sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Sexta-feira véspera de sábado


"Hoje é sexta-feira, semana praticamente encerrada" - daqui a dez minutos o Sardenberg manda o mantra das sextas-feiras...


Sexta-feira cedo. Céu nublado. Muitas nuvens baixas. Baixas e escuras.
Boa notícia na sexta: a partir de sábado, volta o sol ao Rio de Janeiro.
Sexta-feira no trabalho. O bom é que posso usar jeans às sextas. E uma calça jeans é uma calça jeans, ora!
Calça jeans, flores no bolso e a marca do amor. Falta um violão e carona na estrada. Coisas que os filmes fazem parecer tradução de liberdade.
Sexta-feira, véspera de sábado. O melhor de tudo é isso mesmo: vem aí mais um sábado feliz!!

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

FELIZ ANIVERSÁRIO, Vinicius de Moraes!!


Se estivesse vivo, VINICIUS DE MORAES estaria completando HOJE 93 anos, você sabia?
Pois é. Em sua homenagem, Carol Saboya, no bis, cantou "Estrada Branca", obra do poeta em parceria com Tom, em 1958. A letra e a melodia são puro sentimento. E o final... aquele misto de tristeza e amor, ou saudade ou desencanto.

Carol Saboya cantou na Sala Funarte, hoje. Uma bela menina carioca, que tem quatro CDs lançados no Brasil, dois no Japão e prêmio de melhor intérprete na Espanha. O show foi de bossa nova. Tem um sorriso doce, quando canta, uma voz carinhosa, e sua interpretação em algumas bossas foi de arrancar aplausos efusivos da platéia. Repete amanhã. Preços mais que populares. Música da mais alta qualidade. No bis, ela sentou-se ao piano e tocou, para cantar-nos Vinicius. E então foi a vez de Vinicius ser aplaudido reverentemente.


"Estrada branca / Lua branca / Noite alta / Tua falta caminhando / Caminhando / Caminhando / Ao lado meu / Uma saudade / Uma vontade / Tão doída / De uma vida / Vida que morreu

Estrada passarada / Noite clara / Meu caminho é tão sozinho / Tão sozinho / A percorrer / Que mesmo andando / Para a frente / Olhando a lua tristemente / Quanto mais ando / Mais estou perto / De você

Se em vez de noite / Fosse dia / O sol brilhasse / E a poesia / Em vez de triste / Fosse alegre / De partir / Se em vez de eu ver / Só minha sombra / Nessa estrada / Eu visse ao longo / Dessa estrada / Uma outra sombra / A me seguir

Mas a verdade / É que a cidade / Ficou longe, ficou longe / Na cidade / Se deixou meu bem-querer / Eu vou sozinho sem carinho / Vou caminhando meu caminho / Vou caminhando com vontade de morrer."


Sala Funarte Sidney Miller - Rua da Imprensa, 16 - Centro - RJ - Classificação etária: livre
Horário: 18h30min - Ingresso: R$ 5 e R$ 2 (meia-entrada)
Informações pelo telefone: (21) 2240-5151

Futebol

Na segunda-feira eu soube, pelo Raí, que os ingressos para o jogo do Chelsea (do maridinho alemão) contra o Barcelona do Ronaldinho Gaúcho já estão esgotados há dois meses!!!
Pasme!

Acordei cedo demais...

Por conta das quase-férias, uma das seções represou os processos que deveriam vir pra mim, aguardando nosso retorno. Não deviam ter feito isso... A uma, porque não pedimos; a duas, porque eu fui trabalhar alguns dias e poderia ter deixado tudo pronto; a três, porque eu poderia, assim, ter saído de lá, ontem, com tudo em ordem, não fosse eles chegarem às três e meia da tarde com uns 40 ou 50 processos pra despacho e decisão. Frase feita, mas perfeita: "ninguém merece..."

Resultado disso é que hoje vou pra lá "de madrugada", dar um jeito naquilo.
E que, passada a madrugada, o dia seja bom! E se não for, tudo bem. À noite tem boa música pra ser bem ouvida; em muito boa companhia.
Como diria Mosana... Issaê!!


Realmente eu queria sair da cama desse jeito. Queria mesmo!
Cheeeeeia de disposição. Mas eu, definitivamente, não nasci pra isso...

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

Ponto de vista

"Não dê muito valor ao que faz e escreve. Pois a realidade nos desborda por todos os lados. E nosso ponto de vista é apenas a vista de nosso ponto. E há mil pontos diferentes que permitem outras vistas."

(Leonardo Boff, in "Deve Ser Bom Ser Você", de Sidney Rezende )

Mario Quintana

Hoje, no Rio, chove como em São Paulo. Garoa.
Não é muito comum chover assim por aqui. Acho que o Rio, como eu, é muito intenso. Muito sol, muita chuva. Sempre muito. Talvez por isso eu ache muito despropositado esse meio termo - hoje está meio calor, hoje está meio frio... No Rio, parece que não há meio termo; e quando há, a gente diz que o Rio não tá com cara de Rio. Como nos dias cinzas. Como quem vai à praia de manhã e volta meia hora depois. Como beber água de coco e não pedir pra abrir o coco pra comer a parte de dentro. Como estar na fila do banco, entrar mudo e sair calado. Não; a gente faz amigo na fila do banco. Se não faz, as coisas ficaram pela metade; a gente só pagou a conta. Isso não é Rio de Janeiro. É meio estranho. E meio estranho é um meio termo... Nem assusta nem encanta. Coisas "mais ou menos" quase acontecem. E quase sempre isso é um quase-nada. Por isso não funcionam. Então, chuvinha pouca é bobagem... Por isso gosto das chuvas de verão.

Havia um poema do Quintana que falava da chuva de um jeito tão doce e ao mesmo tempo tão melancólico... E eu, quando o li pela primeira vez, imaginei a chuva caindo - não uma chuva fraquinha como a de agora, mas torrencial - a chuva caindo e ele escrevendo com letras trêmulas; não sei se Mario Quintana tinha a letra trêmula, mas era assim na minha imaginação ele escrevendo aquilo. Trêmulas, talvez, de saudades, porque se pode tremer de saudades como se treme de frio, de febre. E Quintana, depois de três linhas de letras trêmulas e sentimentais, colocando a caneta de lado, recostando-se na poltrona e esticando as pernas pra frente, apoiaria as mãos, cruzadas, por trás da cabeça, e num suspiro profundo repetiria as palavras que haviam saído de dentro dele, anotadas no papel. Faria isso umas três vezes, essa repetição, como se não acreditasse que fosse mesmo assim, mas já se dando conta do inevitável: há chuva, há poemas que por acaso eu escrevo; há o passado, a saudade, o que foi, o que vem, há tantas coisas como há tanta chuva!
E então, depois de olhar a janela molhada, escorrendo água, pegaria seus óculos, retomaria a caneta e escreveria, então, por acaso, um poema. Do século XVIII.


