quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Gratidão



Meus queridos, tenho boas notícias.
Foi um dia longo, muito longo e cansativo. Cheio de expectativas, porque a consulta, que seria a partir das oito horas, só aconteceu por volta de uma e meia da tarde, já que o prontuário de V. havia descido para o que eles chamam de "mesa redonda". Nessa junta médica, estavam decidindo o procedimento a ser adotado daqui em diante. Estranhei, porque a indicação era a suspensão da radioterapia e tratamento à base de "quimioterapia branca", já a partir de hoje...

Mas aguardamos, pacientemente, em meio a crises de choro de V., que queria ir embora assim que chegou, só de imaginar o sofrimento que a persegue nos dias que se seguem à quimioterapia. Precisei ser forte para não chorar junto, e insisti que se ela queria ficar curada, era preciso passar pelo tratamento. Mas dói dizer isso, especialmente se você vê seu amigo sofrendo tanto.

Já passava de uma da tarde quando o Dr. Rodrigo, médico de V. e excelente oncologista, nos chamou. Ficou conosco por quase uma hora, conversando e tirando cada uma de nossas dúvidas. Nem sempre os médicos têm paciência e disponibilidade para tanto. E quando você encontra um profissional sensível e humano, além de técnico, é preciso que ele saiba o quanto isso faz bem a um paciente. V. conseguiu ficar na sala, chorou, sim, mas recebeu carinho e atenção do seu médico, que ouviu de sua angústia, examinou-a, e abraçando-a disse aquilo que ela precisava ouvir.

Infelizmente (pra nós) o querido doutor estava em seu último dia no hospital, último dia no Rio de Janeiro... e foi a coisa mais linda quando V., com lágrimas nos olhos, lhe disse que ele havia feito a diferença na vida dela, ao tratá-la tão bem, desde o primeiro dia. E ainda pediu que dissesse a sua mãe que ela havia conseguido alcançar seu objetivo, porque toda a mãe ficaria orgulhosa de saber que tem um filho que pode fazer a diferença na vida das pessoas. Muito emocionado, tornou a abraçar V., disse que estava também quase chorando, e que coisas assim é que faziam valer a pena o desafio que é trabalhar na área de oncologia.

Por fim, está definido que V. fará um tratamento associado de radioterapia e hormonioterapia, que não traz nenhum daqueles terríveis efeitos colaterais causados pela quimio que ela estava fazendo. Por isso, saiu de lá mais animada, eu vim cantando, no carro, e combinando que a partir de agora podemos até marcar uns passeios ao shopping. Coisa de mulherzinha...

Muito grata a todos vocês que durante o dia de hoje dedicaram seus pensamentos à saúde de V.
Vocês foram carinhosos e sensíveis a sua dor. E Deus ouviu as orações.

Um dia no Inca - Instituto Nacional do Câncer

5h45min
Dentro de quinze minutos vou sair.
Hoje é dia de quimioterapia de V. Eu vou levá-la.
Já cansada, e entre mergulhos e saídas de processos depressivos, V. já não quer mais ouvir nada do que o médico tem a dizer, na consulta de hoje. Seus pais, com tantas ídas e vindas, também não têm estrutura suficiente para fazer as perguntas que não calam nem para ouvir as respostas que haverão de ser dadas.
Então eu vou. E vou perguntar aos médicos por que desistiram da radioterapia, por que já não será mais a quimio vermelha, mas a branca; qual a diferença entre elas; o que se espera nessa nova etapa, quais as perspectivas... Vou perguntar, ouvir, tentar entender.
É um programa que vai tomar todo o dia. E eu espero, sinceramente, ter boas notícias, na volta.
Lembre-se de V., hoje, quando você falar com Deus.
E tenhamos todos um bom dia.

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Coisas da vida

Alguém te pergunta: - posso te fazer uma proposta indecente?


Então não faz, né?

