terça-feira, 13 de abril de 2010

A diferença entre a mera obrigação e o prazer


Tô fazendo Pilates. Foi o jeito que eu encontrei de não me tornar sedentária. Academia, definitivamente, não é a minha praia, e a delícia do Pilates é que você tem praticamente um "personal trainer" (sem o custo próprio dos "personals"), pois as turmas não têm mais que cinco/seis alunos... Meus treinos têm duração de uma hora, uma hora e meia, e dada a flexibilidade do horário, algumas vezes faço aula sozinha, "exclusividade no atendimento". A-do-ro!, embora haja diversão garantida quando a turma tem meninos e meninas treinando juntos.

Percebe-se com facilidade, minha treinadora ama o que faz. Detalhes. Detalhes que fazem a diferença. Quando estou "atacada" da tendinite (tenossinovite ou qualquer um da família), ela cuida de mim com ultrassom... Tem as massagens, que às vezes a gente descola, no final da aula, porque ela sente algum músculo mais tenso e trata de cuidar disso também. Enfim, que me desculpem os professores de Educação Física, mas treinar com um fisioterapeuta, e um fisioterapeuta que ama o que faz, é o máximo!

Diante dessas particularidades, o estúdio passa a ser um lugar tão agradável que a gente termina ficando por lá um pouco antes e um pouco depois do treino, batendo papo. Semana passada, por exemplo, minha aula era às seis e terminei saindo de lá por volta das nove!

E tudo isso eu resolvi falar porque a gente precisa, de uma vez por todas, aprender que só se faz bem aquilo que se faz com amor. E trabalhar só é um fardo impossível de carregar quando não se tem prazer naquilo que se faz. Não importa se você é mecânico, professor, gari ou doutor; pouco importa a profissão ou a atividade que você exerce; o segredo é que tem de ser por amor.

Se for só pela grana você não vai ser feliz. Se for com paixão, o retorno pessoal compensa. Se for um degrau pra depois chegar em algum lugar, mesmo assim faça com amor. Faça o melhor. Seja o melhor, do que quer que você seja. Hoje você é empregada doméstica, pensando em um dia ser Enfermeira? Então seja a melhor doméstica que puder ser. Faça bem feito, faça com amor. Se não souber trabalhar com amor agora, não saberá fazer isso depois e será uma enfermeira igualmente frustrada.

Vejo os operários daquela obra que atormenta meu sono, aqui em frente de casa, cantando às sete da madrugada. Você sabe o que é isso? Felicidade. Devem ter mil problemas, trilhões de dificuldades. Mas estão lá, rindo, cantando, desde cedo, até o anoitecer, e jogam cartas, à noite. Ontem mesmo um deles cantava em inglês e tinha uma voz que o garantiria como finalista no "American Idol", acredite no que estou dizendo! Pode ser que ser pedreiro seja uma ponte para um dia ele chegar a cantor. Pode ser que seu sonho seja mesmo ser um "Brazilian Idol", quem sabe? Mas se agora trabalhar com amargura, com ódio no coração, se for enjoado, irritadiço, um sem-amor, é com isso que vai se habituar. E duvido que alguém aposte num reclamão. Duvido que consiga ser feliz depois, se não consegue agora...

Fui professora por muitos anos. Ganhava mal. Algumas vezes cheguei a ganhar muuuuito mal mesmo, mas sempre dei o meu melhor no trabalho que eu fazia. Um tempo depois mudei de área e meu trabalho continua exigindo de mim o máximo daquilo que eu posso oferecer; eu não lhe nego, e ainda tento dar um pouquinho mais. Às vezes trabalho nos finais de semana, às vezes tenho uma folguinha num ou noutro dia útil. Às vezes trabalho por três pessoas. E quanto mais eu trabalho direito, mais eu atraio mais trabalho (inclusive dos outros... rs). Mas nunca reclamo "a sério". Sou feliz, sim, e faço tudo o que me chega às mãos para fazer com o máximo de dedicação, com amor, e dando o meu melhor. Além de tudo, carrego comigo a certeza de que, no que depende de mim, as pessoas recebem aquilo que se pode chamar de justo, e com uma celeridade que geralmente as surpreende. Eu me orgulho disso. E isso também me faz feliz.