Sempre que chove
Tudo faz tanto tempo...
E qualquer poema que acaso eu escreva
Vem sempre datado de 1779!

(Mario Quintana in "Preparativos de Viagem")


terça-feira, 17 de outubro de 2006

Sem perder a poesia

A febre, praticamente, passou; mas o corpo ainda está meio fraquinho...
Obrigada por se preocuparem!
Logo, logo, voltarei a visitá-los, também. O retorno ao trabalho foi puxado e a febre tem me deixado cansadinha.

Mas pra não perder a poesia...
Eu, que queimava em febre, já agora "me queimo em sonhos, tocando estrelas." (Hilda Hilst)
"Dorme. Para que o poema aconteça." (Hilda Hilst)

Incompatibilidades

Quinta-feira eu fui à praia. Muitas cenas. Cenas bacanas e outras nem tanto.
Andei pensando...
Não sei por que as pessoas vão à praia e então brigam.
Eu, se vou à praia, só quero a beleza; vou para o sol, para o céu; quero ver a natureza, o mar, e gaivotas se tiver um pouco de sorte; vou ler, sorrir, amar. Se eu fosse um marido, não quereria mulher que brigasse comigo. Menos ainda na praia. Mulher que briga na praia é desprovida de delicadeza, que é uma virtude imprescindível. Mulher que faz cara feia porque o marido pediu logo cedo uma barraca para protegê-la do sol... Francamente! E ela branquinha, tadinha... Mas enfezada. Alma cinzenta, num corpo brancacento. Destoando de tudo. Mulher que levanta a cadeira da areia e, malcriada, vai colocando mais pra lá, afundando-a grosseiramente no chão fofinho da praia, não sabe que na areia não se joga nada. Ali se pisa macio, estende-se a canga delicadamente, se for o caso, e põe-se a cadeira, empurrando-a com firmeza, "pero sin perder la ternura jamás!". É um ritual. Deve-se respeitar o ambiente inteiro. Porque na areia não se joga nada. Nem ira nem lixo - que, no fundo, são a mesma coisa.

Dezessete de outubro

Hoje amanheci com a música na cabeça. Lembrei dele cantando "Eu conheço alguém".
Tinha uma voz maravilhosa.
Cantava sorrindo e nas gravações sempre nos fazia (sor)rir.
Tinha um jeito doce de cantar e tocava violão.
Depois que ficou grande, cuidava do coração de seus pacientes. E, pelo que sei, não era um médico ortodoxo.
Era um garoto divertido, desde os tempos da escola.
É...
acho que ele vai nos fazer rir no céu, também.
Saudades, amigo querido!!

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

E foi assim

Meus queridos amigos,

Quanta força recebi de vocês para esse recomeço! Os comentários no post da manhã (só agora lidos) foram energizantes, carinhosos e adoráveis. E acho que surtiram o efeito desejado! Fui bastante produtiva e o que ficou pra amanhã ficou bem organizado (odeio deixar minha mesa bagunçada; tudo o que sobra pro dia seguinte tem de ficar identificado, com bilhetinhos tipo plaquinhas - lembram dos sapatos no armário??? pois é... ahahahaha!!!)

Bem, o dia foi maior do que eu pensava, porque o relógio do computador estava adaptado para o horário brasileiro de verão que, a rigor, deveria começar hoje, em plena Primavera (é assim mesmo, queridos amigos d'além mar). Mas a turma do windows e de uma certa prestadora de serviços de telefonia fixa não lembrou que, por conta das urnas eletrônicas, o começo do horário de verão foi adiado para depois das eleições, dia 5 de novembro. Então, o dia foi mais longo porque às quatro horas da tarde eu descobri que ainda eram três... E, confesso, foi uma decepção!

Enfim, sobrevivi. Mas no final da tarde (e isso não é brincadeira) eu me sentia com febre... meus olhos queimavam e eu senti um certo mal-estar. Será que adoeci?? Seria uma certa emoção??
Vou cuidar disso, porque o termômetro acusa 37,4°
Se para a maioria das gentes isso não é febre, conhecendo meu corpo sinto informar que a partir de 37,1° já entro em estado febril...
Boa noite.


Hoje é o dia


"Quase-férias" terminadas, o sol típico do verão já esquenta desde as sete da manhã, despeço-me da areia - onde estive algumas poucas vezes, nos últimos dias, bem longe da freqüência com que gostaria de ter estado por lá - e volto para as paredes cinzas, e para as capas coloridas de processo. Quem me dera cada uma delas tivesse, assim, muitas cores, ou que fosse uma só, mesmo, só que viva, alegre! Mas a que é rosa, é toda rosa-desbotado; a azul é azul clarinho e nem em sonhos lembra o céu do Rio; a que é amarelo por dentro, é amarelo tão fraquinho, tipo suco de caju e não de manga, e por fora é verde, mas não é verde-bandeira - é desbotado também; tem os de capa bege e esses são, geralmente, os maiores e mais pesados, com vários volumes, algumas vezes 19, 20, coisa desse tipo, e cada volume, você sabe, tem 200 folhas... Os de capa branca têm um branco que é encardido e nem parece nuvem; e, pasme!, de vez em quando aparecem os processos de capa cinza! Esses são terríveis... Talvez os mais terríveis, porque nada que, entre a ausência total de cor (preto) e a junção de todas as outras (branco), prefere ficar com o cinza, pode ser bacana.

Bem, sem lamentos, sem lamúrias, tudo hoje recomeça. Porque a vida é assim. Um (e)terno recomeço, todos os dias. E em alguns deles recomeçamos a trabalhar.
Na verdade, eu agradeço a Deus. Pois existem milhões de desempregados no mundo que dariam tudo para estar no meu lugar.
Bom dia!!

domingo, 15 de outubro de 2006

Vinicius de Moraes


... Senão é como amar uma mulher só linda / E daí? Uma mulher tem que ter / Qualquer coisa além de beleza / Qualquer coisa de triste / Qualquer coisa que chora / Qualquer coisa que sente saudade / Um molejo de amor machucado / Uma beleza que vem da tristeza / De se saber mulher / Feita apenas para amar / Para sofrer pelo seu amor / E pra ser só perdão.