Depois do Calvin... A Libertad, da turma da Mafalda

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Calvin e Haroldo

(clique na imagem para ampliá-la)

Alguém disse, eu torno a dizer - (1)

"As pessoas estão sempre culpando as circunstâncias pelo que são. Eu não acredito em circunstâncias. As pessoas que progridem neste mundo são as que se levantam e procuram as circunstâncias que querem; e se não as encontram, criam-nas."

Citando Tom Jobim

"Nova Iorque é uma cidade para se ver de maca."



hohohoho!!!
Enquanto Tom Jobim soltava essa pérola, a câmera, de dentro do carro, mostrava, de baixo pra cima, os arranha-céus, os edifícios enooooormes, altíssimos. E aí ele mandava a gente se imaginar nu'a maca, rodando por NY. Ahahahaha! Que sacada! Uma visão e tanto!

Tom Jobim - Eu sei que vou te amar

O especial do Tom não devia ter intervalo comercial.

domingo, 28 de janeiro de 2007

Céu de verão


Domingo
28 de janeiro
Cidade Maravilhosa
Cinco horas da tarde
Céu de fim-de-tarde, no verão

Minudência

Chegou pelos Correios. Já era passado, o Natal. Um envelope amarelo. Amarelo e pequeno. Quadradinho. Escrito à mão. Não sou boa nessas coisas, mas devia ter não mais que nove ou dez centímetros, cada lado; não mais. Era bem capaz que o carteiro o perdesse no meio de tantos outros. Os homens não estão acostumados a cuidar das pequenas coisas, e elas se perdem, no meio das grandes, no meio da imensidão das coisas que chamam a atenção porque ocupam espaço. É curioso como coisas espaçosas - gente, também - vão se sobrepondo àquelas mais discretas, mesmo sem dever... Uma espécie de imposição.

Os homens, eu disse, e quis dizer homens e mulheres. Diferentemente das crianças, eles não sabem direito como cuidar e não perder as pequenas coisas. E às vezes chego a pensar que bastaria aprender isso, na vida.

Dentro do envelopinho amarelo, havia um cartão. Era branquinho e trazia no meio umas flores. Postado em Florianópolis, endereço de origem São Conrado, Rio de Janeiro. Escrito à mão, como convém às coisas pessoais embora a modernidade seja mais prática, trazia um pouco de quem o assinava. É uma coisa interessante, isso de você sentir alguém bem perto, quando vê sua letra num pedaço de papel... Tenho gente perto de mim em dedicatórias de livros, em cartões de aniversário, em bilhetes guardados, listinhas de supermercado, gente que chega bem perto pelas anotações na agenda, nos cadernos e livros de colégio e faculdade... tenho gente perto de mim em camisas de uniforme assinadas no último dia de aula, no guardanapo do barzinho em que comemoramos a formatura na faculdade de Direito - aquele guardanapo cáqui, de tecido, com mensagens dos meus queridos amigos e da minha amada família.

Muito bem colado, e na ânsia de abri-lo, rasguei o envelopinho amarelo e retirei o cartão. Enquanto lia, inevitavelmente eu sorria. Seu jeito de falar estava ali. Vi até aqueles seus olhos que se marejam de lágrimas sempre que falamos de coisas especiais.

E então eu disse tudo isso para chegar aqui. E contar que dentro do cartãozinho encontrei a coisa mais delicada que alguém poderia encontrar num cartão de Natal. Eu já estava feliz se tudo acabasse ali, naquela parte em que eu rasgava o envelope e lia o cartão. Porque não se acabam, palavras de amor envoltas em carinho. Ficam eternamente, ressoando, como borboletas amarelas ficam dando voltas eternas em torno das flores quando querem nos dizer que há beleza, no mundo.
Mas ali estava a coisa mais delicada que eu poderia encontrar sutilmente embalada num cartão...















E enquanto releio, na cama, "A Hora da Estrela", marco a página com o "AMOR" que recebi. Num misto de sentimento pelo que leio, pelo que foi escrito, por quem me deu o presente, pela vida, pelo que tenho, pelo que houve, pelo que virá, por Deus, que me deu amigos tão presentes e amados... esse amor... eterno seja!

sábado, 27 de janeiro de 2007

Telejornais

Às vezes o RJTV é legal. Nas duas edições.

