sexta-feira, 9 de julho de 2010

Quando a piada perde a graça

Somos assim: um povo que ri da própria desgraça, uma gente que faz piada dos próprios infortúnios, e por isso se sente assim tão à vontade pra rir da miséria dos outros, pra fazer piada da desventura alheia... Somos assim e nos orgulhamos disso. É uma espécie de "lavação de alma". Especialmente quando nada há que possamos fazer... nós rimos e fazemos rir. Temos que esse é o melhor remédio. Então, o lance é rir.

Mas às vezes cansa.
Cansa. E a piada se torna sem graça. Às vezes a desgraça é tanta, nos outros, que é preciso piedade de nós mesmos, pra que esse espírito de zombaria dê um tempo, se afaste, e a gente pare de ser meio boboca e leve as coisas um pouco mais a sério. Ou, o que seria melhor, com respeito.

Não condeno ninguém que esteja brincando com os fatos. Não mesmo. Eu mesma me levo pouco a sério e prefiro o riso à tristeza, mas às vezes é imprescindível parar de rir...

Insisto que nenhuma vez, sequer, critiquei quem está rindo com isso, rindo disso, quem esteja criando frases engraçadas, piadas, e fazendo humor com tudo o que está acontecendo com o Bruno, esse cara que vive experimentando o céu e o inferno desde que nasceu.
Não critico mesmo. Acho que é da natureza do brasileiro, isso. Mas pra mim já deu.

Da única vez que tentei rir de uma das piadinhas que circularam por aí, e cheguei até a repassar pra uma meia dúzia de gentes, meu riso não durou mais que dez segundos. Porque, se o cara for culpado a piada não vai ter graça nenhuma; e se for inocente... muito menos.

Não consigo mais rir disso, e só consigo sentir uma tremenda amargura.

Hoje li um texto que traduz um pouco daquilo que tenho pensado e falado com as pessoas, referentemente a esse assunto. E continuo sentindo uma tristeza muito grande, que me impede de rir e replicar os posts que leio no twitter, que recebo por emails, que ouço por aí...

Queria, por mim, pelas crianças, pelo povo brasileiro, pela torcida do Flamengo, por todos os torcedores de outros times, pelas famílias, pelo amor, por Deus do Céu, pela fé, pela humanidade, pelos animais, pela vida, pela esperança, pela mulheres, pelos homens, pelos pobres, pela Eliza, pelo Bruno... queria muito que isso tudo não passasse de um pesadelo de quem "foi dormir de barriga cheia".

Queria acordar e ler: "ELIZA SAMUDIO APARECE E DIZ QUE PRETENDEU APENAS DAR UM SUSTO NAS PESSOAS", ou algo parecido. E, aí sim, que tudo fosse uma grande piada.

Por enquanto, tudo o que ouço é piada que perdeu a graça...

4 comentários:

Custódia C.C. disse...

Toda a história é demasiado triste e cruel para poder ter graça ...

Juliana Freitas disse...

Eu até estava na onda das piadinhas, mas depois de saber dos requintes de crueldade, me embrulhou o estômago. Na verdade, que idiota sou eu, com ou sem requintes de crueldade, foi um crime, alguém morreu e outro alguém fez uma merda sem tamanho com a própria vida. Não tem nada o que achar graça mesmo.

Amigao disse...

No ínicio foi até engraçado e todo mundo tinha a sensação que a moça iria aparecer mesmo.Perdeu a graça.
Não estou mais acompanhando o caso pois preciso dormir tranquilo e este tipo de coisa me faz perder o sono.
Sofro pensando na criança que um dia vai crescer e vai querer saber o que aconteceu com o mãe, com o pai...
Triste.

Beijão
(Não fui pro Rio)

J@de disse...

Eu me sinto um pouco como você com relação a toda essa história...
Já ri de algumas piadas, mas no fundo, no fundo, não tem mesmo graça nenhuma!!
Beijos!!