Esperança

Eu tinha meus alunos, no "Jardim da Infância". Eram deliciosas, as nossas conversas. Gosto de lembrar que eles me chamavam de professora, não de "tia". Sempre achei mais sonoro, muito mais belo, aquelas coisinhas pequeninas falando "professoooora..."
Tia todo mundo era - na rua, em casa, tirando a mãe, é claro. Mas professora? Primeira professora? Com muito orgulho, a única professora era eu. E era numa espécie de encanto e doçura que eles me chamavam e eu lhes dava atenção. Era uma admiração e um respeito mútuos, de quem ora ensina, ora aprende, e torna a ensinar e volta a aprender, continuamente.

" - Bebeto, o que é esperança, hein?
- (risos) Professora... - dizia, como se não fosse crível professora não saber tamanha obviedade - esperança é um bichinho verde que vem e pousa na gente. Mas pode ser no coração também."



Feliz Dia dos Professores!
Especialmente para S., que está alfabetizando Dayse.

sábado, 14 de outubro de 2006

Rubem Alves - fragmento

"Quando se sabe pouco se imagina muito", disse o Rubem Alves.

Porque hoje é sábado

... O que te escrevo continua. O que é bom, muito bom. O melhor ainda não foi escrito. O melhor está nas entrelinhas.
Hoje é sábado e é feito do mais puro ar, apenas ar.
...
Vou parar porque é sábado.
Continua sábado.

(Clarice Lispector in "Água Viva")

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Onde eu moraria

Eu moraria numa rua quieta, pequena, desde que houvesse árvores e muita grama. Nessa rua deveriam acontecer grandes coisas.
Haveria de ter um sobrado, de onde se pudesse ver o nascer e o pôr-do-sol, isto se o vizinho gentilmente fosse de nos convidar para um sarau na varanda.
Haveria de ter, ainda, um canteiro com flores que abrissem nas quatro estações, mas que na primavera se multiplicassem, colorida, imensa e inexplicavelmente.
Eu viveria numa rua assim, onde acontecessem misteriosos encontros, fortuitos, beijos roubados, abraços demorados.
Numa rua onde de vez em quando se ouvisse o choro de uma criança e freqüentemente suas risadas, mas que houvesse silêncio quando outras coisas estivessem acontecendo.
Eu moraria numa rua onde se pudesse abraçar uma árvore e isso já fosse, por si só, um grande acontecimento; e que, em seguida, para completar o que já era perfeito, surgisse um abraço para abraçar-se ao meu.
E então eu viveria na Rua das Acontecências.

Bundesliga

O alemão Miroslav Klose foi eleito pelo sindicato de jogadores profissionais da Alemanha o melhor jogador da Bundesliga na temporada passada. Bateu Michael Ballack e ficou com o título (64% x 4,5%) .
Mas também, com esse nome... "Bundesliga"! Vamos combinar que eu não queria mesmo esse título aqui em casa!!

No Leblon da novela das oito

Quinta-feira.
Um chá no Cafeína às cinco da tarde. Amigas que se (re)encontram, outras que se (re)conhecem. Risos e sorrisos, gargalhadas e abraços, histórias sem-fim a serem contadas e ouvidas. Páginas da Vida. Páginas da Nossa Vida.

E lá estávamos nós, com livro de poesia na mesa, Clarice na ponta da língua, e muito papo. Seu Maneco até precisava sentar com a gente, um pouquinho, porque nossas observações sobre as páginas daquela vida da novela foram muito precisas. E acho que ele não tem amigos pra lhe falar verdades do tipo: "tá tudo errado". E concluímos que só a Lilia Cabral e o marido é que arrebentam, mesmo! (Ah, e a Leandra Leal também!! - update)

Bem, não sei se o melhor daquele lugar é o charme das mesinhas na calçada, a comidinha gostosa, se a mera localização na rua que é pra mim o coração do Leblon, bem pertinho do "Garcia e Rodrigues" e de cara pra "Letras & Expressões" é o que faz a diferença, ou se o charme somos nós mesmos, sentados ali, alegres e displicentes. Só sei que a gente é tentado a permanecer até o amanhecer, porque nem dá vontade de ir embora... Só vontade de ir virando páginas e mais páginas. Fazendo confissões. Rindo. Estendendo a alegria na mesa, como se fosse uma toalha enorme.

A chuva anunciada pelos meteorologistas não caiu entre as cinco e as nove, e os primeiros pingos só vieram na hora da despedida. Discretos, nem de longe lembravam o dilúvio carioca que eu esperava.

Eu nem sei dizer o quanto foi bom. Mas se você nos visse não teria dúvidas de que estávamos ali felizes da vida, como crianças que deveriam mesmo estar assim, no seu dia, e depois já querem se ver de novo pra continuar a brincar.

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Dez direitos naturais das crianças

Rubem Alves esteve em um congresso sobre Educação, na Itália. No congresso, distribuíram uma página com os "Dez Direitos Naturais das Crianças".
Pense nisso.

"1. Direito ao ócio: Toda criança tem o direito de viver momentos de tempo não programado pelos adultos.



2. Direito a sujar-se: Toda criança tem o direito de brincar com a terra, a areia, a água, a lama, as pedras.



3. Direito aos sentidos: Toda criança tem o direito de sentir os gostos e os perfumes oferecidos pela natureza.



4. Direito ao diálogo: Toda criança tem o direito de falar sem ser interrompida, de ser levada a sério nas suas idéias, de ter explicações para suas dúvidas e de escutar uma fala mansa, sem gritos.



5. Direito ao uso das mãos: Toda criança tem o direito de pregar pregos, de cortar e raspar madeira, de lixar, colar, modelar o barro, amarrar barbantes e cordas, de acender o fogo.



6. Direito a um bom início: Toda criança tem o direito de comer alimentos sãos desde o nascimento, de beber água limpa e respirar ar puro.



7. Direito à rua: Toda criança tem o direito de brincar na rua e na praça e de andar livremente pelos caminhos, sem medo de ser atropelada por motoristas que pensam que as vias lhes pertencem.



8. Direito à natureza selvagem: Toda criança tem o direito de construir uma cabana nos bosques, de ter um arbusto onde se esconder e árvores nas quais subir.



9. Direito ao silêncio: Toda criança tem o direito de escutar o rumor do vento, o canto dos pássaros, o murmúrio das águas.



10. Direito à poesia: Toda criança tem o direito de ver o sol nascer e se pôr e de ver as estrelas e a lua."



E aí, Rubem Alves pede licença às crianças para acrescentar o décimo primeiro direito:

"Todo adulto tem o direito de ser criança..."


"Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças".

(Fernando Pessoa, Obra Poética 189)


Feliz Dia das Crianças!!


