quarta-feira, 20 de setembro de 2006
Especiarias

Eu amo o aroma da canela. Amo o aroma, o sabor, a textura, e então tenho paus de canela espalhados no interior do armário, para perfumar.
Quando quero um leite quente, coloco Toddy e uns dois pauzinhos de canela naquela xícara enorme e enquanto sobe aquela fumacinha cheirosa fico lá saboreando, sorvendo feliz e calmamente.
Há outros ares e sabores tão perfumados e doces. Deliciosamente agradáveis assim. Hoje vou libar um outro que também gosto muitíssimo. E casualmente, num próximo "post", volto a falar sobre isso.
terça-feira, 19 de setembro de 2006
Histórias de amor - XLIII
E então ele se deu conta do risco, cogitou do erro, e quis acabar com tudo ali mesmo, por telefone, na segurança da distância, na ausência dos olhos dela. Medo. Um medo pertinaz. Mas suava de paixão. Êxtase. Das suas palavras escorria a sede de embebedar-se ainda por mais tempo daquela paixão extasiante que já tomava conta dos dois. A razão mandava-os pôr um fim a tudo. Mas que "tudo", se ainda era tão jovem aquele amor, tão pequeno ainda, diante de toda a imensidão que ainda haveria de ser? Pediu-lhe ingênua e sinceramente: "tenha paciência comigo". E ela não pôde resistir... Rendeu-se ao doce desafio e continuou a amá-lo apaixonadamente. Porque enquanto ela o trazia de volta à vida, ele trazia a vida de volta a ela.
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segunda-feira, 18 de setembro de 2006
Haurindo
Pois eu tomei um banho que terminou com Ekos de castanha no corpo, coloquei um jeans confortável e personalizado ("customizado" como diriam alguns - e as estrelinhas que coloquei são tão lindas...), fiz um rabo-de-cavalo, joguei um pouquinho de Paloma Picasso no ar e passei correndo por baixo (vi isso num filme e achei o máximo!! - mesmo achando um desperdício, já que me restam apenas poucas gotas de um perfume que eu amo mas nem quero mais comprar por questões filosóficas ou de princípios, como se queira chamar), coloquei uma blusa de decote quadrado que eu simplesmente amo, calcei uma botinha com meias confortáveis e macias, peguei a bolsa, cartão do banco, chave do carro, e estava pronta. Quase. Vi-me sem cor, nos espelhos, que são tantos, pela casa; pálida, esquálida, reflexo de dias e noites em reclusão na última semana, senti uma necessidade imensa do calor do sol por toda a minha pele. Passei um batom. Disfarce medíocre, mas profícuo. Respirei fundo. Dei-me um sorriso. Enfim estava pronta pra ganhar a rua, depois de tanto tempo. Ocorreu-me telefonar, antes. Descobri, então, que era desnecessário percorrer 20km pra resolver o caso. Um trajeto menor, de talvez dois mil metros, e eu já daria início a tudo daqui mesmo, de tão perto. Ótimo, pensei. Acomodei-me um pouco, pelos 18 quilômetros desprezados. Li Clarice Lispector, fragmentos, que dizia, então, em algum ponto: "A quem devo pedir que na minha vida se repita a felicidade?", e perdi-me debatendo mentalmente essa idéia aparentemente simplista. Um cheiro de terra molhada invade a casa e é o vento trazendo a chuva, que não se demora nem mais dois minutos. Barulho de água caindo do céu, batendo nas folhas, escorrendo no chão. Um giro no corpo e eu vejo pelas luzes da rua o caminho da chuva no começo da noite. Ela vem na direção da varanda, como se quisesse dar de beber às flores, e então aumenta a intensidade, como se, sôfrega, quisesse logo chegar. Fico ali fitando o espetáculo, que já na próxima rajada se move em outra direção. E agora ela cai intensa, firme, numa linha, vertical. E é ainda pela luz da rua que eu consigo ver o desenho da chuva, que vai alternando entre deitar seus pingos brandamente e cair em abundância sobre a terra já umedecida. Não vejo a lua. Aos poucos, tiro os sapatos... E mantendo as meias confortáveis nos pés, solto os cabelos, recosto-me no travesseiro, chamo Vander Lee pra cantar "Meu Jardim", e deixo para amanhã os problemas do mundo. Com licença, porque "tô relendo minha lida, minha alma / meus amores / to revendo minha luta, minha vida / meus valores / refazendo minhas forças, minhas fontes / meus favores / tô regando minhas folhas, minhas faces / minhas flores / tô limpando minha casa, minha cama / meu quartinho / tô soprando minha brasa, minha brisa / meu anjinho / tô bebendo minhas culpas, meu veneno / meu vinho / escrevendo minhas cartas, meu começo / meu caminho / estou podando meu jardim / estou cuidando bem de mim."
Cineminha

Sabe que nestes últimos dias estou meio reclusa, por assim dizer. Então resolvi assistir a alguns filmes - vejo tão pouco, quando estou em ritmo alucinante de trabalho, que havia muita coisa a ser vista.
Sessão cineminha começou:
De "Diários de Motocicleta" bastaria dizer: EMOCIONANTE. Foi, precisamente, a minha impressão. Mas eu preciso falar de dois momentos que me fizeram derramar lágrimas: 1) a primeira vez que um leproso recebe um aperto de mão sem luva, dado por Ernesto. O encanto da cena, do homem, a sensibilidade do ator... tudo na medida certa, tudo muito emocionante; e 2) a despedida de Ernesto, quando conversa com três leprosos, na escadinha, e mais uma vez os toca e eles agradecem, tão sensibilizados.
O filme já valeria por essas duas cenas. Mas ver o próprio Alberto Granado, naquela última tomada... E, nos extras, ouvi-lo falar da admiração por Ernesto Guevara, tocaram-me profundamente. Intensamente, eu diria.
Em "De porta em porta" o que mais me encantou foi perceber a importância da mãe na vida daquele homem que mesmo sofrendo de paralisia cerebral tornou-se o "vendedor do ano" na empresa em que trabalhava, e onde conseguiu emprego por incentivo da mãe, que sempre lhe ensinou acerca da paciência e da perseverança. Lembrei da minha mãezinha e da grande incentivadora que ela é, da nossa carreira, dos nossos sonhos... Uma grande mãe!
Por fim, as comédias.
A primeira, "Tudo em família". Histórias de amor, mesmo que bagunçadas ou que bagunçam a vida sempre me emocionam. E, no final, lá estava eu chorando de novo. E não era comédia???
A outra, "A Partilha". Como não vi a peça, peguei o filme pra ver. Com uns dois anos de atraso, é verdade. O mais legal do filme? A cena em que elas dançam "Dancing Days" na praia. Que céu azul é aquele, caramba?? Ora, ora!, o céu mais azul do mundo - o céu do Rio de Janeiro. E dançam até o sol se pôr, num cenário de pôr-de-sol belíssimo, cena que valeu o filme, pra mim.
A última comédia que vi foi "O Amor Custa Caro", com duas das figuras mais lindas e charmosas do cinema: George Clooney e Catherine Zeta-Jones. Divertidíssima comédia que envolve advogados, tribunais, amor e dinheiro. Clooney faz uma cara impagável, na cena em que a personagem de Catherine se casa com o "milionário do petróleo" e o seu assistente se comove. O Sr. Miles sacando os ataques de emoção de seu colega rendeu ótimas gargalhadas aqui. Os extras também são muito bons.
E antes que eu me esqueça, o drama francês com a doce e bela Audrey Tautou, que vive a encantadora francesinha Angélique: "Bem Me Quer Mal Me Quer". Um filme que começa leve e quase pueril se transforma num eletrizante suspense conduzido de forma surpreendente. É uma história de amor cheia de surpresas. Cheguei a supor, pela sinopse, que eu iria chorar, vendo o filme. Mas, na verdade, cheguei a ter medo.
E então? Vai uma pipoca, aí?
Venha até a borda
domingo, 17 de setembro de 2006
Mike e seu primeiro cartão vermelho

Pela primeira vez na sua carreira linda e brilhante, maridinho alemão levou um cartão vermelho em campo, hoje, no clássico contra o Liverpool, no qual o Chelsea ganhou de 1x0 - quinta vitória consecutiva. Mike perdeu a bola numa disputa e, junto, perdeu a cabeça. Cometeu uma falta e foi punido com o vermelhinho, aos cinco minutos do segundo tempo.
Mas é doce e tem classe...
"É uma situação ruim para mim", declarou, contidamente. "É o primeiro vermelho da minha carreira. Eu não tive intenção de machucá-lo. Acabei de falar com ele e pedir desculpas", acrescentou.
Pois não é mesmo que depois da partida Ballack-meu-bem esperou do lado de fora do vestiário do Liverpool para se desculpar com o moço?
Mas logo vem a primavera
Amanhece um novo dia 17

