segunda-feira, 30 de junho de 2008

O dia que mudou de cara

Hoje era para ser apenas a véspera, um dia sem uma cara própria, um dia cuja importância se resumiria a isto: "ser a véspera". Mas não foi assim. Tornou-se um dia com seus próprios acontecimentos e não foi o que eu desejava houvesse sido: apenas uma segunda-feira, a véspera de amanhã... porque a manhã começou cinza, nublada com a notícia da morte de Sara, a quem, carinhosamente, durante toda a minha vida, sei lá por que, eu chamei de "Sarowyska"; quem, durante toda a minha vida, sei lá por que, me amou e me chamou de "filha".
E assim se vai um dia que poderia ter passado em branco, silente, quieto e insignificante, apenas antecedendo o dia que viria depois... E se vai o dia em que eu disse adeus a minha amiga querida.

Descanse em paz, Sarowyska. Um dia nos reencontraremos.

Hoje

Hoje é a véspera.

domingo, 29 de junho de 2008

"Hoje é domingo, pede... cachimbo esporte!"

Hoje, todos os jogos do mundo ao mesmo tempo!
Caramba!
Brasil x Venezuela
(vôlei)
Flamengo x Sport
(Campeonato Brasileiro - não vejo ninguém na minha frente!! ahahaha!!)
Alemanha x Espanha
(EuroCopa 2008)
Haja pilha no controle remoto da tv, a partir das quatro da tarde!

sábado, 28 de junho de 2008

Feliz Sábado!!


É Inverno, mas alguma coisa, no meu coração,
me diz que é tempo de Primavera!!

Feliz Sábado!!

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Os votos - por Sergio Jockymann

Fazemos votos e pensamos em bons desejos, geralmente, na época do Natal ou do Ano Novo.
Esquecemos que a vida (re)começa a cada dia, e que a luta também é uma coisa diária.
Esquecemos que até mesmo os mais fortes são um pouco fracos e que erramos muito, por mais que tenhamos sempre a vontade de acertar. Esquecemos que a vida é um passeio e não uma corrida; que o ponto de chegada é tão importante como a caminhada; e esquecemos que o amor, sempre o amor, é e será sempre o combustível da nossa alma...
Por tudo isso, hoje, nesta manhã de inverno, em que o sol discretamente aparece para nos aquecer, refaço meus votos, nas palavras de Sergio Jockymann:


“Pois, desejo primeiro que você ame e que amando, seja também amado,
E que se não o for, seja breve em esquecer e esquecendo, não guarde mágoa.

Desejo depois que não seja só, mas que se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos e que, mesmo maus e inconseqüentes, sejam corajosos e fiéis,
E que em pelo menos um deles você possa confiar, que confiando, não duvide de sua confiança.
E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos, nem muitos nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes, você se interpele a respeito de suas próprias certezas
E que entre eles haja pelo menos um que seja justo, para que você não se sinta demasiadamente seguro.

Desejo, depois, que você seja útil, não insubstituivelmente útil,
Mas razoavelmente útil. E que nos maus momentos, quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé. Desejo ainda que você seja tolerante,
não com os que erram pouco, porque isso é fácil, mas com aqueles que erram muito e irremediavelmente,
E que essa tolerância não se transforme em aplauso nem em permissividade,
Para que assim fazendo um bom uso dela, você dê também um exemplo para os outros.

Desejo que você, sendo jovem, não amadureça depressa demais e que, sendo maduro,
não insista em rejuvenescer e que, sendo velho, não se dedique a desesperar.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
é preciso deixar que eles escorram dentro de nós.

Desejo, por sinal, que você seja triste, mas não o ano todo,
nem em um mês e muito menos numa semana, mas apenas por um dia.
Mas que nesse dia de tristeza, você descubra que o riso diário é bom,
o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra com o máximo de urgência, acima e a despeito de tudo,
Talvez agora mesmo, mas se for impossível, amanhã de manhã,
que existem oprimidos, injustiçados e infelizes,
e que estão à sua volta, porque seu pai aceitou conviver com eles.
E que eles continuarão à volta de seus filhos, se você achar a convivência inevitável.