Isso é amor

Lembro como se fosse hoje e nem sei se ela mesma se lembra dos detalhes. Provavelmente. Era o dia do casamento de E. e S. Após a cerimônia, eu disse a ela: "se um homem cantasse essa música pra mim, eu também casava com ele!"

E. compôs a música, e na cerimônia de casamento, sentou-se ao piano e cantou pra sua noivinha, enquanto nós, que a tudo assistíamos, chorávamos de emoção. Essa música foi cantada uma única vez, que eu saiba - no dia do casamento deles, em 1994 (se não me engano quanto ao ano) 1993 - mas eu nunca mais esqueci da letra e da melodia. Perceba a declaração de amor em cada verso. E imagine as lágrimas que rolaram no rosto de cada um de nós, enquanto víamos e ouvíamos aquilo tudo...

"Você é a mais bonita / É a mais formosa / Você é a mais amiga / A mais preciosa / Sorriso de criança / Olhos cor do céu / Sempre carinhosa / Que entende quem sou eu

Meu amor / Eu me entrego pra você / Pois só nos seus braços / Eu encontro o meu lugar / O amor que eu trago aqui / É todo pra você / Todo o meu carinho / Pra fazer você sempre feliz

Que Deus me ouça agora / Escute a minha voz / Um misto de prece e de louvor / Pois passado tanto tempo / Não me vejo sem você / Quero ter você comigo / Enquanto eu viver

Meu amor / Eu me entrego pra você / Pois só nos seus braços / Eu encontro o meu lugar / O amor que eu trago aqui / É todo pra você / Todo o meu carinho / Pra fazer você sempre feliz

Meu amor / Eu me entrego pra você / Pois é só nos seus braços / Que eu encontro o meu lugar / O amor que eu trago aqui / É todo pra você / Todo o meu carinho / Todo o meu cuidado / Pra fazer você sempre feliz"


(bem, se há algum equívoco na letra, alguém aí que estava na cerimônia pode me corrigir, tá?)

Para Taia, a trigêmea

Os olhos brilham. As bochechinhas são as mais rosadas do mundo. O sorriso é de menina. A cabeça, de mulher. Os cabelos são lindos. A alma é boa. A determinação vem como marca. A doçura como estilo.
Desenhou? Pois essa é a Taia.

Ela é carinhosa, cuidadosa; quando estou dodói, se preocupa em ligar pra saber se já melhorei. Nunca deixa de ir aos nossos encontros. Lembra de mim toda vez que vê alguma coisa que é a minha cara (e isso inclui jogo do Flamengo, camisa 13 da Alemanha, sol, mar, a boneca Suzi, cachorrinhos de pelúcia...) Tem sempre um sorriso largo no rosto. Batalhadora. Dedicada. Capaz de encantar qualquer criatura com seu abraço gostoso e seu colinho fofo; e como num passe de mágica você se sente atraído por essa criaturinha, que é "Pura Magia". Por que "magia"? Seu Aurélio Buarque explica - magia: magnetismo, fascinação, encanto, mágica.
Minha irmãzinha, trigêmea, "Teu sorriso prende, inebria, entontece.
És fascinação...
"
Com todo o carinho que tenho por você, eu lhe desejo um FELIZ ANIVERSÁRIO!!

Fada Sininho. De todas as personagens das histórias em quadrinhos, essa é a sua preferida, não é, Taia? Procurei a mais linda. Nas lojas, no shopping inteiro... Não encontrei... Você aceita esta??

Termina aqui a seqüência de aniversários das trigêmeas Suzi, Gioconda e Taia, iniciada em novembro. Enfim, as meninas estão agora todas mais velhas, mais sorridentes, e cada vez melhores!