Seis meses se passaram.
Depois de uma semana inteira de sol e céu azul, o céu acontece cinza.
O dia vem sem cor.
Gotas de chuva.
Como se fossem lágrimas.
E não importa se continuamos a chorar nossos mortos,
se eles insistem em nos fazer falta,
se a dor da saudade incomoda,
se nossa alma continua enlutada.
A vida simplesmente não pára, para os que ficam.
Os dias se renovam,
novos acontecimentos,
alegrias e tristezas.
Não sei se algum dia o dia 17 de cada mês terá outro sentido, pra mim; mas, passados seis meses, ele continua sendo um marco de dor e de uma certa melancolia.
Saudade.
sábado, 16 de setembro de 2006
Histórias de amor - edição extra
"Vou mexer nos seus planos,
confundir os seus sonhos,
Vou devolver sua vida."
confundir os seus sonhos,
Vou devolver sua vida."
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sexta-feira, 15 de setembro de 2006
Poema Ausência - por Vinicius de Moraes e Flávio Chamis

"Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos
no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono
desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada"
Séries da TV - Friends

Agora me diga que também não conhece o Joey!!! Joey Tribbiani
(apideiti em parceria com Agá W. - que percebeu o "Joye" mas não notou o "Tribianni". Francamente!!)
quinta-feira, 14 de setembro de 2006
Citação
"Não fazer nada é o trabalho mais cansativo do mundo pois você não pode se demitir e descansar."
Sobre ser apenas mulherzinha, de vez em quando
Dia desses, a Gio estava falando que ía fazer um "programa de mulherzinha". Aquelas coisas: salão, manicure, comprinhas básicas. Aí, hoje, lembrando disso, pensei em escrever a respeito de ser apenas "mulherzinha", de vez em quando, e de como isso é bom... Mas entre o acabar de escrever, escolher a imagem e postar, fui visitar a Taia e me deparo com a expressão lá também - só que falando da "mulherzinha mesquinha". Mas não é dessa que estamos tratando aqui! É daquela coisa boa que a gente de vez em quando quer, tipo ter alguém pra levar você de carro ao trabalho, você no banco do carona, lendo jornal; alguém pra ir à padaria buscar aquele pão quentinho; que redija pra você a petição inicial ou que prepare o recurso de um processo que você está movendo; alguém que venha buscar você em casa, na hora de passear, e que resolva os problemas com a Ceg, com a oficina mecânica, com o Globo, a operadora de celular, e ainda leve o carro pra lavar. É que cansa, ser Mulher Maravilha o ano inteiro, e cuidar de tudo, em casa, no trabalho, na vida...
Uia! Acho que estou tão carente, esses dias!
Ainda bem que isso passa e que eu tenho quem faça pelo menos algumas dessas coisinhas por mim, num raio de 100km.

update: e não é que Albinha falou em mulherzinha hoje também??? O que é isso, minha gente? O que é isso??
Uia! Acho que estou tão carente, esses dias!
Ainda bem que isso passa e que eu tenho quem faça pelo menos algumas dessas coisinhas por mim, num raio de 100km.

update: e não é que Albinha falou em mulherzinha hoje também??? O que é isso, minha gente? O que é isso??
Bala de leite Kids - a melhor bala que havia

Roda, roda, roda baleiro, atenção /quando o baleiro parar põe a mão / pegue a bala mais gostosa do planeta / não deixe que a sorte se intrometa / bala de leite Kids / a melhor bala que há / bala de leite kids / quando baleiro parar.
Sábado estávamos passeando pelo Rio Design da Barra e, de repente, começamos a lembrar de coisas da nossa infância. Mais que depressa a música da bala de leite kids, a imagem do baleiro rodando, e aquela musiquinha deliciosa vieram a minha mente. Perguntei quantos lembravam e todo mundo levantou a mão. Rimos um bocado e cantamos a música inteirinha, como crianças. E duvido que não éramos, mesmo, naquela hora...
quarta-feira, 13 de setembro de 2006
Enquanto isso, na escolinha...
Na escola da periferia a professora de inglês pergunta:
- Joãozinho, úatis ióneime?
- Quê??
- Zezinho, úatis ióneime?
- Quê??
- Marcelino, úatis ióneime?
- My name is Marcelino, my father's name is Marcos, my mother is Maria, and I have no brothers nor sisters! - diz o Marcelino todo contente. Ao que a professora responde:
- Quê????
- Joãozinho, úatis ióneime?
- Quê??
- Zezinho, úatis ióneime?
- Quê??
- Marcelino, úatis ióneime?
- My name is Marcelino, my father's name is Marcos, my mother is Maria, and I have no brothers nor sisters! - diz o Marcelino todo contente. Ao que a professora responde:
- Quê????
A Funarte, o Piano e a Família
Outro dia fui ouvir um piano, na Sala Funarte. *
Final de expediente. Tão pertinho, é quase só atravessar a rua. E começo a ter noção do quanto eu tenho perdido ao deixar de freqüentar aquele espaço, que traz sempre tão boa música.
André Mehmari.
Ele brinca com os dedos, ao tocar piano. Quase um teatro, ele dança com as mãos sobre as teclas, no ar, e interpreta cada música com uma emoção especialmente própria. Tocou Chico, Lennon e McCartney, Pixinguinha, dentre outros; além de composições suas, variações, valsas e chorinhos.
Talvez porque durante toda a minha infância e adolescência eu ouvi piano, em casa, talvez porque seja mesmo um dos mais belos sons que se pode ouvir, o certo é que eu amo piano. Meus irmãos são pianistas: minha irmã é musicista por amor - pianista amador - meu irmão é músico profissional, graduado em Música, compositor, produtor, arranjador, maestro, e tudo o mais.
Tínhamos um piano em casa - hoje eles também têm piano na casa deles, naturalmente, o que é mesmo fantástico! - e, diariamente, esse era o som que meus ouvidos ouviam. Sempre tocaram muito bem - uma das razões que me fez desistir das aulas, porque eu já queria começar a tocar do jeito que eles tocavam e não me conformava em tocar "O Bife" - e além de sempre tocarem bem, sempre tocaram piano com gosto, com alegria, nunca por obrigação. A gente sente a diferença.
Acho lindo quando nos reunimos e nos pomos a cantar, com meus irmãos ao piano. É uma das cenas mais belas e inesquecíveis, que se renovam em cada encontro que temos, e que ficarão guardadas na minha memória eternamente.
Por falar nisso... quais são as lembranças eternas que você vai guardar da sua família?
*A Sala Funarte fica na Rua da Imprensa, 16. E há sempre noites musicais, ali. Você ouve boa música, enquanto passa a hora do "rush". E termina chegando em casa quase no mesmo horário, com a diferença de que a sua alma voltou alimentada.
Sala Funarte Sidney Miller
MikeBall
terça-feira, 12 de setembro de 2006