À mocinha mais charmosa desta família e mais fofa e docinha do mundo inteiro,
FELIZ DIA DAS CRIANÇAS!!



Ao garotão, mais doce, exxxxperto, e carinhoso do mundo todo,
FELIZ DIA DAS CRIANÇAS!!



Aos pequenininhos e aos que já cresceram;
a todas as crianças do mundo inteiro, inclusive a mim e a você,
UM DIA FELIZ!!! É o nosso dia!!!

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Andar na rua


Seis horas da tarde. Desci, mas esqueci a chave do carro na estante. Eu estava ainda meio distraída, porque tinha acabado de conversar com alguém, no telefone, falado de Clarice Lispector, até ri um pouquinho, e aí ainda estava sob o efeito inebriante daquele papo. Tinha esquecido a chave, então. Pensei em voltar. Desisti, porque pensei que era melhor ir andando. É que caminhar e sentir o vento das ruas faz bem, mesmo quando se vive numa cidade em que o ar já não é assim tão puro. Havia um calor, mesmo sendo seis horas da tarde. Na esquina, passo por um velho. Chamo de "velho" essa gente que se vale da idade pra falar besteiras. Eu vinha cantando Marisa Monte, baixinho mas alegremente, e o velho perto de mim disse qualquer coisa que merecia uma boa resposta, mas eu estava cantando uma canção bonita, tão alegremente, e não ia parar pra mandar o velho se enxergar... Eu tinha mais o que fazer. É bom andar de chinelinho e camiseta, na rua; sem relógio e sem pressa. Eu não tinha pressa. Quando você está sentindo uma pontinha de felicidade o tempo não tem a menor importância. O céu, mesclado de pontos azuis e nuvens brancas e cinzas, também não estava nada preocupado com o tempo. Pontinha de felicidade faz nascer sol às seis horas da tarde, inclusive. Levei uma hora andando na rua, entre u'a mensagem e outra, pelo celular. Vi um menininho negro correndo, entrando no salão e saindo, e a mulher do meu lado dizendo: "deixa! amanhã é dia das crianças", e as pessoas deixando, mesmo, porque ele era criança e amanhã, quem sabe, nem vai ter brinquedo pra ganhar. Então, deixa brincar de correr sem ser importunado. Voltei. Minha casa ainda está cheirando ao banho que eu tomei antes de sair. E eu vou te contar: essa tal dessa minha memória olfativa é que me mata!!!

Ontem à noite

Então, o lance é que ontem, sem computador, sem alarme no carro e sem saco, mesmo, terminei ficando em casa o resto da noite. O escritório, que N. havia acabado de arrumar pra mim, virou de pernas pro ar, porque enquanto eu aguardava a reinstalação do Windows aproveitei pra limpar as pastas onde arquivo as contas, os contracheques, extratos de conta-corrente, faturas de cartão de crédito, essas coisas. E fiz um calo no dedo de tanto rasgar papel; e ainda há cinco anos de contas de energia elétrica pra rasgar!

Mas aí acabou o expediente do pessoal do suporte, a resolução da tela tava uma droga, eu fechei tudo, inclusive a porta do escritório, e fui pra sala.
Nunca senti minha casa tão grande! Nunca minha voz fez tanto eco; nunca meus sentidos estiveram tão apurados, nos últimos dez anos.
E de repente eu senti a casa enorme e eu minúscula; senti saudade de quem não queria sentir; senti raiva de mim; muita raiva; e fiquei olhando pro teto, pra não deixar escorrer nada dos olhos.

Ufa!! Conseguimos!!!

Depois de reinstalar duas vezes o WXP, ver a tela com letras garrafais, ficar a noite inteira achando "fiz o backup mas tá faltando alguma coisa...", descobrir que não tenho o CD do editor de textos que uso pra trabalhar etc. etc. etc., amanheci e saí da cama direto pro telefone, recomeçar, tentar de novo, e mais uma vez, e agora vai dar certo. Não fossem os meninos de Porto Alegre - pacientes até mesmo quando eu tentei reinstalar o sistema operacional com o CD de drivers!!! - e eu ainda estaria mais enlouquecida, a esta hora.

Enfim, quando a resolução da tela voltou ao normal, fui tomada de uma alegria sem-fim! Ver meu brinquedinho voltar a funcionar rapidinho, colorido e silencioso me fez dar um sorriso enorme de felicidade. Você não tem idéia!!

Primeiras providências? Baixar o antivírus, o Opera e o msn. E voltar a ser a Suzi de sempre. Um pouco mais feliz.




Agradecimentos especiais a L., que monitorou a "sessão backup", a C. e R., da Dell, que tiveram dois dias de sufoco, no suporte técnico. O nome é certo, mesmo. Eles têm que suportar cada cliente!!

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Será que eu consigo?? - parte II

Ok. O backup tá feito. E espero ter salvo tudo o que de mais importante eu tenho aqui.
Mas pra reinstalar eu preciso do CD, que emprestei.
Pffff!!!

Tenho que ir buscar, agora.
Mas só posso buscar se antes eu conseguir desarmar o alarme do carro, que disparou.
Enfim... Dia de cão!
'Té mais!

Será que eu consigo??

Estou tentando fazer o backup do meu computador, hoje, para reinstalar o WXP.
Se eu sumir é porque deu tudo errado!
Beijos e bom dia!!

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Absolument facile


É tão fácil me fazer feliz...
Absolutamente fácil.

Cinturinha

Li por aí que aquela funkeira Quebra-Tudo vai quebrar duas costelas... tudo bem, vai "tirar, numa cirurgia" duas costelas!!!, para afinar a cintura.

Acho que vou desabilitar os comentários deste post. Porque é sem comentários, isso, hein???

O jantar na casa dos Buscaglia

Leo Buscaglia conta que seus pais vieram de um vilarejo, na base dos alpes italianos, onde todos se conheciam. Diz que todos sabiam o nome dos cachorros, e que o padre vinha para as festas na rua, embebedando-se como todo mundo.
Aos cinco anos foi para a escola pública, nos Estados Unidos da América, e, curiosamente, foi matriculado numa turma para deficientes, nada obstante falasse muito bem o italiano e um dialeto, além de saber falar um pouco de francês e espanhol. Mas não falava muito bem o inglês... Talvez nessa época tenham começado a rotulá-lo.