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Especialmente para Mumumu, no seu aniversário

O começo de tudo? Nem sei.
Não sei de onde apareceu essa Mumumu na minha vida.
Acho que foi no "Jogo do Currículo 2", da Marina W., que nós nos conhecemos.
Lembro também que na primeira vez que eu pisei naquele pasto fiquei com cara de "Ohhhhh!" Vaca, pasto, boi? "Ohhhhh!"

Ela escreve de um jeito divertido, não tem papas na língua, é doce quando tem de ser, e grossa quando é preciso. Acho que tem uma diferença entre ser grossa e ser grosseira. Mumumu nunca é grosseira. Eu acho e pronto.
Ela é mãe, filha, mulher, "marida", tem uma história e tanto, de vida, mas só sabe disso quem tá ali, pertinho do coração.
Ela compra a briga dos amigos. Paga o preço que for. Mas paga, compra, e a briga passa a ser sua. Tipo mãezona, é a amiga que você deveria ter, porque é daquelas que não tem preço. Ninguém pode comprar. Também, não precisa. Ela se dá.
Defeitos? Ora, ora, é claro que tem. Todos temos. Mas muito do que chamamos "defeito", é apenas "diferença", não é mesmo?

Mumumu, minha querida vaquinha querida, que seus caminhos sejam sempre os do bem;
que a luz da sua estrada seja Deus;
que haja saúde, harmonia e prosperidade no seu lar;
que seu coração esteja constantemente cheio de amor;
que nosso Pai do céu lhe dê sabedoria, na educação dos filhos;
que ao seu redor você tenha sempre bons amigos;
que haja sempre uma canção na sua vida;
que haja sempre uma pedra no meio dos caminhos.
Acredite! Isso também é fundamental.
E se precisar de um sapatinho para andar pelo caminho do bem...

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Dá-lhe, Mengão!!


O Flamengo é o maior do mundo e a torcida do Mengão é de causar inveja a qualquer jogador que jogue em qualquer outro time de qualquer lugar de qualquer mundo. Sem exageros!
Estréia bacana. 2x0 em cima do Cabofriense. Gols de Renato (de pênalti) e de Obina. Meu amigo ria, ontem, dizendo que um time que tem Obina como ídolo não pode ser sério... Pois hoje ele não me ligou, pra EU rir.
O divertido foi a musiquinha na arquibancada, porque agora o Obina já não é mais "apenas" melhor que o Eto'o, do Barcelona. A torcida do Flamengo quer mais é tirar onda e fazer graça:

"Ah! Obina é melhor do que o Nilmar! Obina é melhor do que o Nilmar"

Quebrando regras

Tanto pedi, que acabei ganhando dois exemplares do mesmo livro. Com dois "Tantas Palavras", de Chico Buarque, fui ao shopping trocar um deles. Trouxe Lya Luft e Martha Medeiros. Só crônicas. Amanhã é aniversário da Mumumu, e sábado, da Fadinha; voltinha pra escolher alguma coisa que fosse bem a cara delas. Achei. Entre uma coisa e outra, o relógio marca duas horas da tarde.

A gente quebra regras, sim, mas tem de agüentar as conseqüências, não é mesmo? Pois eu tenho uma regra: não como no McDonald's.

A realidade que se apresentava, no entanto, já não era nada boa; a pressão começava a cair, e eu queria chegar em casa a tempo de ver o penúltimo capítulo de "Chocolate com Pimenta". Preciso de alguma coisa salgada. Não quero parar, sentar, essas coisas. Em casa, comida fresquinha me esperando. Pensei: batata frita. Há tempo estou com uma tremenda vontade de comer batatas fritas. Chegou a hora. E onde? A melhor é a do MC Donald's (leia-se "emici donáldis"). Um dilema. Quebrar a regra? Bem... Já aprendi que não se deve ser radical. Então, me rendi ao desejo e à necessidade de sódio, e lá fui eu. Fila e tudo. Custava R$ 3,25. Dei uma nota de R$ 50,00 - era a que eu tinha (mais tarde descobri que tinha uma de vinte, mas era tarde).

A gente quebra regras, sim, mas isso traz conseqüências. Às vezes, castigo, mesmo.