Primeiro dia de "quase-férias", acordo às sete e quarenta e cinco da madrugada com o telefone tocando. Tudo bem. Tento dormir de novo, não consigo. Tuuuudo bem. Levanto. Meu pai vem aqui trazer a bolsinha térmica para as compressas. Agora, sim, realmente tudo bem. Um banho quente. Os banhos sempre são quentes, a despeito da rinite. Um copo de leite com Toddy. Pessoal da internet a cabo chega e eu digo que preciso ler o contrato cuidadosamente. Dispenso-os. Eles não entendem nada e vão embora, mas sem aborrecimentos. Compreensíveis. Agenda na mão, começo a traçar a programação das "férias", que compreende oficina mecânica, "backup copy", reinstalação do Windows, arrumação do guarda-roupa, reorganização do escritório, compra das caixinhas pros sapatos, processos, doutrina e jurisprudência acerca de Ação Rescisória, compra de material elétrico - fios, reatores - para instalar a iluminação extra da sala, dentista, e um pouco de lazer. Dez horas da manhã. J., o mecânico, diz que pode ver meu carro hoje e eu vou até lá; serviço altamente vip, um empregado da oficina vem me trazer em casa e volta com meu carro, prometendo fazer o possível para me devolver ainda hoje. Tomara. Enquanto isso, N. prepara uma sopa de ervilhas pra mim (o siso deu de tentar sair, de novo, e não há espaço pra ele; a história de siso ocluso, ou "juízo fechado" retorna, depois de um ano, e talvez eu não consiga escapar, desta vez, da cirurgia para extraí-los, todos, e de preferência todos no mesmo dia - eu queria mas ninguém concorda com essa idéia). É difícil ter juízo. Dez e cinqüenta. Telefone toca. Alegria. É sempre assim. E fico pensando: começar o dia de madrugada realmente faz muita diferença! Quanta coisa já fiz!!! Acho até que já posso ir dormir um pouquinho, enquanto vocês trabalham...
Quando eles são admiráveis
O trânsito do Rio de Janeiro, quando você está sozinho, no carro, na hora do "rush", é simplesmente estressante demais! Indescritivelmente chato. Quando você está acompanhado, as coisas melhoram muuuuuito, porque você ri, brinca, conta e ouve histórias, filosofa, aquela filosofia de beira de estrada, baratinha mas profunda, faz crítica, análise, até sintática, léxica, morfológica, faz síntese, e aquela síntese da Lógica!, ri de novo, faz silêncio, enfim, quando vê, chegou!
Pois ontem eu voltava pra casa com M. Inevitavelmente, o assunto chegou naquele tema do perjúrio e do perjuro. E mais uma vez não tivemos respostas para tantas perguntas... Impressionante como aquela história de "eu lhe concedo o benefício da dúvida" não satisfaz quando só nos resta mesmo isso, sem alternativas. Terminamos rindo. Como sempre fazemos, afinal.
Deixei M. no lugar de sempre e segui sozinha os últimos cinco minutos do meu percurso. E na minha cabeça, só restou a seguinte ilação:
um homem pode ser agradável, interessante, bonito,
pode ser atraente, gentil, elegante,
pode ser charmoso, rico, inteligente...
mas se não tiver palavra não tem honra.
E sem a sua honra nenhum homem é admirável.
Pois ontem eu voltava pra casa com M. Inevitavelmente, o assunto chegou naquele tema do perjúrio e do perjuro. E mais uma vez não tivemos respostas para tantas perguntas... Impressionante como aquela história de "eu lhe concedo o benefício da dúvida" não satisfaz quando só nos resta mesmo isso, sem alternativas. Terminamos rindo. Como sempre fazemos, afinal.
Deixei M. no lugar de sempre e segui sozinha os últimos cinco minutos do meu percurso. E na minha cabeça, só restou a seguinte ilação:
um homem pode ser agradável, interessante, bonito,
pode ser atraente, gentil, elegante,
pode ser charmoso, rico, inteligente...
mas se não tiver palavra não tem honra.
E sem a sua honra nenhum homem é admirável.
segunda-feira, 11 de setembro de 2006
Histórias de amor - XLII
Ela era como Alice no país das maravilhas.
Ele, como o sapo dos contos de fadas.
Ela, sorrindo, beijou-o.
Ele permaneceu inerte,
parado na beira do rio.
Gluuub!
Gluub
Glub
Glu
Gl
G
.
Ele, como o sapo dos contos de fadas.
Ela, sorrindo, beijou-o.
Ele permaneceu inerte,
parado na beira do rio.
Gluuub!
Gluub
Glub
Glu
Gl
G
.
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Ontem à noite
Depois de uma tarde (in)quieta, fui à locadora. Trouxe três filmes, e não me parecem ser os melhores - à exceção de "Diários de Motocicleta" - mas eu estava cansadinha, e ficar em pé, procurando filme, não era muito o que eu queria.
Hoje tem cineminha em casa de novo. Hoje e amanhã, enquanto faço compressas de água quente, no braço teimoso.
Hoje tem cineminha em casa de novo. Hoje e amanhã, enquanto faço compressas de água quente, no braço teimoso.
É isso aí!
Li em algum lugar que é preciso ter alguém em quem confiar e com quem se possa falar abertamente, num raio de 100km. Mais longe que isto, simplesmente não adianta...
domingo, 10 de setembro de 2006
A força do bem

A atriz Isabel Fillards tem um filho que nasceu com a Síndrome de West - uma doença rara que compromete o desenvolvimento da criança e que exige um tratamento intensivo e caro. A gravidez e o nascimento de seu filho Jamal Anuar, em maio de 2003, marcaram sua vida de forma definitiva. Ela e o marido decidiram criar "A Força do Bem" - um projeto que pretende beneficiar crianças que necessitam de cuidados especiais e não têm condições para isso. O principal objetivo é realizar o primeiro censo de mapeamento das pessoas com deficiência no Brasil, a fim de auxiliar quem não está recebendo cuidados. Divulgue esse site. Alguém pode estar precisando.
Sandra Guinle pós Páginas da Vida

