizador.
E pode????

Obs.
Também se diz por aí que a cerimônia transmitida "ao vivo" teve imagens de fogos gravadas e exibidas como se fossem em tempo real...


Ai, esses chineses... agora falsificam cerimônia de abertura de Jogos Olímpicos??
Caraca!!

Enquanto isso...


Enquanto Brasil e Portugal não se destacam na competição, com medalhas, o jeito é dar ênfase ao papo dos "assuntos pessoais pendentes".
A repercussão já vai pro terceiro dia!
Um mico, mesmo.
(imagem do Globo Esporte)

Hipótese - Carlos Drummond de Andrade




"E se Deus é canhoto
e criou com a mão esquerda?
Isso explica, talvez,
as coisas deste mundo."

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Quando a vida imita a arte

Não se pode dizer que foi uma idéia original.
Mas deve ter sido igualmente divertido, repetir a brincadeira vista em "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain"



O mais legal: o anãozinho foi devolvido juntamente com um álbum de fotografias das viagens!
hohohohoho!!!

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

A$ $urpre$a$ que a Diretoria do Flamengo apronta!

É esse senhor quem vem compor o ataque do Flamengo, depois que a diretoria de$pedaçou o time quando estávamos na liderança do campeonato Brasileiro? Tomara que eu morda a minha língua, mas esse jovem de 33 anos cujo último título que ajudou a conquistar foi em 2002, na tal de "Copa da Liga Alemã"... Tsssss...

E o Felipe?? Que fique onde está! Faz tanta falta ao Flamengo quanto um poste no meio do campo.

E pra terminar, tá na hora de dar um corretivo no Ibson, pra parar de palhaçada...Que palhaçadinha foi aquela de impedir o Jaílton de comemorar o gol com a torcida??
Olha só, quem encontrar com esse garoto na rua, pode dar um "Pedala Robinho" nele, com gosto, e pôr na minha conta!

domingo, 10 de agosto de 2008

Pelo dia de hoje e por todos os outros

Mark Twain conta que aos 14 anos de idade achava seu pai tão ignorante que nem sequer conseguia suportar sua presença. E diz: "Quando fiz 21, fiquei atônito ao perceber o quanto ele havia aprendido em sete anos!"

Acho que não preciso dizer mais nada...

Feliz Dia dos Pais!!

sábado, 9 de agosto de 2008

Feliz Sábado!!


Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
Ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
Garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
(...)
É feia. Mas é realmente uma flor.

A Flor e a Náusea - de Carlos Drummond de Andrade
in A Rosa do Povo

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Olimpíadas em Pequim

A abertura dos Jogos Olímpicos está sendo um show!!

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Já que o Francis diz que não sabe o que é TPM...

TPM. Há sempre uma definição muito própria para o seu caso específico:


- Todos os Problemas Misturados
- Tendências a Pontapés e Murros
- Temporada Proibida para Machos
- Toda Paixão Morre
- Tô P. Merrrrrrmo
- Tocou, Perguntou, Morreu
- Tente no Próximo Mês
- Tô Pirada Merrrrrrmo
- Tempo Para Meditação
- Totalmente Pirada e Maluca
- Tendência Para Matar
- Tira as Patas, Moleque

Pequeno Manual de Segurança para Homens

Sim, ela está com TPM.
Como sobreviver a uma mulher com TPM??
Este manual é bastante conhecido de alguns, mas não custa nada republicar aqui, em benefício de quem nunca o leu. Bem, a idéia é: memorize para sua própria segurança. Afinal, há certos procedimentos, perguntas e comentários que podem ser perigosos. Opte por um outro, que seja seguro, ou, melhor, seguríssimo, ou ultra-seguro!

Vamos lá:

PERIGOSO: O que tem pro jantar?
SEGURO: Posso te ajudar com o jantar?
SEGURÍSSIMO: Onde você quer ir pra jantar?
ULTRA-SEGURO: Aqui, come esse chocolate.

PERIGOSO: Você vai vestir ISSO?
SEGURO: Nossa, você fica bem de marrom!
SEGURÍSSIMO: Uau! Tá uma gata!
ULTRA-SEGURO: Aqui, come esse chocolate.

PERIGOSO: Tá nervosa por quê?
SEGURO: Será que não estamos exagerando?
SEGURÍSSIMO: Vem, deixa eu te fazer um carinho...
ULTRA-SEGURO: Aqui, come esse chocolate.

PERIGOSO: Será que você devia comer isso?
SEGURO: Sabe, ainda tem bastante maçã.
SEGURÍSSIMO: Quer um copo de vinho pra acompanhar?
ULTRA-SEGURO: Aqui, come esse chocolate.

