
Um dia corrido, hoje. Meus planos incluíam um final-de-semana tranqüilo, na companhia de gente querida, e uma segunda-feira mergulhada no trabalho, em casa. Nove processos.
Acontece que movi uma ação em face da Telemar
(prestadora de serviços de telefonia), no começo do ano, e dia 30 saiu a sentença, acolhendo parcialmente os pedidos que haviam sido formulados. Insatisfeita, não cogitei de outra saída a não ser a interposição de um recurso. Agora é um Juiz Leigo quem profere a sentença, e então a submete à apreciação do Juiz togado, que a homologa. Particularmente não gostei da "novidade"; mas, enfim...
Então, tudo bem. A irresignação se demonstra por recurso e não com blá-blá-blá. Fui fazer o meu. É engraçado você estar do lado de cá; preparando, e não examinando, razões recursais. Assim, ontem à noite, bem à noite, tipo onze horas/meia-noite, depois de um feriado prolongado e muito agradável, sentei aqui pra fazer meu recurso. Acabei às duas e tal da madrugada. Fui dormir às três, e só então me dei conta de que minha programação para a segunda-feira iria furar:
dada a incompatibilidade entre a minha profissão e o exercício da profissão de advogado, eu não posso assinar nenhuma peça processual;
eu precisava de algum colega, para assinar a petição;
seria preciso uma procuração;
o processo está em nome da minha irmã - quem teria de assinar a procuração seria ela;
não adiantava mandar por e-mail pro escritório de nenhum colega, porque ainda faltaria a assinatura, na procuração;
eu teria de colher a assinatura da minha irmã; ir ao escritório e colher a assinatura do colega, que, no caso, foi AP, profissional que sempre quebra meus galhos; e, por fim, ir ao fórum protocolar o recurso;
cada coisa está distante da outra cerca de 20 km, em média;
eu precisava voltar pra casa e trabalhar.
Naturalmente, concluí logo cedo que, considerando-se a minha condição de ser humano
(ou "serumana", como dizia R.), eu não daria conta de tudo, incluindo nesse "tudo" os nove processos trazidos e o Mandado de Segurança que chegou por lá hoje e que, porque eu estava por perto, terminei trazendo. São oito e meia, agora. Cheguei em casa, de volta, às quatro da tarde. Dormi das cinco às sete e estou aqui, neste momento, resolvendo os "pepinos" mais urgentes. Amanhã quero chegar lá por volta das sete e pouco da madrugada, para me organizar. Preciso dormir cedo. Sono atrasado, ainda, da época do Mundial de Vôlei Masculino e da semana do aniversário... A cidade, para quem está por lá a trabalho, é uma correria.
Mas sabe o que é ótimo, nessa correria do Centro da cidade? Ver a criatividade dos camelôs.
Uma barraquinha localizada num ponto estratégico, na esquina da Rua da Assembléia com Rua do Carmo, eu acho. Vendiam-se canetas, baterias, capinhas para celular e pulseiras de relógio. Imagino que muitas pessoas não acostumadas a andar pelo centro da cidade devem parar ali para tomar informações. Imagino que o camelô, dono da barraca, já esteja cansado disto. Por isso, imagino, a plaquinha pendurada, escrita a mão, num papelão:
"BALCÃO DE INFORMAÇÕES:
0,30"