Lindíssima, como se era de esperar, a exposição das esculturas de Sandra Guinle. Foi uma noite bem divertida, onde nos encontramos, eu, Taia, Taio, Moniquete, Rui, Márcia Clarinha e sua família. Depois da exposição, pedimos pizza e rimos muito, inclusive de nossa triste realidade: depois de "Páginas da Vida" Sandra está para nós assim como a girafa está para a formiguinha...
Moniquete gostou dos menininhos que custavam trinta e seis mil reais. Taia queria a bailarina que era das mesmas dimensões do moço girando o menino no ar - cento e cinqüenta mil. Eu ficaria com as meninas brincando de roda (esta da foto é a de tamanho médio; há uma pequena e uma grandona), mas, como disse o Taio, desisti porque eram quatro primas e não quatro irmãs, brincando de roda... Só por isso.
Algumas coisas só o dinheiro compra; para todas as outras, existem pizzas de chocolate e boas risadas.
Histórias de amor - XLI
Ela sentada ao luar.
Ele no mar tão distante.
E se comunicavam no silêncio.
Ele no mar tão distante.
E se comunicavam no silêncio.
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sábado, 9 de setembro de 2006
Feliz Sábado!!!!!
Acabo de falar com V. ao telefone.
E na despedida, não poderia ser diferente - ele grita de lá em bom e alto som, com toda a alegria do mundo:
E na despedida, não poderia ser diferente - ele grita de lá em bom e alto som, com toda a alegria do mundo:
FELIIIIZ SÁBADOOOO!!!
sexta-feira, 8 de setembro de 2006
Ai, meu bracinho...
Dizem que sou manhosa, quando estou dodói...A gente precisa ser forte, no dia-a-dia; precisa trabalhar sério, encarar problemas, cuidar do orçamento, decidir entre o fazer e o não-fazer, se é justo, se é legal, decidir quem tem razão... A gente mata um leão todo dia, no trabalho, no trânsito, na rua, em casa... Resolve os pepinos, apazigüa as brigas entre os amigos, cuida da mágoa dos outros, socorre a vizinha, ouve quem não tem ninguém pra conversar, dá consultoria pra quem vem em busca de socorro, trabalha no final-de-semana pra diminuir a morosidade da justiça, cuida das plantas, da casa, prepara estudantes, cuida dos amigos doentes e tristes que precisam da gente mais do que tudo... A gente briga pelos direitos dos outros, protege quem é mais fraco, encara quem é mais forte...
...e agora me diga: na hora que fica dodói a gente não tem mais é que querer um denguinho??
O esôfago
Ontem, quando fui dormir, deixei uma xícara enorme de leite quente com chocolate e canela na cabeceira da cama, para tomar com a dose do remédio, mais tarde. E fui ler a bula, já deitada.
E então, acontece que eu não posso tomar o comprimido e deitar, porque há o risco de ele ficar retido no esôfago. Era o que estava escrito lá; e que tenho, também, de tomar o comprimido com um copo inteiro de água, para não correr o risco de ele ficar preso no esôfago (nunca li tantas vezes "esôfago"!).
O tratamento é por cinco dias, e sem fazer as contas e sem ler a bula antes, comecei a tomar o remédio às 13h30min de ontem. Sendo três doses diárias, percebe-se que é preciso acordar às cinco e meia da madrugada. Tem noção?
Pois às cinco e meia eu acordei, peguei o comprimido, meio assim no automático, meio sentada, meio deitada, bebi o leite todinho, para não deixar o remédio ficar no esôfago, e voltei a deitar. Deitei e lembrei: aaaaahhhhhh!!!!! não pode deitar! Ai... que angústia! Que sono! Que raiva do esôfago! Que medo de melhorar do braço e ficar mal desse cara! Sem remédio, sentei na beirada da cama. Achei que estava bom assim. Mas pensei: será que ele sabe a diferença entre sentado e deitado? Na dúvida, levantei. E passeei por cinco minutos pela casa, porque queria apressar o caminho do comprimido. Quem sabe, com movimento, ele ía se desprendendo mais rápido e se alojando onde realmente deveria, que eu nem sei onde é...
Voltei, deitei, dormi.
Tem noção do que será repetir esse ritual até a madrugada de terça-feira??
E então, acontece que eu não posso tomar o comprimido e deitar, porque há o risco de ele ficar retido no esôfago. Era o que estava escrito lá; e que tenho, também, de tomar o comprimido com um copo inteiro de água, para não correr o risco de ele ficar preso no esôfago (nunca li tantas vezes "esôfago"!).
O tratamento é por cinco dias, e sem fazer as contas e sem ler a bula antes, comecei a tomar o remédio às 13h30min de ontem. Sendo três doses diárias, percebe-se que é preciso acordar às cinco e meia da madrugada. Tem noção?
Pois às cinco e meia eu acordei, peguei o comprimido, meio assim no automático, meio sentada, meio deitada, bebi o leite todinho, para não deixar o remédio ficar no esôfago, e voltei a deitar. Deitei e lembrei: aaaaahhhhhh!!!!! não pode deitar! Ai... que angústia! Que sono! Que raiva do esôfago! Que medo de melhorar do braço e ficar mal desse cara! Sem remédio, sentei na beirada da cama. Achei que estava bom assim. Mas pensei: será que ele sabe a diferença entre sentado e deitado? Na dúvida, levantei. E passeei por cinco minutos pela casa, porque queria apressar o caminho do comprimido. Quem sabe, com movimento, ele ía se desprendendo mais rápido e se alojando onde realmente deveria, que eu nem sei onde é...
Voltei, deitei, dormi.
Tem noção do que será repetir esse ritual até a madrugada de terça-feira??
Leo Buscaglia
Lendo Leo Buscaglia, há muito, muito tempo, aprendi que o contrário do amor não é o ódio; é a indiferença.
quinta-feira, 7 de setembro de 2006
Sabedoria Garfield
Frio tremendo
O principezinho
Era uma vez um príncipe. Um pouco desobediente, como não devem ser os príncipes. Estava longe de casa e o rei queria que ele voltasse logo pro seu reino, porque andava fazendo coisas que não agradavam à Corte.
Então, em janeiro de um certo ano, alto verão, céu azul e águas límpidas no mar, o principezinho recebeu uma carta, ordenando que voltasse rapidamente pro seu reino. Mas ele disse: não, eu não vou; eu fico. Era dia nove.
Pouco tempo depois recebeu outra carta, e agora exigiam seu retorno imediato para o reino de seu país. Quando recebeu essa carta, o príncipe estava passando à beira de um riacho, onde corriam águas livres, seguindo seu curso, sem qualquer impedimento... Naquele instante, o principezinho, que vestia sua linda roupa real, puxou da cintura a espada e então gritou: "É tempo... Independência ou Morte!"
E era o dia sete de setembro de 1822 quando isto aconteceu. E acontece que no Brasil ficou conhecido como o "Dia da Independência".
Notas:
a) É claro que histórias de príncipes têm de ser contadas de um jeito que o príncipe seja sempre belo, do bem, e herói.
b) É claro que D. Pedro decidiu ficar por aqui muito mais pelos aristocratas - que estavam muito, muito interessados em não ter seus privilégios afetados (latifúndios e escravismo) e que, em troca da futura independência, iriam dar ao principezinho todo o apoio como Imperador - do que pelo povo, o pobre povo...
c) É claro que não se deveria esquecer dos líderes do movimento que deu início a todo o processo de independência; os que por isso foram presos, trazidos para o Rio de Janeiro, que responderam pelo crime de inconfidência (ausência de fidelidade ao rei), e que, por fim, restaram condenados; até por enforcamento, tendo pedaços do corpo espalhados pelas estradas.
d) É claro que o "sete de setembro" foi apenas a consolidação de uma ruptura política. A questão social....
Muito embora tenha sido de grande valor, o fato histórico comemorado hoje não provocou rupturas sociais no Brasil. O povo, o povo que vagueava pela linha da pobreza, aquele ainda hoje tão de(sen)cantado, nem tomou conhecimento, muito menos entendeu o significado dessa tal "independência". A estrutura agrária não se modificou, foi mantida a escravidão, e a distribuição de renda permaneceu desigual. Aquela elite, que dera suporte ao príncipe, foi, realmente, quem mais se beneficiou.
e) Por fim, não é claro que apenas ficamos independentes de Portugal?
P.S.
Não é curioso que os Estados Unidos da América tenham sido (ao lado do México), o primeiro país a reconhecer a independência do Brasil? Vamos combinar: eles sempre foram muito espertos...
texto de apoio: suapesquisa.com
Então, em janeiro de um certo ano, alto verão, céu azul e águas límpidas no mar, o principezinho recebeu uma carta, ordenando que voltasse rapidamente pro seu reino. Mas ele disse: não, eu não vou; eu fico. Era dia nove.
Pouco tempo depois recebeu outra carta, e agora exigiam seu retorno imediato para o reino de seu país. Quando recebeu essa carta, o príncipe estava passando à beira de um riacho, onde corriam águas livres, seguindo seu curso, sem qualquer impedimento... Naquele instante, o principezinho, que vestia sua linda roupa real, puxou da cintura a espada e então gritou: "É tempo... Independência ou Morte!"
E era o dia sete de setembro de 1822 quando isto aconteceu. E acontece que no Brasil ficou conhecido como o "Dia da Independência".
Notas:
a) É claro que histórias de príncipes têm de ser contadas de um jeito que o príncipe seja sempre belo, do bem, e herói.
b) É claro que D. Pedro decidiu ficar por aqui muito mais pelos aristocratas - que estavam muito, muito interessados em não ter seus privilégios afetados (latifúndios e escravismo) e que, em troca da futura independência, iriam dar ao principezinho todo o apoio como Imperador - do que pelo povo, o pobre povo...
c) É claro que não se deveria esquecer dos líderes do movimento que deu início a todo o processo de independência; os que por isso foram presos, trazidos para o Rio de Janeiro, que responderam pelo crime de inconfidência (ausência de fidelidade ao rei), e que, por fim, restaram condenados; até por enforcamento, tendo pedaços do corpo espalhados pelas estradas.
d) É claro que o "sete de setembro" foi apenas a consolidação de uma ruptura política. A questão social....
Muito embora tenha sido de grande valor, o fato histórico comemorado hoje não provocou rupturas sociais no Brasil. O povo, o povo que vagueava pela linha da pobreza, aquele ainda hoje tão de(sen)cantado, nem tomou conhecimento, muito menos entendeu o significado dessa tal "independência". A estrutura agrária não se modificou, foi mantida a escravidão, e a distribuição de renda permaneceu desigual. Aquela elite, que dera suporte ao príncipe, foi, realmente, quem mais se beneficiou.
e) Por fim, não é claro que apenas ficamos independentes de Portugal?
P.S.
Não é curioso que os Estados Unidos da América tenham sido (ao lado do México), o primeiro país a reconhecer a independência do Brasil? Vamos combinar: eles sempre foram muito espertos...
texto de apoio: suapesquisa.com
quarta-feira, 6 de setembro de 2006
Raio X
Estou indo cumprir as ordens médicas. Radiografia para ver o que ficou fora do lugar aqui no braço, que ainda dói. Mais do que deveria. Mais do que eu gostaria...
Agora, o lado dengoso da coisa: poxa... vou sozinha... ninguém pra me levar ao médico...
Agora, o lado dengoso da coisa: poxa... vou sozinha... ninguém pra me levar ao médico...
Nietzsche
Aos filósofos bastam os reflexos num espelho. Mas eu preciso de risos, de dança, de beleza. Por isso eu conto parábolas, faço aforismos, escrevo com sangue.
[FN-II- (II) p. 305]
[FN-II- (II) p. 305]
Gio, Suzi e Taia