Pois ele veio depressa: eu recebi 32 reais em notas de dez e de um, e todo o restante do troco em moedas de R$ 0,25. Elas brilhavam, reluziam, de tão novas. Mas eu, realmente, mesmo eu, que normalmente prefiro moedas às notas velhas e fedorentas, não acreditei no que estava vendo. A mocinha espalhando as 59 (isso mesmo! cinqüenta e nove) moedas de vinte e cinco centavos ali, no balcão. E perdia a conta, e voltava a contar... Enquanto isso, eu imaginava se conseguiria levar o peso daquele dinheiro na bolsa e se haveria onde carregar, porque minha carteira possui um porta-moedas e não um cofre... E a mocinha contava e recontava e contava de novo... O tempo passando, e na minha cabeça a palavrinha martelava: castigo, querida, castigo. Quem mandou? Batatinha do Tio Sam... Financiando a guerra do Iraque... Essas coisas. Até que, enfim, a menina achou que o troco estava correto. Ela. Porque eu não.

Sorrindo gentilmente, eu disse olhando nos seus negros olhos:
- Sabe que eu gosto muito de moedas? Até prefiro moedas, no lugar de notas. Mas, convenhamos... Como você acha que eu vou conseguir carregar esse dinheiro todo? - o dinheiro não cabia nas duas mãos da moça, para você ter uma idéia.

Não tão delicadamente, ela me respondeu:
- Só tenho assim.
- Veja se no outro caixa não há algumas notas, por favor.
- Fulana (sei lá qual era o nome da colega) troca cinco? - ela só se dispunha a trocar cinco reais, dos quase quinze, percebe?
Olhou pra mim, e fazendo um movimento com a boca, típico de quem está rindo por dentro, não disse nada. Apenas continuou me olhando.

Eu já havia comido umas três batatinhas, mas não tive dúvida:
- Então eu não quero mais, tá bom? - e devolvi o saquinho, estendendo a mão para receber de volta minha nota de cinqüenta.

Os olhos da menina pela primeira vez me levaram a sério. Ainda assustada, ela olhou para os lados e se dirigiu ao primeiro rapaz de camisa branca que passava. Gaguejando, ela perguntou:
- Você tem nota?

O rapaz, que devia ser o gerente, olhou abismado para as moedas, me olhou, olhou de novo, meio incrédulo, e colocou no balcão notas novinhas de dois reais. O suficiente para que eu conseguisse sair dali com a coluna esticada. Mas a mocinha, tadinha, ainda meio enrolada, contou quarenta e seis reais. Deu-me duas moedas de um e dois reais em moedas de vinte e cinco centavos.

- É isso? - eu perguntei.
- Sim. Quarenta e seis reais.
- Mas ainda falta...
Sem esboçar qualquer reação, pegou três moedas de R$ 0,25 e me entregou.

Um sorriso, de novo, e me dirigindo ao gerente apenas com os olhos, fiz com que ele entendesse que agora eu só queria as moedas inevitáveis. Não sei se fui muito enfática - eu sei mesmo ser enfática, só com os olhos - ou se ele era mesmo bem esperto, mas sei que percebeu e compreendeu exatamente qual era a idéia.

Saí de lá com R$ 46,00 em notas, com apenas três moedas, e com quinze minutos a menos do meu dia, numa operação que deveria durar menos de dois minutos, já que a porção de batatas já estava pronta, antes de eu chegar.
Continuo gostando mais de moedas que de notas velhas e fedidas. Mas tudo tem limite!


Moral da história?
Você pode até quebrar uma regra; mas tenha tempo para contar em quantos pedaços ela se partiu.

De Vinicius e Tom Jobim

Nascido em 25 de janeiro de 1927, estaria completando 80 anos, hoje, se estivesse vivo, o maestro TOM JOBIM. Musicou os poemas mais lindos de Vinicius. Inclusive... "Eu sei que vou te amar".