E é, então, para justificar a idéia de que os rótulos são fenômenos que apenas distanciam as pessoas, que Leo Buscaglia nos conta algumas histórias.
Diz que ao chamarem-no de "carcamano" e "gringo" as pessoas mostravam que não sabiam nada, dele. Não sabiam, por exemplo, que seu pai tinha sido garçom, quando chegaram aos EEUU, e que trabalhava até tarde; que sua mãe ficava um pouco solitária e então juntava os 11 filhos para cantarem óperas. Cantavam "Aida", "La Boheme", e brigavam pelos papéis. Ele tinha 10 ou 11 anos, nessa época, e sabiam as óperas de cor e todos os 12 podiam cantar qualquer papel!!

E então vem a história do jantar...
Buscaglia nos conta que aquelas pessoas ignoravam a regra de seu pai, segundo a qual, antes de saírem da mesa de jantar, tinham de lhe contar algo novo que houvessem aprendido durante o dia. Leia nas palavras do próprio Leo como eram as suas noites:

"...Considerávamos isso uma coisa horrível, uma coisa maluca para ser feita! Enquanto eu e minhas irmãs lavávamos as mãos ou começávamos a tomar a sopa, eu dizia:
- É melhor aprendermos alguma coisa.
E corríamos para a enciclopédia, procurávamos algo do tipo 'a população do Irã é de um milhão...', e ficávamos murmurando para nós mesmos:
- A população do Irã é de...
Depois de um jantar composto por grandes travessas de espaguete e montes de carne tão altos que nem conseguíamos enxergar o outro lado da mesa, papai afastava a cadeira, pegava seu pequeno charuto preto e dizia:
- Felice, o que você aprendeu hoje?
E eu falava, monotonamente:
- A população do Irã é de...
Nada era insignificante para esse homem. Virava-se para minha mãe e dizia:
- Rosa, você sabia disso?
E ela, impressionada:
- Não!
Pensávamos: 'Essas pessoas são malucas.'
Mas vou contar-lhes um segredo. Mesmo agora, indo para a cama de noite, exausto como costumo estar, ainda paro e digo a mim mesmo:
- Felice, meu velho, o que você aprendeu de novo, hoje?
E se não consigo me lembrar de nada, pego um livro e procuro algo antes de conseguir dormir. Talvez isso é que seja aprender. Mas eles não sabiam disso quando me chamavam de carcamano. Os rótulos são fenômenos que distanciam: parem de usá-los. E quando alguém perto de você usá-los, tenha a iniciativa de dizer:
- Sobre o quê e quem vocês estão falando? Não conheço nada desse gênero.
Se cada um e todos nós pararmos de fazê-lo, isso não acontecerá mais... Existem muitas coisas bonitas em cada ser humano, para que seja rotulado e marginalizado."

E então? Antes que o dia acabe, aprenda algo de novo. E repita essa experiência de aprendizado amanhã, e depois, e depois, e continuamente.
Tenha bons jantares, grandes aprendizados, e uma boa vida!

Hora de acordar


Hora de acordar. Seu dia está aí, nas suas mãos.
Experimente hoje, por exemplo, atender o telefone sorrindo. Você pode não acreditar, mas no outro lado da linha alguém vai ser contagiado. E isso pode se tornar uma grande onda de alegrias e sorrisos.
Experimente!
E tenha um bom dia.

domingo, 8 de outubro de 2006

Melhor do mundo

Imagine a minha situação, no dia 6 de novembro...
Porque nesse dia será a grande festa, em Atenas, que vai anunciar o nome do eleito melhor jogador do mundo. São 55 candidatos. O Chelsea, do maridinho alemão, tem nove indicados, inclusive ele!! O Brasil tem 10 representantes, assim como a Itália, atual campeã do mundo.

Gosta de futebol? Quer saber quem são os concorrentes? Então, lá vai:

Goleiro: Gianluigi Buffon (Juventus) - não gosto dele, Petr Cech (Chelsea), Dida (Milan), Jens Lehmann (Arsenal), Edwin van der Sar (Manchester United)

Zagueiro: Roberto Ayala (Valencia) - marrentinho que quis encarar o Mike, lembra?, Cafu (Milan), Fabio Cannavaro (Real Madrid) - uia!!! mas não é concurso de beleza..., Roberto Carlos (Real Madrid), Cicinho (Real Madrid), Ashley Cole (Chelsea), Rio Ferdinand (Manchester United), William Gallas (Arsenal), Fabio Grosso (Inter de Milão) - charmosinho, esse menino..., Philipp Lahm (Bayern de Munique), Lúcio (Bayern de Munique), Rafael Márquez (Barcelona) - ai, gente... o Rafa Márquez!!, Marco Materazzi (Inter de Milão) - cabeçada nele!!!, Miguel (Valencia), Alessandro Nesta (Milan) - nesta ou na próxima devia ser eleito..., Carles Puyol (Barcelona) - não gosto, Willy Sagnol (Bayern de Munique), John Terry (Chelsea), Lilian Thuram (Barcelona) e Gianluca Zambrotta (Barcelona)

Meio-campo: Michael Ballack (Chelsea) - uhuuuu!!! salve! salve!, Deco (Barcelona) - gosto dele, como jogador, Cesc Fabregas (Arsenal), Luís Figo (Inter de Milão) - Figo, o moreno d'além mar, Gennaro Gattuso (Milan), Steven Gerrard (Liverpool), Kaká (Milan), Frank Lampard (Chelsea), Claude Makelele (Chelsea) - gosto do cabelo dele, Andrea Pirlo (Milan), Juan Riquelme (Villareal) abusado..., Francesco Totti (Roma) - há quem suspire por ele, mas eu não, Patrick Vieira (Inter de Milão), Zé Roberto (Santos) e Zinedine Zidane - salut! Zizou!!!

Atacante: Adriano (Inter de Milão), Hernán Crespo (Inter de Milão) outro abusado, Didier Drogba (Chelsea) - joga muito, esse, Samuel Eto'o (Barcelona), Thierry Henry (Arsenal) - politicamente incorreto, mas sabe jogar bola; fazer o quê?, Miroslav Klose (Werder Bremen), Lionel Messi (Barcelona), Arjen Robben (Chelsea), Ronaldinho (Barcelona), Ronaldo (Real Madrid), Cristiano Ronaldo (Manchester United) - jogou um bolão, na Copa, Wayne Rooney (Manchester United), Andriy Shevchenko (Chelsea), Luca Toni (Fiorentina) - belíssimo e ainda joga bola!!, Fernando Torres (Atlético de Madrid).



Apenas jogadores de futebol votam. O melhor jogador do mundo será aquele mais citado na "seleção ideal". Também no dia seis de novembro será divulgada a "seleção do mundo", com os mais votados em cada posição. Meu coração estará dividido...