Ontem à noite fizemos nossa tão aguardada rota cultural.
Suzi, Taia e Gioconda passearam pelas exposições de Anish Kapoor, no CCBB, de fotografias do Brasil, e de Di Cavalcanti, estas duas últimas no Centro Cultural da Caixa.
Caminhamos pelas ruas de "Downtown", entre um Espaço e outro, e fomos rindo, olhando a arquitetura da cidade, parando pra curtir a iluminação dos prédios antigos, contando nossas histórias de meninas, e da alegria de estarmos ali juntas, vendo coisas tão lindas e já programando a visita à exposição da Sandra Guinle.
Cada uma com seu olhar, seus sentimentos, fomos percebendo juntas as obras que estavam expostas. E foi uma experiência interessante. As esculturas "When I am Pregnant" e "Double Mirror", do Senhor Kapoor, os textos de Di Cavalcanti sobre o Rio, e a foto de Duran, daquelas pernas esticadas no carro, parece que são mesmo unanimidade!!
Conhecer a Gio foi uma alegria imensa. Falante, bem articulada, bela, sorridente e divertida, proporcionou-nos bons momentos de risos. E foi mesmo muuuuito agradável sua companhia. Além de descobrirmos amigos "quase em comum"!!!
Taia, que eu já conhecia, me encontrou no trabalho com suas bochechinhas rosadas, seu jeitinho de criança linda, e foi comigo o caminho todo, constantemente doce, sorridente, com suas histórias boas de ouvir, e sempre com conhecimentos em todas as áreas, até de medicina do trabalho!!!
Chegamos em casa tarde, e cansadas. As três. Mas valeu a pena, ô, ô, valeu a pena!!!
terça-feira, 5 de setembro de 2006
Sorri

“Sorri, quando a dor te torturar e a saudade atormentar os teus dias tristonhos, vazios. Sorri, quando tudo terminar, quando nada mais restar do teu sonho encantador. Sorri, quando o sol perder a luz e sentires uma cruz, nos teus ombros cansados, doridos. Sorri, vai mentindo a tua dor e ao notar que tu sorris todo mundo irá supor que és feliz”.
Charles Chaplin, John Turner e Geoffrey Parsons são os autores dessa música que teve versão brasileira assinada por Braguinha.
Dizem que nosso corpo não sabe fazer diferença entre um sorriso espontâneo e aquele meio forçado. E que o efeito orgânico é o mesmo. Porque um sorriso sempre faz bem.
Cada um sabe a dor que o atormenta, mas é preciso continuar sorrindo... Pode até ser um sorriso do jeito que Carlitos sorria, assim meio triste, assim um tanto amarelo, misturando o palhaço alegre que existe na gente com o adulto que reclama das coisas que não gosta, como se ainda fosse criança. Porque, afinal, somos palhaço e criança, sempre, mesmo quando crescidos. E é por isso que fazemos besteiras, bobagens e brincadeiras, às vezes sem-graça...
Hoje eu daria tudo pra ver esse sorriso de volta...
Para W.
Desde jovem sonhei com uma condição em que o trabalho, à semelhança daquilo que acontece com os artistas, pudesse ser um motivo de prazer. O trabalho não apenas como meio de vida, mas o trabalho como brinquedo. As crianças brincam por puro prazer. Imaginava uma situação em que os homens, ao terminar o seu trabalho, sorririam de felicidade, e veriam o seu próprio rosto refletido em sua obra, da mesma forma como Narciso via o seu rosto refletido na água da fonte. (Marx’s concept of man, Erich Fromm, New York, Frederick Ungar Publishing Co., 1964, “Manuscritos econômicos e filosóficos”, p.102)
Para W. que, com seu trabalho nestes últimos dias, soube brincar. E, ao terminá-lo, pôde sorrir de felicidade, vendo seu próprio rosto refletido na sua obra. Parabéns!
Para W. que, com seu trabalho nestes últimos dias, soube brincar. E, ao terminá-lo, pôde sorrir de felicidade, vendo seu próprio rosto refletido na sua obra. Parabéns!
segunda-feira, 4 de setembro de 2006
Vamos?
Por email:
Querida Suzi,
Obrigada pelo teu olhar sensível e delicado! Espero te encontrar em minha exposição no Rio Design da Barra, fico lá té dia 10 de setembro e terei prazer em recebê-la!
Beijinho
Sandra Guinle

Perdi o coquetel de abertura, porque só li o e-mail agora, às oito e quinze da noite, mas a exposição eu não perco!
Vamos??
Querida Suzi,
Obrigada pelo teu olhar sensível e delicado! Espero te encontrar em minha exposição no Rio Design da Barra, fico lá té dia 10 de setembro e terei prazer em recebê-la!
Beijinho
Sandra Guinle

Perdi o coquetel de abertura, porque só li o e-mail agora, às oito e quinze da noite, mas a exposição eu não perco!
Vamos??
Meu braço, o médico e a quase-cura
Atendendo a pedidos, fui ao médico.
Trata-se de um médico que cura todos os males, sabe? Assim: você chega ao consultório, ele lhe sorri e você já começa a ficar boa. Infelizmente não posso compartilhar o nome pelo qual ele é conhecido, aqui entre nós, porque é um jogo de palavras com o seu sobrenome, mas garanto que ele faz jus!
Bem, o certo é que já voltei melhor. Vou tirar a radiografia, conforme ele determinou, porque, fratura, ele me garantiu, não houve; mas pode ter sido uma outra coisa lá que ele falou mas que eu, realmente, não me lembro qual é porque não prestei atenção, encantada... Percebe?
Trata-se de um médico que cura todos os males, sabe? Assim: você chega ao consultório, ele lhe sorri e você já começa a ficar boa. Infelizmente não posso compartilhar o nome pelo qual ele é conhecido, aqui entre nós, porque é um jogo de palavras com o seu sobrenome, mas garanto que ele faz jus!
Bem, o certo é que já voltei melhor. Vou tirar a radiografia, conforme ele determinou, porque, fratura, ele me garantiu, não houve; mas pode ter sido uma outra coisa lá que ele falou mas que eu, realmente, não me lembro qual é porque não prestei atenção, encantada... Percebe?
domingo, 3 de setembro de 2006
Eu, Ballack, a bolsa e a sandalinha
- Alô? Suzi?- Alô! Mike?
- Isso, querida, sou eu. Suzinha, estou ligando pra dizer que estou levando a bolsa; e dentro dela estão as sandalinhas que você tanto queria.
- Ai!! Que bom!!! Mas... "dentro dela"?? Ué... não tinha caixinha?? Você sabe que eu gosto das caixinhas, meu amor...
- É, mas é que assim ocupa menos espaço...
- Ah, tá. Chega logo, então, meu querido. Tem festa no fim-de-semana e eu já quero usar!
- Ih.... Suzi... eles estão vindo na minha direção...
- Eles quem, querido?
- Os fiscais...
- Como assim, "os fiscais"?
- Os fiscais da alfândega, Suzinha... Eles descobriram...
- Descobriram? O quê??
- Eu soneguei, Suzinha... Eu soneguei...
* Michael Ballack teve de pagar multa de aproximadamente US$ 90 mil, dia 31 de agosto deste ano, por não declarar à alfândega de seu país uma bolsa que comprou para sua esposa, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. O valor da multa por essa infração na Alemanha é determinado pelos rendimentos do infrator. A bolsa, comprada durante um período de treinamento com o Bayern de Munique, em janeiro, custou US$ 2,5 mil.
Fonte: Plantão Oi - Imirante.com
Páginas da Vida - Sandra Guinle

Bati os olhos nas esculturas que apareceram na novela das oito e pronto!, reconheci na hora: isso é Sandra Guinle.
Há uns dois (?) anos estive no Jardim Botânico e havia uma exposição da artista, no parque. Ao ar livre, peças imensas, lindas, como o pai brincando de girar a filha no ar, o menino soltando pipa, um carrossel... e lá dentro, no salão, as peças menores.
Fiquei encantada. Falei com ela, mostrei meu encantamento, e ela me deu seu cartão. Eu estava planejando minha mudança e decidi que teria, uma que fosse, de suas esculturas, na minha casa. E vou ter.
Visite a exposição "on line" da Sandra Guinle e se comova também.
Cada instante é sempre
Sábado. Entre a vontade de estar na festa do meu irmão e a necessidade de fazer repouso, fiquei em casa. Pela hora do almoço minha mãezinha me trouxe gel de cânfora e arnica e é impressionante o que carinho de mãe e essa tal de arnica podem fazer! Um tantão de melhora já com a primeira aplicação.
Fim de noite, um pouco de msn e, depois, sofá. Um DVD musical e muitos sonhos. É também incrível como os sonhos alimentam a alma, alimentam o corpo, até. "Dura a vida alguns instantes / Porém mais do que bastantes / Quando cada instante é sempre."* Dormi e acordei agora. E ainda não sei onde acabava-se, o sonho, onde entrou a realidade. Sei que nada sei. Ou apenas o que basta saber.

Fim de noite, um pouco de msn e, depois, sofá. Um DVD musical e muitos sonhos. É também incrível como os sonhos alimentam a alma, alimentam o corpo, até. "Dura a vida alguns instantes / Porém mais do que bastantes / Quando cada instante é sempre."* Dormi e acordei agora. E ainda não sei onde acabava-se, o sonho, onde entrou a realidade. Sei que nada sei. Ou apenas o que basta saber.