Desejo ainda que você afague um gato, que alimente um cão
e ouça pelo menos um joão-de-barro erguer triunfante o seu canto matinal.
Porque assim você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,
por mais ridícula que seja, e acompanhe o seu crescimento dia-a-dia,
para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro, porque é preciso ser prático.
E que, pelo menos uma vez por ano, você ponha uma porção dele na sua frente e diga:
Isso é meu. Só para que fique bem claro quem é dono de quem.

Desejo ainda que você seja frugal, não inteiramente frugal,
não obcecadamente frugal, mas apenas usualmente frugal.
Mas que esse frugalismo não impeça você de abusar quando o abuso se impõe.

Desejo também que nenhum dos seus afetos morra, por ele e por você.
Mas que, se morrer, você possa chorar sem se culpar e sofrer sem se lamentar.

Desejo, por fim, que sendo mulher você tenha um bom homem,
E que sendo homem, tenha uma boa mulher.
E que se amem hoje, amanhã, depois, no dia seguinte, mais uma vez,
E novamente, de agora até o próximo ano acabar,
E que quando estiverem exaustos e sorridentes,
ainda tenham amor para recomeçar.

E se isso só acontecer, não tenho mais nada para desejar. ”

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Esse é o Mengão!!

Sua Santidade, o Papa, com camisa personalizada (leia-se: O Papa recebe o "manto sagrado").
É. Vamos combinar... isso, só o Flamengo faz.


E enquanto isso, os tricolores batiam cabeça até não poder mais, em Quito. E depois ainda comemoraram a derrota por "apenas" 4x2.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Sentir-se amado

E, de repente... você deu de cara com aquele texto, naquela noite fria de um inverno gélido. Chuva caindo lá fora e aqui dentro você se perguntando: - "eu te amo" diz tudo??
Experimentou tirar os olhos dos trechos, porque eram elucubrações demasiado trabalhosas para aquela hora da noite.... ou talvez fosse uma intenção discreta de fugir do assunto. Vai saber! Liga a tv, na ânsia de se distrair com qualquer beijo de novela, qualquer comercial de sabão ou margarina, mas seus olhos, em vigília, se voltam para aquele texto, porque a dúvida insiste, não importa se você resiste... "Eu te amo" diz tudo??

"Sentir-se amado" (por Martha Medeiros)

"O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.
Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.

Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.

A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?

Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. 'Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho'.

Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d'água. 'Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato.'

Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.

Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo."

terça-feira, 24 de junho de 2008

Não me faça perguntas...

... eu apenas queria dúzias e dúzias de tulipas
por onde quer que eu passasse, hoje...

Clarice Lispector

"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."

Texto extraído do programa "ÍNDICE CULTURA - Editoria Especial"
Produzido pela CULTURA FM

segunda-feira, 23 de junho de 2008

O casaco - por Manoel de Barros

Um homem estava anoitecido.
Se sentia por dentro um trapo social.
Igual se, por fora, usasse um casaco rasgado
e sujo.
Tentou sair da angústia
Isto ser:
Ele queria jogar o casaco rasgado e sujo no
lixo.
Ele queria amanhecer.


Manoel de Barros in Poemas Rupestres
imagem daqui

domingo, 22 de junho de 2008

Domingo é dia de ler todos os jornais do Brasil...

... e do mundo inteiro! Divirta-se!

AQUI ou AQUI

sábado, 21 de junho de 2008

Feliz Sábado!!

Esta semana tivemos uma festa, no meu trabalho. Comemoramos o aniversário de quatro colegas.
L., geralmente, é a responsável por organizar tudo, desde recolher o dinheiro até a ordem final: "Vamos começar!"

Ela cuida do cardápio, do horário e das lembrancinhas - até quando o aniversário é o dela. E ainda faz cara de surpresa quando desembrulha o próprio presente!