Thomas Stearns Eliot


V

Assim, eis-me aqui na metade do caminho, e vinte anos se passaram
- Vinte anos a rigor desperdiçados, os anos l'entre deux guerres -
Tentando aprender como empregar as palavras, e cada tentativa
É sempre uma nova partida, e uma diversa espécie de fracasso
Pois apenas se aprendeu a escolher o melhor das palavras
Para o que não há mais a dizer, ou o meio pelo qual
Não mais se está disposto a fazê-lo. E assim cada aventura
É um novo começo, uma rápida incursão ao inarticulado
Com equipamento imprestável e em contínuo desgaste
Na desordem geral da imprecisão dos sentimentos.
Indisciplinadas esquadrilhas da emoção. E o que há por conquistar,
Uma, ou duas, ou várias vezes, por homens com os quais não se pode
Pretender rivalizar - mas não se trata de competição,
E sim de uma luta para recuperar o que se perdeu
E se encontrou e outras vezes se perdeu - e agora em condições
Que não parecem favoráveis. Mas talvez nem ganho nem perda.
Para nós, há somente tentativa. O resto não é de nossa conta.

(T.S. Eliot - Obra Completa - volume I - Poesia - excerto de "East Coker")

Leo Buscaglia

Eu amo Leo Buscaglia. E sinto uma tristeza tremenda quando, por terem inventado essa tal de "auto-ajuda", algumas livrarias classificam assim seus livros. Revolto-me, com isso, porque Leo Buscaglia não foi, absolutamente, um escritor de livros de auto-ajuda. Ele era um educador.
Morreu há poucos anos (1998) e não viveu em vão.

Felice Leonard Buscaglia tinha grau de Ph.D., era professor universitário, Pedagogo de renome e lecionou Pedagogia na Universidade da Califórnia do Sul, em Los Angeles. Filho de imigrantes italianos, desde a infância foi rotulado - carcamano, gringo - e mesmo depois de adulto isso não mudou - chamavam-no de louco - mas a essa altura da vida já não se perturbava com isso; dizia que ser tido por louco dá a você uma liberdade incrível, seus limites se ampliam um bocado e você tem uma enorme vantagem de poder fazer praticamente qualquer coisa, porque "é louco"...

Buscaglia conta em seus livros histórias de salas de aula, histórias de sua efusiva família italiana, e é impossível continuar a pensar no amor, na vida, nas crianças, na educação, da forma como se pensava antes de conhecer esse homem.

Em um de seus livros você pode ler que "seria um milagre se pudéssemos fazer com que as pessoas soubessem o que estava certo só apontando o que estava errado."

Amanhã eu conto, aqui, como era o jantar na casa dos Buscaglia. Talvez nunca mais você consiga ir dormir sem ter aprendido algo de novo.

sábado, 7 de outubro de 2006

Hora de dormir

Arrasada. Cansada.

Histórias de amor - XLVI

Quando não havia mais palavras a serem ditas
E tudo o que se pensava podia ser revelado num toque de mãos,
Ela pretendeu fixar-se em seus olhos.
Ele, permitindo-se, deu-lhe permissão.
E compreendeu.

Feliz Sábado!!!

A noite choveu inteira.
A chuva anoiteceu e amanheceu.
Mas há cor, no meio do cinza, se soubermos olhar.


FELIZ SÁBADO !!!

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

Chove lá fora


Chuva forte.
Cai a chuva, a noite, vem o sono, os sonhos...
Marisa Monte cantou que vai chover quando o sol se cansar para que flores não faltem, jamais.
É isso aí.

Novamente sobre o silêncio

Muito freqüentemente o silêncio não deve ser inteligido como indiferença.

A Esmola de Dulce - por Augusto dos Anjos


E todo o dia eu vou como um perdido / De dor, por entre a dolorosa estrada, / Pedir a Dulce, a minha bem amada / A esmola dum carinho apetecido.

E ela fita-me, o olhar enlanguescido, / E eu balbucio trêmula balada: / - Senhora dai-me u'a esmola - e estertorada / A minha voz soluça num gemido.

Morre-me a voz, e eu gemo o último arpejo, / Estendendo à Dulce a mão, a fé perdida, / E dos lábios de Dulce cai um beijo.

Depois, como este beijo me consola! / Bendita seja a Dulce! A minha vida / Estava unicamente nessa esmola.

("Quando a morte nos arrebatou Augusto, no plenilúdio dos seus vinte e nove anos, molharam-se-me os olhos e confrangeu-se-me o coração de desgosto" - Orris Soares, in "Eu e Outras Poesias" de Augusto dos Anjos, Ed. Civilização Brasileira)

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

Tudo isso!!

Tenho flores desabrochando no jardim, um dia de céu azul com algumas nuvens fofinhas, mar com águas verdes e límpidas, ondas fazendo espumas branquinhas... e agora um cheiro bom de terra molhada de chuva, exatamente agora, invade a minha casa pelas portas e janelas.
Tenho mesmo tudo isso!!
E cinco tacinhas de gelatina de amoras.
Quer tacinhas de amoras? De amores?

Por e-mail (gaste 5 minutos, mas leia este post)


A gente nunca sabe como um dia vai terminar...