*Chico Buarque em "Sempre".
sábado, 2 de setembro de 2006
Histórias de amor - XL
Ela era o sol
Ele, a lua
Ela sorria
Ele entendia
E num piscar de olhos
Tudo se moveu
Ele era dela
Ela era eu.
Ele, a lua
Ela sorria
Ele entendia
E num piscar de olhos
Tudo se moveu
Ele era dela
Ela era eu.
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histórias de amor
Dois de setembro

Eu amo meu irmão com um amor tão profundo que nem saberia explicar - mas os sentimentos mais profundos não precisam mesmo de explicação.
Dois de setembro. Dia do seu aniversário.
Logo cedo liguei pra ele e a alegria na sua voz me contagiou. Dava pra sentir o ar de festa no lar... E. formou uma família maravilhosa, com uma mulher que tem "sorriso de criança, olhos cor do céu; sempre carinhosa, que entende quem sou eu...", como ele mesmo cantou no dia do casamento; e filhos saudáveis, muito bem educados, e inteligentes. Enquanto o papai dava-lhes banho e falava comigo ao telefone, V. e L. mandavam-me beijos, numa alegria tão evidente, que meus olhos se encheram de lágrimas dessa mesma felicidade.
Temos uma família amorável e unida. Isso é alguma coisa espetacular e viver assim é uma grande bênção. Deus foi muito bondoso ao deixar que meu irmão nascesse na nossa família. Ele é um grande presente e sempre uma inspiração.
O versinho de toda a vida, pra gente não perder o costume:
"Maninho querido
do meu coração
eu te amo muituuuuu
você é bonitão."
Feliz Aniversário!!!
sexta-feira, 1 de setembro de 2006
Sábado chuvoso
Ainda sobre mim e a escada
C. fez um comentário adorável, no msn, quando lhe contei do meu meio alternativo de descer escadas, e sobre o queixo roxo, o hematoma na perna, e a dor no braço.
Suzi - ... virei o rosto. e arrebentei o queixo
C. - aiiii!!
Suzi - vou te mandar uma foto linda, do meu queixo roxo
Suzi - fora o roxo na perna
Suzi - na canela
Suzi - etc. etc.
Suzi - só isso
C. - só? tadinha, tão frágil... ô dózinha...
Suzi - (risos)
C. - tudo bem, também cansa estar 100% linda os 365 dias do ano, né...
Aí é que entra a questão familiar, entende? Modéstia zero.
É que C., minha primuska, é muito linda e docinha e sabe que eu estou me sentindo péssima. Então me alegra com essas piadinhas de bom gosto e pouca verdade. E eu gosto, é claro!
Vou dormir (mais) um pouquinho, agora que acabo de almoçar.
Obrigada pelos tantos bons desejos de melhoras, que tenho recebido. Isso ajuda mesmo, sabiam?
Suzi - ... virei o rosto. e arrebentei o queixo
C. - aiiii!!
Suzi - vou te mandar uma foto linda, do meu queixo roxo
Suzi - fora o roxo na perna
Suzi - na canela
Suzi - etc. etc.
Suzi - só isso
C. - só? tadinha, tão frágil... ô dózinha...
Suzi - (risos)
C. - tudo bem, também cansa estar 100% linda os 365 dias do ano, né...
Aí é que entra a questão familiar, entende? Modéstia zero.
É que C., minha primuska, é muito linda e docinha e sabe que eu estou me sentindo péssima. Então me alegra com essas piadinhas de bom gosto e pouca verdade. E eu gosto, é claro!
Vou dormir (mais) um pouquinho, agora que acabo de almoçar.
Obrigada pelos tantos bons desejos de melhoras, que tenho recebido. Isso ajuda mesmo, sabiam?
Citações
Salve!, salve!, queridíssimo Google!
E aqui está o texto de Di Cavalcanti, que me encantou, sobre o Rio de Janeiro. Está reproduzido na exposição, numa das paredes que trazem seus escritos; e pode ser ouvido por lá, porque rola um áudio enquanto você passeia pelas salas.
"O Rio de Janeiro tem coisas de que é impossível qualquer pessoa se desligar. Mesmo recebendo gente de toda parte, a cidade não consegue ser cosmopolita. Qualquer estrangeiro se torna carioca em pouco tempo.
O Rio de Janeiro exerce o milagre da esperança e todos que aqui vivem ressuscitam de hora em hora, sentindo na boca o gosto salgado de um novo batismo.
Ser autêntico carioca é possuir a dignidade de existir sem ambições supérfluas. É bastar-se a si mesmo na certeza de ser um privilegiado do destino.
Deus deu o alimento sonho ao carioca."
E aqui está o texto de Di Cavalcanti, que me encantou, sobre o Rio de Janeiro. Está reproduzido na exposição, numa das paredes que trazem seus escritos; e pode ser ouvido por lá, porque rola um áudio enquanto você passeia pelas salas.
"O Rio de Janeiro tem coisas de que é impossível qualquer pessoa se desligar. Mesmo recebendo gente de toda parte, a cidade não consegue ser cosmopolita. Qualquer estrangeiro se torna carioca em pouco tempo.
O Rio de Janeiro exerce o milagre da esperança e todos que aqui vivem ressuscitam de hora em hora, sentindo na boca o gosto salgado de um novo batismo.
Ser autêntico carioca é possuir a dignidade de existir sem ambições supérfluas. É bastar-se a si mesmo na certeza de ser um privilegiado do destino.
Deus deu o alimento sonho ao carioca."
Di Cavalcanti
Emiliano de Albuquerque e Mello, Di Cavalcanti, é um dos mais conhecidos e importantes artistas do modernismo brasileiro. "Um perfeito carioca" é o nome que leva a exposição de 110 de suas obras.
A mostra está acontecendo no Centro Cultural da Caixa (Av. Almirante Barroso, 25, Centro, naquele prédio enorme, da Cef), vai até o dia 17 de setembro, e sabe o que eu achei bem legal? Estão ali expostos, também, textos do escritor e poeta Di Cavalcanti - um lado pouco conhecido de um artista que, vê-se, trabalhava muito bem com as letras e as palavras.
Lamentei não ter anotado o que ele falou sobre o Rio de Janeiro, sobre a inexistente vocação do Rio para ser cosmopolita - porque todos que chegam aqui viram cidadãos cariocas; algo assim.
Sobre as mulheres, ele disse isto:
"As mulheres são frívolas,
Outras são muito sérias.
Há as que se calam observando
Mas geralmente falam muito
Todas podem interessar os homens
Mesmo as feias..."
(Di Cavalcanti, Viagem de Minha Vida)
(São João, 1969 - óleo sem tela)
Di Cavalcanti viveu entre 1897 e 1976
quinta-feira, 31 de agosto de 2006
Bom dia!
Estou com muita dor no meu braço direito. Imaginem... levei um tombo. Rolei do segundo degrau, numa escada de uns oito, quicando até chegar ao chão. De cima pra baixo...
Quero contar da exposição de pintura de E. Di Cavalcanti, no Centro Cultural da Caixa. Linda, e com citações maravilhosas do "perfeito carioca". Mas nem sei se consigo, hoje...
Quero contar da exposição de pintura de E. Di Cavalcanti, no Centro Cultural da Caixa. Linda, e com citações maravilhosas do "perfeito carioca". Mas nem sei se consigo, hoje...
quarta-feira, 30 de agosto de 2006
Caçador de mim
"Longe se vai sonhando demais
Mas onde se chega assim?..."
(Sérgio Magrão/Luiz Carlos de Sá)
Outro dia comentávamos acerca dos sonhos, de vidinha "mais ou menos", mesmice e coisas afins.
E às vezes me pego pensando que os sonhos mais lindos, os mais inesquecíveis, são aqueles que foram apenas sonhados, que nunca chegaram a se concretizar, que ficaram mesmo no campo dos sonhos, na arena da imaginação... E a gente volta ao passado, dez, quinze ou vinte anos atrás e se vê lá, menina, sonhadora, pensando num futuro que talvez não chegue nunca, mas continuamos ali, nos vendo, alimentando os sonhos, carregando-os de esperança. Olhinhos que brilhavam ao ver um menino passar, o sonho da casa de frente pro mar, de férias ininterruptas, de um barquinho deslisando à beira-mar, de crescer e conquistar o mundo... Sonhos inocentes, doces, ousados. Voltamos para o presente e nos vemos de novo, aqui, ainda sonhando.
Não desistimos nunca...
Mas onde se chega assim?..."
(Sérgio Magrão/Luiz Carlos de Sá)
Outro dia comentávamos acerca dos sonhos, de vidinha "mais ou menos", mesmice e coisas afins.
E às vezes me pego pensando que os sonhos mais lindos, os mais inesquecíveis, são aqueles que foram apenas sonhados, que nunca chegaram a se concretizar, que ficaram mesmo no campo dos sonhos, na arena da imaginação... E a gente volta ao passado, dez, quinze ou vinte anos atrás e se vê lá, menina, sonhadora, pensando num futuro que talvez não chegue nunca, mas continuamos ali, nos vendo, alimentando os sonhos, carregando-os de esperança. Olhinhos que brilhavam ao ver um menino passar, o sonho da casa de frente pro mar, de férias ininterruptas, de um barquinho deslisando à beira-mar, de crescer e conquistar o mundo... Sonhos inocentes, doces, ousados. Voltamos para o presente e nos vemos de novo, aqui, ainda sonhando.
Não desistimos nunca...
Ainda sobre perguntas e respostas
Ela citou Clarice Lispector, hoje. E eu copio, porque tem tudo a ver!
"Você sabe que a esperança consiste às vezes apenas numa pergunta sem resposta?..."
Salada de alface
Céu das oito da manhã
Depois de toda a chuva de ontem, poças d'água, moças molhadas, homens de sobretudo, guarda-chuvas virados, carros parados... Depois daquele frio tremendo, que até fazia tremer, do céu cinza, carregado de nuvens carregadas... Volta o sol amarelo-ouro, colorindo hoje o céu choroso de ontem.Nuvens branquinhas como algodão. Céu azulzinho como se fosse verão.
terça-feira, 29 de agosto de 2006
Sobre perguntas e respostas
Em algum momento da minha vida eu decidi que nem sempre devo fazer perguntas, quando quero saber. Descobri que as pessoas falam aquilo que acham que devem falar; e não será porque você pergunta e porque o outro responde que virá a verdade.
Então, pouco ou nada importa que se façam perguntas; a resposta depende sempre do querer do outro - e ele pode escolher entre responder o que lhe convém, ou dizer, realmente, a verdade, ainda que inoportuna.
Pra mim, o que importa, mesmo, é que a mentira não seja dita; e eu acho que é muito mais possível que a verdade venha espontaneamente, do que a partir de uma pergunta. Se "toda verdade é provisória" - segundo Emília Ferreiro - e se não importa saber todas as coisas, ainda acho que se alguém não falou alguma delas é porque não julgava aquilo importante - ao menos para o outro, naquele momento. Tudo o que é importante é o que se fala.
Mas posso estar completamente errada...
Então, pouco ou nada importa que se façam perguntas; a resposta depende sempre do querer do outro - e ele pode escolher entre responder o que lhe convém, ou dizer, realmente, a verdade, ainda que inoportuna.
Pra mim, o que importa, mesmo, é que a mentira não seja dita; e eu acho que é muito mais possível que a verdade venha espontaneamente, do que a partir de uma pergunta. Se "toda verdade é provisória" - segundo Emília Ferreiro - e se não importa saber todas as coisas, ainda acho que se alguém não falou alguma delas é porque não julgava aquilo importante - ao menos para o outro, naquele momento. Tudo o que é importante é o que se fala.
Mas posso estar completamente errada...
Manhã cinza e "Aquarela"