Este ano, M.J. ganhou uma blusa e um filme em Dvd.

M.J. é daquelas garotas altas, bonitas, descoladas, e é cheia de sorrisos e sentimentos bons. Desenvolvemos um hábito bastante agradável de trocar textos, ao longo da semana. E acho que isso tudo começou com ela. Quando é um texto engraçado, passa de mão em mão, e todo mundo ri. Às vezes, é de Português, e a gente acaba sempre aprendendo mais uma. Na maioria das vezes, porém, o texto é de algum escritor querido, da nossa literatura brasileira. E aí... a gente se emociona. Sim, emoção de encher os olhos d'água!

Quando M.J. ganhou o filme, entrei logo na fila. "- Eu quero ver de novo! Eu quero!" Temos a mesma opinião: o filme é bárbaro! Porque é cheio de ensinanças e aprendizagens e todo envolto em sentimentos. Meu irmão viu seis vezes, no cinema, pra você ter uma idéia. Eu já vi umas quatro. E ontem à noite, aqui sentada... assim, de repente... senti uma vontade imensa de lembrar das cenas, dos poemas, da emoção que rege a vida da gente e do sentido que se há de colocar nas coisas e na vida, pra não se esmorecer, pra não se viver em vão.
Já disse, outro dia, que "ando tão à flor da pele que qualquer beijo de novela me faz chorar", e então dá para imaginar o tanto de lágrima que rolou quando revi, no youtube, Sociedade dos Poetas Mortos - a cena final.

Eu espero que você compreenda que lágrimas e prantos não traduzem, unicamente, tristeza, ou você vai imaginar que ando triste demais, estes dias. Não é exatamente isso. É que nem sempre minha emoção se traduz da maneira mais prática...

E para que o nosso sábado seja muito feliz, fiquemos com este poema, de Walt Whitman, o poeta do filme.

Carpe diem! Tenha um sábado feliz!


"Aproveita o dia,
Não deixes que termine sem teres crescido um pouco.
Sem teres sido feliz, sem teres alimentado teus sonhos.
Não te deixes vencer pelo desalento.
Não permitas que alguém te negue o direito de te expressares, que é quase um dever.
Não abandones tua ânsia de fazer de tua vida algo extraordinário.
Não deixes de crer que as palavras e as poesias, sim, podem mudar o mundo.
Porque, passe o que passar, nossa essência continuará intacta.
Somos seres humanos cheios de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Ela nos derruba, nos lastima, nos ensina, nos converte em protagonistas de nossa própria história.
Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua, tu podes trocar uma estrofe.
Não deixes nunca de sonhar, porque só nos sonhos pode ser livre o homem.
Não caias no pior dos erros: o silêncio.
A maioria vive num silêncio espantoso. Não te resignes, e nem fujas.
Valoriza a beleza das coisas simples; pode-se fazer poesia bela, sobre as pequenas coisas.
Não atraiçoes tuas crenças.
Todos necessitamos de aceitação, mas não podemos remar contra nós mesmos.
Isso transforma a vida em um inferno.
Desfruta o pânico que provoca ter a vida toda a diante.
Procura vivê-la intensamente, sem mediocridades.
Pensa que em ti está o futuro, e encara a tarefa com orgulho e sem medo.
Aprende com quem pode ensinar-te as experiências daqueles que nos precederam.
Não permitas que a vida se passe sem teres vivido...


Feliz Sábado!! Carpe diem!

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Estamos tristes...

Com essa ninguém contava...
Eu, realmente, acreditava que Portugal chegaria lá.

Feliz Aniversário, Chico!!


Eu não sabia explicar nós dois
Ela mais eu
Porque eu e ela
Não conhecia poemas
Nem muitas palavras belas
Mas ela foi me levando pela mão
Íamos todos os dois
Assim ao léo
Ríamos, choravamos sem razão
Hoje lembrando-me dela
Me vendo nos olhos dela
Sei que o que tinha de ser se deu
Porque era ela
Porque era eu


Salve! Salve! Chico Buarque de Hollanda!!