"Amigos,
Quem me conhece sabe como eu gosto de planejar as coisas. Sempre durmo com a agenda do dia seguinte pronta. E passo o dia tentando cumprir aquelas metas. E hoje estava sendo assim. Mas fui movida, por um impulso, a ir a CAIXA pegar a minha parcela do seguro-desemprego um dia antes. Aproveitei e paguei as ultimas parcelas dos nossos IPTU´s e fiquei com o troco. Não tinha nada em mente para fazer com o troco. Quando voltei pra casa, tinha um recado para ligar para uma amiga da igreja aqui de São José dos Campos. A mesma que me apresentou a Casa das Meninas (um projeto social muito legal que temos participado). Bem, ela me convidava para às 18:30h irmos a um assentamento do MST, para uma emergência com uma irmã de nossa igreja aqui em SJC que vive lá. Peguei umas roupas das crianças e uns brinquedos que havia comprado para o dia das crianças e eu fui. Saímos de SJC (eu e mais duas amigas) e entramos por uma estradinha no meio do nada. Para minha surpresa, essa mulher, cujo nome é Mara, antes de conhecer nossa igreja, um dia foi pedagoga em São Paulo e ligada ao PT. Acabou largando tudo e abraçando o movimento do MST. Invadiu algumas fazendas e, numa das invasões, chegou a ficar presa por 28 dias e saiu com habeas corpus. Nesse período, o irmão dela deu estudos bíbilicos e ela se converteu. Quando voltou para o assentamento, continuou a trabalhar com eles, mas vendo as coisas de uma outra forma, como cristã. A partir daí, o foco dela tem sido auxiliar as crianças e adultos analfabetos do assentamento. Com recursos próprios da venda de mel e granola e doações, ela abriu uma escola na sede do MST desse assentamento. A escola está uma gracinha. Talvez até no próximo ano ela consiga que uma grande empresa "adote" a escola como um projeto social. Já existem 3 empresas interessadas. Choca um pouco ver uma mulher de um nível como o dela ter largado tudo por uma causa. Um assentamento é algo no meio do nada. Uma vida MUITO simples. Ela cuida muito da alimentação e é vegetariana. Chegamos e ela estava finalizando a aula dos adultos. Estava serena, dando sua aula, e nós conhecemos a escolinha. Me senti no "Globo Rural" ou num desses programas que a Globo faz mostrando uma escola no meio do nada. Depois que os alunos se foram a gente sentou para ela nos contar a emergência pela qual tínhamos ido lá. Bem, os advogados do MST avisaram a ela que um Juiz em Brasília quer rever o processo e quer que todos os envolvidos voltem para a prisão enquanto ele revisa. É o único processo que corre contra ela e pelo qual ela foi presa uma vez (não dá para detalhar, mas ela nem deveria estar sendo processada). O pedido de prisão deve chegar na 2a feira. Bem, ela disse que está estruturando tudo para a ausência dela. Ela não quer que a escola pare. Principalmente por causa das crianças que amam a Escola. Mas, não existem recursos para manter a escola nos próximos meses. De qualquer forma ela acredita que se for da vontade de Deus, eles vão conseguir os R$1000,00 mensais necessários para manter a escola até o fim do ano. Um dos filhos dela, de 4 anos, também frequenta a escola. A outra filha, de dois anos, ainda não frequenta. O marido dela foi embora porque se envolveu com drogas. Não acreditava no que via e ouvia. Principalmente pela serenidade dela. Ela não pediu nada. Só queria desabafar um pouco e nos contar o que iria acontecer nos próximos dias. Pediu nosso apoio e oração. Demos uma carona da sede do assentamento até o lote dela. O clima das pessoas, quando um carro estranho se aproxima, é de desconfiança. Mas, encontrei pessoas felizes, trabalhando. Todos ganhando a vida ali da terra e se esforçando para aprender a ler. Na casa dela, que é bem simples, encontrei duas crianças da idade dos meus (aí eu fiquei mais emocionada do que já estava). Deixamos as coisas que tínhamos levado para ela e para os filhos. Dei também aquele "troco" do seguro desemprego. Os advogados vão tentar que ela possa responder em liberdade, mas pediram para ela orar. Ela lembra muito a minha irmã Nadia fisicamente. É muito bonita e muito culta.
Estou escrevendo tudo isso para pedir três coisas:
1) Orem pela Mara e seus filhos e por todo esse processo
2) Orem pela escola dos Sem Terrinha (como ela chama) para que eles consigam o sustento nesses 3 meses que faltam para acabar o ano (são apenas R$1000,00 por mês para muitas crianças e muitos adultos) e também para que consigam uma empresa que seja mantenedora do projeto
3) Quando saímos de lá, decidimos "adotar" as 130 crianças do assentamento neste Natal. Vamos arrecadar roupas novas, sapatos novos e brinquedos para cada um deles. Se você se sentir tocado e quiser participar, entre em contato comigo e diga o que pode doar e a gente arruma um jeito disso chegar até aqui. Temos uma lista das crianças e dos tamanhos. É um desafio grande, mas acho que se cada um der um pouquinho a gente consegue.
Poderia contar muito mais. Até porque aconteceram coisas inusitadas nessas 3 horas que passamos por lá. Vivi algo que jamais pensei viver. Conheci uma pessoa que jamais pensei existir. Ainda estou muito impactada com tudo, mas estou muito feliz porque vi felicidade na simplicidade e projetos tão bonitos. No sábado, 07/10, eles farão um mutirão para construir um parque para as crianças com pneus e madeira. O nome do parque é Che Guevara. Dia 08/10 é a data da morte dele e considerado o dia Internacional do Trabalho Voluntário. Você sabia que ele dedicava um dia da semana para realizar trabalhos voluntários em benefício da população cubana? Lembrei do meu avô, que viveu boa parte da vida em Cuba, participou da revolução cubana e morreu lá há alguns anos... Acho que iria gostar de ouvir tudo isso...
Desculpe o testamento, mas a emoção foi forte e queria fazer esses pedidos a pessoas tão queridas como vocês são pra mim.
Beijos,
S."


S. é minha cunhada. Se você sentir vontade de ajudar a Escola dos "Sem Terrinha", fale comigo.
"Ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer..." (Chico - Os saltimbancos)

E-mail na madrugada

Acabo de ler um e-mail que recebi de S., escrito por ela à uma hora desta madrugada.
Meus olhos ainda estão cheios de lágrimas, emocionada.
Estou aguardando a sua autorização para postá-lo aqui, integralmente. É um pouquinho grande, mas de leitura rápida e fácil (ela escreve muito bem) e eu gostaria muito que você voltasse aqui mais tarde para lê-lo, porque pode ser que toque você, de alguma maneira, assim como me tocou.
Um grande abraço,
e tenha um bom dia.

S. é minha cunhada, mãezinha de V. e L., e se você, depois de ler o e-mail, quiser participar do Projeto de Natal, de alguma forma, fale comigo.

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

Hora de dormir

Querido Papai do Céu, obrigada pelo dia, e especialmente pela tarde. Obrigada pelo sorriso que eu dei às 18h45min e porque ainda sei fazer surpresas boas e alguém gostar "do meu jeitinho".
Agora, em paz me deitarei e dormirei. Protege-me e protege os meus queridos, com Teu anjo protetor, das asas enormes, e que cuida de nós.
Amém.

Mario Quintana


"Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão... que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas, que a vida é bela, sim, e que eu sempre dei o melhor de mim...
E que valeu a pena!"
(Mario Quintana)

Yes or no??

Sabe quando você pede alguma coisa a alguém e recebe, de cara, um "não!", sonoro, rotundo?
Pois é.
Então lembrei de uma parábola, contada por Jesus Cristo. Parábolas, você sabe, são aquelas narrações alegóricas que contêm algum preceito moral, que encerram uma idéia sobre a qual se deve pensar. Pois eu lembrei da parábola do pai que tinha dois filhos. Chegando perto do primeiro, disse: "meu filho, vai trabalhar, hoje, na vinha." E o filho respondeu: "Sim senhor, eu vou." E não foi.
Dirigindo-se ao segundo filho, o pai disse-lhe a mesma coisa, mas ele respondeu: "Não quero. Não vou." Depois, arrependido, foi.
Qual dos dois fez a vontade do pai?...