Eu vinha cedo, pro trabalho. Em dias de chuva o trânsito nesta cidade é caótico. Além da chuva, um carro incendiado na Marechal Câmara. Situações suficientes para que eu perdesse cinqüenta minutos num percurso que, em dias normais, eu faria em dez. Paciência. Paciência e música. Porque horário eleitoral ninguém merece. Então ouvi Toquinho, Miúcha, Carlos Lyra e Baden, e um pouquinho de Chico Buarque.
E "Aquarela" é mesmo música pra se ouvir a vida inteira! Imagine num dia de chuva, onde a cidade está totalmente cinza. É ouvir, cantar junto, e pintar seu dia...

"...Um menino caminha e caminhando chega no muro / E ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está / E o futuro é uma astronave / Que tentamos pilotar / Não tem tempo nem piedade / Nem tem hora de chegar / Sem pedir licença muda nossa vida / E depois convida a rir ou chorar / Nessa estrada não nos cabe / Conhecer ou ver o que virá / O fim dela ninguém sabe / Bem ao certo onde vai dar / Vamos todos numa linda passarela / De uma aquarela que um dia enfim / Descolorirá..."
segunda-feira, 28 de agosto de 2006
Cântico Negro (excertos)
(José Régio)
“’Vem por aqui’ – dizem-me alguns com olhos doces, estendendo-me os braços, e seguros de que seria bom que eu os ouvisse quando me dizem: ‘Vem por aqui’! Eu olho-os com olhos lassos, (há nos meus olhos ironias e cansaços) e cruzo o braços, e nunca vou por ali... Não, não vou por aí! Só vou por onde me levam meus próprios passos... Se vim ao mundo, foi só para desflorar florestas virgens, e desenhar meus próprios pés na areia inexplorada! O mais que faço não vale nada. Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós, E vós amais o que é fácil! Eu amo o Longe e a Miragem, Amo os abismos, as torrentes, os desertos... Ide! Tende estradas, tendes jardins, tendes canteiros, tendes pátrias, tendes tetos, e tendes regras, e tratados, e filósofos e sábios... Eu tenho a minha Loucura! Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura, e sinto espuma, e sangue e cânticos nos meus lábios... Ah, que ninguém me dê piedosas intenções! Ninguém me peça definições! Ninguém me diga: ‘vem por aqui’! A minha vida é um vendaval que se soltou. Não sei por onde vou, não sei para onde vou, sei que não vou por aí!”
“’Vem por aqui’ – dizem-me alguns com olhos doces, estendendo-me os braços, e seguros de que seria bom que eu os ouvisse quando me dizem: ‘Vem por aqui’! Eu olho-os com olhos lassos, (há nos meus olhos ironias e cansaços) e cruzo o braços, e nunca vou por ali... Não, não vou por aí! Só vou por onde me levam meus próprios passos... Se vim ao mundo, foi só para desflorar florestas virgens, e desenhar meus próprios pés na areia inexplorada! O mais que faço não vale nada. Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós, E vós amais o que é fácil! Eu amo o Longe e a Miragem, Amo os abismos, as torrentes, os desertos... Ide! Tende estradas, tendes jardins, tendes canteiros, tendes pátrias, tendes tetos, e tendes regras, e tratados, e filósofos e sábios... Eu tenho a minha Loucura! Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura, e sinto espuma, e sangue e cânticos nos meus lábios... Ah, que ninguém me dê piedosas intenções! Ninguém me peça definições! Ninguém me diga: ‘vem por aqui’! A minha vida é um vendaval que se soltou. Não sei por onde vou, não sei para onde vou, sei que não vou por aí!”
A vingança
Toca o celular.
- Alô.
- Alô, Senhora Suzi?
- Sim.
- Srª. Suzi, aqui é da CLARO, estamos ligando para oferecer a promoção Claro 1.382 minutos, onde a Srª. tem direito...
- Desculpe - interrompo - mas quem está falando??
- Aqui é Rosicleide Judite, da Claro, e estamos ligando...
- Senhora Rosicleide, me desculpe, mas para nossa segurança, gostaria de conferir alguns dados antes de continuar a conversa, pode ser?
- ... bem, pode.
- A Senhora trabalha em que área, na Claro?
- Telemarketing Pró-Ativo.
- A Senhora pode me informar seu número de matrícula na Claro?
- Senhora, desculpe, mas não creio que essa informação seja necessária.
- Então terei que desligar, pois não posso ter segurança de que falo com uma funcionária da Claro.
- Mas posso garantir...
- Além do mais, sempre sou obrigada a fornecer meus dados a uma legião de atendentes sempre que tento falar com a Claro.
- Minha matrícula é 65803258.
- Só um momento, enquanto verifico.
- ...
(Dois minutos)
- Só mais um momento.
- ...
(Cinco minutos)
- Senhora?
- Só mais um momento, por favor, nossos sistemas estão lentos hoje.
- Mas Senhora...
- Pronto, Rosicleide, obrigada por haver aguardado. Qual o assunto?
- Aqui é da Claro. Estamos ligando para oferecer a promoção Claro 1.382 minutos, onde a Senhora tem direito a falar 1.300 minutos e ganha 82 minutos de graça, além de poder enviar 372 Claro Torpedos totalmente grátis. A Senhora está interessada, Srª Suzi?
- Senhora Rosicleide, um momento; vou ter que transferir a senhora para o meu marido, porque é ele quem decide sobre alteração de planos de telefones celulares. Por favor, não desligue, pois essa ligação é muito importante para mim.
(Coloco o celular em frente ao aparelho de som, deixo a música "Festa no Apê" do Latino tocando, acionado o "repeat", e vou pra praia, ver o mar, sem hora pra voltar.)
- Alô.
- Alô, Senhora Suzi?
- Sim.
- Srª. Suzi, aqui é da CLARO, estamos ligando para oferecer a promoção Claro 1.382 minutos, onde a Srª. tem direito...
- Desculpe - interrompo - mas quem está falando??
- Aqui é Rosicleide Judite, da Claro, e estamos ligando...
- Senhora Rosicleide, me desculpe, mas para nossa segurança, gostaria de conferir alguns dados antes de continuar a conversa, pode ser?
- ... bem, pode.
- A Senhora trabalha em que área, na Claro?
- Telemarketing Pró-Ativo.
- A Senhora pode me informar seu número de matrícula na Claro?
- Senhora, desculpe, mas não creio que essa informação seja necessária.
- Então terei que desligar, pois não posso ter segurança de que falo com uma funcionária da Claro.
- Mas posso garantir...
- Além do mais, sempre sou obrigada a fornecer meus dados a uma legião de atendentes sempre que tento falar com a Claro.
- Minha matrícula é 65803258.
- Só um momento, enquanto verifico.
- ...
(Dois minutos)
- Só mais um momento.
- ...
(Cinco minutos)
- Senhora?
- Só mais um momento, por favor, nossos sistemas estão lentos hoje.
- Mas Senhora...
- Pronto, Rosicleide, obrigada por haver aguardado. Qual o assunto?
- Aqui é da Claro. Estamos ligando para oferecer a promoção Claro 1.382 minutos, onde a Senhora tem direito a falar 1.300 minutos e ganha 82 minutos de graça, além de poder enviar 372 Claro Torpedos totalmente grátis. A Senhora está interessada, Srª Suzi?
- Senhora Rosicleide, um momento; vou ter que transferir a senhora para o meu marido, porque é ele quem decide sobre alteração de planos de telefones celulares. Por favor, não desligue, pois essa ligação é muito importante para mim.
(Coloco o celular em frente ao aparelho de som, deixo a música "Festa no Apê" do Latino tocando, acionado o "repeat", e vou pra praia, ver o mar, sem hora pra voltar.)
domingo, 27 de agosto de 2006
O simples e o simplista
Você pode ser simples, sem ser simplista.
Marcelo Zep, um cara da publicidade, definiu mais ou menos assim - li em algum lugar - a diferença entre simples e simplista: "o simplista, pra mim, significa muita bugiganga e pouca sensibilidade. E o simples, pouca bugiganga e muita sensibilidade."
Ganhei quatro presentes simples, hoje. E estou feliz. Sensibilidade. Pura sensibilidade!
Marcelo Zep, um cara da publicidade, definiu mais ou menos assim - li em algum lugar - a diferença entre simples e simplista: "o simplista, pra mim, significa muita bugiganga e pouca sensibilidade. E o simples, pouca bugiganga e muita sensibilidade."
Ganhei quatro presentes simples, hoje. E estou feliz. Sensibilidade. Pura sensibilidade!
Efeito Borboleta