O pedreiro, ali da obra, coloca o cimento com alegria. Sorri e canta, enquanto trabalha. Faz com amor.
A fisioterapeuta do Pilates oferece mais do que naturalmente se esperaria de uma treinadora.
Em algum lugar existe alguém, todas as manhãs, que acorda com um tremendo mau humor porque precisa trabalhar naquilo que não gosta, mas que lhe garante (ou nem isso) uma boa grana.
Em outro lugar, amanhece alguém que corre pra luta disposto a dar o seu melhor, naquilo que faz. Alguém que se sente bem. Eu queria muito que sempre estivéssemos aí, nesse caso.

Bom dia de trabalho, pra você!
"Bom dia; mas bom dia mesmo!"

9 comentários:

Suzana Martins disse...

Huum.. Adooro pilates.
Nossa, a gente sai da academia com a alma leeeve!!^^

É Suzi, realmente temos fazer as coisas com prazer. Quando dedicamos o nosso tempo em trabalho, atividades que gostamos, o tempo parece não existir e todo o resultado é satisfatório. Não importa a profissão, o que realmente importa é a vontade de produzir e fazer aquilo que gostamos!!!

BOM DIA MEEESMO!!!!

Beijos

guiga disse...

Adoro Pilates! É melhor do que mil academias juntas! Trata o corpo e a mente!

Bom dia mesmo para ti! :D
Beijos *.*

J@de disse...

Acho que meu próximo passo vai ser Pilates, pq academia já deu!
Sempre fui dedicada ao meu trabalho, mas há 2 anos atrás eu era assim, ganhava melhor e vivia mal humorada, embora adore minha profissão... hoje ganho metade e trabalho feliz!!
Beijos!!

deize disse...

Tem um tempinho que não passo por aqui.Ou se passo não escrevo. Só leio e admiro.
Hoje acordei com um telefonema que me fez mal pq eu precisava de uma palavra de ânimo e só ouvi lamentação.
Aí disparei: resmunguei meio mundo que detesto mau humor matinal (e durante todo o dia tb). Mas matinal é intragável!!! Quem tem esse hábito e estava por perto ouviu tudo que sempre guardo e tento não levar em conta.

Sabe, não me esforço, vem naturalmente meu sorriso de bom dia a quem encontro. E topar com cara amarrada, palavras (mal)ditas e pessimismo logo ao abrir os olhos, sem nem mesmo agradecer pq tem vida e pôde abrir os olhos é demais!!!
Talvez isso não tenha muito a ver com o foco que vc deu. Mas me tocou especialmente hoje. É muito bom acordar e agradecer, louvar, ver e procurar beleza ainda que tudo esteja feio e triste.
Uffff... Mas não pense que fiquei assim o dia todo. Saí e fui trabalhar no que gosto e faço com muito prazer.
Boa noite

Amigao disse...

Sabe, meu pai dizia que depressão é coisa de rico.Pobre não tem tempo pra isso não.
Talvez aí esteja o segredo da coisa.

Beijão do amigão

Ps. Eu não sei o que é pilates.Sério.

Suzi disse...

Amigão, eu sei que lendo não é a mesma coisa... mas dá pra ter um pouquinho de ideia do que é a paradinha:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pilates

:)

Ronaldo disse...

Eu não conhecia este blog, mas adorei o que vc disse. Falou com personalidade e tocou fundo em meu coração. Sou professor e realmente devemos amar oq fazemos. Caso contrário é só procurar algo que nos dê prazer pra seguir adiante. Fique com Deus Suzi e obrigado pelo texto. Abraços

Suzi disse...

Hola, Ronaldo!!
Seja bem-vindo por aqui (continuo sem saber se esse hífen vai, obrigatoriamente, cair em 2012...)!!

Volte sempre que quiser, porque aqui as portas e janelas vivem abertas, dia todo, noite a dentro, madrugada à fora. É chegar e entrar.

Um abraço, muito grata pelas doces palavras, e parabéns pela honrada profissão que você esclheu abraçar. Tenho saudades...

Suzi disse...

Engraçado... respondi o comentário da Deize e ele não apareceu... Só vi isso hoje...

Bem, o que importa dizer é, na verdade, repetir, que sair pra trabalhar naquilo que a gente gosta e que nos faz feliz pode inclusive ser um remédio para o mau humor dos outros.

Obrigada, mais uma vez, pelas suas sempre carinhosas palavras, mocinha!
;)