PERIGOSO: O que você fez o dia todo?
SEGURO: Espero que você não tenha trabalhado demais hoje.
SEGURÍSSIMO: Adoro quando você usa esse robe!
ULTRA-SEGURO: Come mais um pouco de chocolate.

Você sabe como eu detesto "correntes"; mas se é uma questão de salvar vítimas de nossas delicadas transformações em época de TPM... Eu adoto o famigerado "Passe adiante!"

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

E por falar em Tevez, Argentina...

Pois é. Por falar em Tevez, Argentina e tal, lembrei das primeiras lições de Psicologia, na faculdade: "O que é o ego?"

R: O pequeno argentino que vive dentro de cada um de nós.

Hohohoho!!

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Por e-mail

Estavam reunidos o Pequeno Polegar, a Branca de Neve e o Corcunda de Notredame, na Disney, jogando conversa fora...

Aí, o Polegar disse:
- "Eu sou o menor homem do mundo!!!"
A Branca de Neve revidou:
- "Sou a mais bela do mundo!!!"
E o Corcunda fnalizou:
- "Sou o homem mais feio do planeta!!!"

Mas eles queriam que isso fosse comprovado...
Pegaram o GuinessBook. O Polegar abriu na página 73... e realmente estava lá:
"Polegar, O Menor Homem Do Mundo."
Todos ficaram impressionados!

A bela morena pegou o livro, abriu na página 97, e estava lá escrito:
"Branca de Neve, a mulher mais bela do planeta Terra."
- "OOOOOOOHHHHHHHH!!!"
Todos ficaram impressionados!

Por último, o Corcunda de Notredame pegou o livro, abriu na página 176...
Depois de alguns minutos de silêncio, o Corcunda gritou:
- "TEVEZ ?!?!... QUEM É TEVEZ ??!!!"

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Despedida - por Antônio Maria (excerto)

"Permite que eu deseje, agora, tomado e vencido pelas urgências que de mim exigem, um canto de sono e preguiça onde ainda não se tenham inventado o telefone e o relógio...
Por isso e pela descrença que em meu espírito se acentua, permite que eu deseje ser só — ou teu somente — num lugar do mundo onde os gritos não tenham eco, onde a inveja não ameace, onde as coisas do amor aconteçam sem testemunhas. Livrem-me da pressa, das datas, dos salários e das dívidas e a todos serei agradecido, num verso submisso. Livrem-me de mim, de uma certa insaciabilidade que apavora e de todos serei escravo numa humilde canção. Permite que eu só queira, agora, esse canto de sono e preguiça, onde não necessite dos atletas, onde o céu possa ser céu sem urubus e aviões, onde as árvores sejam desnecessárias, porque os pássaros se sintam bem em cantar e dormir em nossos ombros."
31/05/1963

Texto extraído do livro "Com Vocês, Antônio Maria",
Editora Paz e Terra - Rio de Janeiro, 1964, pág. 225.

domingo, 3 de agosto de 2008

Ahahahahaha!!!

A criatura precisou ir ao Google, pra me achar...
E vejam vocês o critério da busca: "suzi ballack meu bem"
Hohohohoho!!!


Agora é só colocar no "Favoritos", pra não me perder mais!

p.s.
Ballack-meu-bem manda beijos.

Das coisas incríveis

Você, de repente, sente uma saudade tremenda de certas pessoas queridas. Tremenda!
Sexta-feira à noite. Você tenta ligar apenas para dizer que sente saudades e desejar um sábado feliz.
A gravação diz que sua ligação não pode ser completada.
Você se sente frustrado, e ainda com saudades, tenta mais umas dez vezes, em vão.
Na manhã de sábado... aquelas pessoas batem à sua porta, de surpresa.
Coincidências não existem...
Eu acredito em presentes de Deus.

sábado, 2 de agosto de 2008

Feliz Sábado!!

Pouco importa quão intangíveis pareçam os sonhos, não importa a distância havida entre mim e aquilo que pretendo alcançar, nada importa o demasiado esforço que se me impõe para atingir u'a meta. O que conta é a disciplina, o empenho e a determinação. Não existe segredo. O que se exige de mim é trabalho e dedicação.
Sonho com dias felizes, e trabalho para que todo dia seja a renovação de cada sábado feliz que tenho vivido semana após semana.

É a história de pegar os pincéis e pintar seu céu de azul, seu arco-íris, seu mar, seu paraíso... e viver nele.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Ai, a saudade...

"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."
Clarice Lispector