Enfim, vi hoje o filme que queria ter visto domingo passado.
"Efeito Borboleta" prende sua atenção do começo ao fim. Faz você refletir, pensar em como tudo poderia ter sido diferente, se...
E então você "viaja".
Um final não-previsível. Um elenco muito bom, com crianças fantásticas, interpretando muito bem, e a curiosidade de que pouquíssimas vezes usaram dublês, porque os atores, inclusive as crianças, quiseram fazer todas as cenas e fizeram mesmo, praticamente todas! Outra curiosidade: a cena no presídio foi gravada num presídio de verdade, em Washington, e os figurantes eram mesmo presidiários. Realidade cruel. Cenas fortes.
Fiquei estatelada no sofá, quando o filme acabou. A cabeça girando. As idéias, a imaginação fluindo e criando presentes e futuros diferentes.
Mas, até em contradição com os depoimentos colhidos (nos "extras" há um material interessante), percebi que o filme adota uma dinâmica linear, e são as grandes mudanças no passado que causam as grandes mudanças no futuro - quando na teoria do caos, no tal efeito borboleta, o sistema é não-linear; é caótico: qualquer pequena mudança traz enormes conseqüências. Um simples bater de asas de uma borboleta é capaz de causar um tufão no outro lado do mundo...
O grande lance desses filmes que nos põem a pensar nessas coisas, é que você fica um tempão viajando: e se eu não lavar a louça hoje, que grande mudança isso irá causar no futuro?? (no meu caso: e se eu lavar???) rs*; e se eu for à pracinha buscar um filme pra ver?? e se...? e se...??
E você vai dormir pensando. E se bobear, até sonha!
Mesmo sem sol, o mar é o mar
O dia amanheceu com muito vento. Não havia sol. Eu queria ler um pouco, e então resolvi ler de frente pro mar.
Fui à praia. Gotas de chuva pelo caminho, ruas vazias, fiquei passeando pela orla antes de parar. Vi coqueiros, as montanhas, ouvi o barulho das ondas, no mar verde-azul deste Rio de Janeiro. Parei. Arrumei minha cadeirinha, sentei olhando pras águas. Nenhuma gota de chuva caía na areia. Respirei fundo e fiquei ali, lendo e vendo, textos e ondas, palavras e rostos.
Pouca gente; quase deserta, a praia - não fossem os pescadores e os salva-vidas. Algumas gaivotas, uns poucos corredores, e eu, ali, no maior quilômetro quadrado de areia que você possa imaginar, num domingo! Dona do mar, e com a areia praticamente inteira, pra mim, vi a praia de um jeito quase impossível de se ver aos domingos.
Fui à praia. Gotas de chuva pelo caminho, ruas vazias, fiquei passeando pela orla antes de parar. Vi coqueiros, as montanhas, ouvi o barulho das ondas, no mar verde-azul deste Rio de Janeiro. Parei. Arrumei minha cadeirinha, sentei olhando pras águas. Nenhuma gota de chuva caía na areia. Respirei fundo e fiquei ali, lendo e vendo, textos e ondas, palavras e rostos.
Pouca gente; quase deserta, a praia - não fossem os pescadores e os salva-vidas. Algumas gaivotas, uns poucos corredores, e eu, ali, no maior quilômetro quadrado de areia que você possa imaginar, num domingo! Dona do mar, e com a areia praticamente inteira, pra mim, vi a praia de um jeito quase impossível de se ver aos domingos.
sábado, 26 de agosto de 2006
Domingo no parque
Duas crianças brincam no parquinho. Duas e muitas outras. Três, quatro, dez, vinte, talvez.
Cada criança tem seu brinquedinho, e no parque há outros, para que todas possam brincar sem brigar. É possível que uma criança sinta ciúme de um brinquedo que não é o seu??
Cada criança tem seu brinquedinho, e no parque há outros, para que todas possam brincar sem brigar. É possível que uma criança sinta ciúme de um brinquedo que não é o seu??
Gostos
Gosto da alegria de casa cheia. Gosto do silêncio da casa vazia. Tudo a seu tempo.
Hoje à tardinha teremos Clube da Luluzinha, aqui. No cardápio: risos, emoções, histórias, causos, e muito mais risos. De quebra,pãozinho de queijo torta salgada, folheados de frango, uns doces bolo de aipim, pizza, queijos, pastinha de soja com alho, pãezinhos, e alguma coisa pra beber.
Depois da festa, segue-se o silêncio. Dois momentos antagonicamente prazerosos. Incrivelmente a minha cara.
O silêncio nunca me incomodou. A tantas conclusões se chega quando se mergulha no silêncio! Tanta coisa se percebe no silêncio de uns olhos que apenas fitam! Silenciosamente é que se ouve aquilo que não se diz...
Hoje à tardinha teremos Clube da Luluzinha, aqui. No cardápio: risos, emoções, histórias, causos, e muito mais risos. De quebra,
Depois da festa, segue-se o silêncio. Dois momentos antagonicamente prazerosos. Incrivelmente a minha cara.
O silêncio nunca me incomodou. A tantas conclusões se chega quando se mergulha no silêncio! Tanta coisa se percebe no silêncio de uns olhos que apenas fitam! Silenciosamente é que se ouve aquilo que não se diz...
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