
Tô fazendo Pilates. Foi o jeito que eu encontrei de não me tornar sedentária. Academia, definitivamente, não é a minha praia, e a delícia do Pilates é que você tem praticamente um "personal trainer" (sem o custo próprio dos "personals"), pois as turmas não têm mais que cinco/seis alunos... Meus treinos têm duração de uma hora, uma hora e meia, e dada a flexibilidade do horário, algumas vezes faço aula sozinha, "exclusividade no atendimento". A-do-ro!, embora haja diversão garantida quando a turma tem meninos e meninas treinando juntos.
Percebe-se com facilidade, minha treinadora ama o que faz. Detalhes. Detalhes que fazem a diferença. Quando estou "atacada" da tendinite (tenossinovite ou qualquer um da família), ela cuida de mim com ultrassom... Tem as massagens, que às vezes a gente descola, no final da aula, porque ela sente algum músculo mais tenso e trata de cuidar disso também. Enfim, que me desculpem os professores de Educação Física, mas treinar com um fisioterapeuta, e um fisioterapeuta que ama o que faz, é o máximo!
Diante dessas particularidades, o estúdio passa a ser um lugar tão agradável que a gente termina ficando por lá um pouco antes e um pouco depois do treino, batendo papo. Semana passada, por exemplo, minha aula era às seis e terminei saindo de lá por volta das nove!
E tudo isso eu resolvi falar porque a gente precisa, de uma vez por todas, aprender que só se faz bem aquilo que se faz com amor. E trabalhar só é um fardo impossível de carregar quando não se tem prazer naquilo que se faz. Não importa se você é mecânico, professor, gari ou doutor; pouco importa a profissão ou a atividade que você exerce; o segredo é que tem de ser por amor.
Se for só pela grana você não vai ser feliz. Se for com paixão, o retorno pessoal compensa. Se for um degrau pra depois chegar em algum lugar, mesmo assim faça com amor. Faça o melhor. Seja o melhor, do que quer que você seja. Hoje você é empregada doméstica, pensando em um dia ser Enfermeira? Então seja a melhor doméstica que puder ser. Faça bem feito, faça com amor. Se não souber trabalhar com amor agora, não saberá fazer isso depois e será uma enfermeira igualmente frustrada.
Vejo os operários daquela obra que atormenta meu sono, aqui em frente de casa, cantando às sete da madrugada. Você sabe o que é isso? Felicidade. Devem ter mil problemas, trilhões de dificuldades. Mas estão lá, rindo, cantando, desde cedo, até o anoitecer, e jogam cartas, à noite. Ontem mesmo um deles cantava em inglês e tinha uma voz que o garantiria como finalista no "American Idol", acredite no que estou dizendo! Pode ser que ser pedreiro seja uma ponte para um dia ele chegar a cantor. Pode ser que seu sonho seja mesmo ser um "Brazilian Idol", quem sabe? Mas se agora trabalhar com amargura, com ódio no coração, se for enjoado, irritadiço, um sem-amor, é com isso que vai se habituar. E duvido que alguém aposte num reclamão. Duvido que consiga ser feliz depois, se não consegue agora...
Fui professora por muitos anos. Ganhava mal. Algumas vezes cheguei a ganhar muuuuito mal mesmo, mas sempre dei o meu melhor no trabalho que eu fazia. Um tempo depois mudei de área e meu trabalho continua exigindo de mim o máximo daquilo que eu posso oferecer; eu não lhe nego, e ainda tento dar um pouquinho mais. Às vezes trabalho nos finais de semana, às vezes tenho uma folguinha num ou noutro dia útil. Às vezes trabalho por três pessoas. E quanto mais eu trabalho direito, mais eu atraio mais trabalho (inclusive dos outros... rs). Mas nunca reclamo "a sério". Sou feliz, sim, e faço tudo o que me chega às mãos para fazer com o máximo de dedicação, com amor, e dando o meu melhor. Além de tudo, carrego comigo a certeza de que, no que depende de mim, as pessoas recebem aquilo que se pode chamar de justo, e com uma celeridade que geralmente as surpreende. Eu me orgulho disso. E isso também me faz feliz.
O pedreiro, ali da obra, coloca o cimento com alegria. Sorri e canta, enquanto trabalha. Faz com amor.
A fisioterapeuta do Pilates oferece mais do que naturalmente se esperaria de uma treinadora.
Em algum lugar existe alguém, todas as manhãs, que acorda com um tremendo mau humor porque precisa trabalhar naquilo que não gosta, mas que lhe garante (ou nem isso) uma boa grana.
Em outro lugar, amanhece alguém que corre pra luta disposto a dar o seu melhor, naquilo que faz. Alguém que se sente bem. Eu queria muito que sempre estivéssemos aí, nesse caso.
Bom dia de trabalho, pra você!
"Bom dia; mas bom dia mesmo!"