64 anos de pura poesia!

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Ando tão à flor da pele
que qualquer jogo Brasil x Argentina me faz chorar...

A vírgula

No dia 7 de abril deste ano a ABI, Associação Brasileira de Imprensa, completou seu primeiro centenário. Uma campanha comemorativa, sobre a transparência e a liberdade de informação, foi veiculada na mídia. O texto, bastante interessante, não é apenas uma aula de Português. Na verdade, é uma aula de conscientização.
O vídeo, você encontra AQUI.
O texto, a seguir:

A vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

Uma vírgula muda tudo.

ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Leituras inadiáveis


Este livro é como um livro qualquer.
Mas eu ficaria contente se fosse lido apenas
por pessoas de alma já formada.
Aquelas que sabem que a aproximação,
do que quer que seja, se faz gradualmente
e penosamente - atravessando inclusive
o oposto daquilo que se vai aproximar.
Aquelas pessoas que, só elas,
entenderão bem devagar que este livro
nada tira de ninguém.
A mim, por exemplo, o personagem G.H.
foi dando pouco a pouco uma alegria difícil;
mas chama-se alegria.
C.L.

Eu não queria falar antes da hora porque, parece, todas as vezes que nos últimos cinco anos eu falei em férias, as coisas desandaram. Mas vou falar. Em julho (respiro...) Em julho eu estarei de férias. Pronto! Falei. Agora é esperar que tudo dê certo.

Pois bem. Foi então que eu planejei uma pequena viagem e grandes leituras, para as minhas férias. Mas acontece que os livros, parece, não querem esperar, e é aí que imagino uma ventania soprando as folhas que se abrem e pedem, a minha frente: "- leia-me! leia-me! leia-me!"

Por mau costume, ou por bom hábito, termino sempre lendo dois ou três livros ao mesmo tempo. Demoro mais, é verdade, mas é o meu jeito. E então não resisto; e muito embora esteja lendo "Banalogias", do Francisco Bosco, e combinado comigo mesma que só abriria Clarice, Martha, Lya e Saulo Ramos depois do dia 1º de julho, não combinei isso com os livros e suas letras, que pululam bem aqui, rente aos meus olhos...

É claro que Clarice (e me desculpem o jogo de palavras) é a mais pululante; e irrompe, num arroubo que lhe é tão particular!
Encontro estas palavras, já de início:

"Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar."


Não sei se consigo esperar até 1º de julho...

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Depois a gente pensa...


Por ora, é hora de comemorar a estrela de Ballack-meu-bem!!
Brilhou!!!!


Depois a gente pára e pensa no confronto entre
alemães e portugueses. Depois.

E agora, José?

De repente, o benefício da dúvida não se afigura um bem, mas um mal, e "no more doubts" é agora a certeza do não.
O inevitável acontece, mas você esperava, mesmo, pelo inesperável - que, incapaz de mover-se sozinho, não veio; pois, de resto, as coisas não mudam se você não mudar; ou não. E não digo das coisas e de sua constância - como se quanto a isso houvesse dúvida! É de você que se diz... e quero dizer: você muda; ou não.
E foi no instante em que o silêncio disse tudo que a inércia moveu os pensamentos. E aconteceu do riso fazer-se choro; e fez-se, do sonho, a desilusão; da esperança fez-se a ânsia; do querer, o desistir; do desejo, a expectativa; e a expectativa, desatinada, coitada, desaguou na frustração.
Foi-se o benefício da dúvida.
E nada aconteceu como se ousou esperar...
E agora, José?

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E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
(Drummond)


Sempre que chove, qualquer poema de Quintana vem sempre datado de 1779, enquanto minha alma chora, às vezes sem nem saber por que, sempre que chove.

domingo, 15 de junho de 2008

Clariceando

Às vezes me dá enjôo de gente.
Depois passa e fico de novo
toda curiosa e atenta.
E é só.


Clarice Lispector in Onde estivestes de noite