Então, ontem, delicadamente, pedi que alguém hoje cuidasse da vinha, e ganhei um "Não quero. Não vou." E ainda completou: "Pode ter certeza." Mas é o "segundo filho". É disso que eu tenho certeza.


Bom dia!

terça-feira, 3 de outubro de 2006

Pessoas são livros


Cada um de nós é como um livro.
Não basta saber ler; é preciso interpretar.
Se eu te soubesse inteiro...

Gravando!!!


V. foi ator, por dois dias. Gravou um videoclip e se comportou tão bem durante as gravações, que causou admiração no Diretor e orgulho na família inteira! Curtiu cada minuto, levou a sério, o trabalho, e ao final de cada cena gravada perguntava como gente grande:
- Deu certo?
- Fiz bem?

Na cena em que precisava fingir que dormia, já deitadinho na cama, ainda corrigiu o cantor, que lhe havia dito: - V., você só dorme quando eu cobrir você, tá?
Muito sabedor de tudo, o belo ator de olhos azuis e 4 anos de praia retrucou:
- Não... Eu só durmo quando o Diretor disser: "gravandooo!!"

É a dor


"É a dor que nos envelhece; não a vida."

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

Coquetel de frutas

Deu vontade.
Então, passei no hortifruti, na volta do trabalho, comprei frutas vermelhas e amarelas e mais tarde vou fazer um coquetel de frutas pra mim. Só porque deu vontade. Talvez porque às segundas eu precise mesmo de coisas doces na minha vida...

Histórias de amor - XLV

Ela sorria.
Ele olhava seus olhos sorridentes e tinha certeza de que era o reflexo de sua própria felicidade o que se estampava nos olhos dela.
Ela o abraçava como se aquela fosse a primeira das muitas tardes que viveriam juntos.
E enquanto desalinhava os cabelos dele, que pretos e lindos lhe caíam na testa, ela, ingenuamente, se enroscava em seus braços como quem prendia o grande amor.
Ele, uma ostra num mar sem grandes ondas.
Ela, um fruto a ser delicadamente colhido.
E eram, um para o outro, uma história de amor.

Dia de trabalhar


Hoje vou trabalhar. É assim que funciona essa coisa de "quase-férias". Há dias em que você quer ficar em casa, quietinha, vendo tv, arrumando a papelada do escritório, ouvindo música, mas tem que adiar a vontade. Não reclamo. Afinal, elas são uma espécie de "bônus". E todo bônus tem seu ônus.
Queria mesmo é descer até a pracinha e ir de ônibus. Não queria dirigir, hoje. Nem na ída nem na volta. Mas ir e voltar de ônibus, por mais confortável que seja, com poltronas reclináveis e macias, tem suas desvantagens. Uma delas é que eles ligam o ar-condicionado em alto nível, independentemente do frio que esteja fazendo no mundo. E eu tenho sérios problemas com o frio. Depois, você não pode escolher a rádio que quer ouvir, nem a companhia. Bom mesmo é ir e voltar de carona, sabe? Ou, pelo menos, voltar. Mas eu não sei pedir...


update das 10h16min - acabo de lembrar que sonhei que furtavam meu carro, à noite, numa porta de igreja; a menina da farmácia ao lado disse que o alarme disparou mas eles levaram mesmo assim; que era encomenda, porque uma família muito rica estava precisando de 22 carros (pasme!); momentos antes havia rolado um tiroteio na rua e eu ficara deitadinha no chão, quietinha, imóvel, enquanto eles tentavam acertar o cara que estava a uns dois metros de mim, também no chão; esses criminosos não tinham nada a ver com os caras que levaram meu carro; e foi depois desse susto todo do tiroteio que eu descobri que estava sem carro; eu chorava muito, já era bem tarde; eu não tinha meu celular e achava que não sabia de cor o telefone de ninguém; incrivelmente lembrei de um, assim, num estalo; era o de W.
Ele veio me buscar.
Mil explicações para o sonho? Ah... eu não quero explicações. Quero saber que, enfim, terminou tudo bem.

domingo, 1 de outubro de 2006

A tarde do dia da eleição

* Havia uma coisa chamada "lei seca", em dia de eleição. Ouvi dizer que hoje estava liberado. E devia estar mesmo, pelo que pude perceber.

* No caminho para a seção eleitoral conversei com uma senhora, uma idosa, e dois bêbados. Tudo na porta da casa dos meus pais. É politicamente incorreto falar "bêbado"? Tenho que dizer "ébrio"?

* Bêbados também votam. Não sei como nem em quê. E têm umas idéias que julgam serem as melhores. Não adianta muito argumentar. Eu até tentei. mas continuei sem saber como votam os bêbados. Talvez digitem 51 para tudo.

* Há quem vote no Cristovam Buarque apenas em honra ao Brizola. O caso da senhora.

* Há quem vá de Heloísa Helena porque é mulher, ou até voltaria no Lula. É o caso da idosa.

* Ouvi na CBN o levantamento, em toneladas, de quanto a Comlurb, na última eleição para Deputado Federal, Deputado Estadual, Senador, Governador e Presidente, recolheu de "lixo eleitoral". Perguntei-me: que passa?? a Comlurb agora recolhe candidatos????? e depois tritura-os?
Uia!!

* Parei com meus pais naquele "supermercado francês", sabe? E aí comprei livros pra minha mãezinha e queijos pro meu pai. Sorrisos de alegria valem muito. Voltei pensando que meus pais precisam de dois computadores; porque minha mãe teria sido uma tremenda escritora, se tivesse tido chance, e então, já agora, poderia escrever suas tantas coisinhas e deixá-las guardadas e expostas, ali. Ela, que é uma romântica inveterada (sem que, talvez, se dê conta), teria na maquininha uma grande aliada e a maior companheira das noites insones. Meu
pai será um tremendo pesquisador, viciado em internet. Prevejo.

* Uma boa tarde, realmente! Tudo perfeito, se o telefone tivesse tocado.

Meu sonho

Pára-quedas.
O sonho de voar.
Meu sonho de saltar.
Medo. Expectativa. Promessa. Brilho nos olhos.


Dizem que a sensação é a mais próxima possível de um vôo emocional. Encarar um medo, arriscar, significa exceder os limites da sua zona de conforto e ir. Honrar o brilho dos seus olhos, movimentar as emoções. Eu quero.

Eleições 2006

Mafalda
(clique na imagem para vê-la ampliada)