E se essa não é a música da sua vida, um dia foi; ou ainda será. Pode acreditar.
Porque ninguém passa pela vida sem sofrer a eterna desventura de viver à espera de viver ao lado de outro alguém, por toda a sua vida...


Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida, eu vou te amar
Em cada despedida, eu vou te amar
Desesperadamente

Eu sei que vou te amar

E cada verso meu será
Pra te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida

Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua, eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta tua ausência me causou

Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida



quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Donnez un peu de mouvement à votre vie

Jogos Pan-Americanos 2007


Serão dois milhões de ingressos postos à venda, para o Pan-Americano de 2007, aqui no Rio de Janeiro, segundo informações de "O Globo on line".
Inicialmente, mas ainda sem data marcada, as vendas serão pela internet. Depois, sim, postos espalhados pela cidade irão vender, também, os ingressos; mas apenas a partir da segunda semana de março.
Algumas modalidades esportivas serão abertas, e ninguém precisará pagar nada: ciclismo, maratona, marcha, triatlon e maratona aquática. Para alguns outros esportes, os ingressos terão "preços populares".
Até agora ninguém divulgou o que são preços populares, e o que não é popular. Até agora a gente só sabe mesmo que de graça é de graça. Se é que ainda é assim.
Então, sem desculpas. Quem acha o evento imperdível, ainda que esteja sem grana já pode ir pensando no seu lugarzinho, nas ruas do Centro, da zona sul, nas pistas do Aterro e nas águas de Copacabana.
Eu sei que nas arquibancadas do vôlei você vai me encontrar.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Provocando movimento

Quando você tem uma idéia na cabeça, ou desiste dela ou ela vai lhe perturbar, azucrinar o juízo, até tomar forma e passar de idéia a realização. Sua idéia pode ficar como um sonho, ou não. Pode limitar-se a um suspiro de desejo, ou expandir-se e tornar-se um instrumento de transformação de tudo ou de parte do que hoje está a sua frente.
É a diferença entre sonho e utopia. O sonho é apenas o exercício da imaginação, ou a idealização dos desejos mais secretos, seu inconsciente. Vontades, apenas. A utopia é o sonho que eu quero realizar. A utopia não são os sonhos irrealizáveis. A utopia é exatamente onde eu quero chegar.

Thomas Moore (ou Morus) deu o nome de "Utopia" a uma espécie de romance filosófico onde contava-nos de uma ilha desconhecida e falava das condições de vida naquele lugar. A ilha se chamava UTOPIA. Lá não havia propriedade privada nem intolerância religiosa, que haviam sido abolidas. A partir daí parece que se começou a utilizar o termo "utopia" para qualquer tentativa parecida, para qualquer idealismo político, religioso, social, que fosse muito, muito difícil de alcançar, impossível de se conseguir, inatingível.

Tive um Mestre de Direito Político e tenho saudades dele e de suas aulas, na faculdade. Chorei, quando soube, passados uns dois ou três anos de formada, que havia morrido... Ele era enfático. Emotivo. Emocionante. E quando começava a falar sobre "utopia"... nossa!! Com ele aprendi as lições de João Baptista Herkenhoff, para quem a utopia "é a representação daquilo que não existe ainda, mas que poderá existir se o homem lutar para sua concretização." Aprendi que a utopia é "a consciência antecipadora do amanhã". Ainda tenho cadernos, anotações, e lembranças.


Simples aspirações podem não passar do campo dos sonhos e se tornar um mero escape da realidade. Porém, quando tomam força, assumem corpo e consistência, podem se converter em instrumento de transformação da realidade. A "Utopia", eu aprendi e nunca esqueci, é antes de tudo uma forma de ação, porque provoca o movimento da pessoa.

Quando eu tenho uma idéia na cabeça, ou ela vira um sonho e eu me afasto dela mais cedo ou mais tarde, ou ela me perturba, azucrina meu juízo, até tomar forma e passar de idéia a realização. É quando ela se chama "Utopia". Porque provoca o meu movimento para alcançar aquilo que eu quero.